A influência do BMG no futebol brasileiro

Da Folha

Credor da bola

Presente na maioria das camisas do país, BMG se torna principal credor bancário dos clubes ao emprestar mais de R$ 100 mi 

RODRIGO MATTOS
DE SÃO PAULO

Visível para o torcedor nas camisas de seus times, o banco BMG tornou-se também o principal financiador dos buracos nas contas dos clubes.

Levantamento da Folha em 17 balanços de equipes da Série A do Brasileiro mostra uma dívida de pelos menos R$ 132,3 milhões com a instituição financeira mineira ao final do ano passado.

A maior parte foi emprestada durante 2010. Ao final de 2009, eram só R$ 13,7 milhões. Esses valores podem ser maiores porque vários documentos não informam os credores bancários.

Assim, o BMG tornou-se o principal banco no futebol, superando o BIC Banco, ao qual os clubes registram dever R$ 90 milhões.

Foi também no ano passado que o banco mineiro se tornou o principal patrocinador no futebol do país. E passou a comprar e vender direitos de jogadores por meio de empresa subsidiária.

De propriedade de Ricardo Guimarães, ex-presidente do Atlético-MG, o BMG ganhou notoriedade por estar envolvido no escândalo do mensalão. E atua no mercado de empréstimos consignados.

Seus principais devedores são São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Santos, Flamengo e Vasco -só não patrocina palmeirenses e corintianos.

"Em função do patrocínio, cria-se um relacionamento mais estreito", explicou o diretor de finanças do São Paulo, Oswaldo Vieira de Abreu.

Seu clube pegou R$ 40,6 milhões em 2010. Os empréstimos são feitos com garantias de rendas futuras, isto é, contratos de patrocínio e de TV. A receita que o time tem pode voltar para o banco.

O patrocínio do próprio BMG pode ser usado na quitação. Por enquanto, não há nessa relação com o São Paulo negociações de atletas.

O Corinthians deve R$ 36,7 milhões ao banco. "O BMG tem política agressiva de taxas. [O banco escolhido] Depende do momento", contou o diretor financeiro corintiano, Raul Corrêa da Silva.

Pelo balanço corintiano, o BMG é quem cobra os juros mais altos entre as instituições que tem relação com o clube: 1,9% por mês ou CDI (Certificado de Depósito Interbancário) mais 0,65%.

Os juros cobrados mudam para cada clube. Mas o que pesa em favor do BMG é liberar o dinheiro às vezes em 24 horas. O Bradesco, por exemplo, pode demorar sete dias.

Ser dependente de Ricardo Guimarães se mostrou danoso a longo prazo para seu próprio clube de coração.

O presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, contou que zerou empréstimos do BMG. "Preferimos o BIC."

Mas restaram R$ 108 milhões em dívida do clube com a empresa EGL Empreendimentos, também de Guimarães. O empréstimo foi contraído justamente na gestão do banqueiro no Atlético-MG. Hoje, o time mineiro ostenta o maior débito absoluto entre todos os times do país.

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5 comentários
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Alan Nakamura

Coincidência. Ontem assisti ao filme "The International", com Clive Owen e Naomi Watts, cuja trama trata de algo parecido. Um grande banco multinacional financia armas e guerras  pelo planeta (adquire equipamentos no mercado negro e revende de forma financiada). Como disse um dos personagens do filme: "não se trata de ganhar dinheiro com armas (ou jogadores de futebol), mas sim ser o dono das dívidas desses países ou grupos (ou clubes de futebol). Controlando a dívida, você controla tudo".

 
 
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Sérgio Lamarca

Vai ser o próximo a quebrar. Tem que investigar agora... de ve ser uma tremenda "lavanderia".

 
 
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joserezendejr

E o dono do banco ainda é atleticano???!!! Mais uma razão pra não pagar R$ 180 pela camisa do Cruzeiro -- que, além de fazer propaganda de banqueiro, ficou simplesmente horrorosa com aquelas três letras alaranjadas enormes, umas 10 vezes maiores que o escudo do time. Torcedor de futebol é antes de tudo um idiota: tira dinheiro do bolso pra sustentar cartola, banqueiro, dono de rede de televisão e outros parasitas.

 

joserezendejr

 
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Gardenal

Aí tem...... Alguém, em sã consciência, diria ser normal essa galática verba de publicidade destinada ao patrocínio esportivo, pelo BMG? Não há a menor chance de retorno desse investimento amazônicamente caudaloso. Quando se sabe que essa instituição financeira deixou suas impressões digitais no projeto do "Laboratório de Refino de Corrupção" estourado em Minas, bem como suas relações incestuosas com o irmão, Banco Rural, o estranho é que o Banco Central, a Receita Federal e outros órgãos controladores do mercado financeiro não tenha se ocupado de acurada investigação. Vocês já ficaram sabendo se, alguma vez, algum banco deixou prá lá e não cobrou créditos cedidos a clientes, como foi o caso dos que foram, supostamente, contraídos pela tal DNP (ou qualquer coisa assim) do Marcos Valério e pelo PT?

 
 
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mello

E  a  Polícia  Federal  e  o  Ministério  Público  nada  fazem.....Como  se   os  cartolas  do  futebol  não  atentassem  contra  a  Economia  Popular....

 
 

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