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A ilusão da social-democracia, por WallersteinEnviado por luisnassif, qui, 22/09/2011 - 10:28Por raquel_ Do Outras Palavras Que substituirá a social-democracia? Por Immanuel Wallerstein
Tradução: Antonio Martins A social-democracia teve seu apogeu no período entre 1945 e o final dos anos 1960. Naquele momento, representou uma ideologia e um movimento que lutaram pelo uso dos recursos do Estado para assegurar alguma distribuição em favor das maiorias, de distintas formas concretas. Expansão dos sistemas de Saúde e Educação. Garantia de níveis de renda ao longo da vida, por meio de programas que atenderam às necessidades dos sem-emprego, particularmente as crianças e idosos. Programas para reduzir o desemprego. A social-democracia prometeu um futuro sempre melhor para as gerações seguintes, algo como a elevação permanente da renda nacional e das famílias. Chamou-se isso de “estado do bem-estar social”. Era uma ideologia que refletia o ponto de vista segundo o qual o capitalismo poderia ser “reformado” e assumir uma face mais humana. Os social-democratas foram particularmente poderosos na Europa Ocidental, Grã-Bretanha, Austrália e Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos (onde eram chamados Democratas do New Deal). Em outras palavras, nos países ricos do sistema-mundo, aqueles que poderiam ser chamados de integrantes do mundo pan-europeu. Seu sucesso foi tão vasto que seus oponentes à direita também adotaram o conceito de estado do bem-estar social, limitando-se a reduzir sua abrangência e seus custos. No resto do mundo, os estados tentaram pular no bonde por meio de projetos de “desenvolvimento nacional”. A social-democracia foi um projeto muito bem-sucedido durante este período. Tornou-se viável graças a duas realidades daquele tempo: a incrível expansão da economia-mundo criou os recursos que fizeram a redistribuição possível; e a hegemonia dos Estados Unidos no sistema-mundo assegurou relativa estabilidade e, em especial, a ausência de violência grave no interior desta zona rica. O quadro cor-de-rosa não durou. Ambas as realidades se esgotaram. A economia-mundo deixou de se expandir e entrou em longa estagnação, na qual ainda vivemos; e os Estados Unidos iniciaram seu longo, ainda que lento, declínio enquanto potência hegemônica. Ambas realidades aceleraram-se consideravelmente no século 21. A nova era iniciada nos anos 1970 viu o fim do consenso centrista em torndo das virtudes do estado de bem-estar social e do “desenvolvimento” estimulado pelo Estado. Tal consenso foi substituído por um nova ideologia mais à direita — chamada de neoliberalismo, ou Consenso de Washington — que sustentava os méritos da gestão da sociedade pelos mercados, mais que pelos governos. Afirmou-se que este programa baseava-se na realidade, supostamente nova, da “globalização”, diante da qual “não havia alternativa”. A implementação dos programas neoliberais parecia favorecer altos níveis de “crescimento” nos mercados de ações, mas ao mesmo tempo levou, em todo o mundo, a níveis crescentes de endividamento e desemprego – e a níveis mais baixos de renda para a vasta maioria das populações do planeta. Ainda assim, os partidos que haviam sido os pilares os programas social-democratas, à esquerda, moveram-se para a direita, retirando ou reduzindo o apoio ao estado do bem-estar social e aceitando que o papel dos governos reformistas deveria ser reduzido consideravelmente. Embora os efeitos negativos sobre a maioria das populações fossem sentidos mesmo no interior do mundo pan-europeu rico, eles afetaram de modo mais agudo o resto do mundo. Que seus governos fizeram? Começaram a tirar partido do declínio relativo econômico e geopolítico dos Estados Unidos (e, mais amplamente, do mundo pan-europeu). Focaram em seu próprio “desenvolvimento nacional”. Usaram o poder de seus aparatos de estado e seus custos de produção mais baixos para se converter em nações “emergentes”. Quanto mais à esquerda estivessem sua retórica, e mesmo seu compromisso político, mais eles mostraram-se determinados a “desenvolver”. Esta atitude poderá ajudá-los, como fez em realação aos países do mundo pan-europeu no período pós-1945? Não é nem um pouco certo que sim, apesar das impressionantes taxas de “crescimento” de algumas destas nações – particularmente os tão-falados BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China) – nos últimos cinco ou dez anos. Porque há sérias diferenças entre o atual estado do sistema-mundo e o vivido no imediato pós-1945. Primeiro, os custos de produção são hoje, apesar dos esforços dos neoliberais, consideravelmente maiores que os do período pós-1945, o que ameça as possibilidades reais de acumulação de capital. Isso torna o capitalismo um sistema menos atraente para os capitalistas. Os mais sagazes, dentre estes, estão procurando meios alternativos de assegurar seus privilégios. Segundo, a capacidade das nações emergentes para ampliar, a curto prazo, sua riqueza exerce grande pressão sobre os recursos necessários para atender suas necessidades. Surgiu, em consequência, uma corrida sempre crescente por terras, água, alimentos e recursos energéticos. Ela está levando a lutas ferozes e, ao mesmo tempo, reduzindo a capacidade global dos capitalistas em acumular capital. Terceiro, a enorme expansão da produção capitalista criou sérias pressões sobre a natureza em todo o mundo, a ponto de provocar uma crise climática, cujas consequências ameaçam a qualidade de vida em todo o mundo. Este processo desencadeou um movimento que busca questionar as virtudes do “crescimento” e do “desenvolvimento”, enquanto objetivos econômico. A exigência crescente de uma perspectiva “civilizacional” diferente é o que está sendo chamado, em países da América Latina, de movimento pelo “bien vivir”. Quarto, as demandas de grupos subalternos por participação real nos processos de tomada de decisões dirigem-se não apenas aos “capitalistas”, mas também aos governos de “esquerda” que estão promovendo o “desenvolvimento” nacional. Quinto, a combinação de todos estes fatores, mais o declínio visível do antigo poder hegemônico gerou um clima de flutuações constantes e radicais, tanto na economia-mundo quando na situação geopolítica. O resultado foi a paralisia tanto dos empreendedores quanto dos governos do mundo. O grau de incerteza – no longo e no curto prazo – elevou-se acentuadamente, e com ele o nivel real de violência. A solução social-democrata tornou-se uma ilusão. A questão é: que irá tomar o seu lugar, para a vasta maioria das populações do planeta?
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Comentários + votados
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Ivan Moraes
22/09/2011 - 10:40
"A questão é: que irá tomar o seu lugar, para a vasta maioria das populações do planeta?":
Necessariamente, pra comecar, um monte de banqueiros pendurados pelo pescoco. Se eu tiver que advinhar...
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Ivan Moraes
22/09/2011 - 10:59
Por sinal, "o ceu ta caindo" de novo...
http://www.google.com/finance
Eles REALMENTE querem que a populacao mundial pague pelo que fizeram. Por isso reagiram aas medidas do Fed. Nada eh...
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Bruno Cabral
22/09/2011 - 11:20
O mais interessante é que fizeram a lambança, foram socorridos pelos governos e, tirando Maddoff, ninguém foi preso pela crise de 2008. Ou no minimo serem impedidos de trabalhar no sistema financeiro...
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edv
22/09/2011 - 11:54
A banca internacional (instituições financeiras em geral) é a grande organização terrorista, já que representa a "al-QUEDA" da economia mundial (exceto a deles próprios).
Vejo uma enorme...
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edv
22/09/2011 - 11:57
Lembrando que Madoff só foi preso, evidentemenet, porque prejudicou "seus iguais"!
Se tivesse prejudicado, por ex., mutuários de casa própria, a situação seria outra...
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edv
22/09/2011 - 12:07
Qual a punição, não me atrevo, mas concordo que esses pouco milhares de financistas causam um prejuízo incomensurável a quase 7 bilhões de pessoas no planeta (mais de 1 bilhão na miséria) para TER o...
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Cláudia Stefani
22/09/2011 - 13:08
Ivan, você está querendo demais. Se não conseguem nem passar uma mísera regulamentação para o sistema financeiro que dirá botar a corda no pescoço de banqueiros?
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Luiz Lima
22/09/2011 - 13:26
Faz isso não, Daniel. Os seres humanos não são gananciosos. São ensinados a sê-lo, e infelizmente, nos tempos que correm, desde a mais tenra idade.
O que você vê ainda é a pré-História da Humanidade...
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Alan Souza
22/09/2011 - 14:08
Esse texto do George Magnus sim, está excelente, didático e indo ao ponto central da questão. O texto do Wallerstein cai numa armadilha quando afirma que a social-democracia foi substituída pela...
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-Charlie-
22/09/2011 - 14:56
Falou, falou e não disse o óbvio: a social democracia levou à criação do "welfare state" no pós segunda guerra por uma única razão: necessidade de conter o avanço socialista ao leste, pela URSS. A...
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Chico. Cerrito
22/09/2011 - 11:30
Mas a crise é da social democracia ou do capitalismo neoliberal?
Quem levou o planeta a este estado?
Não foram os FHCs, Bushs, Blairs, Berluscones, Sarkozis, Merkels e banqueiros sem lei da vida?...
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ELAINE_ALVES_N_BLEFARI
22/09/2011 - 11:53
Cada vez mais me lembro da palavras de karl Marx.
O capiltalismo será o germe da sua propria destruição.... que bom estar vendo e vivendo isto , tão antigo mas ao mesmo tempo tão conteporâneo.
Depois...
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Ronald Reagan
22/09/2011 - 17:14
Concordo plenamente! Após enforcar os banqueiros, suas mulheres devem ser violentadas! E seus filhos dados de comer para cães e aves, às vistas das mulheres violentadas, que então terão um funil...
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"A questão é: que irá tomar o seu lugar, para a vasta maioria das populações do planeta?":
Necessariamente, pra comecar, um monte de banqueiros pendurados pelo pescoco. Se eu tiver que advinhar, entao eh a Grecia que vai inaugurar a pratica.
NAO da pra comecar de outra maneira. Nao sobra qualquer outra coisa pra fazer se eles nao forem colocados em seu devido lugar. Eles nao deixam outra coisa existir. Nem sequer governo.
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
Cada vez mais me lembro da palavras de karl Marx.
O capiltalismo será o germe da sua propria destruição.... que bom estar vendo e vivendo isto , tão antigo mas ao mesmo tempo tão conteporâneo.
Depois da queda do muro de Berlim as coisas ficaram muito confusas para o pensamento socialista, mas acredito que algo novo está vindo e que bom que está partindo da America Latina.
Qual a punição, não me atrevo, mas concordo que esses pouco milhares de financistas causam um prejuízo incomensurável a quase 7 bilhões de pessoas no planeta (mais de 1 bilhão na miséria) para TER o que sequer conseguem usufruir!
E é inacreditável que o consigam impunemente!
Quando isso vai acabar (ou ser minimizado?!)
Vá ter poder assim lá em Wall Street, ou na City, ou em Washington ...
Ivan, você está querendo demais. Se não conseguem nem passar uma mísera regulamentação para o sistema financeiro que dirá botar a corda no pescoço de banqueiros?
Concordo plenamente! Após enforcar os banqueiros, suas mulheres devem ser violentadas! E seus filhos dados de comer para cães e aves, às vistas das mulheres violentadas, que então terão um funil inserido na boca, onde será derramado água ardente, de maneira que elas morram padecendo das maneiras mais atrozes!
Dessa maneira, acabará a Pré-História da Humanidade, e viveremos todos em paz. Palavra da salvação.
Concordo. Pendurados nas tripas dos últimos sarcedotes neoliberais.
Almeida
Por sinal, "o ceu ta caindo" de novo...
http://www.google.com/finance
Eles REALMENTE querem que a populacao mundial pague pelo que fizeram. Por isso reagiram aas medidas do Fed. Nada eh culpa deles. Nunca eh.
http://www.nytimes.com/2011/09/23/business/global/daily-stock-market-act...
"Wall Street se Junta aa Queda dos Stocks depois que o Fed Anuncia Medidas"
By MATTHEW SALTMARSH, Setembro 21, 2011
Mercados de stock mundiais despencaram nessa quinta feira, enquanto o pessimismo dos investidores sobre a situacao das economias dos EUA e Europa foi aprofundado por numeros ruins para a zona do Euro e uma analise (grim =alarmante?) do Federal Reserve.
"Nos estamos hoje presos a uma espiral negativa", disse Matthias Jasper, chefe do banco de equities WGZ Bank em Dusseldorf. "Investidores somente querem manter sua exposicao baixa e olhar da arquibancada".
(continua no link)
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
O mais interessante é que fizeram a lambança, foram socorridos pelos governos e, tirando Maddoff, ninguém foi preso pela crise de 2008. Ou no minimo serem impedidos de trabalhar no sistema financeiro por dez anos (qualquer semelhança com Michael Douglas em Wall Street - Poder e Cobiça é não é mera coincidência)
Lembrando que Madoff só foi preso, evidentemenet, porque prejudicou "seus iguais"!
Se tivesse prejudicado, por ex., mutuários de casa própria, a situação seria outra...
Mas a crise é da social democracia ou do capitalismo neoliberal?
Quem levou o planeta a este estado?
Não foram os FHCs, Bushs, Blairs, Berluscones, Sarkozis, Merkels e banqueiros sem lei da vida?
Acaso algum deles foi, é ou agiu como social democrata?
Vide artigo de empregado de banqueiro suiço agora alegando que Marx tinha razão...
Mas os neoliberais continuam receitando a asfixia como cura e solução para o enfisema.
“Deem uma chance a Karl Marx!”
21/09/2011
Consultor especial do maior banco suíço defende interpretações marxistas sobre a crisee propõe reversão completa das políticas de “austeridade”
Por George Magnus | Tradução: Daniela Frabasile e Cauê Seigner Ameni
(No blog de Outras Palavras: quem é George Magnus e por que seu texto é importante)
Os dirigentes políticos que lutam para compreender o avalanche de pânico financeiro, os protestos e outros fatos que afligem o mundo deveriam estudar a obra de um economista morto há muito tempo: Karl Marx. Quem reconhecer estamos frente a uma das grandes crises do capitalismo, estará mais preparado para examinar seus detalhes e buscar as saídas.
O espírito de Marx, que está enterrado em um cemitério perto de onde viveu, no norte de Londres, levantou-se da tumba devido à crise financeira e à recessão econômica posterior. A profunda análise do filósofo com mais conhecimentos sobre o capitalismo tem diversos defeitos, mas a economia global de hoje apresenta muitas misteriosas semelhanças com as condições previstas por ele.
Consideremos, por exemplo, a predição de Marx, de que o conflito inerente entre o capital e o trabalho se manifestaria de modo aberto. Como escreveu em O Capital, a busca das empresas pelo lucro e pela produtividade diminui naturalmente a necessidade de trabalhadores, o que leva à criação de um “exército industrial de reserva” de pobres e desempregados: “o acúmulo da riqueza em um polo é, portanto, ao mesmo tempo um acúmulo de miséria”.
O processo que Marx descreve é visível em todo o mundo desenvolvido, particularmente nos esforços das companhias norte-americanas para reduzir custos e evitar a contratação no país. A parcela da produção econômica apropriada pelas empresas, na forma de lucros corporativos, chegou ao nível mais alto em seis décadas. Enquanto isso, a taxa de desemprego subiu para 9,1% e os salários reais estão estagnados.
A desigualdade de renda nos Estados Unidos chegou, por sua vez, a seu nível mais alto desde a década de 1920. Antes de 2008, a disparidade de renda foi obscurecida por fatores como o crédito fácil, que permitiu às famílias pobres desfrutar de um estilo de vida similar ao dos mais ricos. Agora, muitos já não têm uma casa para voltar e descansar.
O paradoxo do excesso de produção
Marx também apontou o paradoxo de um excesso de produção e de baixo consumo: quanto mais trabalhadores permaneçam relegados à pobreza, menos serão capazes de consumir todos os bens e serviços que as empresas produzem. Quando uma empresa reduz os custos para aumentar o lucro, está sendo esperta; mas quando todas as empresas fazem isso ao mesmo tempo, minam a distribuição da renda e a demanda efetiva dos que dependem dos salários.
Este problema também é evidente no mundo desenvolvido de hoje. Temos uma capacidade substancial de produção. Porém, nas classes de baixa e média renda, encontramos uma insegurança financeira generalizada e baixas taxas de consumo. O resultado é visível nos Estados Unidos, onde a construção de novas habitações e as vendas de automóveis permanecem cerca de 75% e 30% abaixo de seus picos de 2006, respectivamente. Como dizia Marx em O Capital: “a razão última de todas as crises reais ainda é a pobreza e o consumo restrito das massas”
Diante da crise
Como enfrentar esta crise? Para colocar o espírito de Marx em ação, os dirigentes políticos devem ter como prioridade a criação de postos de trabalho, e considerar outras medidas pouco ortodoxas. A crise não é temporária, e certamente não vai se curar pela paixão ideológica dos governos pela austeridade.
Eis existem cinco eixos principais de uma estratégia cujo tempo, infelizmente, ainda não chegou.
Em primeiro lugar, temos que sustentar o consumo e o crescimento da renda. Do contrário, cairemos em uma armadilha da dívida, com graves consequências sociais. Os governos que enfrentam uma crise iminente da dívida – incluindo Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido – deveriam fazer da criação de empregos uma prioridade política. Nos Estados Unidos, a taxa de desemprego está tão alta quanto na década de 1980. Os índices de subemprego encontram-se, em quase toda parte, em patamares não vistos antes. Redução de impostos pagos pelo empregador e a criação de incentivos fiscais para encorajar as empresas a investir e a contratar mais pessoal seriam um bom começo.
Aliviar a carga
Em segundo lugar, para aliviar a carda da divida das familias, as novas medidas devem permitir restruturar sua divida hipotecária, ou criar alguns mecanismos de adiamento dos débitos
Em terceiro lugar, para melhorar a funcionalidade do sistema de crédito, os bancos bem capitalizados e estruturados devem permitir que o capital flua, para as pequenas empresas. Os governos e bancos centrais poderiam participar no gasto direto ou financiamento indireto dos investimentos em programas de infraestrutura.
Em quarto lugar, para aliviar a carga da dívida dos países na zona euro, os credores europeus devem ampliar a redução da dívida da Grécia, e oferecer-lhe prazos de pagamento mais largos que os propostos recentemente. Se os eurobônus forem uma ponte longe demais, a Alemanha deve defender uma recapitalização urgente dos bancos, para ajudar a absorver as perdas inevitáveis através de um Fundo Europeu de Estabilidade Financeira muito ampliado. É uma condição sine qua non para resolver a crise do mercado de bônus lançados pelos Estados, pelo menos
Construção de defesas
Em quinto lugar, para construir defesas contra o risco de cairmos na deflação e na estagnação, os bancos centrais deveriam olhar mais além dos programas de compra de títulos, e buscar, ao invés disso, um ritmo real de crescimento da produção econômica. Isso levaria a enfrentar, por certo período, uma inflação moderadamente alta, que poderia reduzir as taxas reais de juros a muito abaixo de zero e facilitar uma redução da carga da dívida.
Não podemos saber os detalhes de como estas propostas poderiam funcionar, ou quais podem ser suas consequências. Porém, a política que sustenta o status quo é muito menos aceitável. Pode ser que os Estados Unidos vivam dificuldades mais graves que as do Japão, nos anos 1990, e que a fratura da zona do euro tenha inesperadas consequências políticas. Em 2013, a crise do capitalismo ocidental poderia facilmente estender-se à China, mas isso é outra história.
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George Magnus foi (1997-2004) economista-chefe da União de Bancos Suíços (UBS) e é, desde então, consultor senior desse banco
http://www.outraspalavras.net/2011/09/21/deem-uma-chance-a-karl-marx/
Esse texto do George Magnus sim, está excelente, didático e indo ao ponto central da questão. O texto do Wallerstein cai numa armadilha quando afirma que a social-democracia foi substituída pela ideologia neoliberal do Consenso de Washington. Daí a sua conclusão (minha também) que a crise é do neoliberalismo, e não da social-democracia.
Demóstenes Torres na cadeia: uma campanha pelo bem do Brasil!
Social democracia virou ilusao. Pode ser. Pode ser que sempre tenha sido, de fato, se incluisse a ideia de perdurar, de virar um sistema estável. Mas, e o tal "novo projeto transformador", que aliás nao consta do artigo, apenas da apresentaczao do tradutor? Será uma nova ilusão? Por que já houve outras ilusões, tambem, travestidas de 'novo projeto transformador". Um pouco de ilusão sempre é necessária, mas... A social democracia pode ter sido e pode ser uma ilusão, mas, pelo jeito, criou muita coisa não ilusória. Se calhar, criou mais do que muitos 'novos projetos transformadores".
A banca internacional (instituições financeiras em geral) é a grande organização terrorista, já que representa a "al-QUEDA" da economia mundial (exceto a deles próprios).
Vejo uma enorme diferença entre o capitalismo que chamo de produtivo, que pode ser social e distribuir riqueza (e não pobreza, como no comunismo ditatorial), e o financeiro, especulativo, que não gera, mas concentra riqueza para os que já a tem (riqueza para a riqueza).
É o dinheiro "magnético" ("moneygnetic"...) que, onde passa, suga mais...
Ex: captar dinheiro com lançamento de ações em bolsa alimenta as empresas que querem produzir. Já a compra e venda especulativa das mesmas dentro da bolsa pouco interfere na atividade econômica produtiva (as vezes, negativamente). Mera jogatina que permite a alguns ganhar (de onde?) dinheiro sem sequer saber o que a empresa faz.
Isto é resultado da liberdade (que defendo) de mercado, mas que, assim como a liberdade de imprensa/míRdia (que também defendo), TEM QUE ter responsabilidade!
Os jogadores do mercado financeiro, se comportam como os donos de míRdias: querem TOTAL liberdade (isto é: total IRresponsabilidade), chegando a chantagear o congresso da nação mais poderosa do planeta, até com documentos de isenção legal! (para eles).
Para que?! Comprar mansões, iates, jatinhos, bólidos, drogas, prostitutas? Nada contra, desde que possam usufruí-las efetivamente (eminentemente, só as drogas e prostitutas). Warren Buffet, por ex., vive na mesma casa desde que casou...
O que precisamos, cada vez mais, é ligar (sempre) o dinheiro a resultado econômico tangível, produto ou serviço que beneficia todas as partes envolvidas.
E isso é "tão difícil" quanto regulamentar a responsabilidade da míRdia...
Vencer o poder deles ... que não são muitos.
Bem, a própria democracia em si é uma ilusão... Você só é "livre" enquanto não interferir nos interesses de alguém que tenha muito dinheiro ou "amigos importantes".
(P.S: E já sabendo da incapacidade de compreensão de muitos, não estou portanto dizendo que então o ideal seria o Comunismo. Porquê o comunismo é outra ilusão, o ser humano é inerentemente ganancioso e egoísta demais para o comunismo ideal funcionar. Se existe alguma alternativa que não seja vivermos todos em uma enorme fazenda igualitária "na marra" (comunismo ao extremo) e que não seja ser gado de algum psicopata endinheirado (capitalismo ao extremo), essa alternativa está em algum ponto no meio do caminho)
Faz isso não, Daniel. Os seres humanos não são gananciosos. São ensinados a sê-lo, e infelizmente, nos tempos que correm, desde a mais tenra idade.
O que você vê ainda é a pré-História da Humanidade. Um dia, seremos todos livres - nós, os explorados, da exploração, e os exploradores, do fardo terrível de perpetuá-la. Não se submeta à derrisão e ao cinismo. Parafraseando um velho subersivo italiano, sejamos pessimistas pela razão e otimistas pela vontade.
O estado bem-estar social é e continua sendo um sucesso. As populações sempre vão desejar proteção social, o neoliberalismo gera as crises e quem fica com a culpa é a social democracia? Basta verem o que ocorre na América Latina, o neoliberalismo foi enterrado enquanto as políticas de assistência social são expandidas.
Há um sentimento entre pessoas de mais idade e até jovens que conhecem a história, que a humanidade era mais feliz na Social-democracia (1945/1973) do que na Democracia-liberal (1989/2008).
Os anos 60 e 70 são de grandes mudanças sociais e riqueza cultural com todas as representações artísticas esbanjando criatividade (música, cinema, literatura, artes plásticas), verdade que sobrou alguma coisa boa desse período nas décadas de 80 e 90, nos anos 2000 embarcamos de vez na pobreza pós-moderna.
Num ponto a crise é positiva, pois é preciso mudar o que não é correto.
Um revolve,rmuma faca,uma corda,uma pedra,todas estas coisas podem servir bem ou mal dependendo doe u uso,aliás do seu usuário.As ideologias são a mesma coisa,são mero instrumentos de politicas sócio-economicas,o problema é o homem,que desvirtua seus conceitos em proveito de uma minoria.Comunismo,socialismo,social democracia são ainda boas ideologias,não adianta se criar alguma(como a chamada terceira via inglesa),se as usam em carater predatório,A social democrcia aqui no continemte latino vai bem,há que se melhorar,lógico,mas que ela é bem melhor que a usada na Europa,ah sim,bem melhor.e agora que ela fracassou por lá vem com este papo de o que vai ser dela.Este é o complexo de vira lata,não deu certo no chamado "primeiro mundo" então acabou.Nós não temos que nos preocupar com as ideologias,mas com os homens,enquanto a humanidade estiver vivendo em uma sociedade verticalizda,não há ideologia mágica o bastante que resolva os problemas politicos,sociais e economicos,Temos que primeiro horizontalizar o máximo possivel,masi podefr nas mãos de muitos e menos nas mão de poucos,Então paremos de discutir sobre a pedra que quebrou a vidrça,e vamos nos ater em quem atirou.
Primeiro, os custos de produção são hoje, apesar dos esforços dos neoliberais, consideravelmente maiores que os do período pós-1945, o que ameça as possibilidades reais de acumulação de capital. Isso torna o capitalismo um sistema menos atraente para os capitalistas. Os mais sagazes, dentre estes, estão procurando meios alternativos de assegurar seus privilégios.
Quem prova que os neoliberais (à partir de Thatcher) fizeram esforços para diminuir os custos de produção? Fizeram esforços para diminuir o custo do trabalho, o que é muito diferente.
Diminuir os custos do trabalho pode, por exemplo, ser uma política da empresa para aumentar o lucro. A acumulação de capital e o aumento das grandes fortunas neste período, principalmente através da atividade finaceira, foi enorme!!!
O neoliberasmo deixa como legado uma caixa-preta, cujo conteúdo vem sendo parcialmente revelado através da crise econômica presente. E novamente, buscam-se no trabalho, os recursos necessários para cobrir o custo desta "crise".
Resta também salientar que os partidos, ditos social-democratas, quando ocuparam o poder na era pós-Thatcher, adotaram políticas marcadamente neoliberais. Portanto, o autor deveria se ocupar da crítica ao neoliberalismo!!!
CRVO
Falou, falou e não disse o óbvio: a social democracia levou à criação do "welfare state" no pós segunda guerra por uma única razão: necessidade de conter o avanço socialista ao leste, pela URSS. A lógica era muito simples: coibir revoluções populares em uma Europa em reconstrução, dando ao povo condições decentes de vida (ceder os aneis para não perder os dedos). Se o povo continuasse miserável e oprimido, os vizinhos vermelhos estariam prontos a acender a centelha revolucionária. Com o povo de barriga cheia e vivendo bem, se meteriam em revolução para que?
Com a queda do socialismo, deixou de haver esse contraponto ao regime vigente. Então, de forma paulatina, foi sendo desmontada a rede de proteção social, sob os argumentos do Consenso de Washington: não é mais possível manter tais custos elevados, o estado é ineficiente, precisamos privatizar, gasto social é despesa, o mercado resolve tudo etc.
Não é à toa que o muro de Berlim caiu em 09/11/1989, e John Williansom cunhou a expressão "Consenso de Washington" em 1990, definindo o que viria pela frente.
O ser humano vem se tornando um bicho por demais complicado. Embarca numa corrida louca atrás de acumular bens para usufruir num amanhã que nunca chega. Quando se dá conta. Atropelou a vida, se tornou um traste imprestável. Tá certo que até chegar ai, juntou muitas tralhas e muito dinheiro, que ao final, lhe renderá confortável ataúde de boa carpintaria em madeira de lei. Impecáveis instalações de suntuoso mausoléu, depositário final dos restos inúteis de uma vida idem.
Tudo isso, é muito rápido, muito limpo e cheiroso. Pode-se também, optar pela cremação do presunto, digo, do corpo. Após concorrida exéquias, onde rolarão muitas lágrimas de agradecimentos pela robusta herança deixada pelo morto, suas cinzas são recolhidas, podendo ser guardadas num cofre do Banco que lhe rendeu tanta riqueza. Ou, simplesmente, serem atiradas ao lixo.
Orlando
E é aí que está uma das maiores forças do Brasil para crescer e se impor durante a crise:
"Segundo, a capacidade das nações emergentes para ampliar, a curto prazo, sua riqueza exerce grande pressão sobre os recursos necessários para atender suas necessidades. Surgiu, em consequência, uma corrida sempre crescente por terras, água, alimentos e recursos energéticos (e minerais - adição minha). Ela está levando a lutas ferozes e, ao mesmo tempo, reduzindo a capacidade global dos capitalistas em acumular capital."
Se somarmos a esse potencial uma política econômica desenvolvimentista e uma política social inclusiva, temos tudo para consolidar nosso país como uma potência mundial.
Está nas mão do governo Dilma que, infelizmente, até agora não se acertar nos trilhos desse caminho.
Talvez um socialismo democrático à la Allende em substituição a tentativa burocrática de socialismo dos soviets q deu brechas para a tentativa de sepultamento ideologico da idéia. O mundo certamente hj seria outro se os EUA e a URSS não tivessem trucidado com embargos, armas e uma classe média podre e servil, as experiências no Chile de Allende e na Primavera de Praga
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