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A homossexualidade de Mário de AndradeEnviado por luisnassif, seg, 20/02/2012 - 09:27
Por wilson yoshio.blogspot
Euler de França Belém Homossexualidade “trava” biografia de Mário Andrade O Ezra Pound brasileiro era homossexual, usava cocaína e abusava de bebidas alcoólicas. ulcão de complicações, o autor de “Macunaína” vai ganhar uma biografia explosivaÁlbum de família/1935 Finalmente! O escritor Mário de Andrade, autor do romance “Macunaíma” e do poema “Pauliceia Desvairada”, morto há 61 anos, em 25 de fevereiro de 1951, vai ganhar uma biografia, escrita pelo jornalista Jason Tércio. Na sexta-feira, 10, no suplemento de cultura do “Valor Econômico”, o ótimo “Eu&”, o jornalista e biógrafo Tom Cardoso revela, no texto “Enfim, uma biografia de Mário”, a história da biografia em andamento. É um fato a comemorar, pois, embora nascido há 118 anos (9 de outubro de 1893), o papa da Semana de Arte Moderna de 1922 e um dos principais inventores do modernismo no Brasil, o modernismo com cor local, jamais havia ganhado uma biografia — decente ou indecente. Qual o motivo do “esquecimento”, se Mário é um dos autores mais estudados do país? Simples: sua homossexualidade, quase sempre apresentada en passant, inclusive com sugestões de que tinha amantes mulheres — quatro ou cinco grandes amores femininos. A própria reportagem de Tom Cardoso — não é uma resenha, porque o “livro”, que deve ser publicado pela Editora Objetiva, teve apenas sua primeira versão concluída — passa ao largo. O autor, sabendo das dificuldades de lidar com um intelectual tão múltiplo (e defendido pelos acadêmicos) — “um vulcão de complicações”, como ele disse, numa carta a Sérgio Buarque de Holanda, em 1934 —, é cuidadoso. O texto do “Valor” tangencia a questão da homossexualidade e não menciona a paixão de Mário por drogas, inclusive cocaína, e bebida alcoólica. Como nem sempre tinha dinheiro para adquirir uísque e vinhos refinados, tomava porres homéricos de cerveja. Mas é preciso mesmo cuidado com o tema da homossexualidade, não por temor à família e aos tabus tropicais, e sim porque não define um escritor da qualidade e complexidade de Mário. Há sempre o risco de, ao se abusar do sensacionalismo, o biógrafo concentrar-se nos baixos instintos, no apelo ao popularesco. Ainda assim, como a homossexualidade não é crime e não é motivo para que alguém se envergonhe, merece ser referenciada num texto exaustivo, como uma biografia detida, sobre o autor de “Amar, Verbo Intransitivo”. O jornalista, escritor e tradutor Moacir Werneck de Castro, no perspicaz “Mário de Andrade — Exílio no Rio” (Rocco, 237 páginas), escreve: “Deve-se notar que Mário de Andrade, ao estudar em profundidade a obra de um escritor e/ou artista, não deixava de assinalar aspectos que considerava importantes da vida sexual deles. Em Machado de Assis aponta a ‘forte sensualidade nitidamente sexual do artista’, o fato de ter casado e vivido com uma só mulher, com o que ‘simboliza o conceito do amor burguês’. Castro Alves era ‘uma sensualidade perfeitamente sexuada e radiosa’; poeta que ‘canta, e, sem querer, prega uma pansexualidade aceita’”.
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Comentários + votados
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RobertoCR
20/02/2012 - 09:49
Será que um dia, na minha existência, vou deixar de ler coisas como "O Ezra Pound brasileiro...".
Será que até o movimento modernista brasileiro, que é considerado autêntico no próprio texto, também...
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Zilda
20/02/2012 - 09:50
Daqui a pouco Jesus Cristo também era homossexual afinal, ele escolheu 11 apóstolos. Esses livros caça-níqueis enchem as medidas. O que faz diferença para o que ele contribuiu como escritor, pensador...
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Gilberto .
20/02/2012 - 09:51
Nassif,
Não entendi o título do post... do que menos se fala no texto é de homossexualidade.
Fala-se bastante de sexualidade, o que é bem mais abrangente.
No intuito de quebrar a "trava", acaba...
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Natalie Kali
20/02/2012 - 10:06
Também não entendi direito o título do post. Mas, de qualquer modo, uma biografia sobre Mário de Andrade é bem-vinda, desde que bem escrita. Acho que mais que sua homossexualidade, ou sua sexualidade...
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vera lucia venturini
20/02/2012 - 10:08
Nada a ver usar a homossexualidade para falar de Mario de Andrade. Se bebeu, se cheirou, se transou com quem quis não temos nada a ver e nem ele esta aqui para contestar ou não o que falam dele....
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CARLOS PINHEIRO JR.
20/02/2012 - 10:14
Mário de Andrade morreu em 1945, e não em 1951. Há quase 67 anos, portanto.
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Edmundo Adôrno
20/02/2012 - 10:38
Gilberto,
Tive a mesma percepção que você. Contudo, entendi que ao tentar conceituar e contextualizar a sexualidade de Mário, o autor busca desvestir de importância a(s) as sua(s) preferência(s)....
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krishna
20/02/2012 - 11:10
Não sei, nem quero saber, se Mário de Andrade era ou não homossexual, se tomava drogas ou não, e se abusava ou não de bebidas alcóolicas, esses pretensos fatos, principalmente o primeiro são, ou...
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FabioREM
20/02/2012 - 11:25
Ele morreu COM 51 anos de idade, em 1945. Confusão entre sua idade e o ano da morte.
A suposta homossexualidade do Mário de Andrade não é novidade, já que a briga dele com o Oswald de Andrade...
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Fabio (o outro)
20/02/2012 - 11:42
O mesmo fato foi um incomodo para os biógrafos de Santos Dumont e Fernando Pessoa .
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Jair Fonseca
20/02/2012 - 14:29
Qual é o problema de se falar da sexualidade de Mário de Andrade? É tabu, medinho? "De certas coisas não se fala..." Eita hipocrisia! Mário era discreto, mas deixou rastros de sua homossexualidade em...
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carlos sena
20/02/2012 - 16:16
Engraçado: por que interessa o fato de um poeta ser brasileiro? ou paulista ou baiano? ou se era funcionário público, ou se era comunista ou se tinha relações com o governo vargas? Por que ficar tão...
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Edmundo Adôrno
20/02/2012 - 16:24
Meus Caros,
Acho que não entendo a razão pela qual os mitos só devem ser conduzidos ao olimpo atraves da heterosexualidade.
Acho tambem que essa prática, ainda nesses anos que seguem, é uma grande...
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Será que um dia, na minha existência, vou deixar de ler coisas como "O Ezra Pound brasileiro...".
Será que até o movimento modernista brasileiro, que é considerado autêntico no próprio texto, também vai ser jogado nessa vala da "referência" extena?
Que saco.
Daqui a pouco Jesus Cristo também era homossexual afinal, ele escolheu 11 apóstolos. Esses livros caça-níqueis enchem as medidas. O que faz diferença para o que ele contribuiu como escritor, pensador, o fato de ser (ou não)homossexual? Esse sexismo é uma chatice só! Além de desrespeito à memória de figuras que já não estão aqui para defenderem suas privacidades da sanha financeira que assola o mundo.
Eu não entendo muito dessa lenda, mas não eram 12 apóstolos?
Nassif,
Não entendi o título do post... do que menos se fala no texto é de homossexualidade.
Fala-se bastante de sexualidade, o que é bem mais abrangente.
No intuito de quebrar a "trava", acaba-se trancando-a de vez...
A certeza, é que não se trata de uma questão binária. O Mário não cabe nesta perspectiva.
Gilberto . @Gil17
Gilberto,
Tive a mesma percepção que você. Contudo, entendi que ao tentar conceituar e contextualizar a sexualidade de Mário, o autor busca desvestir de importância a(s) as sua(s) preferência(s). Existe, a meu ver, no texto, citação em demasia de personagens e fatos que trata da sensualidade emanada, a seu modo, por Mário, dando-me a impressão tratar-se de exercício do biografo em relativizar este aspecto da vida íntima do Pai do Modernismo.
Acho que essas tentativas buscam cobrir com um véu um tanto moralista, de modo a proteger o biografado e sua obra de respingos caídos de sua vida estritamente particular. Muito provavelmente essa atitude em defender a vida sexual de Mário, agora, apesar da biografia, é uma espécie de compromisso com o silêncio a esse respeito, que implicou com a ausência de uma merecida (para nós, leitores) biografia de tão importante figura da cultura brasileira.
Abraço.
Também não entendi direito o título do post. Mas, de qualquer modo, uma biografia sobre Mário de Andrade é bem-vinda, desde que bem escrita. Acho que mais que sua homossexualidade, ou sua sexualidade, o que importa mesmo é o excelente trabalho que Mario realizou em defesa de uma consciência do patrimônio histórico e artístico de nosso país. Um homem que utilizou seu conhecimento a serviço de um "ideal estético e ético na tentativa de construir um projeto de Brasil, projeto que visava principalmente colocar a cultura brasileira em compasso com o mundo civilizado."
Nada a ver usar a homossexualidade para falar de Mario de Andrade. Se bebeu, se cheirou, se transou com quem quis não temos nada a ver e nem ele esta aqui para contestar ou não o que falam dele. Mario foi um grande intelectual que elevou a literatura brasileira a outro patamar. E faltou citar na análise seu trabalho vigoroso como folclorista e na área musical. Em suma, foi um intelectual completo.
Agora Amy Winehouse cantora de qualidade duvidosa? No, no, no. Amy foi uma cantora e compositora extraordinária.
Vera Lucia Venturini
Mário de Andrade morreu em 1945, e não em 1951. Há quase 67 anos, portanto.
Ele morreu COM 51 anos de idade, em 1945. Confusão entre sua idade e o ano da morte.
A suposta homossexualidade do Mário de Andrade não é novidade, já que a briga dele com o Oswald de Andrade foi causada pelas insinuações constantes deste quanto a sexualidade do outro.
Novidade, para mim ao menos, é essa vida dissoluta atribuída a ele que o texto afirma, uso de cocaína, abuso de bebidas alcoólicas.
Não sei, nem quero saber, se Mário de Andrade era ou não homossexual, se tomava drogas ou não, e se abusava ou não de bebidas alcóolicas, esses pretensos fatos, principalmente o primeiro são, ou deveriam ser, de foro íntimo do escritor, ou no máximo de interesse de sua família.
Em nada alteram a trajetória e a importância do intelectual, trata-se aquí apenas de espetacularizar para proporcionar venda e dinheiro, ilações para se faturar em cima de uma sociedade falsa que finge não ter preconceitos, caso contrário não se interessaria pela tendência sexual ou vícios alheios.
É a típica apelação comercial barata para vender, no caso o livro, para gente que lê, mas finge que não, coisas como Caras, e finge que lê, mas não lê, livros.
E o autor será que faz uso de substãncias, de álcool ou tem um certo jeitinho?
O mesmo fato foi um incomodo para os biógrafos de Santos Dumont e Fernando Pessoa .
Qual é o problema de se falar da sexualidade de Mário de Andrade? É tabu, medinho? "De certas coisas não se fala..." Eita hipocrisia! Mário era discreto, mas deixou rastros de sua homossexualidade em alguns escritos, e seus amigos comentavam. A briga com Oswald era devido a isso. Mário nunca o perdoou pela maneira brincalhona e desrespeitosa com que o ex-amigo o tratava, chamando-o de "nossa miss São Paulo", e escrevendo que Mário era "parecido com Oscar Wilde, de costas"...
Engraçado: por que interessa o fato de um poeta ser brasileiro? ou paulista ou baiano? ou se era funcionário público, ou se era comunista ou se tinha relações com o governo vargas? Por que ficar tão cheio de dedos para falar da homossexualidade? Não que seja definidora, mas dizer que a experiência (no caso, homossexual) não tem nada, ou tem pouco a ver com a literatura, só se explica mesmo como homofobia crônica.
Meus Caros,
Acho que não entendo a razão pela qual os mitos só devem ser conduzidos ao olimpo atraves da heterosexualidade.
Acho tambem que essa prática, ainda nesses anos que seguem, é uma grande bobagem, para dizer o minimo.
Abraço.
Que texto ruim da ...
Nassif,
Com sua permissão, tenho que dizer que Mário de Andrade não morreu em 1951, mas em 1945. Logo, um artigo que apresenta uma vindoura "Biografia" mas não se atenta sequer às datas corretas é de uma tacanhez "açu" (para usar a linguagem do Mário). Conclui um estudo de pós-graduação sobre a epistolografia e a obra do grande gênio modernista faz menos de um ano e não sei se podemos classificá-lo como "inventor" do modernismo no Brasil (isso seria mesmo possível?). Recomendo o livro "Orgulho de jamais aconselhar" do Marcos Antonio de Moraes, do IEB/USP. Mesmo na correspondência íntima não há nada que afiance afirmar algo sobre "homossexualidade", há poucos registros de possíveis envolvimentos afetivos de Mário com uma de suas professoras de alemão, não mais que isso.
Espero que o trabalho a ser publicado pelo jornalista/biógrafo seja muito cuidadoso. Não que o julgamento sobre a sexualidade seja importante, mas não reforcemos boatos. Os estudos de literatura não carecem desse desserviço.
Abraço
Prof. Edmar Ávila
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