A fusão Pão de Açúcar-Carrefour no Cade

Do Valor

Cade pode congelar negócio Pão de Açúcar-Carrefour para análise

Juliano Basile | Valor
29/06/2011 7:48 

BRASÍLIA - Assim que for anunciada, a fusão entre o Pão de Açúcar e o Carrefour deve ser congelada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no Brasil.

Em seguida, o negócio terá de seguir uma análise minuciosa pela qual a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda vai verificar todas as cidades do país onde estão os supermercados das duas redes e recomendar a venda de unidades nas quais a presença de lojas de concorrentes é fraca. Essas unidades seriam vendidas para redes que competem com Pão de Açúcar e Carrefour. No caso de grandes cidades, como São Paulo e as capitais do país com mais de um milhão de habitantes, a análise deverá ser feita bairro a bairro.

O caso também vai ser encaminhado à Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça que pode fazer novas recomendações para atenuar o domínio do Pão de Açúcar e do Carrefour na concorrência.

"Não é algo trivial", afirmou um integrante de um órgão antitruste do governo. Segundo ele, o governo entende que seria prudente que uma operação desse tamanho fosse apresentada previamente ao Cade. Ele explicou que o órgão antitruste pode até analisar eventuais argumentos da empresa de que os efeitos do negócio podem ser maiores na França, mas o foco do julgamento será o impacto nos consumidores brasileiros.

Nessa análise, o Cade deve primeiro suspender o negócio para manter as estruturas das redes de supermercados separadas e, depois, discutir a adoção de uma decisão com restrições para evitar prejuízos a concorrentes.

Essa prática foi seguida no caso da união entre Pão de Açúcar, Casas Bahia e Ponto Frio. Em fevereiro de 2010, o Cade chamou representantes das empresas para assinar um acordo em que não poderiam fechar lojas e manteriam as marcas separadas e em funcionamento até o julgamento final do negócio.

Após o acordo, a Seae indicou um primeiro pacote de restrições ao negócio, que seriam: a venda de ativos em 12 cidades com lojas, instalações, carteiras de clientes e cadastros da Casas Bahia ou do Ponto Frio. Agora, o caso retornou ao Cade, onde o pacote de restrições está em debate.

Durante conferência internacional do Instituto Brasileiro de Estudos de Concorrência, Consumo e Comércio Internacional (Ibrac) sobre megafusões, há duas semanas, o secretário de Acompanhamento Econômico, Antonio Henrique Silveira, pediu a advogados de empresas que discutam soluções reais para manter a competição no mercado. Essas soluções podem ser a venda de marcas, fábricas e sistemas de distribuição de produtos. "Parem de dizer que uma fusão com concentração de, por exemplo, 80% é amigável", afirmou Silveira, sem se referir a nenhum processo específico. "As pessoas têm que reconhecer que alguns processos causam prejuízos à competição e temos que ter um diálogo para achar alternativas."

No mesmo debate, o presidente do Cade, Fernando Furlan, cobrou das empresas que discutam os efeitos de seus negócios no Brasil, e não apenas os benefícios no exterior. Para ele, não é o Cade que está mais rigoroso com as empresas, mas sim o movimento da economia que leva a casos complexos de megafusões.

(Juliano Basile | Valor) 

Nenhum voto
7 comentários
imagem de Anônimo

nota inicial - dentro da região metropolitana de SP praticamente as grandes glebas de terra inexistem, os melhores pontos já estão na mão de poucos, quem tem tinha, quem não tem não vai ter mais ..

Para os mais jovens  ..uma outra visão  ..talvez não tão exata e completa como eu gostaria que fosse, mas ao menos HONESTA e séria

..informações que vc não verá na mídia que é refém de verbas publicitárias  ..mídia que de há muito, pelo modelo, já abdicou de seu dever de consciência, de sua missão pela defesa da transparência e da ética irrestrita  ..uma que luta sofregamente por sua sobrevivência

Mentem..

..mentem os que dizem que Abilio Diniz se fez por si ..menino nascido rico ele sempre teve assento em posto privilegiado de inúmeros governos ..foi assim quando participou do CMN - Conselho Monetário Nacional - (orgão que à época falhava constantemente na política de controle da inflação, beneficiando enormemente o seu setor)  ..foi assim no governo LULA que, como conselheiro, azeitou muita fusão indigesta ..e esta sendo assim no governo Dilma.

..mentem os que dizem que ele nunca teve ajuda  ..basta lembrar das fusões recentes que lhe foram oferecidas ou que lhe cairam no colo como Casas Bahia e Ponto Frio ..o milagre não acontece sem que não haja atrás dele algum "santo" pra bancá-lo.

..mentem os que dizem que ele NUNCA recebeu recursos de governos pra posperar, ele não só teve apoio dos amigos como também INFORMAÇÕES PRIVILEGIADAS e juros SUBSIDIADOS pra agir  e crescer.

..mentem os que dizem que ele nunca teve facilidades para conquistar e avançar.

..neste tempo todo ele FEZ de homens seus até MINISTROS de Estado (Bresser Pereira na Fazenda) ..houve mudanças de lei que permitiram a ele ABOCANHAR outros setores pequenos (padaria, calçados, peixaria, açougue, FARMACIA e até POSTO DE GASOLINA por ex)  ..ou mesmo a leniência, a INFÂMEA ECONÔMICA e omissão do governo LULA que lhe permitiu atuar no ATACAREJO (concomitantemente no varejo e no atacado do país)

Evidente que aqui não quero e nem pretendo desmerecê-lo, mas talvez dar um pouco mais de elementos para que os colegas tenham a dimensão exata do que ocorreu e do que esta prestes a ocorrer ao nosso país.

A concentração de mercado havido em inúmeros setores nos últimos anos (especialmente Bancos, com THC) e agora no Varejo, ameaçam SIM cada vêz mais a nossa torta e inconsequente democracia ..ameaçam os três poderes ..ameaçam a República, os governos e o Estado, a política econômica indistinta, de hoje e de amanhã.

Abilio Diniz é um empresário, mas não é eterno ..de há muito já falamos que ele tinha perdido o controle da sua rede para estrangeiros (apesar de alguns que insistiam em ILUDIR os desafisados com sucessivos desmentidos aqui mesmo neste BLOG)  ..hoje ele vê dos seus e dos interesses de seus FAMILIARES, mais nada  ..e os EMPREGADOS dele, o dos deles também (MONEY) ..assim como ele, outros vieram e se foram ..a herança de suas ações também deve ser medida pelas consequências de seus caprichos e efeitos sobre a vida e saúde econômica do país.

Concentrar empresas significa cortar emprego de maior estatura, significa pressionar os fornecedores, clientes, funcionários, sindicatos, municípios inteiro  ..significa, o mais grave, desestimular novos e velhos concorrentes.

A fusão do Pão de Açucar com Carrefour precisa ser analisada regionalmente, por segmento de mercado ..aqui a maioria terá a certeza do gigantismo que se pretende criar ..aqui não cabem considerações de Ordem Nacional, nem internacional ..nós não precisamos cometer os mesmos erros trilhados por outros que se permitiram de exageros (vide casos Bell e Rockfeller no estrangeiro, ou mesmo dos bancos "grande demais pra quebrar")

Chega de concentração !!  ..se o Carrefour esta em dificuldades, que o Estado brasileiro o ajude a encontrar de novos parceiros que atendam aos requisitos de civilidade, equilíbrio econômico, boa gestão e interesse mercadológico/nacional que a questão demanda  ..promovendo, pra estes TAMBÉM, com a ajuda do Estado, ações que evitem mais este descalabro que, definitivamente, não me parece ser a melhor solução.

ps - antes, com LULA, um líder LIMITADO em conhecimento e preocupado com outras prioridades sociais, eu até poderia deixar passar - fato que aliás NUNCA o fiz -  ..mas hoje, com a DILMA, uma que se vendeu técnica, economista e atenta, francamente  ..hoje não tem como escapar.

.

O riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano (by- Victor Hugo)

 
 
imagem de Oliveira
Oliveira

Eu acho que essa fusão só interessa aos franceses do Carrefour e ao sr. Abílio. Temos que lembrar que o mercado varejo de alimentos já é extremamente concentrado em três grandes marcas. Enquanto o valor dos produtos na prateleira são mantidos nas alturas, no campo, os produtores rurais (especialmente os pequenos produtores) tem o sua produção desvalorizada pelos atravessadores.

Apenas para exemplificar: acabei de pesquisar o mesmo produto nas três lojas de eletrodoméstico citadas acima (Casas Bahia, Extra e Ponto frio). O preço é rigorosamente o mesmo. Seja à vista ou em parcelas. (TV 32" LCD LG 32LD840) Ou seja, não há concorrência.

Agora, imaginem o efeito disso nos itens básicos de consumo vendidos nos mercados. Lembremos  que a tributação sobre o consumo extremamente desigual. Não importa se consumidor ganha um milhão de reais ou um salário mínimo. se ambos forem ao Extra comprar um pacote de arroz, o valor será o mesmo.

Na minha opinião o CADE de intervir e inviabilizar este monopólio. Sonho meu...

Abaixo anexei as telas "printadas" da pesquisa que fiz.

Abs

Re: A fusão Pão de Açúcar-Carrefour no Cade
Re: A fusão Pão de Açúcar-Carrefour no Cade
Re: A fusão Pão de Açúcar-Carrefour no Cade
 
 
imagem de jefcandido
jefcandido

No caso das lojas eletrônicas, acho até que é o mesmo site. Dias atrás fiz uma pergunta via email pro extra.com e recebi a resposta de uma atendente cujo email era @pontofrio... Com essa fusão, teremos extra, ponto frio, casas bahia e carrefour tudo no mesmo saco. Bom negócio pra quem? Pelo que estamos vendo, para o Abílio Diniz...

 
 
imagem de W K
W K

Essa história de concentração me parece ser um tanto repetitiva. No início do séculço passado uma tal Tabulating Machinery Company, mudou seu nome para IBM e décadas depois entrou no mercado de tecnologia digital com seus famosos mainframes. 

Naquela época esta empresa estava em águas mansas - quando um seu "representante de marketing" conseguia vender um disco para uma grande empresa (assim de alguns míseros Megabytes de capacidade) ele ganhava como prêmio uma viagem para a convenção de vendas na Ásia. Hoje, discos de tamanho parecido só são encontrados em lixões. 

Passaram-se anos e essa acomodada foi "passada para trás" por um tal de Bill Gates. Daí em diante o mercado de tecnologia digital não foi mais o mesmo - milhares de empresas  entraram e a própria IBM teve que suar para sobreviver, o que custou a aprender. Hoje parece que essa IBM é só mais uma de muitas empresas de tecnologia por ái. 

Comento isso nesse caso Pão de Açucar x Carrefour pois, claro, depois desta fusão teremos inflação no varejo, serviço piorado, qualidade piorada, etc. e depois acomodação.

Até que aparece um novo Biugaites tupiniquim com algum novo conceito mercadista, e faça esse futuro acomodado suar.  

Só espero que ele apareça antes de os cade-molengões se dignarem a trabalhar. 

 
 
imagem de Alexandre Padovani
Alexandre Padovani

A gana e a sanha do Pão de Açúcar ultrapassou todos os limites, não bastasse a associação com a Casas Bahia e a compra do Ponto Frio, agora teremos que aturar também o Pãorrefour?????

Toda a concorrência será aniquilada, pois hoje já é assim, lento, mas é assim...

O CADE não pode e não deve liberar esta fusão, para o bem dos consumidores e para o bem de todos os funcionários destas duas empresas, que aliás, já são por demais abusados por seus respectivos empregadores.

Mas o detalhe mais importante desta estoria, não a simplesmente  fusão.

O problema será se, o BNDES entrar com capital.

Querem se juntar???

Ótimo, mas com o dinheiro deles, Pão de Açúcar e Carrefour, não com o nosso dinheiro, se o governo quer criar super empresas privadas com o nosso dinheiro, então esta na hora de trocarmos este governo...que afinal, pra que este governo esta ai mesmo???? Acorda Planalto!!!!

 

 
 
imagem de gilberto salomi
gilberto salomi

4 bilhões sairiam dos cofres públicos sem garantias de um retorno. Isto é correto, prudente, honesto?

Por que o dono efetivo do Pão de Açúcar - Casilas não ficou sabendo da proposta ao Carrefour?

Por que o Cade não foi consultado previamente?

Por que o governo apóia, através do FMI um aporte tão grande de dinheiro, sem garantias de retorno?

Por que o executivo não está se oponto à negociata através dos seus órgãos?

 

Siga a pista do dinheiro.

 

 

 

 
 
imagem de Pedro Fernandes
Pedro Fernandes

Só para por mais lenha na fogueira, vejam com o site da BBC encara  a "fusão"

 

Carrefour and Casino fight for Brazil's Pao de Acucar

 

Two French food giants are locked in a battle to take over Brazil's number one retailer, Grupo Pao de Acucar.

 

take over:  to take control of something.

 

http://www.bbc.co.uk/news/business-13955564

 
 

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.

Faça seu login e aproveite as funções multímidia!