A Fifa e o Brasil, por Andrew Jennings

Por Paulo F.

Do Jornal do Brasil

'Joseph Blatter quer violentar o Brasil', afirma jornalista inglês

Em entrevista  ao JB, Andrew Jennings, famoso por investigar a FIFA, critica desrespeito com o país

Jornal do Brasil
Igor Mello

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, já fizeram diversas críticas à capacidade do Brasil de organizar uma Copa do Mundo. A pouco mais de dois anos da competição, o impasse em torno da Lei Geral da Copa não foi resolvido, provocando uma queda de braço entre os dirigentes e as autoridades brasileiras.

As críticas atingiram um tom agudo na última semana, quando Blatter, em um evento na Rússia, afirmou que a organização da Copa do Mundo de 2018 está mais adiantada do que a do Brasil, atual país-sede. Pouco antes disso, Valcke já havia comparado o desempenho do Brasil ao da África do Sul, país que teve notórios problemas com atrasos nas obras e inúmeras dificuldades de infra-estrutura antes e durante o torneio.

Jornal do Brasil  entrevistou, com exclusividade, o jornalista inglês Andrew Jennings, um dos maiores especialistas do mundo na política que gira em torno da entidade máxima do futebol. O repórter da rádio britânica BBC 4 é autor do livro "Jogo Sujo - O Mundo Secreto da Fifa", no qual traz à tona esquemas de corrupção envolvendo os principais dirigentes da Fifa, como Blatter. 

No Senado, Jennings fez duras acusações contra Joseph Blatter e outros dirigentes da FifaNo Senado, Jennings fez duras acusações contra Joseph Blatter e outros dirigentes da Fifa

Irreverente, Jennings é categórico ao falar sobre os interesses de Blatter no Brasil: "Ele vai pedir dinheiro, investimentos, mudanças e depois vai apenas embora, deixando a conta para o país pagar".

JB: Na sua opinião, as constantes críticas de Blatter e Valcke à organização da Copa do Mundo no Brasil são apenas uma forma de pressionar para que seus interesses comerciais sejam atendidos?

Joseph Blatter está envolvido em diversas denúncias de corrupçãoJoseph Blatter está envolvido em diversas denúncias de corrupção

Jennings: Com certeza. As leis sobre os idosos, as entradas e a bebida alcoólica são do país. O Blatter, ao pedir mudanças nesses quesitos, está visando apenas os interesses comerciais da Fifa e não o interesse do país. 

JB: Várias pessoas consideram a Fifa como uma predadora, ficando com todo o lucro das Copas do Mundo e deixando para os países apenas as despesas. Isso é verdade?

Jennings: A Fifa vai pedir dinheiro, investimentos, mudanças e depois vai apenas embora, deixando a conta para o país pagar.

JB: Como o senhor avalia a postura das autoridades brasileiras (como a presidente Dilma Rousseff e o deputado federal Romário) nas negociações com a Fifa?

Jennings: Blatter quer violentar o Brasil. Ele é um corrupto, uma vergonha para a humanidade. Romário e outros congressistas têm feito um bom trabalho contra essas pessoas, que estão apenas usurpando os recursos do país. A presidente Dilma Rousseff deveria expulsar Blatter, Valcke e sua quadrilha do Brasil permanentemente.

JB: O senhor acha que a Fifa está aproveitando o montante de investimentos para a Copa do Mundo para promover negociatas?

Jennings: Nós sabemos que o Brasil é um país que ainda tem problemas sérios com a corrupção, assim como a África do Sul. Blatter só vai usar os recursos financeiros do país para ganhar mais dinheiro.

JB: Se o senhor tivesse que deixar um alerta para o povo brasileiro, o que diria?

Jennings: Eles só pensam nos patrocínios quando pedem mudanças nas legislações nacionais, como ocorre agora na questão da bebida alcoólica [a cervejaria Budwiser é uma das principais patrocinadoras da Copa do Mundo]. O Brasil é um país soberano e por isso deveria proibir o Blatter de tomar decisões que possam afetar as leis do país.

Colaborou: Carolina Mazzi

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17 comentários
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Maria Luisa

 Jennings é sem concessão com a Fifa, e pelas entrevistas que ja li dele, ele sabe do que fala. E não sei se o turismo que teremos com a Copa pagara essa conta. 

 
 
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tnetz

E não é só o Turismo da Copa que vai pagar. É a exposição, é o conhecimento, é a infra-estrutura, são os turistas futuros...

 
 
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tnetz

fala, fala, fala e não mostra nada

 
 
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Fernando Curi

Os resultados das investigações contra os mafiosos brasileiros e outros, que corre na justiça suiça, é prova suficiente de que o Amaury Ribeiro da Inglaterra, sabe o que está falando e sabe o tamanho do calo.

 

"Tudo me é lícito mas nem tudo me convém" Contra o Preconceito e a Discriminação, o repúdio e a Lei.

 
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antonio francisco

Mudar leis brasileiras como a que coibe bebida alcoólica nas proximidades de estádios por conta de imposição da FIFA é de lascar.

 
 
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tnetz

É um evento sui generis que pode exigir definições legislativas mais adequadas. Parece assim um absurdo usarmos a Copa do Mundo para modernizarmos nosso futebol?

 
 
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Luiz Gonzaga da Silva

Independente dos personagens envolvidos o Brasil não pode perder o foco: fazer uma grande Copa do Mundo. Os grandes eventos, Copa e Olimpiadas, vão consolidar a imagem do país na área do turismo.  Até paises sem grande tradição no futebol sonham em sediar. Os EUA que sediaram a de 94 e, se não me engano, entraram e perderam a disputa pelas de 2018 e 2022.

Não é da alçada brasileira investigar corrupção na FIFA, deixemos essa parte para a justiça suiça. Qualquer grande evento seja esportivo, entretenimento, ou seja lá o que for, envolve intrincados interesses comerciais. É tudo patrocinado, sem esse suporte seria inviável organizar mega eventos. É evidente que quem põe dinheiro quer retorno.

Quando proibiram o consumo de bebidas dentro dos estádios não esquentei muito. Geralmente, as vendidas internamente eram servidas frescas, mornas ou quentes, intragáveis. Agora as vendidas pelos ambulantes ou nos bares do entorno eram geladíssimas. Então o que me incomodou foi a proibição desse comércio fora do estádio. O argumento para a proibição é que favorecia a violência nos estádios. Bem, as brigas de torcidas continuam e não me parece que tenha diminuido a violência. Sempre gostei de reunir amigos para ir ao futebol e, nesse ritual, estava sempre a cervejinha gelada. Acho que a liberação das bebidas não vai fazer o mundo desabar nem  ferir nossa soberania.

Rio +20, Copa das Confederações, Copa do Mundo, Olimpiadas são alguns dos eventos que o país está organizando. De quebra teremos até 2016 duas edições do Rock In Rio e a Copa América de 2015. Vamos ficar atentos para que minúcias e picuinhas não nos tirem o foco do principal.

 
 
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pereira da silva

gostaria de parabenizá-lo. o brasil seguirá aperfeiçoando suas instituições. sem peder o foco. vou ficar atento ao q esse sr vai dizer em relação à copa da rússia e à seguninte. no momento, o negócio é n perder o foco. abs.

 
 
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Max Swell Veras Ribeiro

Defendo que a soberania de nosso País deve prevalecer acima de qualquer interesse comercial. Seja ele inter ou nacional. Sei que aqui no Brasil, o sistema Globo de comunicação e alguns de seus pares vão defender os interesses da FIFA. Tendo em vista os seus interesses comuns e pessoais.

Não veremos em momento algum, alguem do grupo de esporte da rede Globo e asociados e, muito menos ligado ao senhor Galvão Bueno tratar da questão em pauta com a devida izenção e seriedade. Eles sabem que o povo é fanático por futebol e bebida. Então vão usar dos meios que dispõem para influenciar esse mesmo povo a aceitar  os seus devaneios quanto a questão.

Está provado que ingestão de bebida álcoolica e condução de veículos automotores é uma mistura trágica. E, que só aumenta o número de vítimas dessa combinação, com mortes e sequelados.

Após as partidas de futebol com a ingestão das famosas cervejas e similares, os torcedores alegres ou irritados irão conduzir seus veículos automotores pelas vias de nosssas cidades, infligindo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), sobre as barbas do Estado. E, quem pagará a conta dessa sandice será esse mesmo povo (Estado), que já gasta mais de 2 bilhões de R$ por ano com atendimento às vítímas do trânsito no Brasil.

Defendo que; para realizar um evento como a copa do mundo de futebol (FIFA), não precisamos que estes, aqui venham, e ditem suas regras. Podemos sim; Sentarmos e dizermos quais as nossas condições e contrapartida que a entidade FIFA vai ter que garantir ao povo brasileiro para que eles ganhem seus milhões de U$ em cima de uma paixão nacional.

Ou se faz assim. Ou assim se faz!

É tratar com eles de igual pra igual. Somos nós que vamos lhes dá vultuosos lucros.

Em Defesa de Nossa Soberânea em quanto Nação.

http://vmaxswell.blogspot.com

 
 
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Homero Pavan Filho

Entendi errado ou o Jennings propõe que o Brasil desista de sediar a Copa?

 
 
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Dorielms

Acho que entendeu errado:

"O Brasil é um país soberano e por isso deveria proibir o Blatter de tomar decisões que possam afetar as leis do país."

 

Blatter NÃO é a copa.

 
 
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Fabio.

Que infraestrutura foi feita ate o momento, alem das fotos dos estadios o que tem sido feito , que já tenha saido do papel ? 

Pois se vc sabe o que vai ser feito , tem o que cobrar.

 
 
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Fernando Curi

Mera coincidência?

Re: A Fifa e o Brasil, por Andrew Jennings
 

"Tudo me é lícito mas nem tudo me convém" Contra o Preconceito e a Discriminação, o repúdio e a Lei.

 
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W K

Acho que está chegando a hora para passar um recado a esse Blábláblábláblábláter:

"Cara, se não gosta da nossa forma de trabalhar, arranje outro otário, ops, outro país para organizar essa porcaria".

Ah, e falta ainda colocar na mesa: "qual é o lucro do Brasil, Joseph ? Se menor que o da Fifa, façam as malas."

A Dilminha é excelente para falar grosso assim.

Como difícilmente algum país novo (em organizar uma copa) quer assumir prejuízo como esse  e  nenhum país que levou prejuízo em outra Copa vai querer assumir essa de novo,  então esse cidadão vai começar a miar.

Em outras palavras, quem está mais longe do tronco é a Fifa, não o Brasil.

 

 
 
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alfredo machado

Caro Paulo F.:
Joseph Blatter faz parte do grupo de bandidos de colarinho branco instalado na Fifa , assim como o seu capanga Jérôme Valcke, e o jornalista inglês Andrew Jennings tem pleno conhecimento da maior parte daquelas maracutaias, que sempre envolve megavalores.


Das exigências da entidade ao país, entendo que algumas possam ser contornadas, com os dois lados chegando a algum ponto em comum, e outras considero absurdas, afinal, não se pode pretender proibição a alguém, pelo fato de ele não poder beber o que quiser e bem entender fora do estádio. Será que ainda não houve uma conversa com o trio de ouro brasileiro, LST, dono da Budweiser?


Não fosse a presidenta do jeito que é, com o temperamento firme que tem, e muita, mas muita lambança já teria acontecido nestes preparativos para a Copa de 2014.


A Copa será ótima para o país, que terá um espaço extraordinário em toda a mídia do planeta durante quinze dias, e deverá servir como propaganda bastante positiva para os bilhões que ainda desconhecem o nosso país, ainda percebido como capital Buenos Aires ou coisa que o valha.


Este mantra de caos aéreo daqui a dois anos é ridículo, mobilidade urbana é a mesma coisa, e a segurança dos turistas será assunto contornável, à la Rio 92- para o bem ou para o mal, é assim que funciona o patropi.

 
 
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pereira da silva

alfredo, sempre sensato, sempre razoável. mas o q tem de coleguinha caindo na conversinha fiada. cara escolado aqui do blog ...quer o q ? o brasil desistir de realizar a copa? remeto os colegas à participação do augusto nunes no programa do andré rezek no sportv ontem pela manhã. nossas instituições devem fazer o necessário, mas o país deve sediar a melhor copa do mundo de tds os tempos.

 
 
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alfredo machado

Caro pereira da silva:


Tudo em paz com vosmicê?


Este negócio de desistir de um evento como a Copa de 2014 é idéia que só cabe na cabeça de tontos ou inocentes, e num blog como este, com 50 mil acessos diários, é natural que convivamos com todo o tipo de pensamento. Lembre que tem a Grobo a meter o pau nos preparativos em qualquer oportunidade, mesmo naquelas completamente absurdas – confiam na ignorância dos brasileiros.


Em condições normais, o evento será uma grande festa nacional, com a população de diversas cidades participando ativamente da Copa durante quinze dias que, prá muitos, principalmente para os jovens, serão inesquecíveis.


Falam em prejuízo $$$ ao país por ser sede de uma Copa, mas, salvo engano, a maioria dos países que a sediaram perderam dinheiro. O problema é saber como tais cálculos são feitos, pois acreditar que dinheiro de bilheteria pode cobrir os custos envolvidos é piada de mau gosto. Quanto custaria para o país ocupar as páginas de todos os jornais do mundo durante duas semanas, além do espaço televisivo também planetário?


Quanto custa uma mudança positiva de percepção, para um país ainda pouco conhecido?


É isto.


Um abração    

 
 

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