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A ficção da política monetáriaEnviado por luisnassif, sex, 03/02/2012 - 11:16Coluna Econômica - 03/02/2012 Vamos retomar o tema da coluna de ontem. Como funciona a política monetária: 1. A cada fechamento do dia, os bancos trocam reservas entre si para fechar a conta. A taxa de juros dessas operações é dada pelo CDI (Certificado de Depósito Interbancário) diretamente afetado pela taxa Selic, a chamada taxa básica da economia fixada pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). 2. Tornando o dinheiro mais caro no interbancário, pretende-se que a elevação de custo impacte a taxa de juros na ponta, aquela que vai para o cliente de banco. 3. Com a taxa mais cara, teoricamente o consumidor vai consumir menos, devido ao encarecimento de crédito, e a empresa vai comprar menos, devido à redução de estoques, reduzindo os preços. E vice-versa. Vamos sintetizar o que foi exposto acima em um pequeno exercício de lógica: 1. As taxas de crédito ao tomador final impactam o PIB. 2. A taxa Selic impacta as taxas de crédito ao tomador final. 3. Logo, a taxa Selic impacta o PIB. O ponto central é que a segunda premissa é incorreta: a taxa Selic não impacta as taxas do tomador final. Não impactando, seu impacto sobre o nível de atividade é zero, ou insignificante. Mas sobre as contas públicas é direto, desviando recursos de infraestrutura, investimentos e políticas sociais para os detentores de títulos públicos. O desafio, portanto, é comprovar que a segunda premissa está errada. Nas análises do Copom e do mercado, os econometristas limitam-se a analisar a relação Selic-PIB. Juntam séries históricas e definem correlações que, em tese, deveriam mostrar os efeitos das variações da Selic sobre o PIB no tempo e na intensidade. Ou seja, aumentando o PIB em 1 ponto percentual, o efeito sobre a atividade econômica será de xis em um prazo y. Qual a maneira adequada de medir esses efeitos: 1. Analisar o impacto da Selic sobre o mercado de crédito. 2. Analisar o impacto do mercado de crédito sobre a variação do PIB. Simples assim. Definida a primeira correlação - ou seja, os efeitos da alta do crédito sobre o nível de atividade - o jogo fica mais claro. Depois, é só medir os efeitos do crédito sobre o nível de atividade, muito mais fácil de medir porque o impacto é direto. Nesse ponto, vamos dividir os tomadores de crédito em dois grupos: o prime (a grande empresa que têm acesso às linhas mais baratas do mercado) e o não-prime (a rapa, consumidores, pequenas e médias empresas). Ontem, o ex-economista chefe da Febraban (Federação dos Bancos Brasileiros) Roberto Troster demonstrou que não existe A MENOR correlação entre Selic e custo do dinheiro para o tomador final não-prime. Não tem novidade. Escrevo sobre isso desde que se inaugurou esse sistema de metas inflacionárias. Se não existe nenhuma correlação da Selic com os não-prime, restariam os clientes prime para comprovar a suposta eficácia da Selic sobre o PIB. De fato, os clientes prime são grandes empresas, cujas linhas de crédito acompanham o CDI - e, portanto, são diretamente influenciadas pela Selic. Como grandes empresas que são, dispõem de poder de mercado - isto é, de fixar preços. Segundo a lógica do mercado, encarecendo o crédito, o aumento da Selic as obrigaria a reduzir o capital de giro, por exemplo, e com isso afetaria o nível de atividade. Vamos conferir se essa análise é correta. Selic e produçãoCapital de giro é proporcional as vendas; e as vendas acompanham a demanda. Se a demanda (dada basicamente pelos clientes não-prime) não é afetada pela taxa Selic, não há a menor razão para reduzir a oferta. Ou as empresas absorvem essa alta do custo do dinheiro ou repassam para os preços. Na primeira hipótese, não há efeito sobre o nível de atividade; na segunda hipótese, há efeitos negativos sobre a inflação. Selic e custo de produçãoA não ser quando ocorrem variações muito substantivas na produção, o custo de um produto, na margem, equivale ao preço final menos custo dos insumos menos tributos. Isto porque não a empresa tem custos fixos (que indpendem da produção) e não mudará a folha salarial parqa variações pequenas de produção. O impacto da Selic será exclusivamente sobre o capital de giro para os insumos adquiridos. Impacto sobre o capital de giroSupondo uma carga tributária de 30% e uma margem operacional de 15%, a composição final de um produto seria: 15% de margem operacional, 65% de insumos e 20% de tributos. Supondo que a empresa gire seus estoques a cada 6 meses (hipótese conservadora), cada ponto da Selic impactaria o capital de giro em 0,17% (1,01 ^(1/6)). É uma porcentagem ínfima levando em conta os impactos do financiamento para os consumidores. Impacto sobre o preço finalComo o impacto é exclusivamente sobre o custo dos insumos e supondo que eles representam 65% do preço final do produto, o impacto sobre o preço final do produto seria de apenas 0,1% (0,17 x 0,65). 6 pontos percentuais da taxa Selic (uma enormidade) teria um impacto de apenas 0,6% sobre o preço final do produto, na ponta. O que é isto perto dos 40 a 120% do custo do financiamento? As saídas das empresas primeÀ empresa prime, restariam duas alternativas para enfrentar o aumento da Selic: ou absorver ou incorporar no preço. Em ambos os casos, o efeito é insignificante. Mas existe um impacto direto nas decisões de investimento das empresas. Para investir, a empresa costuma pegar a taxa básica, acrescentar um fator de risco e estimar os resultados por prazos de 10 anos. Cada variação para cima da Selic reduz decisões de investimento. A ata do CopomChegou a hora do BC submeter a Selic a testes mais efetivos, criando indicadores na ata do Copom que permitam analisar 1) o comportamento do mercado de crédito vis-à-vis a taxa da Selic; 2) o comportamento do PIB vis-à-vis a Selic. Com isso permitirá que o debate sobre política monetária ganhe substância e não seja uma ficção estatística, como é atualmente. E, abrindo a discussão, aprimorar de ftao as ferramentas de política monetária. Entenda as contas
Margem: Margem% x preço final Selic: 1,06 ^ (1/(12/giro)) – 1
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Comentários + votados
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rafael
03/02/2012 - 08:09
A análise é boa do ponto de vista da demanda. Gostaria de complementá-la do lado da oferta: a Selic, se não é tão importante para o crédito das famílias, por outro lado, é um balizador fundamental...
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Fernando Terra
03/02/2012 - 08:10
Nassif,
Faltou falar sobre o impacto da TIR sobre a decisão de investimentos das empresas. Aqui por exemplo onde eu trabalho não se aprova nenhum projeto com retorno menor que a selic. Tem também o...
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Angelo
03/02/2012 - 08:38
A pretensa ação da Selic no PIB é meramente uma questão ideológica usada para justificar a imensa transferência de renda da população, através da arrecadação de impostos, para os banqueiros e demais...
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João L.
03/02/2012 - 09:24
A Selic está consolidada como referencia para os" Primes" da sociedade brasileira.
O que não vê, não se lê, não se escuta são alternativas para solucionar ou dar referência para as taxas de juros...
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Benjamin
03/02/2012 - 09:33
Através da taxa Selic os grandes rentistas tem suas sobras de capital financeiro,altamente remuneradas.Hora é muito mais arriscado fazer empréstimos para consumidores e capital de giro.Assim sendo,os...
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Robertomojr
03/02/2012 - 10:44
-----Mensagem original-----
De: Vinicius
Enviada em: sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012 11:22
Para: Roberto
Assunto: Re: Selic vs Pib
Cara, o texto eh bem interessante, mas claramente a...
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Edson Furlan
03/02/2012 - 10:45
Nassif,
Não é possível aplicar no Brasil teorias econômicas estrangeiras sem considerar as peculiaridades locais.
As reduções promovidas pelo BACEN na Selic dificilmente afetarão o...
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JB Costa
03/02/2012 - 12:44
O problema é mais embaixo. Que há correlação entre a decisão do investimento é a SELIC isso óbvio. E que dependendo dessa decisão haverá impactos -via oferta - no produto, perfeito.
Mas o que...
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maurobrasil
03/02/2012 - 13:20
Não entendi o seguinte.
A fórmula correta para se calcular o custo de 1% da Selic não é
1,01 ^ (1/(12/giro)) - 1
e a hipótese conservadora não é que o giro seja igual a 6 meses?
Se isso é verdade,...
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Clever Mendes de Oliveira
03/02/2012 - 12:26
Rafael (sex, 03/02/2012 às 09:09),
Não sou economista, mas o que você falou, e que diz respeito aos efeitos do investimento na oferta, refere-se ao longo prazo. No curto prazo o investimento é...
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Nassif, obrigado pela aula!
"Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e plantas roseiras e faz doces. Recomeça. Faz da tua vida mesquinha um poema e viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir". Cora Coralina
os caras dizem que são as "expectativas" sobre o comportamento da inflação que guiam os reajustes de preço pelas indústrias, isto é, a própria inflação.
ocorre que as expectativas são publicadas em um boletim que não ouve um industrial sequer. e, valha-me Deus, os industriais sorvem avidamente estas expectativas.
o problema é cultural, caro Nassif. precisa desatar o nó da poupança a 6%a.a. pra poder baixar a selic a níveis internacionais. a taxa selic é alta por causa do preço que o estado está disposto a pagar para ser financiado, não tem nada a ver com pib potencial e outras adjacências.
Sobre Selic/Poupança, veja o que o PPS (sim, ele mesmo) tem a dizer, citando um artigo de O Globo deste ano:
Em 2009, quando os juros estavam em 10,25%, o governo chegou a ficar preocupado e apresentou uma proposta que previa a cobrança de Imposto de Renda (IR) para depósitos acima de R$50 mil. A ideia provocou forte reação, e a equipe econômica foi acusada de tentar prejudicar os pequenos poupadores.
http://portal.pps.org.br/portal/showData/222709
Tem também este, de 2009:
O economista Flávio Basílio, da UnB, afirmou, nesta terça-feira, que não há necessidade de o governo mexer na poupança para evitar a migração de aplicadores dos fundos de investimento para a caderneta. Para ele, o governo precisa é acabar com a Letra Financeira do Tesouro (LFT), título público que, segundo ele, impede o Banco Central de reduzir mais a taxa básica de juros (Selic).
http://portal.pps.org.br/portal/showData/222709
A análise é boa do ponto de vista da demanda. Gostaria de complementá-la do lado da oferta: a Selic, se não é tão importante para o crédito das famílias, por outro lado, é um balizador fundamental nas decisões de investimento. A taxa é componente importante da chamada "taxa mínima de atratividade", ou seja, o mínimo retorno que um investimento deve trazer a um aplicador para que este tome a decisão de investir seu capital.
Uma Selic alta por muito tempo inibe investimento em ampliação de oferta, criando um ciclo vicioso: sem ampliação da oferta, o chamado "produto potencial" diminui. Diminuindo o produto potencial, ocorre a ocupação de capacidade ociosa. Com ocupação da capacidade ociosa, diminui-se a diferença entre demanda e oferta agregada e finalmente o mercado pede mais aumento da Selic!
Rafael
Realmente pensei em perguntar pro Nassif, como um bom aluno, se o efeito parecido com as espectativas de infleção, fenomeno que potencializa a subida de preço, não tem semelhança com relação selic e consumo.
Rafael (sex, 03/02/2012 às 09:09),
Não sou economista, mas o que você falou, e que diz respeito aos efeitos do investimento na oferta, refere-se ao longo prazo. No curto prazo o investimento é demanda. assim, se você reduz investimento você reduz a demanda.
O problema é aceitar a argumentação de Luis Nassif. Ele quer provar contra todas as evidências empíricas que a taxa Selic não afeta o PIB. É impossível, mas ele, tal qual um planilheiro, que ele justamente recrimina, propõe uma planilha para demonstrar que a Selic não influencia. Como os cabeças de planilhas que analisam variando uma variável supondo que tudo o mais permanece constante, Luis Nassif está variando a Selic e imaginando que tudo mais permanecesse constante. O capitalismo é exatamente a negação desse método de raciocínio.
Fiz algumas críticas a Luis Nassif junto ao post "Falta uma política bancária ao país" de quinta-feira, 02/02/2012 às 08:00, post ao qual ele se refere no início desta Coluna Econômica de hoje quando diz:
"Vamos retomar o tema da coluna de ontem".
Deixo então o link para o post "Falta uma política bancária ao país":
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/falta-uma-politica-bancaria-ao-pais
Observe que o título do post era mais adequado ao conteúdo do artigo de Roberto Troster intitulado "A "Copomização" do debate do sistema bancário". Ainda assim, lá no post "Falta uma política bancária ao país", ele desvia a questão para o debate sobre a taxa Selic que não era o foco da discussão de Roberto Troster.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 03/02/2012
Nassif,
Faltou falar sobre o impacto da TIR sobre a decisão de investimentos das empresas. Aqui por exemplo onde eu trabalho não se aprova nenhum projeto com retorno menor que a selic. Tem também o efeito "psicologico" punitivo.
Fernando.
O penúltimo bloco menciona os efeitos sobre investimentos.
Não entendi o seguinte.
A fórmula correta para se calcular o custo de 1% da Selic não é
1,01 ^ (1/(12/giro)) - 1
e a hipótese conservadora não é que o giro seja igual a 6 meses?
Se isso é verdade, cada ponto da Selic impactaria o capital de giro em
1,01 ^ (1/(12/6)) - 1= 1,01 ^ (1/2) - 1 = 0,50%
e não
1,01 ^(1/6) -1 = 0,17%
como afirmado pelo Nassif.
Não é isso???
É claro que isso não muda as conclusões da análise do Nassif...
Se o estoque gira a cada dois meses, são 6 giros por ano.
Excelente texto ... apenas uma ressalva: um setor onde a queda na taxa de juros teve grande efeito foi no ramo de financiamentos imobiliários. Como esse setor possui uma capilaridade muito grande na economia, acredito que movimentações na SELIC podem produzir efeitos generalizados na economia nesse caso.
Nassif, não parece totalmente correta a análise.
Por que economistas privilegiam a analise da relação Selic-PIB? Porque existem diversos mecanismos de transmissão pelos quais a taxa básica de juros pode afetar as decisões de dispêndio e alocação de riqueza (via crédito ao consumo, via custo de oportunidade dos diversos investimentos, expectativas, etc. etc.), e, portanto, o nível de atividade.
Não tem sentido fazer testes para cada mecanismo de transmissão possível, a não ser que o nosso interesse seja conhecer o impacto desse mecanismo específico (o que me parece relevante e penso que é o cerne de tua proposta). O procedimento usual é perfeitamente adequado, se o nosso interesse recai apenas sobre os efeitos no nível de atividade global.
Ademais, se tenho boas evidências que existe correlação entre selic e PIB, então caberia aos que sustentam não existirem mecanismos de transmissão mostrarem que a correlação é espúria. Claro que é possível sustentar, inclusive do ponto de vista teórico, que a taxa de juros praticada pelo governo não impacta o PIB, mas pessoalmente, estou convencido que há impacto, pelo menos no curto e médio prazos.
O post sustenta exatamente que análise dos efeitos da Selic no nível da atividade global é uma "ficção estatística" a ser provada. Sou leigo mas acho bem possível encontrar correlações reveladoras entre a taxa de câmbio e PIB, o preço de comodities e PIB, o preço do petróleo e PIB, custo do crédito no mercado internacional e PIB, etc...
Gilberto Bastos
Como também é possível estabelecer uma correlação entre o fluxo do trânsito em São Paulo e as marés em Santos. Tudo depende do que voce quer "justificar". Por exemplo, PIBxSelic para a tranferência de renda.
Flics
Jotaem (sexta-feira, 03/02/2012 às 09:35),
Como o Gilberto Bastos que lhe escreveu antes para você em comentário enviado sexta-feira, 03/02/2012 às 11:26, eu sou leigo e ao contrário de Gilberto Bastos concordo inteiramente com você e o parabenizo pela forma polida como você discordou da argumentação de Luis Nassif. Tenho muito que aprender.
Um dos grandes problemas do Plano Real foi ter acabado com a inflação de uma vez. Assim ninguém quer emprestar no longo prazo e por isso grande parte da dívida pública vence no curto prazo. Assim toda vez que a Selic cai aumenta a injeção de moeda na economia. O início do Plano Real é uma das principais razões para a alta taxa Selic que se tem no país. E isso era sabido antes do Plano Real ser efetivado. O tamanho da taxa Selic é que deveria ser realmente o grande assunto para o debate econômico. Ela, o câmbio, a dívida pública. E embora não creio que o governo tenha condições de o alterar, penso que merecia um amplo debate o regime de metas de inflação.
Sobre o regime de metas da inflação, pelos links que eu coloquei em meus comentários, eu recomendo dois posts aqui no blog de Luis Nassif. O primeiro é “Os comentários de Alexandre Schwartsman” de quinta-feira, 15/09/2011 às 10:33 originado de um comentário de Andre Araujo. Deixo o link para a segunda página onde há o meu comentário enviado quinta-feira, 15/09/2011 às 15:11 para o comentário de Dê, enviado quinta-feira, 15/09/2011 às 09:51 e que está na primeira página. O link para o post “Os comentários de Alexandre Schwartsman” é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-comentarios-de-alexandre-schwartsman?page=1
O segundo post é “A influência dos "Super PACs" nas eleições dos EUA” de quinta-feira, 02/02/2012 às 11:36, oriundo de chamada de Assis Ribeiro para notícia da Reuters de autoria de John Whitesides e intitulada “Documentos mostram como ricos influenciam eleição nos EUA”. O link para o post “A influência dos "Super PACs" nas eleições dos EUA” é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-influencia-dos-super-pacs-nas-eleicoes-dos-eua
E o meu comentário foi enviado quinta-feira, 02/02/2012 às 18:32 para junto do comentário de Andre Araujo enviado quinta-feira, 02/02/2012 às 11:39. Meu comentário está deslocado, mas foi uma forma de tentar levar Andre Araujo para o debate uma vez ser ele, ainda que não seja economista da academia, é um grande especialista em regime de metas de inflação.
Como exemplo de outros efeitos do aumento da taxa Selic, há a desova de estoques. Pessoas como a mim que veêm do meio rural sabem o tamanho do efeito da alta da Selic na desova de estoque. E a desova de estoque é importante para baixar o preços de alimentos que podem ser estocados, principalmente o boi gordo.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 03/02/2012
A pretensa ação da Selic no PIB é meramente uma questão ideológica usada para justificar a imensa transferência de renda da população, através da arrecadação de impostos, para os banqueiros e demais rentistas. Não passa disso, uma questão ideológica e de propaganda. Como demonstra Nassif na sua análise é necessário tanto desmascarar tecnicamente a falácia da Selic e das metas de inflação quanto combater a propaganda que se faz em torno dessa ideologia.
Se existe algum impacto da Selic na economia não financeira é através do desestímulo ao investimento produtivo. Essa é uma maneira excepcionalmente estúpida de "controlar" a inflação, senão contraproducente e com tendência a promover um aumento da inflação. A questão essencial é que a lei fundamental do capitalismo é a da valorização do capital. O capitalista está sempre buscando a maior taxa de lucro possível e a forma mais segura de valorizar o seu capital.
O único setor da economia em condições de atender às demandas materiais de toda a população e, portanto, é o setor essencial do sistema econômico. Ora, numa economia na qual a taxa média de lucro da indústria está em torno de 5% (ou qualquer que seja a taxa média de lucro da indústria no Brasil), um governo que pague taxas reais de juros acima de 5% representa um formidável concorrente na busca do capitalista pela valorização mais segura e com maior taxa de seu capital.
Se a taxa Selic é mantida acima da taxa média de lucro da indústria, obviamente o capital industrial será desestimulado a buscar sua valorização na circulação mercantil, migrando para aquele investimento que lhe é mais atrativo, com a segurança dos títulos do governo e uma taxa de valorização superior. Por isso também a questão ideológica do "cumprimento de contratos", da confiabilidade do governo como pagador e a obrigação do "dever de casa" para o governo, com a geração de superávites para pagamento da dívida. Esta é outra falácia ideológica que deve ser desmontada, o conceito do "superávit primário", que nada mais é do que a forma de se forçar o governo a acumular dinheiro para valorizar o capital dos rentistas.
Mas porque seria estúpida a tese de que o aumento da Selic controla o PIB? Primeiro por causa de outra falácia ideológica, a do PIB potencial, que ainda está por ser provado e para a qual não há nenhum suporte na realidade. Segundo porque, ao levar o capitalista a retirar capital que seria usado para ampliar a circulação mercantil, ou seja, ao induzir o capitalista a deixar de investir na produção e colocar, ao contrário, seu capital na autovalorização segura do governo (sempre através de nossos impostos, da renda social), a manutenção da taxa Selic em valores acima da taxa média de lucro da indústria faz com que a demanda seja artificialmente reprimida.
É por demais fácil perceber que a Selic não tem nenhum impacto na decisão de consumir ou poupar do consumidor final de mercadorias, o indivíduo que usa seu salário para comprar os produtos de que precisa para viver ou aumentar seu conforto. Primeiro, como mostrado pelo Nassif, que a Selic tem impactos desprezíveis sobre a formação de preços. Segundo porque a Selic também tem impactos desprezíveis sobre as taxas de juros do consumidor final (como todos sabemos a Selic é uma ordem de grandeza menor que as obscenas taxas de juros praticadas para consumidores). E, finalmente, terceiro, porque a Selic não tem impacto sobre a taxa paga pelos bancos para formação de poupança pelos consumidores finais, que são discriminados pelos bancos com aplicações de baixíssimas taxas e que, na maioria das vezes, tem que se contentar com a poupança convencional (que mal cobre a inflação) como instrumento de poupança ou entesouramento. Ou seja, a Selic elevada não tem impacto na decisão entre consumir ou poupar do consumidor final.
Por outro lado, a Selic, ao retirar o capital da esfera da circulação mercantil e induzir o capitalista a se contentar com a valorização não produtiva de seu capital, impede o aumento da produção e, portanto, a adequação da oferta à demanda. Daí deriva a segunda razão do porquê da estupidez do uso da Selic como instrumento de controle do PIB e da inflação. Ocorre que a Selic não reduz a atividade produtiva por levar ao aumento da poupança em detrimento do consumo, ou seja, a Selic não é fator de redução da demanda mas, ao contrário e aí reside toda a estupidez e perversidade do argumento, pela introdução de um fator que deprime a oferta.
Ou seja, a manutenção de altas taxas Selic leva a economia a produzir com oferta artificialmente abaixo da demanda. O efeito de de redução da oferta torna-se contraproducente na medida em que, por óbvio que seja, há o potencial de aumento da inflação através da demanda artificialmente reprimida, o que gera a inflação de demanda, lei básica de mercado, oferta e procura. Com oferta menor que a procura os preços sobem. Ponto. Se a Selic alta procurava controlar a inflação ela se torna, assim, simultaneamente e de forma muito conveniente para os rentistas, causa e efeito da inflação.
Entretanto, num país que, finalmente, desenvolveu um mercado de consumo de massas, dificilmente se poderá arguir que a demanda é pequena. Essa é a maior perversidade da Selic, ela é uma barreira ao pleno desenvolvimento do mercado de consumo de massa no Brasil, pois ela inibe novos investimentos produtivos e o consequente aumento da oferta. Não faz sentido reprimir a demanda num país cujo povo passava fome há até poucos anos atrás.
O que o Brasil precisa é de incentivos à ampliação da produção, incentivos para novos investimentos produtivos. Precisamos de mais oferta e não menos demanda. Eventuais pressões sobre o preço da mão de obra, sobre os valores dos salários com o aquecimento da economia, seriam compensados com sobras pelo aumento da produção e do consumo. Entraríamos num verdadeiro círculo virtuoso de crescimento sustentado.
Se existisse de fato um PIB potencial, ainda assim o único antídoto para os pretensos efeitos do crescimento acima do (falso) PIB potencial, seria o crescimento sustentado. A geração de riqueza e sua distribuição são a única forma de promover o crescimento econômico sustentável. O trabalho humano, transformando a natureza, é a única fonte de riqueza. Por definição, desempregados são excluídos do mercado consumidor. Portanto, a única forma de promover o crescimento é através do aumento da produção com o aumento do mercado de trabalho, com a criação de novos postos de trabalho e a busca do pleno emprego como meta central do crescimento da economia.
Qualquer argumento contrário é parte da luta ideológica do capital financeiro contra a produção e contra o trabalho. Chamamos de neoliberalismo a ideologia do capital financeiro que domina a imprensa e que dominou (até a sua espetacular falência) o debate ideológico na economia e, de uma forma mais ampla, nas sociedades capitalistas como um todo. O neoliberalismo está nas cordas, mas não derrotado. Veja-se como ele consegue colocar seus representantes diretos como chefes de governo e de Estado na Europa e nos EUA.
Cabe aos lúcidos e aos que acreditam no crescimento com distribuição de renda fazer o contra ataque e ajudar a construir um novo modelo de crescimento. Não há fórmulas, mas há uma imensa necessidade pela realização do debate de um plano nacional de desenvolvimento, por uma forma de organizar nossa economia e promover o crescimento sustentável com distribuição de renda. Travar esse debate e institucionalizar um plano de desenvolvimento seria algo próximo de um golpe fatal no neoliberalismo.
De tanto obedecer, adquirimos o reflexo da submissão.
Follow the money, follow the power.
Perfeita a análise do Nassif e seu complemento. A pergunta que poderia ser feita por um leigo completo é a seguinte : qual a razão da Selic no Brasil ser a mais alta do mundo nos últimos 20 (!!!) anos ???
Deve ser uma explicação metafísica.
Parabéns Angelo.
Comentário verdadeiramente 5 estrelas.
Seria interessante que pudessemos dissecar o IPCA, formando 3 grupos:
1.Commodities
2.Preços administrados (aqueles indexados em algum índice)
3.Os outros (a parte que nos cabe deste latifúndio)
O BC com certeza os tem.Seria uma forma de "quantificar" o debate Selic/inflação.
Acho que a Selic, como linha de corte, na decisão do investimento obedece a máxima :"pra que trabalhar se posso ganhar sem ?"
.....Ele afirmou que há espaço para mais afrouxamento monetário sem colocar em risco a meta de inflação, que é de cerca de 4,5 por cento, em 2012.....
Tombini: economia deve crescer mais em 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012 09:57 BRST(Por Subhadip Sircar e Suvashree Dey Choudhury)
MUMBAI, 2 Fev (Reuters) - A economia brasileira deve crescer mais em 2012 ante o ano passado, ajudada por mais reduções na taxa básica de juros, disse o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, nesta quinta-feira.
Falando a jornalistas nos bastidores de uma conferência bancária em Mumbai, na Índia, Tombini disse que o crescimento econômico ficou perto de 3 por cento em 2011.
"A economia está recuperando velocidade agora e o Brasil deve crescer mais em 2012 que em 2011, e crescer mais no segundo semestre do ano do que no primeiro por causa de atrasos na política monetária", disse Tombini.
Ele afirmou que há espaço para mais afrouxamento monetário sem colocar em risco a meta de inflação, que é de cerca de 4,5 por cento, em 2012.
Tombini disse que a valorização do real, que tem sido intensa em 2012, acontece em linha com a de outras moedas.
"(O ano de) 2012 começou em um tom otimista em relação aos mercados. Portanto, isso se reflete nas moedas do mundo todo, inclusive no real".
Tombini disse ainda que as reservas internacionais do Brasil são modestas se comparadas ao tamanho da economia e a outros países.
(Por Subhadip Sircar e Suvashree Dey Choudhury)
2010
A Selic está consolidada como referencia para os" Primes" da sociedade brasileira.
O que não vê, não se lê, não se escuta são alternativas para solucionar ou dar referência para as taxas de juros cobradas e pagas pela "Rapa" da sociedade.
Desenvolvimentistas, mercadistas, consultores, orotdoxos, heterodoxos monetaristas e todas as correntes/denominações existentes no pensamento econômico se omitem por algum motivo e não provocam o debate sobre alternativas para estas taxas absurdas que a "Rapa" da população paga.
A imprensa se esconde e o governo finge que não é com ele a solução deste problema.
Será que não tem pessoas qualificadas para debater alternativas ? (eu não tenho esta qualificação).
Porque em outros países não existem estas taxas escorchantes?
A cantilena de que a Selic baixando as taxas de juros para a 'Rapa" recuam, já se viu que é falso.
A riqueza do país sendo transferida para poucos poderosos($$$), concentrando-se cada vez mais e um mutismo incompreensível. Nossos economistas são piores que os de outros países ou nossa sociedade" Prime" é mais competente que as de outros países?
Através da taxa Selic os grandes rentistas tem suas sobras de capital financeiro,altamente remuneradas.Hora é muito mais arriscado fazer empréstimos para consumidores e capital de giro.Assim sendo,os rentistas preferem a Selic e a garantia dos títulos de governo a ter de emprestar para consumo e pequenas e médias empresas.Devido a isto,podem se dar ao luxo de oferecer empréstimos a taxas escorchantes,pois com a Selic e os titulos de governo,estão numa zona de conforto muito boa.Logo a Selic impacta sim consumo e capital de giro de empresas não consideradas como de grande porte.
Em artigo publicado ,recentemente, no jornal Valor Economico,um economista da Unicamp que não recordo o nome,veicula que os grandes possuidores de títulos de governo para não terem prefêrencia pela liquidez exigem do governo uma remuneração muito alta e portanto uma Selic muito elevada.Se isto por um lado não deixa a inflação chegar a níveis altos e perigosos,por outro lado deixa montantes disponíveis para empréstimos a nível inferior,o que acaba por afetar e impactar consumo e capital de giro.
Assim a Selic não afeta só a capacidade do governo gastar e investir e das empresas de investirem.
Qualquer um pode investir http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/
"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.
Vou tocar a bola nesta aqui, metas de inflação é a justificativa que a Banca usa para colocar o dinheiro impresso novo na suas mãos antes de diluir a capacidade de compra da população e açambarcar riquezas e poder do povo e da nação. Não existe correlação possível, pois o horizonte máximo de predição de inflação, segundo o artigo da New Scintist sobre matrizes vetoriais é de um mês.
A analogia que gosto de fazer com o dinheiro circulando é com o sangue no corpo, o sangue atinge todas as partes, a pele da pontinha do dedinho do pé até o topo da cabeça, ele se espalha como uma nuvem, nas três dimensões, ou seja caminha em oito direções, sem analisar os oito efeitos, qualquer pesquisa e modelagem é deficiente e está sujeita a um passe como os que o Craque Ganso do glorioso Santos Futebol Clube costuma dar, de surpresa.
Follow the money, follow the power.
Faltou falar sobre as reservas fracionárias.
"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.
-----Mensagem original-----
De: Vinicius
Enviada em: sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012 11:22
Para: Roberto
Assunto: Re: Selic vs Pib
Cara, o texto eh bem interessante, mas claramente a discussao aqui eh muito mais politica que tecnica.
Primeiro porque ele descobriu a roda: a taxa basica de juros nao impacta significativamente as decisoes de consumo diario da maioria dos consumidores finais.
Segundo, porque apesar de a maioria dos argumentos que ele coloca estarem certos, sao falaciosos.
Exemplo: a SELIC nao impacta a taxa de juros do consumidor final. Eh uma quase verdade. Num emprestimo de risco muito alto, como emprestimo a pessoa fisica sem qualquer garantia, o componente 'risco' eh tao grande que uma mudanca no custo do capital livre de risco eh insignificante. Num emprestimo CDC (com garantia de um bem, como carro, por exemplo), isso nao eh verdade. A taxa do credito consignado varia muito com a SELIC. O custo de comprar um carro, uma casa, etc. tambem.
Outra grande redescoberta da economia: Nao dah pra usar a SELIC pra controlar o consumo porque ela nao afeta a decisao dos consumidores. Todo mundo sabe disso, suponho eu. Todas as teorias economicas de controle de inflacao por taxa de juros consideram que existe um delay enorme (6 a 18 meses) entre as mudancas de juros e o total impacto na demanda agregada. Simplesmente porque a maior parte do efeito recai sobre os impactos das decisoes de investimento, nao sobre as decisoes do consumidor.
Normalmente quanto existe uma discussao em economia com dois lados com argumentos tao opostos e tao convincentes, eu prefiro acreditar que ambos os lados estao certos.
Eu nao consigo acreditar que a SELIC nao tem efeito no consumo, na producao, no PIB. Eh inocencia achar que se a SELIC subir para 30% ou cair para 0% dah na mesma. Eu ja senti na pele os efeitos de um aumento na SELIC. No dia seguinte o BB subiu todas as taxas de consignado. Depois, qnd ela caiu, todas as taxas cairam e eu renegociei meu emprestimo.
Mas eu tb nao consigo acreditar que alguem ache razoavel controlar a inflacao soh atraves da SELIC. Primeiro porque a propria teoria ja diz que isso soh funciona bem no medio e longo prazo. Segundo porque qualquer um que conheca o minimo de gestao sabe que 'na pratica, a teoria eh outra'. Sempre existem limites para os efeitos da SELIC. A aberracao de termo um risco exagerado nos emprestimos pessoais eh uma. Nao eh natural o custo de financiamento ser 100% ao ano. Se disso, a SELIC eh 10%, dah pra entender que se cair 1% a SELIC o impacto na decisao de comprar ou nao usando o cheque especial deve ser pouco afetada.
Enfim... Nao vamos fazer loucuras com a SELIC, mas o governo precisa sim pensar mais sobre as limitacoes do controle inflacionario usando soh a SELIC como instrumento.
-----Mensagem original-----
De: Roberto
Enviada em: sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012 11:22
Para: Vinicius
Assunto: Re: Selic vs Pib
Eu preferiria ver um governo mais audaz, jogando (ainda que paulatinamente) a Selic pra perto de 2% real a.a. para ver os seguintes efeitos:
1) Sobra de orçamento do Estado com redução do custo da dívida (e se Deus quiser, com inteligência suficiente para investimento em infra)
2) Estimulo ao investimento privado
3) incentivo aos bancos para emprestarem mais aos investidores, teoricamente diminuindo o spread, na medida em que os ganhos menores com títulos públicos estimulam esse movimento "mais arriscado"
Na minha humilde opinião, o investimento do Estado e Privado são os únicos mecanismos reais de combate à inflação. O resto é tapar o sol com a peneira.
E fica aqui a pergunta polêmica do dia: Tenho visto os lucros PORNOGRÁFICOS dos bancos brasileiros. Quanto disso é rentabilidade dos títulos públicos? Que banco no mundo ganha 5% a.a. real sem risco (ou com o risco Brasil)?
Enquanto ficarmos com essa de controlar inflação com a Selic, somo os Santos. Boas estrelas, mas um time assustado e só querendo se defender, rezando pra não apanhar.
Precisamos virar o Barça! Boas estrelas, e principalmente, com bolas pra atacar! Quem entra pra fazer 4 gols pode se dar ao luxo de tomar 3! Quem entra pra empatar não pode se dar ao luxo de tomar nenhum!
Nassif,
Não é possível aplicar no Brasil teorias econômicas estrangeiras sem considerar as peculiaridades locais.
As reduções promovidas pelo BACEN na Selic dificilmente afetarão o consumo das famílias, por duas simples razões:
(1) as taxas de juros cobradas dos consumidores pelos bancos não possui a menor relação com a Selic ou o custo do dinheiro;
(2) o que determina o consumo das famílias no Brasil é o número de parcelas que cabe no orçamento, não a taxa de juro.
Além disso:
a) há aqui uma forte demanda reprimida que agora começa a ser atendida;
b) a população nunca viveu uma época em que os juros bancários fossem baixos (não há memória dessa situação, logo se aceita como algo natural os estratosféricos juros brasileiros).
Para reduzir o consumo das famílias deve-se reduzir o número de parcelas dos crediários/financiamentos (esse é o "X" da questão).
O Brasil possui a maior taxa de juro do mundo e as montadoras locais vendem automóveis pelos valores mais caros do mundo e, no entanto, todos os anos a indústria automobilística registra aqui recordes e recordes de vendas. Como os automóveis são financiados, as vendas ocorrem porque o valor das parcelas cabe no orçamento das famílias.
O consumo no país não cresceu nos últimos anos apenas por causa da estabilização da moeda e do aumento do poder aquisitivo. Se não ocorresse o aumento do número de parcelas do crediário e dos financiamentos o consumo das famílias teria crescido muito menos.
O número de parcelas dos crediários começam a aumentar em substancialmente a partir de 2000 e começa a abarcar também o financiamento de automóveis, principalmente no governo Lula - quando então renasce a indústria automobilística no país.
Os bancos foram os primeiros a perceberem isso e viram que podiam continuar praticando "qualquer" taxa de juro, pois ela sempre seria diluída no número de parcelas dos financiamentos de uma demanda que demorará décadas para ser atendida.
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) publicou recentemente uma pesquisa na qual se prevê: "Os juros devem continuar recuando, vão atingir 9,5% e se estabilizar. Portanto mais duas quedas de 0,5% ponto percentual. Esse número deve permanecer em 2013, de acordo com a nossa pesquisa (avalia Sardenberg)." (Pronunciamentos, 01/02/2012, PIB PODE CRESCER 3,4% EM 2012, DIZ PESQUISA, disponível em: http://www.febraban.org.br/Noticias1.asp?id_texto=1495&id_pagina=59&palavra=)
Na mesma pesquisa é feita a projeção de "o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil pode crescer 3,4% neste ano e 4,1% em 2013" e é indicado "um crescimento de 16,5% para o crédito total em 2012; 17,8% para o crédito direcionado e 15,5% de crescimento no crédito com recursos livres. Para 2013, a previsão é de expansão de 15,8% do volume total de crédito".
O que se observa é que os bancos já fixaram para o BACEN qual deve ser a Selic a ser praticada nos próximos anos, independentemente do cenário favorável para uma queda ainda maior e contínua até que ela se adeque aos padrões internacionais.
Desconsiderar fatores sociais (principalmente de classe), culturas e psicológicos na determinação da taxa de juro é - desculpem-me os que discordam - imperícia, ignorância ou pura má fé. A economia por si só é limitada, inexata e pouco científica.
Administrador de Empresas, Psicólogo e Sociólogo
Parabéns Grande Baiana,Ministra Eliana Calmon,os baianos e povo nordestino estao orgulhosos de sua firmeza e determinação essa juíza guerreira que tentou como Davi derrotar e engolir o gigante Golias e conseguiu. VIVA A DEMOCRACIA VIVA O POVO BRASILEIRO …………………………………………….. ………VÍDEO IMPERDIVEL…..Pedro Rios em greve de fome algemado na Globo http://www.youtube.com/watch?v=93vkxFLhMG4&feature=player_embedded ........................................................... Lembrar que, nao deixar cair no esquecimento o livro da Pivataria Tucana, que será a próxima vítima vamos bater e rebater esses tucanhalas ....KKKKKKKKK......Dá-lhe MM.
Reduzir a selic que é o valor cobrado pelo emprestimo interbancario para cobrir a reserva minima de dinheiro do sistema de reservas fracionária por um dia, a base monetária se eleva gerando inflação.
O tamanho do estoque minimo da reserva fracionária ou deposito compulsório tem muito mais influência nos juros finais do que a selic em si.
Existe uma expanção da base monetária reprimida é isso que impede a redução da SELIC.
"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.
As ficções do Nassif:
Ficção 1: Negar que a taxa selic impacta no PIB.
Ficção 2: Negar que a taxa selic impacta na inflação.
Ficção 3: Atribuir as autoridades monetárias um raciocínio tão simplista este para o funcionamento da economia. Esta ficção pode ser desdobrada em muitas outras.
Agora duas não ficções:
1. Uma desvalorização do Real significa o empobrecimento instatâneo de todos os milhões de brasileiros, uma redução no poder compra e no bem estar, uma redução no crescimento e um aumento no desemprego. Em benefício de alguns poucos setores industriais, já plenamente beneficiados e compensados pelo governo.
2. Quem sustenta a inflação hoje é a concorrência externa. As maquininhas estão lucas para remarcar e por isso fazem lobe por imposto sobre importação ou desvalorização do Real.
3. Os juros precisam cair, mas sem retorno de inflação e nem perda do poder de compra dos brasileiros ''comuns''.
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