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A fetichização das metas de inflaçãoEnviado por luisnassif, sex, 03/02/2012 - 14:20
Por raquel_
Do ValorInveste Postado por: Sergio Lamucci “Estabilidade de preços é obviamente desejável, mas o regime de metas de inflação em si mesmo corre o risco de se tornar um fetiche”, adverte Stephen King, economista-chefe do HSBC Group. No artigo “É hora de reexaminar o regime de metas”, ele questiona e critica o sistema, poucos dias depois de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ter anunciado que vai adotar formalmente um alvo explícito para a inflação. Para King, é necessário reexaminar o sistema porque “uma das lições mais importantes da crise é que o regime de metas de inflação não entregou a estabilidade econômica duradoura” desejada por todos. A inflação baixa cria uma “aura de estabilidade”, mas frequentemente leva os banqueiros centrais a não dar atenção a pontos importantes. “A rápida expansão do crédito antes de 2008 foi amplamente ignorada simplesmente porque a inflação estava bem comportada.” O economista diz que há algo de estranho a respeito do entusiasmo dos banqueiros centrais pelo regime. “A busca pela estabilidade de preços deveria ser o melhor caminho para levar à estabilidade econômica geral. No entanto, a despeito da adoção generalizada do regime de metas de inflação, o mundo desenvolvido sucumbiu em 2008 à maior crise econômica e financeira em gerações”. Para King, esse desempenho deveria levar a um período de “introspecção, um desejo de examinar o papel do regime de metas na contribuição para a crise”. A questão é que os bancos centrais preferiram deixar as objeções de lado, culpando "falhas de regulação e supervisão ou as contravenções de titãs das finanças”, diz ele. King destaca que “a inflação hoje é cada vez mais determinada por fatores fora do controle de um banco central. Nos primeiros anos do novo milênio, muitos países desenvolvidos se beneficiaram da queda rápida dos preços de importação, graças ao papel crescente da China e outros países de baixo custo na cadeia de oferta global”. Nesse cenário, a tendência da inflação era ficar abaixo da meta, o que levou os banco centrais a um dilema – deixar a inflação cair para níveis muito baixos ou manter os juros muito baixos para estimular a demanda doméstica, de modo a impulsionar a inflação gerada internamente. A maior parte seguiu o segundo caminho. Os juros reais ficaram em níveis baixíssimos, contribuindo para a bolha no mercado imobiliário e para o boom de crescimento do crédito. “As metas de inflação foram alcançadas, mas a um custo enorme”. Por motivos como esses, King diz que é "hora de um reexame completo da contribuição do regime de metas para o nosso bem estar econômico". A edição desta quinta-feira do Valor, contudo, traz uma visão bem mais favorável do regime de metas. No artigo "Mão e contramão", o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman comenta a decisão do Fed, elogia o regime e aproveita para alfinetar o BC brasileiro – “no Brasil estamos sistematicamente desmantelando o que funcionou tão bem por tantos anos”, escreve ele. Em relatório divulgado na semana passada, Schwartsman, sócio da Schwartsman & Associados, diz que a autoridade monetária adotou uma meta de juros, deixando a meta de inflação em segundo plano. Para ele, isso ocorreu porque a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou que o BC atribui “elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares de um dígito”, mesmo com as previsões que embutem juros abaixo de 10% ao ano apontando para uma inflação, em 2013, que se distancia do centro da meta, de 4,5%.
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Comentários + votados
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marcos nunes
03/02/2012 - 14:22
Stephen King é realmente um nome muito apropriado para uma fantasmagoria sem eira nem beira e nenhum sentido.
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Marco Antonio L.
03/02/2012 - 14:31
A meta da inflação atualmente é de 4,5%. Caso aconteça em 2012, como exemplo, de a inflação chegar a 3,5% a reação do PIG vai ser de chamar o governo federal de incapaz, por não ter atingido a meta...
1
3
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Tio Almir da Bahia
03/02/2012 - 14:34
Qual é o “Plano B”?Milton Pomar(*), 2/2/2012Dentro de mais alguns anos, o Brasil deverá entrar para o clube dascinco maiores economias do mundo, do qual fazem parte hoje os EstadosUnidos, China,...
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Stephen King é realmente um nome muito apropriado para uma fantasmagoria sem eira nem beira e nenhum sentido.
Perplexidade aflita diante da perspectiva caótica
A resposta para isso já foi dada por nossas tataravós: SÁBIAS já ensinavam aos menos perspicazes:
"Jamais ponha todos os ovos em uma única cesta"
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
Realmente !
Ou seria o próprio escritor que descobriu que escrever sobre economia aterroriza muito mais doque terror sobrenatural ?
A meta da inflação atualmente é de 4,5%. Caso aconteça em 2012, como exemplo, de a inflação chegar a 3,5% a reação do PIG vai ser de chamar o governo federal de incapaz, por não ter atingido a meta de 4,5%. Querem apostar ?
Qual é o “Plano B”?
Milton Pomar(*), 2/2/2012
Dentro de mais alguns anos, o Brasil deverá entrar para o clube das
cinco maiores economias do mundo, do qual fazem parte hoje os Estados
Unidos, China, Alemanha, Japão e França. Seremos então o país com o 5º
maior PIB. Provavelmente na época já não teremos a maior taxa de juros
do mundo, nem estaremos mais na companhia dos quatro países com a pior
concentração de renda, mas o Brasil continuará sendo o maior em
exportações de soja, açúcar, carnes, celulose, café, suco de laranja,
etanol de cana-de-açúcar, minério de ferro etc. Como o único critério
para ser aceito nesse clube é a grandeza do PIB, o Brasil fará parte
dele, mesmo distante dos demais sócios em aspectos decisivos: nível
educacional da população; dimensão do mercado consumidor; participação
na indústria mundial; transporte de cargas por ferrovia e hidrovia; taxa
de investimento em relação ao PIB; participação do comércio exterior na
formação do PIB; e investimento em Ciência, Tecnologia e Inovação.
Uma das causas para essa rápida ascensão do Brasil no ranking das
economias mundiais (era a 12ª maior, há apenas dez anos), é a relação
comercial com a China, que evoluiu de US$2,3 bilhões em 2001, para US$77
bilhões no ano passado. As exportações brasileiras para a China batem
recordes, ano após ano: US$ 44,3 bilhões em 2011, quase o dobro das
vendas para os EUA (US$ 25,9 bilhões). Mantido esse ritmo de
crescimento, superior a 40% anuais, o comércio com a China deverá
atingir US$300 bilhões em 2015. E há os investimentos no Brasil, cada
vez maiores, em indústrias de diversos setores, de vários estados.
Cresceu tanto o ingresso de capitais chineses no Brasil, que além de
maior parceiro comercial e maior comprador de produtos agropecuários, a
China tornou-se também o maior investidor no setor produtivo brasileiro.
A sociedade brasileira assiste atônita a essa ofensiva comercial
chinesa. As quantias crescentes tendem a ofuscar a análise qualitativa
do que é comprado e do que é vendido pela China, e se diz assim porque a
iniciativa é muito mais dela. Diversas lideranças industriais têm
protestado, alertando sobre os riscos da desindustrialização que já
estaria ocorrendo no Brasil. Alguns intelectuais, em geral economistas,
escrevem com freqüência sobre os possíveis impactos dessa relação
desigual – o Brasil comprando manufaturados da China e ela comprando
commodities, ambos em quantidades crescentes. Até agora, o resultado das
trocas comerciais com a China tem sido positivo para o Brasil, tendo
inclusive mais do que dobrado em 2011, em relação a 2010, a ponto de
responder por quase 40% do superávit total da balança comercial
brasileira. No curto prazo, as compras e investimentos chineses são
bem-vindos, mas será que eles resistem a uma análise de caráter
estratégico?
O movimento de lá para cá segue claramente uma estratégia, perceptível
nos discursos e ações dos dirigentes políticos e das empresas chinesas –
apesar de serem de setores diferentes, revelam sintonia entre si, como
se cada qual soubesse a sua parte no jogo. Enquanto isso, do lado de cá,
há divergências em relação ao que fazer com a China nos governos,
legislativos, universidades, entidades empresariais e sindicais, mídia
etc. O meio empresarial brasileiro está visivelmente “rachado” no tema
China, entre os setores que estão ganhando muito dinheiro – agronegócio,
mineração e comércio –, e os segmentos do setor industrial que estão
perdendo. Sindicalistas, intelectuais, empresários e integrantes dos
governos falam da possibilidade do ressurgimento do desemprego, caso as
importações de manufaturados da China continuem crescendo, e muitos
temem, em relação a empresas chinesas, a concessão de áreas de
exploração de petróleo e a venda de terras agrícolas e minas, entre
outros perigos para a economia e a soberania nacionais.
Quem analisa a situação do ponto de vista estratégico para o Brasil,
leva em consideração o que ocorreu com os Estados Unidos na relação com
a China, desde que esta iniciou seu programa de reformas e abertura, em
1980, após o fim do bloqueio norte-americano (que durou de 1949 a 1979).
Naquele ano, a China não estava entre as dez maiores economias do mundo;
até 2020, será a maior economia mundial. Durante as décadas de 1980 e
90, a China realizou uma proeza impensável: conseguiu a transferência de
milhares de indústrias dos EUA para o território chinês, onde elas
respondem hoje por mais de 60% das exportações “made in China”. Esse
fenômeno resultou na redução significativa da participação dos EUA na
indústria mundial, no período 1980/2010, e na multiplicação por dez da
participação da China (de 1,5% para 15%). Outro indicador impressionante
dessa inversão do peso dos dois países no mundo é revelado pela
Organização Mundial do Comércio (OMC): no período 1948/2010, a China
saiu de 0,9% de participação nas exportações mundiais para 10,6%, e os
EUA caíram de 21,7% para 13,2%. No mesmo período, os EUA mantiveram a
sua fatia nas importações mundiais em 13%, enquanto a China saltou de
0,6% para 9,3%.
Perdendo parte considerável da sua importância na indústria e comércio
mundiais para a China, restou aos EUA fincar pé nas exportações
agrícolas e cortar fundo nas despesas militares, reduzindo centenas de
bilhões de dólares do orçamento do Pentágono, diminuindo os efetivos das
bases que ainda mantêm em quase todo o mundo e retirando-se do Iraque. A
prioridade militar dos EUA agora é o Pacífico, onde precisam manter
presença ostensiva por causa justamente da China. Registre-se que o
encolhimento militar dos EUA é inversamente proporcional à modernização
das forças armadas chinesas, que tem realizado expressivos investimentos
em equipamentos bélicos, treinamentos etc. Mas nada é mais simbólico da
transformação radical promovida pela China na relação com os EUA, do que
o fato dela ser hoje a sua maior credora, com quase um trilhão e meio de
dólares em títulos do Tesouro norte-americano.
Como tudo isso ocorreu muito rápido, e a situação chinesa de hoje é
infinitamente superior à de 1980, causa arrepio na espinha pensar no que
pode acontecer com o Brasil na relação com a China, se deixarmos o barco
correr para ver aonde a correnteza vai nos levar. Daí o medo (quase
pânico) de muitos que acompanham o assunto, de que as coisas cheguem a
um ponto sem volta, que se traduziria, em termos práticos, no Brasil
tão-somente grande exportador de commodities para o mundo,
particularmente para a China, e dependente da importação de
manufaturados, em especial chineses, com perdas econômicas gigantescas,
resultando em desemprego, queda da arrecadação e tudo o mais que os EUA
enfrentam hoje. Situação agravada pelo peso chinês em setores
estratégicos da economia nacional, como mineração e energia.
Diferenças importantes a considerar
Ainda que esse quadro assustador baseie-se no exemplo norte-americano,
há aspectos diferenciais no caso brasileiro que devem ser considerados,
para que se possa estabelecer a relação com a China em outras bases, de
maneira a assegurar ao Brasil os recursos necessários ao desenvolvimento
do país e melhor participação no maior mercado consumidor do mundo.
Sabemos da realidade brasileira, do potencial e das debilidades
estruturais das diferentes regiões. Mas o que se sabe realmente sobre a
China no Brasil – nas universidades, entidades empresariais e sindicais,
governos federal, estaduais e das maiores cidades, empresas
internacionalizadas e na mídia? Mesmo onde os ganhos são mais
expressivos, sob todos os aspectos, como é o caso do agronegócio (ainda
que o lucro das mineradoras esteja nas alturas), pouco se investe para
conhecer as características do mercado, as tendências das demandas
alimentares chinesas e as possíveis iniciativas do governo e empresários
do país para lucrarem com o setor, sem abrirem mão da soberania
alimentar, algo vital para a China.
Chega a ser perturbador constatar a leviandade com que o país é tratado
por gente importante, expressa na utilização de informações erradas e em
uma dose considerável de preconceitos. É inegável que estamos
despreparados para lidar em pé de igualdade política e comercial com a
segunda maior economia do mundo. Felizmente, essa situação está mudando
para melhor, há mais pessoas no Brasil se preocupando em aprofundar o
conhecimento e as relações com a China, buscando oportunidades não
apenas comerciais, mas também de intercâmbios em áreas diversas.
A soja é um bom exemplo dos benefícios da entrada decisiva da China no
mercado mundial. O Brasil atingiu a produção de 1 milhão de toneladas em
1969; dez anos depois, chegou a 15 milhões de toneladas. Foram
necessários mais 20 anos para a produção dobrar. Com a China comprando,
em dez anos a produção brasileira dobrou novamente, atingindo 70 milhões
de toneladas. Significa que não apenas houve aumento da produção, mas
também da produtividade – resultado de ciência e tecnologia e da
utilização de insumos industriais. Essa mesma lógica serve para a
celulose; etanol de cana-de-açúcar; carnes suína, bovina e de frango;
fumo; suco de laranja; algodão; e outros produtos agrícolas.
Maior compradora de produtos agropecuários do Brasil, tudo indica que a
China seguirá importando em velocidade muito superior ao do crescimento
da sua economia: tem 20% da população mundial e há cada vez mais pessoas
com maior poder aquisitivo; dispõe de pouca água (6% da existente no
mundo), mal distribuída e com risco de contaminação; seu estoque de
terras disponíveis para agricultura está no “limite vermelho”; o esforço
permanente para aumentar a produtividade agrícola tem um custo muito
alto, que requer subsídios cada vez maiores; e a produção de grãos tem
se mantido em 550 milhões de toneladas. O detalhe aparentemente
contraditório é que a China não só exporta produtos agrícolas, como
tende a transformar-se rapidamente em um grande pólo agroindustrial,
utilizando matérias-primas próprias e importadas para a industrialização
em larga escala de alimentos e outros produtos.
Passar de maior importadora agrícola, para maior exportadora de
alimentos industrializados, papel, tecidos de algodão e outras fibras
naturais, móveis de madeira etc para a Ásia (2,5 bilhões de pessoas),
será o grande “pulo do gato” do dragão chinês. Vendedora por natureza,
altamente capitalizada, com 800 milhões de pessoas economicamente
ativas, localização central, fronteiras terrestres e ligação ferroviária
atual ou futura com 15 países, a China revolucionará a logística de
transporte mundial de uma maneira fantástica, porque construirá
ferrovias entre países da Ásia Central, na sua região oeste, e o Oceano
Pacífico, onde possui os maiores portos do mundo e gigantesca frota
mercante. Esse plano foi anunciado por autoridades do governo central
chinês em 2008, na cidade de Chengdu, capital de Sichuan, durante evento
reunindo 12 províncias e regiões autônomas e representantes dos países
vizinhos. Quando estiver concretizada essa “Rota da Seda sobre trilhos”,
as trocas comerciais da Ásia com o restante do mundo atingirão volumes
impensáveis hoje.
A capacidade de transporte por ferrovia é uma das razões da
competitividade imbatível chinesa: mais de 80 mil km, ligação entre
todas as municipalidades, capitais de províncias e de regiões autônomas,
velocidade média de 80 km/h para carga (os trens de passageiros vão de
100 km/h a 350 km/h), com um movimento tão grande que só perde para o
dos Estados Unidos. Após construir a ligação ferroviária entre Qinghai e
Lhasa (capital do Tibet), a última entre capitais que faltava, e as
ferrovias de alta velocidade, entre Beijing e Shanghai, o próximo
objetivo é aumentar a malha para 100 mil km.
Uma ferrovia ligando o Oeste brasileiro ao Pacífico aumentará a
competitividade da exportação de soja para a Ásia, tornando o preço do
produto brasileiro imbatível. Essa possibilidade, mais o potencial
agrícola, florestal e mineral da região, tornam o investimento na
construção muito atraente para empresas chinesas, que também se
interessarão em vender locomotivas, vagões e trilhos. Considerando os
cenários possíveis do setor agropecuário mundial para os próximos dez
anos, essa ferrovia adquire uma importância extraordinária para o
agronegócio brasileiro, cujo crescimento internacional (exportou US$94,6
bilhões ano passado, 24% a mais em relação a 2010) incomoda muito a
concorrência, principalmente a norte-americana, que será a mais afetada
por essa ferrovia na disputa pelo mercado asiático. Apesar disso, até
aonde se sabe, não há nenhum trabalho da região ou do governo federal
sendo desenvolvido com o objetivo de atrair investimentos do país com a
maior liquidez do mundo.
As oportunidades do crescimento chinês
Crescer tanto, com dezenas de milhões de pessoas migrando o tempo todo
das áreas rurais e demandando infra-estruturas e empregos nas cidades,
gera várias contradições e desigualdades. Trata-se de construir, nos
próximos 30 anos, o equivalente a dois “brasis”. Calcular as quantidades
necessárias de energia, cimento, aço, alumínio, vidro, madeira,
plástico, e tudo o mais, para tantos edifícios residenciais e
comerciais, indústrias, escolas, hospitais etc, chega a ser surreal.
Além disso, durante o processo contínuo de migração e construção, deverá
continuar ocorrendo aumento da renda, e por conseqüência, aumento do
consumo, como tem sido desde 1980, efetivando um ingresso na classe
média chinesa de mais 300 milhões, ou 400 milhões, elevando o seu
mercado consumidor para inacreditáveis 700 ou até 800 milhões de pessoas.
Ainda que muitos analistas não acreditem que o fenômeno chinês vá
continuar por muito tempo mais, é bom considerar essa possibilidade, e
se preparar para aproveitar as oportunidades em todas as áreas, porque a
China precisará importar mais, seu parque industrial não dá conta de
atender a demanda doméstica, muito menos o crescimento dela decorrente
da decisão governamental de continuar o crescimento via consumo interno.
Mas de onde ela vai importar mais, se os custos de produção europeus,
norte-americanos, japoneses e brasileiros são muito maiores dos que os
seus? Por isso, a China precisará investir muito, na própria China e no
restante do mundo, para aumentar a capacidade de produção e reduzir
custos. Ano passado, ela recebeu 103 bilhões de dólares em investimentos
estrangeiros, e teria investido no exterior pouco mais de US$60 bilhões.
Esse movimento simultâneo (atrair investimentos e investir em outros
países) continuará em grande escala, porque ao mesmo tempo em que é
“obrigada” a investir em ativos em outros países, precisa obter capital
alheio, porque o seu superávit na balança comercial está caindo (ano
passado foi US$28 bilhões menor, em relação a 2010), e a tendência é
continuar assim, conforme aumentem as suas importações. Prova da sua
disposição de continuar atraindo capital estrangeiro é a decisão do
governo, anunciada dia 30 de dezembro de 2011, e em vigor a partir de 30
de janeiro de 2012, de abrir mais setores da economia ao investimento
estrangeiro. O objetivo declarado pela Comissão Nacional de
Desenvolvimento e Reforma da China e o Ministério do
Comércio é atrair investimentos em “indústrias emergentes estratégicas”:
economia de energia, energias alternativas, veículos de combustíveis
alternativos, despoluição, tecnologias de informação de nova geração,
biotecnologia, produção de equipamentos modernos e materiais avançados.
Ao mesmo tempo, permitirá aumento do capital estrangeiro em alguns
setores, velha reivindicação dos investidores, que se recusavam a ficar
minoritários nas sociedades. O comunicado conjunto dá conta ainda que o
governo “continuará dando as boas-vindas aos investidores estrangeiros
em indústrias de ponta e de serviços modernos”, e também os incentivará
a investir nas indústrias de reciclados.
As novas diretrizes do governo chinês reforçam a atração de
investimentos e indicam por onde caminhará a política industrial do país
nos próximos anos: o governo retirará o apoio ao capital estrangeiro na
produção de automóveis, devido à necessidade de obter “um saudável
desenvolvimento da produção nacional nesse setor” e tampouco apoiará o
investimento estrangeiro nos setores de silício poli-cristalino e
química de hulha, devido ao receio de excesso de oferta industrial e
excesso de capacidade instalada. Por fim, o governo chinês anunciou que
produzirá “uma política detalhada para as regiões central e oeste do
país, levando em consideração as diferenças de desenvolvimento regional”.
Atrair investimentos da China para o Brasil
A Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX), conta com
escritório na China, em Beijing. Sua congênere chinesa, a Ccpit, com a
qual possui acordo de cooperação, está estruturada a nível central,
setorial, provincial e municipal. Enquanto o Brasil possui uma APEX, a
China possui 700 Ccpit. Quando o Brasil se dispuser a atrair
investimentos chineses, precisará de escritórios e equipes da APEX
também em Shanghai, Guangzhou e outras grandes cidades chinesas. Tem que
estar perto, tem que conviver, conhecer, estabelecer relações. Essa
lógica vale também para a representação diplomática brasileira na China.
Além da embaixada e consulado em Beijing, há consulados também em
Shanghai, Guangzhou e Hong Kong. A equipe brasileira é hoje bem maior do
que era há dez anos, mas ainda assim, não chega a 10% do efetivo
norte-americano e é menos de um terço da representação do Canadá. Com um
agravante: muda a cada quatro anos. Ou seja, quando o diplomata começa a
conhecer a China, ele vai embora.
O Banco do Brasil tem um escritório em Shanghai, onde está a maioria das
empresas brasileiras na China. Mas falta Banco do Brasil em Guangzhou,
no sul da China, e em Beijing, no norte. Aumentar a presença
institucional do Brasil na China é fundamental para todos que queiram se
relacionar com o país: estudantes, empresários, governos, artistas,
esportistas. Enquanto o programa do governo federal de envio de
estudantes para o exterior quer “exportar” 75 mil jovens para o mundo, o
governo Obama anunciou sua disposição de mandar 100 mil estudantes
somente para a China (contrapondo-se assim aos 130 mil estudantes
chineses nos EUA), para aprenderem a língua e conhecerem a cultura do
principal adversário dos EUA.
Competição e competitividade
O panorama mundial é deveras preocupante, mas para muitos no Brasil a
relação comercial com a China é mais preocupante ainda pelos riscos que
implica, até porque algumas das empresas que querem vir para o Brasil
são estatais. Ainda está vivo na memória o ocorrido na segunda metade do
século passado, quando o Brasil foi “invadido” e “dominado” por empresas
norte-americanas, alemãs, japonesas, francesas, italianas etc, que
tornaram-se donas de minas, fazendas e indústrias. De mais a mais,
competir com as empresas chinesas parece ser impossível, elas trabalham
com juro de 5%, quase metade da carga tributária brasileira, custos de
produção e de transportes muito menores e margens de lucro inferiores às
praticadas no Brasil.
Competindo com todos os países, o Brasil comprou e vendeu um total de
US$482 bilhões em 2011, quase o mesmo, em termos populacionais, que os
US$3,6 trilhões obtidos pela China. Mais do que a competitividade das
chinesas, a maior dificuldade comercial das empresas brasileiras naquele
mercado é a competição com empresas do mundo inteiro, que já estão lá há
vários anos. Existem algumas dezenas de empresas do Brasil na China, e
dezenas de milhares dos outros países. Enquanto uma empresa do setor
lácteo nacional reluta em investir no mercado chinês, empresas da China
importam anualmente 100 mil vacas leiteiras do Uruguai, Nova Zelândia e
Austrália, com o objetivo de formar um rebanho leiteiro de alta
qualidade. Hoje a China já produz mais leite de vaca do que o Brasil, e
importa leite em pó a preços inferiores aos praticados por nossas
empresas no mercado internacional.
O aumento da entrada de produtos chineses no Brasil é resultado
exclusivo da ação de empresas brasileiras, dos setores industrial e do
agronegócio, que vão até lá comprar, visando obter redução de custos e a
elevação das margens do que produzem, e do setor comercial, que busca
preços que permitam margens elevadas na revenda. Entidades empresariais
desses setores organizam e levam comitivas para comprar na China, e esse
movimento cresceu demais nos últimos cinco anos, resultando em aumento
da quantidade de empresas que importam da China e em US$33 bilhões de
compras em 2011.
Esse quadro complexo, contraditório e volátil, requer da sociedade e do
governo brasileiros definições de como lidar com a China, de maneira a
permitir realizar uma ofensiva articulada, visando estreitar relações
nas áreas cultural, esportiva, educacional e de ciência e tecnologia;
aumentar a presença institucional do Brasil no país; e estimular ações
dos governos e das empresas, de atração de investimentos e de penetração
no mercado chinês, inclusive através de instalação de indústrias lá.
Temos necessidade e condições de fazer tudo isso, nós só não temos um
“Plano B”.
Milton Pomar é empresário, editor da revista em chinês “Negócios com o
Brasil”
"Quanto melhor é o homem, menos maldade vê nos outros" Cicero.
Raquel_,
Sou leigo, mas para meu interesse há hoje três posts imperdíveis. Este "A fetichização das metas de inflação" de sexta-feira, 03/02/2012 às 15:20, com esta reportagem do ValorInveste de Sergio Lamucci "O regime de metas de inflação virou fetiche?".
A Coluna Econômica de Luis Nassif do dia intitulada "A ficção da política monetária" de sexta-feira, 03/02/2012 às 12:16 que pode ser vista no seguinte endereço:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-ficcao-da-politica-monetaria
E o mais recente, "O padrão sangria na política monetária" de sexta-feira, 03/02/2012 às 16:21 e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-padrao-sangria-na-politica-monetaria
Embora leigo teria muito a discutir. Saliento apenas que a meta de inflação na proposta do FED é uma súplica para que haja inflação de 2% evitando assim que se apareça uma deflação. Não creio que Ben Bernanke dê muito importância a teoria das expectativas, mas em caso de dúvida ele quer criar no imaginário americano que haverá inflação e assim é melhor comprar agora. É a idéia do pedreiro: joga-se na parede, se colar colou. Que se transforme isso na idéia de que o FED adotou o regime de metas de inflação parece-me um total desvirtuamento de tudo.
Sobre a pertinência da discussão sobre as metas de inflação eu menciono meus comentários para o post "A ficção da política monetária" e transcrevo o comentário que eu enviei quinta-feira, 02/02/2012 às 18:32 para Andre Araujo junto ao comentário dele enviado quinta-feira, 02/02/2012 às 11:39 para o post "A influência dos "Super PACs" nas eleições dos EUA" de quinta-feira, 02/02/2012 às 11:36 e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-influencia-dos-super-pacs-nas-eleicoes-dos-eua
- - - - - - -
"Andre Araujo (quinta-feira, 02/02/2012 às 11:39),
Você entrou com o Brasil em seu comentário de um jeito mal ajambrado. Assim vou entrar com outro assunto a meu modo.
Veja os três artigos para os quais eu deixo os links a seguir:
http://www.acaoempresarial.com.br/noticias-crescimento-economico-e-desenvolvimento-social-ler.php?orig=home&cod=6714&bsc=
http://maovisivel.blogspot.com/2012/02/adeus-meta.html
http://maovisivel.blogspot.com/2012/02/mao-e-contramao.html
O primeiro link é para o editorial do Valor Econômico de 31/01/2012, intitulado "Novas medidas do Fed devem ser monitoradas". Li o editorial na parte da manhã de ontem e o que me chamou a atenção foi a interpretação do editorialista de que o Fed tinha finalmente adotado o regime de metas de inflação.
Sou leigo em economia e não li a declaração de Ben Bernanke, mas pareceu-me que o editorialista extrapolou. Fiquei de confirmar, mas esqueci do tema. De todo modo penso que a intenção de Ben Bernanke seja evitar a armadilha de liquidez e criar uma expectativa de inflação que possa induzir as pessoas a comprar.
À noite li a Folha de S. Paulo e havia um artigo de Alexandre Schwartsman intitulado "Adeus, meta". No artigo ele mais expressava as críticas corriqueiras dele a atuação do Banco Central. E surpreendeu-me ele não fazer uma comparação entre o comportamento do Banco Central do Brasil que segundo ele estava dando adeus ao Regime de Metas de Inflação e o comportamento do Fed que segundo o editorialista do jornal Valor Econômico "comprometeu-se em perseguir uma meta de inflação pela primeira vez na sua história". O segundo link é exatamente para o artigo de Alexandre Schwartsman intitulado "Adeus, meta". Vale à pena uma olhada do artigo no blog dele, pois logo de início há uma boa crítica de alguém que me pareceu um especialista.
Hoje, quinta-feira, 02/02/2012, eu fui surpreendido com um artigo de Alexandre Schwartsman só que agora publicado no Valor Econômico. Trata-se de "Mão e contramão". O terceiro link é exatamente para o artigo dele, que para facilitar o acesso eu utilizei de novo o blog "A Mão Invisível". Parece que com o editorial de quarta-feira, 01/02/2012 do jornal Valor Econômico ele se sentiu mais à vontade para fazer a comparação entre o comportamento dos dois Bancos Centrais como se vê na transcrição a seguir do último parágrafo do artigo dele "Mão e contramão", Diz ele lá:
"Por fim, não há como deixar de notar que, enquanto o Fed se move para institucionalizar o regime, no Brasil estamos sistematicamente desmantelando o que funcionou tão bem por tantos anos".
É isso, como você mal ajambrado colocou o Brasil na discussão do financiamento de campanha americana, eu me sinto a vontade para, vá lá de modo mal ajambrado também, colocar em discussão o regime de meta da inflação. Os Estados Unidos finalmente adotaram o regime de metas de inflação? O Brasil está abandonando o regime de metas?
Como sou leigo provavelmente estejam mal ajambrados tanto o meu comentário como as perguntas, mas as faço para você pelo seu versado conhecimento do sistema de metas de inflação e que eu tenho sempre mencionado desde o post originado de comentário seu no antigo blog de Luis Nassif intitulado “O modelo de metas de inflação” de 03/08/08 08:59.
E conhecimento que não cansa de surpreender como foi o caso mais recente do seu comentário transformado no post "O mito do Banco Central Independente", de sábado, 03/09/2011 às 20:42 e cujo endereço é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-mito-do-banco-central-independente
Naquela época, logo após a reunião de 31/08/2011, quando Banco Central reduziu a taxa de juros, os seus comentários, parodiando Olavo Bilac, resplandeceram fulgindo. É o caso, por exemplo, de um comentário seu precioso junto ao post "O fetiche das metas inflacionárias" de terça-feira, 06/09/2011 às 08:00 em que Luis Nassif apresentava sua Coluna Econômica do dia 06/09/11. O endereço do post é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-fetiche-das-metas-inflacionarias
Infelizmente houve poucos comentários a um assunto importante. De todo modo, o seu comentário enviado terça-feira, 06/09/2011 às 14:54 destaca-se mais uma vez. Perfeito, deveria virar, se não virou, post".
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Bem, há ainda o post "Os comentários de Alexandre Schwartsman" de quinta-feira, 15/09/2011 às 10:33 em chamada de Andre Araujo para um entrevista de Alexandre Schwartsman no programa de George Vidor. O endereço do post é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-comentarios-de-alexandre-schwartsman?page=1
Coloquei o endereço na página dois porque lá é que se encontra um comentário meu justificando porque Andre Araujo é um dos que mais entende de Regime de Metas e deveria ser instado a opinar.
Tinha muito a falar, mas não tenho tempo, assim o que for possível mando depois.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 03/02/2012
Com três posts sobre Selic e inflação parece que estamos discutindo coisa séria aqui no Nassif, assim deixo de lamentar o plebiscito do Lula que magistralmente, como nunca antes neste país, perdeu a oportunidade de OURO das eleições para deixar o POVO escolher um representante que pudesse resolver este probleminha.
Nem se discutiu, a bem da verdade.
Como se uma criança inocente e birrenta não pudesse ser minimamente contrariada nas suas expectativas.
O Brasil está para lá de maduro para por um fim a esta palhaçada com o povo e a Nação, e a madureza nossa é diferente em grau e consequência da primavera Árabe, por aqui o buraco é mais embaixo.
Arrisco dizer que se chutarmos o balde, que me parece, salvo engano a melhor e única solução agora, o planeta vai de roldão ladeira abaixo.
Seria um salve-se quem puder.
Espero que não cheguemos a isto e sensatamente acordemos um pacto bom para ambas as partes.
Follow the money, follow the power.
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