A falta de solidariedade da cidade grande

Por Demarchi

Diferentes olhares humanos em dois artigos da BBC Brasil :

1. Mendigo ‘herói’ esfaqueado morre após ser ignorado por pedestres em NY

Imagem da câmera de segurança

Segundo a polícia, pelo menos 25 pessoas passaram por Tale-Yax

Um mendigo que foi esfaqueado após tentar ajudar uma mulher em uma discussão acabou morrendo na rua, ignorado pelos transeuntes, segundo imagens captadas por câmeras de segurança de um prédio nos arredores.

O incidente ocorreu no bairro de Queens, em Nova York. De acordo com a polícia, pelo menos 25 pessoas passaram pelo pedinte esfaqueado, o imigrante guatemalteco Hugo Alfredo Tale-Yax, de 31 anos, enquanto ele sangrava em uma calçada do bairro.

Leia mais :http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/04/100427_mendigomorte_ba.shtml

2. Moradores de rua recebem protetor solar de graça na Escócia

Sem-teto pede esmola (arquivo)

Iniciativa espera tornar protetores solares acessíveis a sem-teto

Moradores de rua de Edimburgo, na Escócia, estão recebendo gratuitamente cremes com fator 30 para proteger a pele do sol.

A distribuição de protetores solares e loções pós-sol é uma iniciativa da instituição de caridade britânica Sunwise, que trabalha para reduzir o número de moradores de rua com queimaduras solares.

Devido à exposição ao sol, o melanoma maligno - ou o câncer de pele grave - é o tipo de câncer que mais cresce na Grã-Bretanha.

"Para muitos de nós, passar protetor solar é sinônimo de verão, sorvete e dias na praia. Mas, para os sem-teto, o creme é uma mercadoria de preço inacessível", diz Gordon Farquhar, diretor comercial da rede farmacêutica The Co-operative Pharmacy - responsável pelos custos da iniciativa e pelo fornecimento dos cremes.

A expectativa da Sunwise é de que a iniciativa ajude a proteger os moradores de rua contra o câncer de pele - já que a maior parte deles passa o dia a céu aberto.

Cartazes com informações sobre como os moradores de rua podem adquirir os cremes foram espalhados pela cidade escocesa. Os cremes também ficam à disposição dos sem-teto em abrigos, hospitais e postos de saúde.

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21 comentários
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Eduardo Viveiros

A primeira (Nova York) é o modelo seguido por paulistanos (não todos, é claro) de classe média. A segunda cidade (Edimburgo)... não me recordo de alguma cidade brasileira onde esse tipo de comportamento seria seguido. Alguém poderia citar uma? O brasileiro é tão bonzinho, não é mesmo?

 
 
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Vera das Alterosas

O brasileiro é sim,  um povo muito afável, cordial. Sérgio Buarque de Holanda, descreve isto muito bem, ao desenvolver o conceito do homem cordial no seu livro "Raízes do Brasil", com tudo que isto tem de bom e ruim. ( aliás, o escocês é um povo muito alegre, lembra em alguma coisa o brasileiro).  É natural o medo que existe hoje das pessoas, especialmente nas grandes cidades. É prudente chamar o 190 e menos que isto é chocante. 

Agora Eduardo: dizem que mineiro é solidário no cancêr. Sou suspeita pra falar, mas acho que somos mais que só nisto. Agora, filtro solar eu não garanto ( mesmo porque filtro é caro e mineiro é meio controlado kikiki). Agora uma coisa eu te garanto.Não sei se sou só eu que observo isto. Mas tem uma coisa aqui que faz a solidariedade do mineiro aflorar: ver um motorista de porta aberta. kikiki. Juro, se você estiver andando no trânsito com a porta aberta, o mineiro irá buzinar, gesticular, mudar a rota se for preciso pra te avisar. Ainda farei um estudo científico sobre isto, mas é tiro e queda.

Enfim, voltando, este é o mundo que criamos pra nós. Não adianta o espanto com as consequências, melhor pensarmos nas causas. Será que ainda dá tempo de reverter?

 
 
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Gunter Zibell - SP

Não é tão bonzinho, é fato, mas não é tão ruim. Há 9 anos atrás eu estava subindo, de carro e de noite, pela Av. Nove de Julho e vi um carro parado na calçada pouco antes de um viaduto e 3 moradores de rua se aproximando. Um lugar que eu consideraria perigoso para andar naquele horário. Chamou-me a atenção e eu fiquei parado no acostamento uns 10 metros atrás pronto pra ligar pra 190 se acontecesse algo (eu não teria coragem de intervir em um eventual assalto, por exemplo.)

Fiquei bem feliz de perceber que meus receios eram um grande erro de julgamento. O senhor que estava no carro saiu, abriu o porta-malas e começou a distribuir cobertores. Aparentemente já estava combinado antes que ele iria lá trazê-los.

 

Tutu, Zapatero, Cristina, Hollande, Obama já deram o recado : não vote em quem não se declarar favorável ao Casamento Gay

 
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José Roberto X

"A primeira (Nova York) é o modelo seguido por paulistanos (não todos, é claro) de classe média. A segunda cidade (Edimburgo)... não me recordo de alguma cidade brasileira onde esse tipo de comportamento seria seguido. Alguém poderia citar uma? O brasileiro é tão bonzinho, não é mesmo?"

Eduardo, não se trata de “seguir comportamentos”. Essa banalização da vida acaba acontecendo em todas as grandes metrópoles do mundo.  Não é algo que se segue por achar interessante, bonito ou na onda da moda... São comportamentos que vão tomando vulto. O fato de as pessoas praticamente não se conhecerem, o fato de não se poder confiar em ninguém, o fato de acontecerem muitos golpes... Isso vai acabando com a cidadania bem como com a solidariedade.

As pessoas passam e vêem um homem caído no chão... Pode ser um golpe! Pode ser uma armadilha pra pegar um trouxa... As pessoas andam muito desconfiadas e com muito medo nas grandes metrópoles. Essa coisa de fazer cidades gigantescas não é legal... As pessoas acabam se afastando umas das outras e, não é por gosto não, é por consequência da gigantesca disputa pela sobrevivência e pelo conforto. Sou paulistano e sei como as pessoas se sentem ao parar num farol de trânsito e ver-se  rodeado  de jovens pedindo dinheiro, “vendendo chicletes”, fazendo malabarismos com objetos nas mãos e, entre eles muitos bandidos, assaltantes, sequestradores, etc. Muitas vezes essas pessoas são de outros lugares.

 
 
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Morreu na contramão atrapalhando o tráfico!!!

Morreu na contramão atrapalhando o sábado!!!

Morreu na contramão atrapalhando o público!!!!

 

Fatos que gostaria de testemunhar antes de morrer: 1-político bandido, preso; 2-juiz, promotor, procurador bandido, preso 3-Corinthians, campeão da Libertadores.....

 
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José Roberto X

Sim, Dê, é a Construção...

É o que estamos construindo para nós mesmos:  A banalização da vida.

O mundo não precisa de competição! A vida não deveria ser uma "luta".

 

 

 
 
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Cláudia Stefani

Lembrei de algo semelhante ao primeiro caso que li no blog do Marcelo Rubens Paiva e que reproduzo aqui.

"Lembro-me de dois casos em NOVA YORK de dois cadeirantes amigos.

EDISON PASSAFARO, paraplégico, instrutor de mergulho, militante das antigas, estava num busão de Nova York, deu o sinal para descer. O carro parou, porém o elevador para cadeira de rodas não funcionou. Travou.

Bastavam descer o EDISON [com "i" mesmo] 3 degraus. Mas ninguém se mobilizou. O procedimento era proibido. E ele perdia o programa que tinha marcado com os amigos. Ficou revoltado. Nada.

Foi obrigado a ficar no ônibus, que cruzou a cidade, parou no pátio, até aparecer alguém da manutenção e consertar aquela merda!

Já com o amigo tetraplégico, sociólogo e aventureiro GINO WILLIAMS, americano, foi na calçada da BIG APPLE.

Estava nevando. Era ainda a neve rala. E o cara já é meio doidão. Saiu pelas ruas, errou uma guia rebaixada, sua cadeira virou e ele rolou pelo chão, um tombo daqueles: cadeira de um lado, cadeirante do outro.

Ele riu. Sempre rimos nessa situação, que é comum a todos.

Então, ele todo torto no asfalto esperou que os pedestres viessem socorrê-lo. Ninguém parou. Começou a pedir ajuda. Nada.

Viu um casal com filhos. Achou que o marido pararia. Ou a esposa o obrigasse. Olhou nos olhos no cara. Nem chegou a pedir ajuda. O cara disse: “No way”. E passou por ele. Que bela lição de cidadania deu para os filhos.

É desse jeito que o GINO conta, americano que ama NY, mas que conhece bem o seu povo. Só alguns minutos depois apareceu um mendigo e o ajudou a se levantar. Negro, lógico.

Yes can we?"

Achei interessante também o seguinte comentário em resposta a este post do Marcelo.

"Eu moro aqui nos EUA e digo q o problema é muito mais complexo do que falta de solidariedade. Porque TODO MUNDO (praticamente ne!? olha a generalização ai…) faz parte do mesmo sistema. Se vc para e ajuda, depois leva um processo nas costas pq colocou o cara na posição errada na cadeira e ele sentiu dor nas costas; ou pq você não é suposto a socorrer ninguém, pois não é paramédico; e por ai vai. As pessoas aqui (cadeirantes ou nao) tem essa coisa de processo na cabeça, vc sabe disso, já morou aqui.. e por mais q vc faça p ajudar, “pode” acabar mal.
Eu não ajudaria seu amigo tb, e olhe q sou uma pessoa q ja fiz mil tipos de trabalho voluntário, contribuo $$ com instituições, etc. No máximo, ligaria p 911 ou chamaria o policial mais próximo p resolver a parada. Infelizmente, é assim…"

http://blogs.estadao.com.br/marcelo-rubens-paiva/pequeno-passo/#comments

 
 
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Ivan Moraes

A Morte de Kitty Genovese

Efeito Audiencia

Diffusao de Responsibilidade

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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marco nascimento

Marreu ia pustá EXATAMENTE ESSES LINKS! :D

 
 
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Fernando Augusto Botelho

É NESSAS HORAS QUE FALTA O ESPÍRITO DE NATAL

 
 
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Daniel Campos

Por um lado, o problema é que na nossa sociedade atual, ajudar o próximo é pedir para ser taxado de "otário", fruto da cultura do individualismo extremado (a idéia do "eu primeiro e que se danem os outros").

E pelo outro lado, você fica com medo de ajudar por nunca saber se a pessoa de fato é alguém que precisa da sua ajuda ou - mais um - "brasileiro esperto" querendo levar vantagem encima dos outros.

Que bem que, tenho visto que os casos em que é fácil determinar que o outro de fato precisa de ajuda o brasileiro felizmente ajuda na maioria das vezes, seja dando o lugar no ônibus para uma pessoa de idade sentar ou ajudando um cadeirante a entrar ou sair de um lugar.

 
 
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Durvaldisko

Sociedade com valores cristãos ocidentais,tem essa  nobre característica.Solidariedade . Literária.Nos livros e no cinema  ,vão- se às lágrimas.Se tiver um cachorro,peludo,ainda por cima, mais comovente a história fica. Agora tudo isso funciona se  escolherem os atores certos.A moral   já é previsível,portanto, metade do roteiro já está resolvido. Lembrando o 11/9,vêm junto as  inesquecíveis palavras de Joseph Stalin,Pepe,  o chamam os  hispânicos:,entre uma vodka e outra:"Uma morte  ,uma tragédia.Mil mortos,uma trágica estatística."

 
 
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Zarastro

Parece que o "efeito espectador" não poupa também o Facebook.

 

Britânica morre após mensagem de suicídio ter sido ignorada por mais de mil amigos no Facebook

DA BBC BRASIL

A britânica Simone Back, 42, anunciou uma tentativa de suicídio pelo Facebook e seus contatos no site não acreditaram. Ela teve uma overdose provocada por remédios no dia 25 de dezembro de 2010.

BBC Brasil Britânica morre após mensagem de suicídio ter sido ignorada por mais de mil amigos no Facebook Britânica morre após mensagem de suicídio ser ignorada no Facebook

Back, uma voluntária que estava deprimida, escreveu uma mensagem aos 1.048 amigos no Natal dizendo: "Tomei todos os meus remédios, estarei morta em breve, adeus a todos".

Segundo a imprensa britânica, ela recebeu cerca de 150 mensagens em resposta. Algumas pessoas diziam que ela "fazia isso o tempo todo", outras disseram que ela estava mentindo e que era "sua escolha" tomar os remédios.

Ao serem questionados, em meio à discussão, sobre a preocupação caso Simone estivesse falando sério, alguns amigos pediram seu endereço e telefone pelo site, sem sucesso.

Sua mãe, Jennifer Langridge, 60, recebeu uma mensagem de celular sobre a nota de suicídio da filha e ligou para a polícia.

Ao ser encontrada em seu apartamento, Back foi levada para o hospital, mas morreu em consequência da overdose.

MENSAGEM

Langridge disse que não havia sido avisada sobre as intenções da filha a tempo. Após sua morte, ela escreveu uma mensagem no Facebook na página da filha, que dizia "Minha filha Simone faleceu hoje, então por favor deixem-na em paz".

Por causa de dificuldades de locomoção, ela disse que não podia subir as escadas até o apartamento de Simone.

A mãe afirmou ainda estar chateada porque ninguém fez nada por ela ao ver a mensagem no site.

A polícia de Sussex investiga as razões do suicídio, mas um dos contatos de Simone Back chegou a respondê-la dizendo que "um relacionamento não é uma boa razão para tomar remédios".

Uma amiga de Back, Samatha Pia Owen, disse aos jornais britânicos que "algumas pessoas do Facebook moravam perto de Simone e poderiam ter caminhado até lá. Se uma pessoa tivesse saído da frente do computador e ido até sua casa, uma vida poderia ter sido salva".

Um porta-voz do Facebook disse em comunicado que familiares e amigos preocupados com outras pessoas por causa de mensagens colocadas no site podem se comunicar com o centro de ajuda, onde profissionais estariam a postos para examinar o caso e entrar em contato com os autores das mensagens.

 

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This is not right. This is not even wrong!

(Wolfgang Pauli)

 
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Vera das Alterosas

Aí já entra a questão da solidão que ser se sentir acompanhada pelos milhões de "amigos" que facilmente se pode fazer pela internet. Só o fato dela ter mais de 1000 amigos no facebook já é forte indício da sua solidão. Sobre isto um artigo interessante que saiu na Folha e o Nassif reproduziu aqui em novembro, acho. Não deve ser difícil localizar, o título (quase certeza) era: A solidão das redes sociais.

 
 
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Jota Ricardo

Histórias tristes de um mundo em que os produtos são os amigos a crédito. ''Histórias de cidade grande''? Não sei, acho que as cidades médias já sofrem do mesmo mal.

 
 
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Alan Souza

Não conheço Nova York, já tinha ouvido amigos falarem que é uma cidade onde ninguém se importa com a vida alheia, você pode andar com uma melancia no pescoço que ninguém liga. Mas deixar alguém morrer à míngua, sinceramente, é chocante. Não acredito que nenhum dos 25 passantes tivesse um celular pra ligar pro 911!

 

Demóstenes Torres na cadeia: uma campanha pelo bem do Brasil!

 
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jucapastori

Lembro de um caso q um amigo me contou:

Estava ele e a namorada, na estação Brás, indo pegar o trem, quando um mulher dá um grito e cai no chão ao lado deles. A menina, apavorada, se agarra nele e murmura: "A mulher caiu". Meu amigo, já meio q calejado da surrealidade do transporte público de São Paulo, dá meia volta e vai chamar ajuda dos funcionários. Enquanto isso, a multidão passa pela desfalecida, uns olhando de curiosidade, outros nem olhando.

Quando chega um segurança, ele calmamente se aproxima da mulher, estala os dedos a um palmo do seu rosto e chama: "Ô! Ô, psiu!".

Meu amigo e a namorada vão pro trem. Ela ainda meio q não acredita no q vê; meu amigo pega o trem todo dia, já viu de tudo. Até gente q desmaiou de pé, no meio do vagão lotado, espremido a tal ponto q não caia. Só em Guaianazes o trem esvaziava e o sujeito deitava.

As metrópoles desumanizam. Transformam seus cidadãos em esquizofrênicos. Você sai uma pessoa do Tatuapé e chega outra na Praça da República.

 
 
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odair de souza

Alguém disse: (acho que Nietzsche)

“As pessoas só ajudam a si próprias”. (como me sinto bem quando ajudo alguém)

Mas tem gente que desconhece esse “inebriante prazer” que a solidariedade proporciona.

 

 
 
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Julião

 

SOLIDARIEDADE PAULISTA

 

 

Todos estão falando de New York, mas os relatos de “solidariedade humana”, reais, a seguir referem-se á cidade de São Paulo. Nomes não incluídos por razões obvias mas os locais e acontecimentos são reais.

 

Primeiro ato:

 

Periferia de São Paulo, Jardim Ângela

 

P.... (encanador), natural do Maranhão, trabalhador, cidadão com uma imensa concepção de cidadania, honestidade e respeito aos demais cidadãos, acorda pela manhã.

 

Sempre tenta chegar em casa antes do anoitecer e não sair antes do dia claro, pois tem medo. 

 

Saindo de casa para trabalhar, já no clarear do dia, encontra o seu vizinho da vila onde moram caído na calçada, baleado no peito. Pessoas da vizinhança que passam pela rua, pulam o ferido, pois andar pelo leito carroçável há perigo de ser atropelado. Ninguém dá a menor atenção ao ferido.

 

Seu outro vizinho de Vila, muito amigo do ferido, também saindo para o trabalho, passa e olha o amigo caído no chão.  Abaixa-se para olhar de perto o  ferido e o P.... pensa - “vai ajudá-lo”.

 Ledo engano, o rapaz retira os óculos escuros do rosto do ferido e o walkman da sua orelha e coloca ambos no seu corpo.

 

Olha para o P.... e diz:

 

 -“Ele não vai mais precisar disto e é por isto que eu estou pegando para mim.”

 

Sai caminhando como se nada demais estivesse acontecido.

 

Coube ao P...  chamar a polícia, sem se identificar, pois caso o fizesse teria que perder dias e dias de trabalho com depoimentos na polícia, talvez, quem sabe, passando a ser o principal suspeito do crime.

 

 

Segundo ato:

 

Não tão periferia de São Paulo, em Taboão da Serra.

 

Ab... (pedreiro) excelente caráter, trabalha ainda em construção de prédios como marceneiro, apesar de ter mais de 60 anos, escuta tiros na porta de sua casa. Sai para olhar e vê o corpo de seu vizinho caído na calçada.

 

Fica olhando para a cena com mais uma dúzia de pessoas.

 

Saindo de uma casa vizinha, um conhecido morador da rua, descarrega outra carga do mesmo revolver, recarregado em casa, no agonizante e volta para casa.

 

Chamada a policia, nenhum policial militar perguntou aos presentes se estes sabiam quem havia cometido o assassinato. Olharam o corpo chamaram a policia técnica.

 

Cerca de aproximadamente 7 ou 8 horas após o acontecido, os policiais civis  resolveram tentar saber “se alguem presenciou o crime ou sabia de algo”,  numa pergunta geral e em ambiente aberto.

 

Ninguém se habilitou a falar nada. Talvez com receio do vizinho assassino, que sem dúvida que ficaria sabendo de quem foi a ”dedada”.

 

Também pesa no caso o receio das pessoas com as complicações que o testemunho tem com a policia/justiça.

 

O morto, coitado, morava só.

 

Naquela mesma noite, “vizinhos amigos” arrombaram a casa do falecido e roubaram quase tudo que havia dentro, inclusive seu carro já velho, num verdadeiro saque semelhante aos das épocas romanas e medievais. .

 

Passado mais algum tempo, o Ab.... soube que o assassino teve que vender quase todos os seus bens (sua casa, carro e um terreninho) para fazer uma  “doação voluntária” as autoridades policiais, como pena pelo assassinato. Não foi preso.

 

O caso ficou por isto mesmo.

 

Fecho as descrições sem comentários, pois não consigo fazê-los.

 

Deixo os comentário sobre “solidariedade brasileira”, para os amigos do blog.

 

 

 

 

julião

 
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Jairo Fernando

O brasileiro é solidário sim! Claro que vemos casos tristes como os citados pelo Julião, mas estão dentro das divergências de tudo na vida.

Em BH, um mendigo caído no meio da rua é retirado, sim, por populares, ou em casos de gravidade, pelo SAMU. Também já citado, a solidariedade com a porta aberta do carro alheio (realmente, algo estranho). A solidariedade dos motoqueiros entre si.

Quanto aos deficientes, aqui em BH, o cadeirante vai no ônibus com elevador e no sem elevador também. Todos se prontificam a ajudar a colocar ou retirar o cadeirante do ônibus. Também percebe-se pessoas que ficam ao lado do cego até o ônibus dele vir, mesmo que o próprio esteja passando. A única coisa que incomoda alguns cegos é o erro das pessoas agarrarem o braço deles e quase arrastá-los para o ônibus. Vez ou outra eles explicam: é melhor eu (o cego) segurar no seu braço! E os deficientes auditivos, alguns conseguem explicar: é melhor você escrever do que ficar gritando! E se não tem como escrever, fale devagar e pausadamente.

Um dos fatores que mais prejudicam os deficientes são as pegadinhas, de TVs de todo o mundo. A pegadinha de ajudar o cadeirante a atravessar a rua e ao chegar no outro lado o mesmo se erguer e continuar caminhando. A pegadinha do surdo e mudo pedindo informação e quando estoura alguma coisa o surdo ouve e reclama: "caramba, que susto". E a pegadinha de ajudar o cego a atravessar a rua e quando cruzam com uma mulher de corpo escultural o cego levanta o óculos escuro e vira o rosto para ver melhor a mulher. Em grandes capitais isso acarreta o mesmo problema: ninguém ajuda o deficiente verdadeiro com receio de cair na pegadinha do deficiente falso.

 
 
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José Roberto X

As grandes metrópoles apenas refletem o perfil de um país... Principalmente em SP que é constituído de milhões de migrantes. Aqui em SP tem gente do Brasil inteiro, especialmente do Nordeste.

É nas grandes metrópoles que “as coisas acontecem”. Coisas boas e ruins...

Entre tantas outras coisas, os Comícios das Diretas Já,  foram coisas boas que SP produziu para nosso povo.

Alguém lá em cima disse que é a classe média que tem esse comportamento frio... Mas  na mensagem logo acima narrando esses fatos vergonhosos que aconteceram, os atos vergonhosos não foram praticados por pessoas da classe média e sim por pessoas pobres.

Há muito que o Homem não precisa mais da competição para evoluir.

 

 

 
 

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