A falta de políticas de saúde mental, segundo Kehl

Maria Rita Kehl: "a origem de algumas tragédias é imprevisível"

Por Bruno de Pierro, no Brasilianas.org
Da Agência Dinheiro Vivo


Foto: CPFL Cultura /Divulgação 

Para a psicanalista Maria Rita Kehl, o momento favorece uma discussão sobre a situação da saúde mental no país. Ao Brasilianas.org, Kehl disse que a tragédia de Realengo poderia ter sido evitada se Wellington Menezes tivesse recebido acompanhamento psicológico e criticou a falta de políticas voltadas para a saúde mental. “A prefeitura do Rio teve dinheiro para fazer o estádio do Pan, a Cidade da Música, mas certamente falta dinheiro para os serviços de saúde, e mais ainda para a saúde mental”, afirma.

Contudo, admite que a origem de algumas tragédias é imprevisível. “Queremos, com razão, saber as causas da violência para prevenir seus efeitos. No entanto, não sei como a passagem ao ato de Wellington poderia ter sido evitada”.

- Leia aqui a opinião de Roberta Ecleide de Oliveira, do Núcleo de Estudos Em Psicanálise e Educação.

Brasilianas.org - A senhora acredita que o assassinato em série foi um fato isolado, uma aberração isolada, ou há implicações sociais, de patologia social nisso, a ponto de se dizer que foi resultado da má assistência à saúde mental por parte do Estado?

Sim, ao que tudo indica a tragédia foi causada pela doença mental, não detectada nem tratada, de Wellington. A princípio, o tratamento das psicoses é uma questão de saúde pública, sim. A psicose não tem cura, mas tem tratamento, que pode ser muito eficaz e estabilizar o sujeito pela vida toda. Mas o Estado não tem como fazer um recenseamento dos psicóticos que não estão sendo tratados. É preciso que a pessoa, ou a família, ao menos procure um serviço da rede de Saúde Mental - só aí começa a responsabilidade do Estado.

Não sei se Wellington fez isso. Claro que vale discutir a qualidade desse atendimento nos Ambulatórios, o baixo orçamento dos CAPS (Centros de Atendimento Psicossocial), o baixo salário dos profissionais e o pequeno número deles para uma agenda carregadíssima etc. - mas isto não tem uma relação tão direta com a tragédia de Realengo. É um problema crônico do Brasil. A Prefeitura do Rio teve dinheiro para fazer o estádio do Pan, a Cidade da Música, mas certamente falta dinheiro para os serviços de saúde, e mais ainda para a saúde mental.

Por outro lado, tudo o que tenho lido a respeito do desencadeamento do surto que levou Wellington a matar doze crianças, nos obriga a admitir que a origem de algumas tragédias seja imprevisível. É terrível pensar assim. Queremos, com razão, saber as causas da violência para prevenir seus efeitos. No entanto, não sei como a passagem ao ato de Wellington poderia ter sido evitada, a não ser que ele tivesse buscado acompanhamento médico e psicológico - que ele não procurou.


Quais os efeitos que a representação dessa tragédia, pela mídia, podem surtir na percepção social de problemas como a depressão e algumas psicoses? Qual sua avaliação da construção da tragédia, em torno de um fato que carece de explicações?

Embora a imprensa em geral tenha sido cuidadosa no tocante ao desencadeamento de preconceitos contra os psicóticos, temo que este seja um dos possíveis efeitos, nefastos, da justa indignação causada pela tragédia de Realengo. Tenho ouvido mais gente se pronunciar contra a reforma psiquiátrica, ou perguntar se os psicóticos são pessoas perigosas que deveriam estar trancafiadas etc. Se já é difícil para o psicótico que se medica e faz terapia encontrar aceitação na sociedade, as coisas podem piorar se eles começarem a ser encarados como matadores em potencial.

Duas coisas devem ser ditas aí. Primeiro: não é comum que atos de violência extrema sejam praticados por psicóticos. Os psicopatas, criminosos sistemáticos e sem sentimento de culpa, são diferentes dos psicóticos, e muitos deles são pessoas aparentemente normais, cujo comportamento não chama a atenção de ninguém. Pense por exemplo no chamado "maníaco do parque", que matou e enterrou várias adolescentes, em São Paulo, no final da década de 1990. O caráter sistemático, planejado, frio, de seus crimes, não se parece com o delírio de um psicótico. Revela o prazer de uma sexualidade extremamente perversa.

Não vou colocar a depressão neste pacote porque me não vejo ponto de ligação, posso falar disso outra hora. Por enquanto, é bom que as pessoas saibam que a grande maioria dos psicóticos não são perigosos. Vale também pensar sobre o padrão cotidiano de violência presente no nosso cotidiano: no trânsito, na competitividade crescente na escola e no trabalho, nos entretenimentos televisivos que habituam os espectadores a gozar com as soluções violentas para todos os conflitos e na maneira como os telejornais sensacionalistas espetacularizam o crime, de maneira geral.

Isso não causa o surto psicótico, mas pode servir de ancoramento para o delírio que desencadeia o surto, no momento em que o sujeito não consegue dar conta de conter os impulsos e as fantasias que ele não compreende, por isso coloca em ato.

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17 comentários
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Godofredo

Este é mais um trecho do livro: "Sim, o Estado pode resolver seus problemas!"

 
 
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Luiz Gonzaga da Silva

"Sim, ao que tudo indica a tragédia foi causada pela doença mental, não detectada nem tratada, de Wellington."

Uma das poucas informações pertinentes sobre a vida de Wellington,  foi  a de que submeteu-se a tratamento e abandonou. A informação foi passada a imprensa por seu irmão que disse, também, que a mãe biológica sofria de doença mental. Como é sabido, ninguém pode ser submetido a tratamento contra sua vontade.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/04/irmao-de-wellignton-revela-ele-fazia-muita-pesquisa-respeito-de-tiros.html

 
 
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Jaime Balbino

Concordo com você. Não duvido das boas intenções da entrevistada em ajudar tanto a esclarecer o caso quanto a melhorar a saúde pública mental. Mas qual a sua proposta de fato? Fica parecendo que é fazer internações e tratamentos compulsórios em qualquer um que tenha suspeita de problema psiquiátrico.

Como bem lembrou, Wellington já tinha se submetido a tratamento e abandonado. Daqui a pouco vão querer responsabilizar seu psiquiatra por não ter percebido o viés homicida e nem ter corrido atrás para interná-lo a revelia.

Como se a psquiatria fosse uma ciência exata.

 
 
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Luiz Gonzaga da Silva

 "A Prefeitura do Rio teve dinheiro para fazer o estádio do Pan, a Cidade da Música, mas certamente falta dinheiro para os serviços de saúde, e mais ainda para a saúde mental."

Nessas horas não se deve misturar 'alhos com bugalhos'. O estádio do Pan foi um compromisso do Brasil para a realização de um torneio continental. A Cidade da Música foi um projeto megalomaníaco de um prefeito, ironicamente, chamado de maluquinho. Apesar disso, não consta que o dinheiro da saúde mental tenha sido desviado para essas obras. Aliás, nem consta que a verba tenha diminuido ou aumentado. Acho, olhando por outro ângulo, que  a prática esportiva e o consumo cultural podem ser uma arma importante para a saúde mental das pessoas. 

 
 
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Marcio Saraiva

O texto é uma pitada maravilhosa no cerne do problema de tragédias como a de Realengo. Saúde mental não dá votos! Os serviços públicos que deveriam servir e acompanhar meninos como esse não funcionam adequadamente, não tem vagas, faltam profissionais e medicamentos. Onde estão os núcleos do CAPS nas escolas? Se cada escola tivesse um pequeno CAPS para lidar com bullyng, bipolaridade, TDAH, psicoses, etc. o quadro poderia sim ser evitado e detectado com tempo para tratar e estabilizar. Mas quem liga para "maluco" no Brasil?

Valeu Nassif por levantar essa "bola" da Kehl. Ninguém até então tinha tocado nisso.

 
 
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João Rafael

Caro Marcio...

 

Não tinha lido o seu comentário antes de postar o meu. Concordo com você.

 

Um abraço

 
 
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Jaime Balbino

Vou discordar "ligeiramente" - mas concordo que este é um bom debate.

Os Centros de Apoio Psicossocial (CAPS) e o CAPSi, estrutura diferenciada para atendimento de crianças e adolescentes, tem relevância social ímpar. Quero dizer, que são estruturas novas em nossa sociedade e recentemente integradas ao serviço de saúde pública em detrimento à política de internação em manicômios e/ou tratamento centralizados em poucos centros especializados.

O CAPSi é ainda mais recente e deve ser um serviço ainda mais difícil de se encontrar. Seu conceito de tratamento é inovador e por isso muitas vezes o poder público tem que ser "convencido" a investir neste modelo.

Colocar um CAPS/CAPSi dentro de cada escola ou vinculá-los às escolas não me parece solução viável porque a escola e o CAPS são serviços sociais diferentes, sendo o CAPS bem mais específico.

Agora, incentivar a estruturação dos CAPS em número suficiente para a demanda de saúde mental na cidade é fundamental. A partir daí (com o serviço bem estruturado e com o CAPSi montado) se pode encaminhar a criança para o pediatra e este decide se envia para avaliação no CAPSi - um serviço externo à escola.

Posteriormente o CAPSi e a escola dialogam sobre o acompanhamento da criança. Em caso de surto a criança é dispensada das aulas, porque não estará em condições de acompanhá-las.

Não sei se há lei ou regra específica (acho que não), mas nos casos de saúde mental a frequência às aulas costuma estar vinculada ao acompanhamento no CAPSi ou em outro serviço psiquiátrico.

 
 
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João Rafael

Excelente tema para o Blog.

 

Não sou especialista.

 

Fui professor de ensino básico em escola pública e privada por 4 anos. A ausência de um acompanhamento da saúde mental/psicológica de professores e alunos dentro da rede de ensino é prejudicial não só para a educação como um todo, mas para os cidadãos que estão sendo formados para a sociedade.

 

Presenciei um caso que ma chamou muita atenção. Dois seminaristas fizeram estágio obrigatório na minha disciplina. Pude perceber vários alunos procurarem os estagiários para "conselhos espirituais"...no fundo, eram conversas para expor problemas cotidianos..."confissões"...mas que estavam ajudando muito estes alunos "angustiados".  

 

Muitos professores e alunos estão "doentes", com toda a certeza. O número de professores que frequentam o setor de psiquiatria do hospital do servidor público do Estado de São Paulo tem crescido. Muitos estão exonerando, como já foi noticiado, e outros tantos estão afastados.   

 

Uma equipe médica para o atendimento de 4 a 5 escolas próximas já passou da hora.

 

Cuidar da saúde metal é dever do Estado. Não pode dar brechas para que os "doentes" se tornem "malucos".

 

 

 
 
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Sergio Saraiva

Não nos deixemos confundir pelo título que o Nassif nos apresentou. Ele mesmo o criticaria em outras ocasiões.

Título: falta de políticas de saúde mental, segundo Kehl.

Deve ser até verdade, porém o texto não trata disso, e sim da imprevisibilidade de ações de psicóticos sem tratamento.

Sub-título: Maria Rita Kehl: "a origem de algumas tragédias é imprevisível"

“Queremos, com razão, saber as causas da violência para prevenir seus efeitos. No entanto, não sei como a passagem ao ato de Wellington poderia ter sido evitada”.

É claro o quanto uma declaração dessas é assustadora. Então estamos sujeitos a qualquer momento sermos atacádos por um psicopata. A resposta parece ser sim, mas também, "menos, isso é bastante improvável."

E aí Maria Rita Kehl começa sua aula de serenidade.

"Sim, ao que tudo indica a tragédia foi causada pela doença mental, não detectada nem tratada, de Wellington. "

E a resposabilização:

"É preciso que a pessoa, ou a família, ao menos procure um serviço da rede de Saúde Mental - só aí começa a responsabilidade do Estado."

Depois uma chamada a realidade:

"Duas coisas devem ser ditas aí. Primeiro: não é comum que atos de violência extrema sejam praticados por psicóticos."

Não sei qual seria segunda coisa a ser dita, mas poderia ser:

"A psicose não tem cura, mas tem tratamento, que pode ser muito eficaz e estabilizar o sujeito pela vida toda." ou

"Vale também pensar sobre o padrão cotidiano de violência presente no nosso cotidiano: no trânsito, na competitividade crescente na escola e no trabalho, nos entretenimentos televisivos que habituam os espectadores a gozar com as soluções violentas para todos os conflitos e na maneira como os telejornais sensacionalistas espetacularizam o crime, de maneira geral."

e diria mais, complementando o últomo parágrafo acima, no oportunismo de média e políticos. Se não vejamos a manchete da Folha OnLine:

"Senadoo decide oficialmente propor plebiscito do desarmamanto"

Tá lá o velhor sarney que não perde oportunidade:

Ao justificar a medida, Sarney disse que a venda de armas no país cresceu desde 2005, quando em referendo nacional a população decidiu manter a comercialização de armas de fogo. "Nesse momento em que fatos da maior gravidade, envolvendo armas de fogo, horrorizando a população com o massacre de doze crianças no Rio de Janeiro, temos que ter a responsabilidade de perguntar novamente ao povo brasileiro o que fazer", disse Sarney na justificativa do projeto.

Sarney sabe que:

1 - Não se deve tomar decisões sob forte impacto emocional. Essas decisões não costumam se as melhores, ao contrário, aliás.

2 - Sarney sabe que as armas usadas no chacina eram ilegais, e que contra essas não há estatuto do desarmamento que resolva

3 - Sarney sabe que desfazer uma decisão já estabelecida em plebisicto cria insegurança jurídica e prescedentes perigosos.

Mas Sarney não iria perder uma bola dessas deixada para chutar e, pimba, tá lá Sarney.

Em casos como o do sarney, nem Maria Rita Khel dá jeito.

 
 
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Viviane Legnani

 

A tragédia de Realengo gerou várias opiniões de especialistas e deu claramente para  dividi-los em dois grupos:

1) Um grupo que se deslumbra com a mídia é quer mostrar que detém o saber sobre a questão. Vi  análises simplistas e algumas bem feitas, mas com a mesma finalidade de mostrar saber. Ver, por exemplo, a montagem diagnóstica desse  psicanalista:  http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,o-mal-secreto,704296,0.htm

2) Um outro grupo formado por especialistas que não estão preocupados com o seu saber, mas, sim,  com a alcance social de suas opiniões e se valem do episódio para demandar importantes mudanças na condução de  políticas públicas. Maria Rita se insere aqui.

 
 
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carlos saraiva e saraiva

É sempre muito bom compartilhar com as analizes lúcidas da Maria Rita kell. Acho que poderiamos aprofundar ou explorar uma outra linha de analize. Eu gostaria que pudessemos nos perguntar; Para onde vamos, convivendo ou nos isolando em uma sociedade que caminha à passos largos para a barbárie. Como podemos ser generosos e solidários em uma sociedade extremamente competitiva? Uma sociedade em que não construimos nem criamos com o outro e sim vemos o outro como um competidor, em que muitas vezes precisamos destruir. Uma sociedade que estimula o individualismo, o narcisismo, o particular, o privado. Uma sociedade em que o reconhecimento não se dá pela nossa capacidade de criar, construir o coletivo, compartilhando com os outros e sim pelo que podemos possuir, ter. A própria sociedade só reconhece aquele que demonstra poder, ser um vencedor e não um fracassado. Valemos, quando podemos ser utilizados como um valor de troca e não como um valor de uso. A solidariedade vem sempre, infelizmente, carregada por uma emoção espetacularizada.

 
 
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JarbasPassarão

Prezado Nassif

Este é o ponto fundamental a ser discutido ad naúsea  neste trágico evento de Realengo !. Parabéns!.Por apoio Psicológico , tanto escolar, como ambulatórial aos estudantes, funcionários e Professores !. Que o Congresso Brasileiro e assembléias Legislativas dos Estados  discutam leis efetivas para mitigar  este gravíssimo problema de saúde pública no Mundo e no Brasil e que também  coloque o "bullying" como um gravíssimo problema escolar existente nas Escolas Brasileiras ,  tanto públicas como privadas .Mas uma vez o seu blog ajuda a construir conhecimento aos seus leitores .

 

Floresta!

 
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Juliano Santos

Sei que minha escola é uma exceção, o Colégio de Aplicação da UFRJ. Mas mesmo assim, pode servir como exemplo. Lá, além dos professores terem a formação na matéria que davam, tinham noção mínima em psicologia infanto-juvenil para detectar problemas e agir para garantir um mínimo de ambiente saudável entre os alunos.  Se o caso fosse complicado, tinha uma orientadora com formação em psicologia para tratar o problema.

Escola não é só ensinar matemática e português, é parte fundamental na formação do indivíduo. Não consigo entender educação de outra forma

 

Juliano Santos

 
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marilice costi

Parabéns pela matéria.

Gostaria de compartilhar com vocês a Carta à Presidente Dilma Rousseff que se encontra no portal da revista O CUIDADOR - www.ocuidador.com.br .

Como mãe, cuidadora, e outras coisas mais, também sou a editora dessa revista que é para cuidar dos cuidadores. Decidi colocar tudo o que penso e a minha visão também de arquiteta, com 30 anos de profissão, na tentativa de mobilizar para legislação de saúde mental. Tenho 4 filhos e dois são gêmeos. As dificuldades de tratamento e cuidado para um deles é enorme. As residencias... muitas coisas. Recebo emails de muitos cuidadores, muitas mães, pais, irmãs, avós... cuidadoras de tantas pessoas com transtorno. Mas todos chegam a um momento que entram em exaustão. Então, quem cuida deles? Daí que há o abandono.

Estou viajando e retorno após a Páscoa.

Gostaria de ter seus contatos para trocarmos ideias e sua visão sobre o texto da carta publicada que, em apenas 3 dias, tem muitas assinaturas e recebi correspondência de vários lugares do Brasil. Estamos apenas começando esse movimento (eu iniciei em 2000 com meu livro denunciando muitas coisas).

Abraço

Marilice Costi

editora-chefe O CUIDADOR

51 30287667

 

 
 
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MARILICE COSTI

Parabéns. Já divulguei esta entrevista no Facebook. Convido a conhecer o nosso abaixo assinado pela Saúde Mental, que está em nosso portal www.ocuidador.com.br

Se concordar, assina e divulga. Estamos todos na mesma rede pela qualidade de cuidados na Saúde Mental, no quebrar paradigmas, no apoiar cuidadores. Há que mudar legislação federal de loteamentos, exigir CAPS como se exigiu escolas em Planos Diretores das Cidades, definir territórios de atendimento... muitas coisas. Abraço

 
 
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MARILICE COSTI

Prezado Nassif

Solicito que leia no site www.ocuidador.com.br - o nosso abaixo assinado.

Precisamos pensar coletivamente e mostrar para a comunidade como tudo acaba refletindo na vida de quem cuida. Por isso é que produzo esta revista O CUIDADOR. Tenho livro contando nossa história familiar onde questiono a proteção a nossos filhos com problemas mentais.

Estou escrevendo o segundo onde inicio na busca de proteção e termino com a rede atual e a necessidade de residenciais terapêuticos... Muito a fazer. Não morro sem deixar a vida organizada para os filhos. Ser cuidador, nas condições atuais, é não poder ter vida própria... E estar colado à mãe, impede a autonomia.

Minha vida com meu filho é uma construção na busca da autonomia dele. Hoje ele me disse: não precisas vir comigo, eu vou sozinho. Isto sim é maravilhoso! Mas quando a gente briga por eles, somos tachadas de insanas!

Abraço

 

 
 
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Marcelo Quirino

Sabe o que é mais engraçado nesse mundo pós-moderno? É a destituição do discurss dos especialistas.

Estive lendo os comentários e é incrível como a entrevistada é mal-interpretada! Acordemos. Nós da área de saúde mental não temos realmente a panacéia. Contudo, o mais importante é que quando vamos para a mídia nós temos CONSCIÊNCIA disso, óbvio!

Essa produção de subjetividade atual de 'cada um tem a sua verdade' impede em muito o exercício do pensamento puro e preciso. Cada refutação mal-feita eivada de opiniões....

Entretanto, o Estado tem um lugar sim! Como não? Quem tem? A mãe de quem? CONTUDO, ao dizer que o Estado tem lugar necessariamente não digo que ele é o Super Man. Óbvio que isso também é um pressuposto do pensameto de Kehl.

A sociedade, questiona os especialistas mas com argumentos furados. Os especialistas dizem maçã e vem a sociedade e refuta pera, como se tivéssemos dizendo aquilo. Creio que é a soma de alguns fatores que levam a esse ceticismo desargumentado da sociedade.

Nesse país todos são: políticos, técnicos da seleção brasileira, médicos e psicólogos.  Hipoteticamente, todos saberiam o que fazer se tivesse na posição de um desses.

Sociedade, vamos prestar mais atenção ao que o profissional diz. Suas falas são sempre específicas e condicionais.

 
 

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