A estupidez e a ganância da economia européia

Por Marco Antonio L.


A economia europeia entre a estupidez e a ganância


Autor: J. Carlos de Assis, do Monitor Mercantil


A política de Obama se moveu em sentido inequivocamente progressista, enquanto a política de Merkel, apoiada por Cameron (Inglaterra) e Sarkozy (França), é indiscutivelmente regressiva, além de que ancorada nas principais tecnocracias europeias – entre as quais o BCE, cujo presidente, Mario Draghi, acaba de decretar o fim da social democracia numa entrevista ao Wall Street Journal. Da Europa sob o tacão alemão, pode-se dizer que seu destino é consumir-se num incêndio social jamais previsto, do qual a crise grega de recorrente decréscimo do PIB e de alto desemprego é o prenúncio geral. O artigo é de J. Carlos de Assis.


Qualquer jovem estudante de graduação em economia que tenha se familiarizado com noções elementares dessa disciplina sabe que, numa situação de recessão, a única receita para a retomada da economia requer a recuperação da demanda efetiva via aumento dos gastos públicos ou das exportações, junto com algum corte de impostos. No meu tempo de estudante, nos anos 70, aprendia-se isso no livro clássico de Paul Samuelson, e não me lembro de ninguém do ramo que pusesse em dúvida essa linha de pensamento keynesiano.


A rigor, nem é necessário ser economista para chegar à mesma conclusão. Bastam alguns conceitos econômicos elementares. A recessão tem muitas causas, inclusive o fim de um ciclo de especulação financeira, mas na essência ela acontece quando a procura de bens e serviços é inferior à oferta, desestimulando o investimento. Para revertê-la, não há como confiar no aumento de investimentos do setor privado porque ninguém vai investir se a demanda de seus produtos, por efeito da própria recessão, estiver em declínio ou estagnada. Ou seja, ninguém pode se levantar puxando os próprios cabelos.

Nesse contexto, a recuperação da recessão só pode vir de duas fontes: um forte aumento de exportações (demanda externa) ou um incremento do gasto público autônomo. É claro que os neoliberais preferem a primeira alternativa, porque ela não envolve uma possível transferência de renda de ricos para pobres através do orçamento público deficitário. Sim, porque se o caminho escolhido for o aumento do gasto público deficitário o governo terá de financiá-lo de alguma forma. No último caso, isso exigirá expansão monetária que traz o risco de diluir o patrimônio financeiro dos ricos.

Aqui, porém, cabe uma observação no sentido de evitar que se caia na armadilha ideológica neoliberal relativa à política monetária. Em nenhum sistema monetário-fiscal do mundo moderno o governo ou o banco central emitem dinheiro para cobrir déficit público. O que acontece, geralmente, é que o tesouro emite dívida pública (obrigação junto ao setor privado, portanto, sem imposto) para financiar o déficit, e o banco central emite dinheiro, não para comprar diretamente títulos públicos, mas para aumentar a disponibilidade de dinheiro no mercado e facilitar a compra dos títulos públicos pelos bancos privados.

Esses conceitos elementares são suficientes para uma crítica dos fundamentos essenciais das duas correntes de política econômica atualmente em curso no mundo, a norte-americana de Barak Obama e a alemã de Angela Merkel. Caveat, porque os bandidos viraram mocinhos, e os mocinhos bandidos: a política de Obama se moveu em sentido inequivocamente progressista, enquanto a política de Merkel, apoiada por Cameron (Inglaterra) e Sarcozy (França), é indiscutivelmente regressiva, além de que ancorada nas principais tecnocracias europeias – entre as quais o BCE, cujo presidente, Mario Draghi, acaba de decretar o fim da social democracia numa entrevista ao Wall Street Journal.

Qual é, em última instância, a receita alemã, do BCE, do FMI e da Comissão Europeia para o enfrentamento da crise financeira (e de demanda) na Europa? Simplesmente seguir o caminho da própria economia alemã, ou seja, aumentar as exportações. O aumento das exportações deverá puxar o emprego e a demanda interna, gerando um círculo virtuoso de demanda e investimento. Do ponto de vista distributivo, isso evita transferências de renda para pobres seja ao nível do orçamento público, seja ao nível das relações trabalhistas: para exportar mais os custos salariais devem ser baixos.

O problema com essa estratégia é que ela se aplica com eficácia só quando uma economia em crise se confronta com muitas economias saudáveis: por meio de uma desvalorização da moeda ou de outros mecanismos, ela aumenta sua capacidade de exportação, criando receita para abater suas dívidas e seu déficit. Contudo, no caso europeu atual, não havendo a possibilidade de desvalorizar a moeda nos países do euro, sua alternativa é reduzir os gastos públicos e a própria demanda interna, inclusive mediante o corte de salários no setor público e no setor privado (a Grécia implementou a inacreditável medida de reduzir o salário mínimo em 20%!).

Por outro lado, a Alemanha começou a sentir no último trimestre do ano passado, com um decréscimo do PIB de 0,2%, as consequências de sua estratégia exportadora numa situação em que boa parte do mundo, inclusive a eurozona que garante 40% de suas exportações, não tem condições de importar. Depois de um crescimento de 3% no ano passado, a derrocada de suas exportações e de sua economia é inevitável este ano, mesmo porque seus mercados tradicionais estão saturados, como os próprios Estados Unidos e a China. Talvez com isso sua arrogância neoliberal ceda ao princípio da realidade.

Já os Estados Unidos de Obama tentaram o que lhes foi possível diante da imbecilidade do Partido Republicano: o governo tem feito um déficit saudável e o Fed garantiu, através de dois ciclos de emissão monetária (QE1 e QE2), dinheiro barato para que os bancos privados comprem os títulos emitidos pelo setor público para financiar o déficit. É muito mais democrático e até socialmente mais justo do que a fórmula teuto-europeia. Da Europa sob o tacão alemão, pode-se dizer que seu destino é consumir-se num incêndio social jamais previsto, do qual a crise grega de recorrente decréscimo do PIB e de alto desemprego é o prenúncio geral.

P.S. É lamentável que, pelo que anunciou há duas semanas nosso Ministério da Fazenda, também o Brasil, depois de políticas fiscais progressistas a partir de 2009, esteja caindo na tentação alemã de cortar gastos públicos com a economia sob ameaça de recessão. Talvez isso se reverta depois que o BC anunciou uma pífia taxa de crescimento em 2011. Voltarei ao assunto.

(*) Economista e professor da UEPB, presidente do Intersul e co-autor, com Fancisco Antonio Doria, do recém lançado “O Universo Neoliberal em Desencanto”, Ed. Civilização Brasileira. Esta coluna é publicada simultaneamente no site “Rumos do Brasil” e no jornal “Monitor Mercantil”, do Rio de Janeiro.

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27 comentários
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Jose Mayo

Só faltou um detalhe:

Produção se faz com ENERGIA, PIB também e a correlação, neste caso, não é mera coincidência; é causa mesmo... Então, pergunto:

O articulista terá presente, nos seus "cálculos" e "soluções" que, ainda que com demanda "aquecida" e preços disparando, NÃO SE CONSEGUE AUMENTAR A PRODUÇÃO DE PETRÓLEO CONVENCIONAL DESDE O ANO 2005, E DOS CHAMADOS "TODOS OS LÍQUIDOS" DESDE FINAIS DE 2009?

"Crescer" com que, cara pálida? Bombardeando o Irã?

 

"Um fósforo só não tem energia para queimar um bosque inteiro, mas pode começar o incêndio." (sobre as ideias, Jose Mayo)

 
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Fuhgeddaboudit™

"Crescer" com que, cara pálida? Bombardeando o Irã? (sic) 
A Europa guarda no sangue o recurso da Pirataria, há mais de um milênio. Então, com certeza esta é uma de suas soluções (pode estar em último lugar, mais sempre estará lá.
Oremos para que não consigam que a ONU nos tire o direito de "dono único" da "área do Pré-Sal" (eles tem isso na manga - inclusive a China - a Rússia talvez não - o Ártico lha dará de graça)  

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
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Jose de Almeida Bispo

"A Europa guarda no sangue o recurso da Pirataria,(...)"


Perfeito!


A única potência da História européia que foge um pouco a isso é o ex-império português. O uso do comércio, negociado, portanto, ao invés do puro assalto. Mesmo assim, como toda a nação dominante tem meio mundo de histórias escabrosas mundo afora.

 
 
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Assis Ribeiro

As tentativas de correção do rumo sempre seguem o mesmo modelo. O capitalismo.

Se este modelo é baseado no consumo, como ele avançar frente ao desemprego, perdas salariais e de direitos sociais, que assola tanto os EUA quanto a UE?

Os governantes ainda não perceberam que o balde transbordou quanto à produção e consumo de supérfluos, pelo menos nos países ditos desenvolvidos.

Por outro lado a enorme concentração de riqueza não permite a lógica capitalista de consumo para crescimento.

A úinica solução é a desconcentração de riqueza que as grandes corporações e "grandes" governos não querem.

O modelo está falido.

 

 

 

 

 

Assis Ribeiro

 
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Jose Mayo

Só para termos uma ideia visual do problema, vejam o gráfico:

Produção mundial de petróleo

 

"Um fósforo só não tem energia para queimar um bosque inteiro, mas pode começar o incêndio." (sobre as ideias, Jose Mayo)

 
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Santos

Pelo gráfico que tu postou Jose (mas não há nada lá dizendo em que contexto é esse gráfico, nacional, regional ou global):

Dá a entender que a atividade de refino se estagnou.

O de biocombustíveis está crescente em rítmo lento a considerar a urgência.

Mas acho que se está fora uns aspectos:

Estabilização das zonas de conflito onde há produção de petróleo e hidrocarbonetos (a pressão estratégica no Irã não ajuda).

Propecção e uso de gás natural não associado. Afinal, energia não se resume apenas a petróleo.

 
 
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Jose Mayo

Santos, 

Você tem razão: "a energia não se resume ao petróleo", mas praticamente todo o tráfego internacional de comércio sim, a quase totalidade do transporte rodoviário sim, mais de quarenta por cento da produção de energia elétrica no mundo sim, os fertilizantes que condicionam a produção de alimentos nas quantidades que produzimos sim... Acrescente aí plásticos, medicamentos, texteis e toda uma gama de utilidades derivadas de petróleo que, por não serem evidentes na sua origem, como é a "gasolina", nem nos damos conta de que são fruto da petroquímica.

Saudações

PD: O gráfico refere-se à produção mundial. Se você olhar a coluna da direita, verá que a produção total é de algo em torno a 87.000 X 1.000, ou seja, os atuais oitenta e sete milhões de barris diários de produção de "todos os líquidos".

 

"Um fósforo só não tem energia para queimar um bosque inteiro, mas pode começar o incêndio." (sobre as ideias, Jose Mayo)

 
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Jose Mayo

Só para "fechar a ideia", outro gráfico, publicado num trabalho na Nature, que aborda o mesmo tema:

petróleo preço/produção

Pode-se notar claramente o descasamento preço/produção, que aponta a um MERCADO INELÁSTICO.

 

"Um fósforo só não tem energia para queimar um bosque inteiro, mas pode começar o incêndio." (sobre as ideias, Jose Mayo)

 
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Assis Ribeiro

Não vejo o mundo com os olhos da ciência, como o "mainstream" prefere.

Vejo o mundo com os olhos do homem.

E por esta visão eu vejo que os homens nascem, crescem e morrrem ou se tranformam (como preferem alguns).

E assim, eu vejo todas as coisas, inclusive os modelos criados pelos próprios homens e que regem a vida em determinado momento.

Qual a solução? Pergunta o "mainstream".

A própria Revolução Francesa apontou coma sua máxima "liberdade, igualdade e fraternidade".

O homem ja tentou a "igualdade" e não deu certo, está percebendo que a "liberdade" também não atendeu às suas promessas.

Então falta exercitar a "fraternidade".

A quebra do modelo concentrador, a quebra das megas fusões, megas empresas, da megalomania dos homens já trará resultados positivos.

Isso se chama solidariedade.

 

Assis Ribeiro

 
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Jose de Almeida Bispo

"Porque se chamavam homens, também se chamavam sonhos; e sonhos não envelhecem."


Deus te ouça, Ribeiro! Deus te ouça.

 
 
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Assis Ribeiro

Bispo.

Esta música é fantástica.

E acrescento:

“Quando se destruir a capacidade de sonhar, imaginar realidades alternativas, aí sim, será o fim da civilização."

 

Assis Ribeiro

 
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Assis Ribeiro

Para você Bispo, para todos nós do blog, para toda a humanidade.

 

Assis Ribeiro

 
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Jose Mayo

Mesmo com o "teto" de preços, alcançado em julho de 2008 (US $ 147,00 por barril), o gráfico mal se mexeu e daí prá cá pouco mudou, apesar de investimentos maciços em prospecção e produção, conseguindo-se, no máximo, manter os níveis de oferta a duras penas e raspando o tacho.

Mesmo com a "depressão econômica" na Europa, a estagnação nos Estados Unidos e a desaceleração dos BRICS, os preços já estão batendo, de novo, na porta dos US $ 130,00 e a produção... Cadê?

Os economistas podem ser muito criativos e muito competentes, mas é a natureza quem está no comando. Se não descobrirmos outra maneira de alcançar o progresso, que não passe pelo ritmo louco de destruição e desperdicio a que estamos acostumados, o seculo XXI será lembrado pelas guerras por recursos e pela miseria e o paradigma economicista de que "a necessidade gera o mercado que gera a riqueza", terá que ser mudado:

- Diante dos limites geológicos de um mundo finito, a necessidade gera apenas necessitados.

Saudações

 

"Um fósforo só não tem energia para queimar um bosque inteiro, mas pode começar o incêndio." (sobre as ideias, Jose Mayo)

 
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Assis Ribeiro

O título bem poderia ser: "A estupidez e a ganância das economias europeia e americana".

É só observar o que está acontecendo no mundo, não pelos olhos do "maistream" e sim com os olhos do próprio homem.

Os poucos países que estão "crescendo" no mundo são aqueles que estão conseguindo tirar da pobreza parte de sua população.

Algumas medidas com este objetivo são tidas como "comunistas", outras como esmola, enfim esta é a reação típica do "mainstream", mas o fato é que apenas os países que não estão seguindo rigorosamente a "cartilha", e sim apenas parcialmente, afinal ninguém é de ferro,  estão conseguindo se desenvolver.

Sabe porquê?

Apenas pelo pequeníssimo gesto de "fraternidade", de solidariedade de permitir que parte daqueles "excluídos", sejam "incluídos".

 

 

 

Assis Ribeiro

 
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uirapuru

   Os aneis dados para não perder os dedos, das zelites, estão sendo tomados de volta. O medo, dos ideais comunistas e socialistas já foram suprimidos com aceitação do modelo rapinalista, digo capitalista, pela China, a ultima grande fortaleza do proletariado, mao morto, tio sam posto.  As conquistas sociais, das sociais democracias pós-guerras, que foram erguidas para reverter o avanço das ameaças vermelhas, URSS e China, perigo passado, a lei do mais rico começa a varrer os ideiais do humanitario.  Por outro lado, o euro que estava sendo cotado para substituir o dolar como moeda internacional, começou a naufragar, esqueçeram aqueles que proporam tal substituição, que existem trilhoes de dolares circulando pelo mundo, e declinio ou dissolução da moeda norte americana traria um prejuizo mega-gigantesco as instituições financeiras que controlam o sistema monetario internacional, inclusive no civilizado mundo europeu,que  entre desconstruir o dolar ou o euro, optaram pelo segundo, e o dolar deixou de se desmantelar. E estão aproveitando o ensejo, para tomar os aneis de volta.

 
 
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luxki

"...a política de Obama se moveu em sentido inequivocamente progressista..." Certamente há controvérsias sobre isso. 

 

Publicado no Valor Econômico (23/02/2012)

 

Grande demais para ir para a cadeia

 

Por Simon Johnson

 

Um dos princípios fundamentais de um sistema judicial é o seguinte: não minta para um juiz nem falsifique documentos apresentados a um tribunal ou você irá para a cadeia. Descumprir um juramento de dizer a verdade é perjúrio e mentir em documentos oficiais é, a um só tempo, perjúrio e fraude. São transgressões criminais graves, a não ser que você esteja no coração do sistema financeiro americano. Ao contrário, figuras importantíssimas parecem ser bem recompensadas por seus crimes.

Como argumentou Dennis Kelleher, da Better Markets, o recente acordo a que chegaram os processos envolvendo as denominadas "assinaturas robotizadas" - em que cinco grandes bancos "aceitaram" firmar acordos para pôr fim à responsabilidade legal a que estavam sujeitos devido a sua prática de retomada fraudulenta de imóveis financiados - é uma rendição total ao setor financeiro.

Em primeiro lugar, não fora formulada nenhuma acusação penal grave - o que significa que ninguém será acusado de crime e ninguém irá para a cadeia. Em termos de afetar os incentivos que balizam as ações de executivos, isso é a única coisa que importa.

A principal motivação para a indulgência de Washington em face dos graves crimes cometidos é, evidentemente, o temor das consequências da tomada de medidas duras contra banqueiros individuais. Mesmo porque, esses bancos são muito maiores agora do que antes da crise

Até mesmo a terminologia usada para formular a discussão é errônea. Kelleher, um advogado com vasta experiência de trabalho em firmas de advogacia e no setor público, define a coisa como ela é: "Assinaturas robotizadas é conduta criminal em larga escala, sistemática e fraudulenta". Alternativamente, como salienta Kelleher, poderíamos chama isso de "mentir, enganar e roubar".

Em segundo lugar, as penalidades cíveis nesse acordo - uma forma de multa - são minúsculas em comparação com o tamanho das companhias envolvidas. Como disse secamente Shahien Nasiripour, um dos melhores repórteres na cobertura desse assunto: "Nenhuma das cinco instituições bancárias disse que espera incorrer em um encargo substancial devido ao acordo". Em outras palavras, de uma perspectiva empresarial, as penalidades são uma ninharia.

Terceiro, essas multas são, de todo modo, pagas pelos acionistas das companhias, e não por seus executivos ou membros de conselhos de administração (todos eles cobertos por seguros). Nos raros casos em que multas foram aplicadas a pessoas físicas, suas seguradoras cobriram a maior parte da conta ou as penalidades foram relativamente triviais em comparação com os ganhos monetários resultantes da prática de seus crimes - ou as duas coisas.

Como se tudo isso não fosse suficientemente ruim, as notícias indicam que os bancos poderão usar dinheiro do governo para depreciar o valor das hipotecas, o que equivale subsidiá-los para que paguem suas próprias irrisórias multas.

  

O governo Obama e seus aliados têm se empenhado em propagandear que o acordo com os bancos - mediante o pagamento de aproximadamente US$ 20 bilhões -, terá um impacto significativo sobre o mercado imobiliário. Nada, porém, poderia estar mais longe da verdade. Como enfatiza Kelleher, os EUA têm "mais de 10 milhões de casas 'underwater' (quando a dívida no financiamento excede o próprio valor da casa)." US$ 20 bilhões não fazem diferença alguma nisso: por exemplo, significariam um milhão de casas com um perdão de US$ 20 mil da dívida em cada caso.

Na realidade, o acordo firmado pelo governo Obama com as financiadoras de casas é coerente com sua prática anterior em todas as suas políticas relacionadas ao setor financeiro, que têm sido péssimas. Mas são também incompreensíveis. Por que o governo continua a fazer de tudo para agradar os maiores banqueiros nessas circunstâncias?

Eu honestamente não acredito que a postura do governo reflita alguma forma de corrupção - pagamentos feitos a pessoas físicas ou até mesmo em benefício de campanhas políticas. E, nesse caso, sequer parece refletir o poder de pressões de grandes agentes financeiros. Esse poder certamente explica por que as reformas financeiras Dodd-Frank promulgadas em 2010 não foram mais vigorosas e por que há agora tanta oposição à implementação eficaz dessa legislação - por exemplo, há atualmente uma grande briga em torno da "regra Volcker", que limitaria o "proprietary trading" (operações financeiras com recursos próprios) de megabancos. Mas as atividades criminais das financeiras habitacionais são uma outra questão.

De fato, o que está em jogo, nesse acordo envolvendo os financiamentos habitacionais, são violações fundamentais e sistêmicas do Estado de Direito: perjúrio e fraude numa escala que abrange toda a economia. O Departamento de Justiça, sem dúvida, dispõe de todo o poder de que necessitaria para processar plenamente os responsáveis por esses crimes. E apesar disso, as mais altas autoridades policiais americanas abstiveram-se sistematicamente - e, agora, completamente - de cumprir plenamente seu papel.

A principal motivação para a indulgência do governo em face dos graves crimes cometidos é, evidentemente, o temor às consequências da tomada de medidas duras contra banqueiros individuais. E talvez as autoridades governamentais tenham razão em ter medo, dada a enorme escala dos bancos em questão em relação à economia. Com efeito, esses bancos são maiores, agora, do que antes da crise, e - como James Kwak e eu documentamos pormenorizadamente em nosso livro "13 Bankers" -, são muito maiores do que 20 anos atrás.

Banqueiros importantes querem ganhar muito dinheiro. Eles também querem ficar fora das cadeias. Os líderes políticos podem esbravejar quanto quiserem, mas sem uma ameaça crível de pobreza e de tempo atrás das grades, os banqueiros não têm por que cumprir a lei. Para eles, tudo é negócio - e você pode ser o otário em política pública tão facilmente quanto pode ser o otário em um contrato de empréstimo individual.

A mensagem para os executivos do banco hoje é simples: faça seu banco ficar tão grande quanto possível - e depois continue a fazê-lo crescer. Se você conseguir tornar-se suficientemente grande, você e seus funcionários não serão apenas grandes demais para falir - mas também grande demais para serem levados à cadeia.

O governo Obama acaba de fazer todo mundo de otário - exceto os banqueiros. (Tradução de Sergio Blum)

Simon Johnson ex-economista chefe do FMI, é cofundador de um respeitado blog de economia, BaselineScenario.com, professor na MIT Sloan, membro sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional, e coautor, com James Kwak, de "13 Bankers" (13 banqueiros). Copyright: Project Syndicate, 2012. Podcast no link:

traffic.libsyn.com/projectsyndicate/johnson29.mp3

www.project-syndicate.org

 

luxki

 
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macedo

Sobre as assinaturas robotizadas, acho que é sobre isso que se refere este post do blog do Argemiro Ferreira, a partir de uma reportagem do programa de TV americano 60 Minutes.

Conta como alguns bancos contratavam empresas cuja única finalidade era a de disponibilizar pessoal para assinar repetidamente uma infnidade de contratos envolvendo financiamento de imóveis.

Na reportagem, uma senhora que perdeu a casa por não conseguir pagar as prestações entrou na justiça e quando pediu para ver o contrato percebeu que a assinatura era fraudada. Essa senhora era perita grafotécnica e por isso percebeu a fraude.

http://argemiroferreira.wordpress.com/2011/04/10/fraude-e-falsificacao-r...

 
 
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A.ALVARO GUEDES

Se eu entendi, gráfico mostra a produção de petróleo. Não mostra as reservas e nem a perspectiva de ampliação destas reservas. Sabemos de que é do interesse dos produtores manterem um "leve desequilíbrio" entre a oferta e a demanda. Com a balança pendendo, quase sempre para a demanda.

Um dos principais problemas é que neste mercado tem a geografia. O petróleo teima em aparecer em lugares conturbados e/ ou que se tornarão. Entra em cena a geopolítica da apropriação.  

Neste cenário de preços altos de um produto finito viabiliza alternativas energéticas múltiplas. O petróleo deve ser destinado para funções mais nobres do que simplesmente mover veículos, gerar energia elétrica e nos países frios, a calefação

Os bioenergéticos é uma das alternativas que se tornam mais viáveis e sem grandes subsídios no curto prazo, mas existem alternativas que não podem ser descartadas.

O carvão natural, com tecnologia de baixas emissões, deve voltar. As reservas mundiais são imensas. As emissões residuais podem ser compensadas com reflorestamentos que poderão servir como energia renovável.

A energia nuclear não pode ser descartada. Incentivos econômicos devem ser concedidos para ampliar a segurança e o destino de seus dejetos.

Todas as formas de energia renováveis devem ser utilizadas sem serem indexadas ao preço do gás e do petróleo.

A civilização do automóvel (com toda as suas conseqüências negativas) tem de arrefecer.

 

 
 
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Roberto São Paulo-SP 2012

Hidratos de Metano
O combustível do futuro ou uma ameaça à humanidade?

Revista eletrônica do Departamento de Química - UFSC/Ano 1 Número 26 Florianópolis, 20.04.2000

Um gelo que queima. Esta seria a primeira descrição da combinação cristalina entre moléculas de metano e moléculas de água, encontrada em regiões profundas do oceano. Os hidratos de metano já são considerados, pelos cientistas, a principal fonte de energia para o século XXI. A exploração pode, entretanto, provocar a liberação destes gases e causar
o maior efeito estufa já visto no planeta.

 

No início deste ano, a Japan National Oil Company começou a construção da primeira plataforma para extração de hidratos de metano do fundo do már Cáspio. Diversas empresas norte-americanas já investem milhões de dólares na pesquisa para a tecnologia de extração de metano do fundo do mar. Embora o material seja abundante, a extração não é um processo fácil: esta mistura cristalina é muito instável; vários acidentes já aconteceram, na tentativa de encanar este gás. O U.S. Geological Survey (USGS) estima que a quantidade de metano hidratado existente somente nas águas norte-americanas chegam a 600 trilhões de metros cúbicos de gás, suficiente para abastecer toda a nação (EUA) por mais de 2000 anos!

o que são os hidratos de metano?

estrutura do hidrato de metanoQuando as bactérias digerem a matéria orgânica, no fundo do mar, liberam moléculas de CH4 (metano).

Estas moléculas acabam "aprisionadas" por cristais de água, formando os hidratos ou, ainda, se combinam com o limo e o barro do fundo do oceano, formando bolhas de gás entre densas camadas de barro.

sedimento com bolhas de metanoUma estrutura normal de hidrato de metano contém 46 moléculas de água e 8 moléculas de metano. Sua aparência é como o gelo mas, entretanto, é estável somente a altas pressões e baixas temperaturas. Não existe ligação covalente entre o a água e o metano; o hidrato, quando se funde, libera água líquida e gás metano.

 

Antes de 1970, ninguém sabia que hidratos de metano existiam no fundo do mar, embora estes hidratos não sejam raros: pelo contrário, eles estão por toda a parte. Estudos recentes indicaram a presença de grandes depósitos submarinos de hidratos de metano em praticamente todos os oceanos, incluindo o litoral brasileiro!

 

na atmosfera também existe uma pequena parcela do carbonoMais de 50% de todo o carbono existente no planeta está no fundo do mar, sob a forma de hidratos de metano. É mais do que todas as reservas de materiais fósseis, todos os seres vivos e todas as minas de carvão somadas.

 

sedimento com camada de metano hidratadoO "gelo de metano", como também são chamados os hidratos deste gás, formam-se naturalmente nas regiões profundas, de alta pressão e baixa temperatura, do oceano, mas geralmente fica enterrado sob o sedimento marino. O Golfo do México é um dos poucos lugares one pode ser encontrado exposto no fundo do oceano. Embora tanto a água como o metano sejam incolores, muitos hidratos de metano são coloridos. Os hidratos encontrados no Golfo do México são amarelo, laranja ou vermelhos. Os encontrados nas Bahamas são cinza ou azul. As cores devem-se à presença de bactérias, minerais e outros gases que também são incorporados nos hidratos.

Os hidratos de metano se formaram, durante milhões de anos, pela degradação da matéria orgânica, pelas bactérias. Curiosamente, a abundância relativa do Carbono-12 nos hidratos de metano é muito mais acentuada do que em amostras de carbono (orgânico ou mineral) do resto do planeta. Uma das explicações é que as bactérias exibem uma seletividade na hora de digerir o material orgânico, tendendo a "sequestrar" mais Carbono-12 do que seus outros isótopos.

hidratos de metanoEmbora muitos considerem estes hidratos uma excelente fonte de energia, existem cientistas extremamente preocupados: a exploração indevida ou mesmo um acidente natural, como um grande terremoto, pode vir a liberar grande parte deste gás para a atmosfera. O metano também é um gás que causa o efeito estufa; além disso, na atmosfera, ele se oxida e gera CO2. A temperatura do planeta, em uma situação como esta, iria aumentar drasticamente, as calotas polares iriam derreter e a vida iria se tornar mais difícil. Por isso nenhum país, ainda, começou com força total a exploração dos hidratos de metano.

Em 1984, cientistas suecos observaram a existência de "chaminés" naturais no fundo do oceano. Havia o despreendimento constante de gás. colônia de tube wormsSomente mais tarde encotraram uma explicação: o gás era o metano, provindo de hidratos que estavam sendo "esmagados" pela fricção entre duas placas tectônicas. Estas correntes de bolhas são chamadas de "cold winds". Algumas vezes, a origem do gás é a fusão dos hidratos, quando estes estão próximos a regiões, submarinas, com atividade vulcânica - os chamados "hot winds". Nestes casos, não somente água e CH4 são liberados, mas também pequenas quantidades de H2S e NH3. A oxidação destes compostos químicos em gás carbônico, sulfato e nitrato oferece um meio alternativo de sobrevivência, para muitas espécies, mesmo na ausência de oxigênio. Estranhas criaturas vivem nas proximidades dos hidratos de metano. Entre elas, os tube worms, que formam colônias gigantescas nas áreas de ocorrência de hot winds.

Criaturas Bizarras

tube wormsUm ambiente sem luz ou oxigênio e sob uma enorme pressão. Embora pareça totalmente inóspito para qualquer um de nós este é o lar de estranhas criaturas, os Pogonophora, conhecidos como "tube worms", ou seja, "vermes tubulares". Observados, pela primeira vez, em 1900, na Indonésia, hoje já se conhecem mais de 80 espécies diferentes de Pogonophora, incluindo algumas que chegam a 1,5 metros de comprimento.
O nome - pogonophora - é a palavra grega para "portadores de barba", em alusão aos pequenos tentáculos observados em muitas das espécies de tube worms.


Certas bactérias desenvolvem uma relação simbiótica com os tube worms, garantindo o seu sustento. As bactérias vivem em um órgão do tube worm chamado trofosomo; de lá, as bactérias oxidam os sulfetos que saem dos hot winds. A bactéria obtém energia através da oxidação do enxofre, e utiliza-a para sintetizar moléculas maiores de carbonos - o alimento dos tube worms.

 

Você sabia?
Uma das explicações para o fenômeno no "Triângulo das Bermudas", onde vários navios foram "sugados" para o fundo do mar, cita os hidratos de metano: uma súbita liberação de grande quantidade deste gás seria suficiente para afundar um navio.

Obviamente, a descoberta destes hidratos ofereceu uma possibilidade sem referências na obtenção de energia para a humanidade. Além disso, a pitoresca biodiversidade encontrada nestas regiões abriu um campo novo de estudos para os biólogos - a vida, na ausência de oxigênio, pode apontar para outros modos de organização de vida interplanetária. Por outro lado, revelou-se um perigo de catástrofe: se estes gases forem liberados a humanidade estará ameaçada. Um perigo que repousa, em silêncio, no fundo dos 7 mares...

É dificil de saber se, realmente, os hidratos de metano venham a se tornar uma fonte de combustível. De qualquer forma, os dias do petróleo abundante estão contados, e as nações necessitarão, em breve, novas fontes de energia. Os hidratos de metano podem ser esta fonte.

Saiba mais:
> Hidratos de gases no Golfo do México
> Hidratos e o Triângulo das Bermudas
> Cientistas da LSU descobrem Vermes Tubulares no Golfo
> Info sobre hidratos no U.S. Geological Survey
> Fotossíntes vs. Quimiossíntese

 

2010

 
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motoboy

se são estupidos ou gananciosos demais é o de menos. o que está pegando mesmo é que os mané parece que perceberam que estão cada dia mais por fóra.

 
 
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Roberto São Paulo-SP 2012

Hidrato de metano é explorado pela primeira vez no mar de Aichi    

NHK -Nagoya...14 / 02 / 2012

Atualmente, há esperanças de que o "hidrato de metano" se transforme em um recurso energético de próxima geração. No dia 14 de fevereiro, à noite, espera-se dar início à exploração experimental de hidrato de metano pela primeira vez no mundo, no fundo das águas de alto-mar da província de Aichi.

Para concretizar essa atividade sem precedentes, no dia 12, domingo, o navio de pesquisas "Chikyu", ou "Terra", partiu do porto de Shimizu, província de Shizuoka. Os preparativos finais estão sendo feitos de forma a dar início ao trabalho de exploração em alto-mar, a 70 km de distância a partir da península de Atsumi.

Um grupo pertencente ao Ministério da Economia e Comércio, órgão encarregado pela exploração experimental, deverá iniciar o trabalho com o navio, se possível na noite do dia 14, dependendo das condições do tempo local.

O trabalho de escavação deverá ser realizado durante 40 dias, ou seja, até o fim do mês de março, de forma a se obter 4 poços com 300 m de profundidade no fundo do mar, a 1.000 m abaixo da superfície marítima. O projeto visa retirar gás metano para fora do mar por volta do mês de janeiro próximo. As atenções estão voltadas à viabilidade do projeto, agora que se prevê que em alto-mar de Aichi existe hidrato de metano em quantidade correspondente a 14 anos de consumo doméstico de gás natural.

 

2010

 
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A.ALVARO GUEDES

Redação do Site Inovação Tecnológica - 10/05/2011



Determinar as propriedades termoquímicas das moléculas de hidrocarbonos é importante para entender a formação dos reservatórios de petróleo e gás natural e o fluxo de carbono na Terra.[Imagem: Eric Schwegler/LLNL]

Petróleo abiogênico

A teoria que tenta explicar a gênese do petróleo, do carvão e do gás natural é tão aceita que esses derivados do carbono se tornaram sinônimos de "combustíveis fósseis."

Os combustíveis são reais, e estão na base da economia do mundo moderno. Mas o termo "fóssil" vem da teoria.

Uma teoria que propõe que organismos vivos morreram, foram soterrados, comprimidos e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta terrestre, onde sofreram transformações químicas, até originar o petróleo e seus primos.

Há tempo, geólogos vêm contestando essa teoria e propondo uma origem abiótica para o petróleo, ou seja, uma teoria que propõe que o petróleo não é fóssil.

Agora, esses defensores da teoria abiótica ganharam mais um argumento.

Hidrocarbonos de origem geológica

Giulia Galli e seus colegas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, demonstraram que as longas cadeias de hidrocarbonos podem se formar no interior da Terra a partir do hidrocarbono mais simples possível - a molécula de metano.

As moléculas de hidrocarbono são o bloco fundamental que forma o petróleo e o gás natural.

Giulia defende que os hidrocarbonos abiogênicos, de origem puramente geológica, podem se formar nas condições adequadas de temperatura e pressão encontradas no manto superior da Terra.

"Nossas simulações mostram que as moléculas de metano podem se combinar para formar moléculas de grandes hidrocarbonos quando expostas às pressões e temperaturas muito altas do manto superior da Terra," diz ela.


Diversos estudos práticos, usando bigornas de diamante e explosivos, têm proposto condições de temperatura e pressão nas quais o petróleo pode se formar sem a participação de fósseis. [Imagem: Spanu et al./Pnas]

Onde nascem os hidrocarbonos complexos

Os pesquisadores usaram técnicas sofisticadas, baseadas em primeiros princípios - as propriedades fundamentais dos átomos de carbono e hidrogênio - para simular o comportamento desses átomos sob as pressões e temperaturas encontradas entre 65 e 150 quilômetros de profundidade.

O estudo mostrou que hidrocarbonos com múltiplos átomos de carbono podem se formar a partir do metano, uma molécula com apenas um átomo de carbono e quatro átomos de hidrogênio.

Isso pode ocorrer em temperaturas maiores do que 1.500 K e pressões a partir de 50.000 vezes a pressão atmosférica - essas condições são encontradas a partir de 110 quilômetros de profundidade.

"Na simulação, interações com superfícies de carbono e metal permitiram que o processo ocorra com maior velocidade; elas funcionam como catalisadores," afirma Leonardo Spanu, coautor do estudo.

Teorias

O estudo não conclui que o petróleo e o gás natural se formam nesse ponto, uma vez que as condições reais dessas regiões não estão acessíveis à observação direta e, portanto, não são totalmente conhecidas.

O estudo demonstra que as condições do manto superior são adequadas para que as moléculas de metano formem hidrocarbonos longos.

Outro detalhe a ser analisado pelos defensores da teoria do petróleo abiótico seria explicar o mecanismo que faz com que esses hidrocarbonos migrem para mais perto da superfície, onde são encontrados os depósitos de petróleo e gás natural.

Por outro lado, dados coletados em poços de petróleo exauridos na Arábia Saudita são condizentes com uma hipótese de que esses poços estão novamente se enchendo de baixo para cima.

 

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=teoria-abiogenica-petroleo

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Novas experiências reforçam origem abiogênica dos hidrocarbonetos

CIÊNCIA E TECNOLOGIA 

A hipótese da origem abiogênica dos hidrocarbonetos na crosta terrestre ganhou um novo reforço, com uma série de experiências efetuadas na Universidade da Califórnia em Davis, EUA. As experiências, feitas por uma equipe encabeçada pela físico-química Giulia Galli, demonstram que longas cadeias de hidrocarbonetos podem ser formadas no interior da crosta terrestre apenas com moléculas de metano (CH4), o hidrocarboneto mais simples conhecido, ou seja, sem necessidade de material biológico (Inovação Tecnológica, 10/05/2011).

A teoria tradicional da gênese do petróleo afirma que este é resultado de um processo geológico, no qual organismos soterrados, comprimidos e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta terrestre, sofrem transformações químicas até resultar no petróleo, gás natural e outras substâncias afins. Apesar de a corrente principal das geociências admitir também a hipótese da formação inorgânica desses produtos, até há pouco não havia qualquer evidência experimental dela.

Segundo a Dra. Galli, “as nossas simulações mostram que as moléculas de metano podem se combinar para formar moléculas de grandes hidrocarbonos quando expostas às pressões e temperaturas muito alas do manto superior da Terra”. As moléculas de hidrocarboneto são importantes, pois constituem o bloco fundamental que forma o petróleo e o gás natural. Para a pesquisadora estadunidense, em condições adequadas de temperatura e pressão, é plenamente possível a formação de hidrocarbonetos abiogênicos na crosta terrestre.

Os pesquisadores simularam o comportamento dos átomos de carbono e hidrogênio, sob pressões e temperaturas próximas às encontradas a uma profundidade entre 65 e 150 km de profundidade. Os cientistas observaram a formação de hidrocarbonetos com múltiplos átomos de carbono a partir de átomos de metano, uma molécula com apenas um átomo de carbono e quatro de hidrogênio. Tal fenômeno ocorreu a partir de temperaturas superiores a 1.500 K e pressões acima de 50 mil vezes a pressão atmosférica – condições observáveis a partir de 110 km de profundidade.

A pesquisa da Dra. Galli vêm se somar a uma série crescente de evidências que reforçam a hipótese da formação de hidrocarbonetos a grandes profundidades na crosta terrestre, como experiências semelhantes feitas nos EUA e na Suécia (Alerta Científico e Ambiental, 22/09/2011). A relevância dessa orientação fica evidenciada pelo fato de que a pesquisa da Dra. Galli foi financiada pela Shell.

 

 

http://www.alerta.inf.br/novas-experiencias-reforcam-origem-abiogenica-dos-hidrocarbonetos/

 
 
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Cynthia Mahon

fazendo um exercício de imaginação, é possível pensar que os EUA e/ou EU poderiam tentar ou efetivamente invadir alguns países com uma desculpa " a la" Iraque para se apropriar de "coisinhas" como o pré-sal, por exemplo. tudo bem que os EUA não tem o sangue pirata, mas tem na minha visão uma coisinha um tantinho pior, a arrogância de achar que tudo lhe é de direito, e o que não for, se torna.

 
 
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joão33

  a verdadeira agenda prossegue , todo o resto é jogo de cena , o que dá prá perceber em tudo isso e aonde vai levar , é que parece que estão contando com o sumiço mágico de todos os consumidores no final da história , já passou o tempo de discutir , antes de mais nada o povo do mundo tem que derrotar a minoria que conduz a agenda . que está de vente em popa e dentro do programada , todo o resto é circo é espetáculo que entretem o povo que distrae , até que a tenham força suficiente para tirarem as máscaras e e fazer a grande mágica.

 
 
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Jose Mayo

Meus prezados,

Todos esses intentos, mais recentes, de expandir a fronteira dos recursos energéticos disponíveis para o desenvolvimento humano, têm por trás a mesma causa: "PEAK OIL".

Essa pedra está cantada desde os estudos de M. King Hubert, que previu com precisão o declinio da produção de petróleo norte-americano (ocorrida ao longo da década de 70), já em 1956.

Todos os cientistas, engenheiros, técnicos e empresários da área têm conhecimento disso e, é claro, monitoram regularmente tanto as reservas quanto a produção. Essas informações, ainda que não de modo textual, são acessíveis, por qualquer um, junto aos organismos internacionais específicos, especialmente a Agência Internacional de Energia (AIE) e, mais perifericamente, a British Petroleum (BP), que elaboram relatórios praticamente diarios, consolidados em relatorios mensais e anuais mais detalhados que, na base, são os que guiam o setor...

É consenso, na área, que acabou-se a "era do petróleo barato"; daqui prá frente as explorações serão cada vez mais difíceis, mais distantes e mais profundas, sendo "mais caras" não só do ponto de vista financeiro, mas também do ponto de vista ambiental e energético, ou seja, sobrará cada vez menos energia por barril de petróleo, em relação à empregada para retirá-lo

Quando esse "excedente energético", também chamado TRE (Taxa de Retorno Energético), tender ao equilibrio, ou for ultrapassado, o petróleo continuará existindo, mas já não será um recurso energético; será extraído apenas para outros usos, com maior valor de mercado.

Saudações

 

"Um fósforo só não tem energia para queimar um bosque inteiro, mas pode começar o incêndio." (sobre as ideias, Jose Mayo)

 
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alexis

O mundo global possui uma única origem e retorno de capital: os EUA, onde os donos do capital ou hospedeiros utilizam a sua carcaça para morar. Eles bombeiam o dólar pelas encostas do mundo e trazem de volta sedimentos de riqueza.

O problema de Europa foi não ter conseguido com o Euro estancar as perdas internacionais em relação ao dólar, devido que, a pesar da forte base industrial da Alemanha, parte da França e do Norte da Itália, a Europa vive do turismo atrelado ao dólar.

O dólar não quer concorrentes.

Apenas a China, com a sua economia planejada conseguiu manter a sua economia relativamente livre das perdas internacionais simbolizadas nos sedimentos arrastados pelo dólar, de volta à sua lagoa mãe: os EUA.

 
 
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zanuja castelo branco

A Alemanha tentou dominar a Europa pelas armas com Hitler assassinando milhões de inocentes. A sra. Merkel está dominando a Europa sem disparar um único tiro mas como Hitler está assassinando milhões de fome.

 
 

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