A espiritualidade laica no PV

Por Binah Ire

A espiritualidade laica em discussão no Partido Verde brasileiro

O Estado laico tem sido motivo de debates intensos desde as últimas eleições para a presidência da república, quando a pauta religiosa contaminou o debate político e social sobre a questão do aborto. Desde então, questiona-se o poderio da "bancada evangélica" no Congresso, que tenta barrar a criminalização da homofobia e procura impor morais de religiões específicas nos debates políticos que, segundo nossa constituição, deveriam ficar livres de tais influências.

Além disso, Brasil afora, correligionários de igrejas neopentecostais propõem projetos de leis que vão desde a criminalização dos rituais afro, na questão do sacrifício de animais, até a criação de espaços exclusivos para determinadas religiões, como oparque Gospel proposto pelo governo do Acre e sob iniciativa inclusive do deputado federal do PV-AC, Henrique Afonso.

Diante deste quadro, o babalorixá e teólogo-afro, atual Presidente do PV de Santa Catarina, Guaraci Fagundes, propõe ao seu partido a criação da Secretaria da Espiritualidade Laica no Programa do PV nacional. As informações são de Mirela Maria Vieira, jornalista catarinense:

Verdes encampam proposta do presidente do PV-SC em defesa da democracia laica

O PV será o primeiro partido no País a ter em sua estrutura orgânica uma secretaria dedicada às ações políticas em defesa da espiritualidade laica. A proposta foi apresentada pelo presidente do PV catarinense, Guaraci Fagundes, no encontro nacional do partido realizado no dia 8, em Brasília. A criação da Secretaria da Espiritualidade Laica no organograma da legenda, conforme Guaraci, e a consequente ação pelo exercício da democracia laica acompanha linha política adotada pelo PV na Europa há quase 40 anos.

“É uma nova linha de pensamento político, inédita na pauta de debates do PV do Brasil, não no contexto internacional. Verdes de peso e tradição, como o PV alemão, debatem e aplicam o conceito em suas ações políticas desde meados da década de 70 do século passado”, explica Guaraci. 

Ancorada em dois dos valores que fundamentam a diretriz programática do partido em nível mundial - defesa dos Direitos Humanos e da livre manifestação da espiritualidade, a criação da nova secretaria, de acordo com Guaraci, vai permitir que o partido resgate e concretize seu discurso em ações políticas que assegurem não apenas o direito de cada um em cultivar sua espiritualidade livremente, mas a democracia laica. “Temos um Estado de direito laico, ou seja, não está atrelado á religião ou credo, mas a nossa democracia não é laica e não tem respeitado o direito humano basilar de livre exercício da espiritualidade”, sintetiza ele. Segundo ele, esta espiritualidade a que se refere antecede qualquer religião ou ideologia e não pertence à religião ou ao ateísmo. “Pertence a qualquer ser que sente. Numa democracia laica, cada um de nós tem direito a exercer suas reflexões sobre as dimensões de sua existência de forma livre, sem que pressupostos dogmático-religiosos e teológicos lhes sejam impostos ou definam o curso das políticas públicas, do arcabouço legal brasileiro e do processo eleitoral”, argumenta o presidente do PV-SC.

Guaraci relembra o episódio mais marcante das eleições à presidência da República no ano passado, que atropelou o debate sério sobre o problema do aborto no país atrelando-o a questões teológicas e religiosas. “Um problema que mata milhares de mulheres por ano e deve ser encarado e debatido com seriedade foi reduzido à peça de campanha raivosa e torpe, na disputa frenética pelos votos de evangélicos, de católicos e outros grupos religiosos”. Ele afirma que isso coloca em risco a democracia, na medida em que o debate e a busca de soluções para problemas que atingem toda a sociedade acabam sendo tirados da pauta de discussões e ações políticas por medo da perda de votos de fiéis das diversas religiões abrigadas em terras brasileiras. “Isso coloca o processo eleitoral brasileiro e os debates nas casas legislativas, sob o viés de um Estado teocrático, e ainda induz à intolerância, cujo combate é valor básico programático do PV”, assinala Guaraci.

Outra proposta levada pelo presidente do PV e também acatada para as mudanças estatutárias que o partido começa a fazer a partir do dia 18 de novembro, em Alagoas, é a transformação da atual Secretaria de Combate à Discriminação em Secretaria Nacional de Direitos Humanos e Diversidade. “Acompanha a linha internacional do PV e atende melhor ao conceito de Direitos Humanos, valor de primeira linha de atuação dos Verdes em todo o mundo. No dia 18, vamos discutir e formar as comissões técnicas para a efetivação das modificações no estatuto”, informa ele.

* Nota do blog: Existe vida no PV pós Marina Silva.

Nenhum voto
33 comentários
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Nilson

O partido verde deve estar na idade média. Deveria criar a secretaria dos católicos, evangélicos pentecostais, evangélicos tradicionais, macumbeiros, batedores de bumbo, Santo Daime. O Zé bolinha tem voto de todos de deste partido ou religião ?

 

Nilson Fernandes

 
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Paulo de Loyola

Nilson, seu comentário me parece improcedente. Se a proposta do partido é justamente criar um fórum onde a espiritualidade possa ser debatida e encarada no que tange à sua influência na sociedade de forma livre dos preceitos religiosos, não consigo ver o medievalismo aí.

 
 
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cid cancer

Das coisas mais equilibradas que tenho lido por aí. Um sopro de ar puro em meio à pregação religiosa fundamentalista que contamina o debate político e impede a discussão de questões como liberdade de crença e de saúde pública.

A comemorar o comentário final: ''Existe vida no PV pós Marina Silva''. Espero que sim, embora em muitos lugares o partido tenha sido ''assaltado'' pela intolerância neopentecostal. Mas a proposta do presidente do PV/SC é um alento.

cid cancer - mogi das cruzes/sp 

 
 
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Cláudia Stefani

PV reagindo à mistura entre religião e política.

Efeito Marina será?

 
 
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Assis Ribeiro

Esse assunto é loucura. Ninguém que criminalize outrem pode se sentir incólume a criminalização. As pessoas precisam aprender a olharem para o próprio rabo. Se alguém te incomoda, afaste - se se não conseguir entender ou mesmo perdoar como prega o bom censo, inclusive expresso nas escrituras de A a B.

Essa ânsia de esconder seus próprios defeitos ao nominar os defeitos dos outros não serve para a evolução espiritual ou autoconhecimento de ninguém, pelo contrário.

 

Assis Ribeiro

 
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Assis Ribeiro

...senso...

 

Assis Ribeiro

 
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Cláudia Stefani
Re: A espiritualidade laica no PV
 
 
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cid cancer

Nada como o humor pra ir na jugular. Perfeito. Vale uma tese.

cid cancer - mogi das cruzes/sp

 
 
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Gunter Zibell - SP

Muito boa essa charge. O prazer do clérigo nela não se resume a tentar impor comportamentos, mas também há a vaidade de se julgar melhor ao se autoimpor abstinência.

Boa parte dos moralismos tem origem no sacrifício. As pessoas também aceitam que pais e outras pessoas lhes digam que não façam isso ou aquilo, sem questionar muito. Não percebem que deixam de fazer coisas sem nenhum benefício para elas próprias nem para a sociedade e depois ficam aborrecidas consigo mesmas quando os demais não se impõem o mesmo ascetismo, pois isso expõe que os fizeram à toa.

Qual a lógica para castidade ser uma virtude? Amor não feito é amor perdido?

 

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JB Costa

Nunca entendi e nunca entenderei do porquê das religiões monoteístas condenarem tanto assim a sexualidade. Afinal, sexo é VIDA! Sem os apelos ou recompensas contidas no ato sexual não haveria nenhuma espécie de vida animal ou vegetal sobre a face da Terra.

A abstinência sexual é, nesse sentido, uma negação da Vida, o que torna ainda mais paradoxal a sua prática por qualquer religião. Trata-se de um direito natural de todo ser vivo.

O prazer do sexo não pode ser isolado dos outros prazeres da vida. Só porque é mais intenso? E daí? Do mesmo modo, os seus excessos devem ser encarados como inadequados, como são a comilançaa preguiça etc.

O que as religiões apregoam: "olha, poupe teus orgasmos na Terra para desfrutá-los na outra Vida, viu?" Aí recorro a famosa Aposta de Pascal tão à gosto dos Teístas: e se não tiver outra Vida?

Desfrutei nessa semana um documentário inglês(como sempre, os melhores) excelente entitulado Por dentro Mente Medieval. Na parte que toca a  sexualidade tive um choque: pois não é, segundo atestam alguns cronistas do período, que o sexo rolava do mesmo jeitinho que agora? Mesmos sob severa vigilância e promessas de fogo eterno pela Santa Madre, o pessoal mandava ver na suruba, oral, fetiches, cornagns e práticas a afins. Creio que por ser o "Século das Trevas" o escurinho ajudava muito. 

 
 
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Leonardo

Como tudo na ICAR, é questão econômica... Imaginem se abolirem o celibato, a quantidade de esposas e filhos de clérigos tendo que ser sustentados por ela? Por isso que o celibato é obrigatório

 

Quanto à preocupação com a sexualidade dos fiéis, nada mais é que uma distorção do sexo ritualístico (magia sexual e quetais)... Seria como condenar o sexo sem significado, digamos assim (é claro que extremamente distorcido e desvirtuado pela ICAR)...

 
 
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Alan Souza

Só lembrando: nem todas as religiões monoteístas abominam o sexo. Dentro do Cristianismo o Catolicismo impõe o celibato a qualquer um que não seja casado, mas em algumas denominações protestantes já não se condena sexo antes do casamento. A mesma coisa é o celibato para os sacerdotes e similares, no Cristianismo é quase que uma exclusividade do Catolicismo. No Judaísmo e no Islamismo também não há restrição a que rabinos e ulemás se casem e tenham filhos.

E todos sabemos o motivo do Catolicismo de proibir o casamento/procriação aos padres: o costume que os filhos/filhas/esposas dos padres tinham de lançar-se desenfreadamente sobre o patrimônio da Igreja, tão logo os padres morriam... 

 

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Assis Ribeiro

..."Ancorada em dois dos valores que fundamentam a diretriz programática do partido em nível mundial - defesa dos Direitos Humanos e da livre manifestação da espiritualidade,..."

De norte a sul, leste a oeste o PV se afastou destes principios que deveriam nortear a sua conduta. Portanto, será um caminho extremamente árduo. Aliás todos os partidos no brasil se distanciaram das propostas básicas das suas ideologias. S um novo movimento popular será capaz de reconstruir essas ideias. Mas, parece não existir fôlego suficiente para isso.

 

Assis Ribeiro

 
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maumores

É interessante haver essa iniciativa no PV, pois pode se notar claramente um viés religioso e dogmático no discurso e nas idéias de alguns ambientalistas. 

 
 
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Egler

Na Europa existe Partido Verde; aqui existe, em comparação com o de lá, o Pá Virada.

 
 
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Daniel R. S.

Segundo o texto, políticos ficarem com medo de aprovar leis que desagradem seus eleitores... seria uma "ameaça à democriacia". (!?!?!?)

Perigoso esse discurso que tenta criminalizar a participação de certos grupos no debate democrático. Ao contrário do afirmado no texto, nossa Constituição permite, sim, a influência de comunidades religiosas. Elas têm tanto direito de opinar quanto ONGs,  sindicatos, partidos políticos, associações, etc.

 
 
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George A.F. Gessário

A questão é que a maioria confunde Estado Laico com Estado Ateu.

O primeiro pressupõe que o Estado não adota qualquer segmento religioso como oficial, bem como não se submete à nenhuma autoridade religiosa específica em sua gerência. Isso não significa que grupos religiosos, integrantes da sociedade, não possam se organizar e defenderem seus "valores" no Congresso Nacional, em pé de igualdade com os demais grupos que integram a sociedade, isso é não só legítimo como parte vital da Democracia, que é quem dá voz aos diversos grupos e pensamentos da sociedade.

Fossemos um Estado Ateu (por favor, não me encham o saco dizendo que estou ofendendo os ateus, essa é uma terminologia técnica) aí sim teriamos um panorama de exclusão dos religiosos de qualquer representação no Congresso.

Nossa CF adotou o EStado laico, porém não adotou o EStado Ateu, muito pelo contrário, conforme se aufere no preâmbulo da nossa Carta Magna (mesmo esse não tendo força obrigatória) é que nosso Estado é teísta.

 
 
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Gunter Zibell - SP

Se o Estado brasileiro ainda é teísta, não é laico. Seria o caso de pensarmos em uma PEC para remover algumas expressões na Constituição ou substituir por algo realmente laico. Mesmo as pessoas teístas podem se incomodar com coisas como frases no dinheiro ou símbolos religiosos no STF. Um teísta não precisa impor sua convicção ao todo. Ser a maioria da população já é confortável o suficiente, por que parecer proselitista?

 

Tutu, Zapatero, Cristina, Hollande, Obama já deram o recado : não vote em quem não se declarar favorável ao Casamento Gay

 
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George A.F. Gessário

Seu comentário só reforça a confusão entre Estado Laico e Estado Ateu. Já há a separação do Estado da igreja, e como eu disse apesar de ser teísta, o Estado não impõe tal opção a seus cidadãos face o preâmbulo da nossa CF não ter força obrigatória. Estado Laico é um Estado que não adota religião oficial, onde há a separação do governo Civil do Religioso, de forma alguma significa que necessáriamente ele seja ateu. Reforço faz parte do jogo democrático que os grupos que compõem a sociedade tenham voz, inclusive os grupos religiosos.

Quanto essa questão de a maioria impôr sua vontade aos demais, me parece um tanto contraditória, vc prefere o quê que a minoria imponha??? Isso faz parte do jogo democrático, os diversos grupos e segmentos que a compõem sempre estarão tentando ver no Estado o reflexo de seus valores, isso é legítimo e é democrático, desde que a atuação desses grupos se dêem, é lógico, dentro dos ditames de nossa constituição, estatuto, diga-se, eminantemente garantista.

 
 
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Edsonmarcon

 Num estad olaici e democrático, uma maioria não pode impor leis a uma minoria se essas leis forem baseadas na religião da maioria.

 Esado laico é desvinculado da religião, inclusive da religião  da maioria. Pode haver representantes religiosos no congresso, mas eles não podem criar leis baseados nas suas próprias religiões e tentar impô-las a todos.

 

¨Liberdade é a liberdade dos que pensam diferente¨ -- Rosa Luxemburgo

 
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George A.F. Gessário

Toda lei é uma imposição, e desde que não rasgue o texto constitucional essas podem ser editadas baseadas em valores religiosos, humanísticos, ideológicos ou o que quer que seja, não há qualquer mal nisso, esse é o jogo democrático.

 
 
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Edsonmarcon

 Vc confunde democracia com ditadura da maioria, uma confusão comum na direita mais radical.

 

¨Liberdade é a liberdade dos que pensam diferente¨ -- Rosa Luxemburgo

 
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George A.F.Gessário

Essa é a Democracia que temos, e se achar que TODOS os grupos e segmentos da sociedade devem ter representação é anti-democrático, não sei mais o que é democrático, não sei mais o que é pluralismo. O jogo democrático real se resume a grupos tentanto ver refletidas no Estado seus valores, sejam grupos majoritários ou minoritários. Diga-se nem sempre o que quer uma minoria é o melhor para um Estado cito por exemplo que por anos a agenda política brasileira foi dominada por uma minoria que representava a elite econômica desse país enquanto a maioria (classes D e E) sofria por não haver nenhuma ação do Estado para suprir suas necessidades. Se a democracia é mesmo uma ditadura da minoria, creio que o inverso seria e já foi tão ruim quanto.

Só pra frisar, nenhum grupo tanto majoritário quanto minoritário tem poder ilimitado de impôr seus valores à sociedade, visto que suas ações sempre terão como limite e Norte o já estabelecido na nossa Carta Magna. Defendo que todos tenham voz no parlamento segundo sua representatividade na sociedade, diga-se, o Congresso reflete nossa sociedade (ou ao menos deveria), mas a própria CF previne abusos no uso dessa representatividade, por exemplo nenhum grupo religioso pode obrigar o resto dos cidadãos a adotar sua religião, ou até mesmo impôr orientação/opção/condição sexual às pessoas por suas crenças.

Já disse em outro post, mas, dada a sua provocação, repito, tenho aversão tanto ao que se denomina hoje como direita e esquerda, visto que históricamente, sempre que conveniente, governos de ambas as correntes ideológicas avançaram sem pudor sobre liberdades e direitos individuais de diversos cidadão e sempre que conveniente atacaram sem dó a democracia, regime ao qual defendo.

 
 
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JB Costa

Certo. Mas por que continuamos a ver símbolos religiosos nas repartições do Estado(Supremo, Congresso e outras) e obedecendo a feriados sacros? Por que a distinção para com as religiões cristãs? E as demais: judaismo, islamismo, hinduismo, umbanda? 

O nosso laicismo, amigo, é de mentirinha, portanto hipócrita. Até ensino religioso(leia-se cristão)querem enfiar bas escolas. 

 
 
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George A.F.Gessário

A proposta de ensino religioso que se tenta adotar em alguns Estados do País é inconstitucional, isso é nítido e se aprovada provavelmente tende a ter sua inconstitucionalidade declarada. Quanto aos feriados religiosos, esses não são mantidos pela natureza de nosso Estado mas pela formação histórico-cultural dele, são em sua maioria feriados instituídos antes da promulgação da CF, e mantidos mas por questões comerciais que por conta de uma aliança Estado-Igreja.

Quanto aos símbolos religiosos em repartições públicas, geralmente esses são colocados pelos chefes de tal repartição, e como nosso Estado não proíbe NGM de não crer em Deus creio que tbm seja válido que não se proíba funcionários públicos de expressar sua fé, não vejo como isso possa denotar agressão à separação Estado-Igreja, mas admito que é algo ainda em discussão.

 
 
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George A.F. Gessário

Pra quem não conhece, aí vai o prâmbulo da nossa CF:

"Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL."

 
 
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George A.F. Gessário

E aqui o artigo da CF que fundamenta a laicidade do nosso Estado:

 " Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

        I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;

        II - recusar fé aos documentos públicos;

        III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si."

Como se vê nem a cooperação com grupos religiosos é vedada de forma absoluta.

 
 
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Morales

Então, a rigor, o Brasil não é um Estado laico. É um Estado teísta não denominacional.

Laica é a França.

 
 
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George A.F.Gessário

Laico é sim, há uma clara separação entre igreja e Estado, senão bula papal seria lei e o Papa co-presidente, o que não é. Repito, não somos um Estado Ateu, somos um Estado Teísta Laico, onde há a separação entre Estado e igreja mas se permite aos religiosos se organizarem e defenderem o que pensam.

 
 
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Morales

Pelo texto constitucional, o país reconhece a existência da divindade (não fica neutro nesse quesito) e, mais, a define como individual (isto é, define-se, explicitamente, pelo monoteísmo, em detrimento dos cidadãos pagadores de impostos - para usar o jargão liberal-burguês - ateus ou politeístas, agnósticos ou panteístas).

A constituição só não define, especificamente, qual igreja monoteísta é a oficial e proíbe a dependência do Estado em relação a qualquer uma delas e que esse mesmo Estado embarace o culto de uma qualquer igreja.

O Supremo já se pronunciou pela permissão de instâncias estatais exibirem símbolos religiosos (inclusive de denominações particulares) e permite a propaganda pró-religião ao facultar o ensino religioso como útil e de valor para a educação dos cidadãos (colocando a religião em vantagem, com apoio oficial do Estado, em relação à crítica ateia de que a religião é perniciosa).

O Estado brasileiro não se coloca em posição neutra em relação à religião (ou à sua falta). O Estado brasileiro opta pelo (mono)teísmo e garante a liberdade religiosa e a propaganda irreligiosa. A meu ver, está mais para o caso da Grã-Bretanha ou da Suécia do que da França, onde qualquer referência à religião, por parte do Estado, é proibida (mas não se persegue, oficialmente, a religião).

 
 

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