A epidemia de doenças mentais

Não é necessário ser especialista para ver “a olho nu” o que algumas pesquisas, aqui e acolá já constataram: as desordens psíquicas ou psiquiátricas estão em uma reta ascendente, e o que é pior, sem perspectivas de estabilização ou redução. Diante desta realidade, as perguntas que vou fazer a seguir não são de modo algum inéditas, mas precisam ser repetidamente levantadas: Será que estamos mesmo adoecendo mais da nossa psique? Ou será que estamos apenas conseguindo diagnosticar, pelo avanço das ciências médicas e psicológicas, problemas que antes não conseguíamos? Ou será ainda que ampliamos tanto o limite do que é considerado “patológico” que transformamos todos em doentes mentais? 

Diferentemente de outros campos da medicina, a psiquiatria traz consigo uma particularidade, especialmente no que se refere ao diagnóstico, já que grande parte das doenças mentais não é comprovada por exame. Ou seja, mesmo que o sujeito não apresente nenhuma anomalia ou disfunção que possa ser observada em um laboratório de análises clínicas ou de imagem, ainda sim, por um conjunto de sintomas e sinais, ele pode ser diagnosticado como portador de algum transtorno mental. Essa peculiaridade leva a algumas questões éticas que perseguem a psiquiatria desde o seu nascimento: Qual é o limite que distingue a loucura da normalidade? Como fazer esta medição?

Esse incômodo ético é muito bem ilustrado na trágica história de Simão Bacamarte contada, brilhantemente, por Machado de Assis, em “O Alienista”. A história conta que o renomado médico Simão Bacamarte decide se enveredar pelo ramo da psiquiatria iniciando, na Vila de Itaguaí, um estudo sobre a loucura. Bacamarte, em nome da ciência, se dispõe a classificar os moradores da Vila, observando atentamente suas loucuras e medindo seus graus e variações. Na medida em que ia diagnosticando os loucos, Bacamarte decidia por interná-los na Casa Verde, instituição fundada exatamente para este propósito. Mas, conta a história que, imbuído de um criterioso rigor científico, Bacamarte acabou por internar quase toda a população de Itaguaí, inclusive a própria esposa. No final, atormentado por uma dúvida ética que o persegue a partir de um determinado momento do seu estudo, Bacamarte percebe-se como o único sadio, mas sendo por isso, o desviante do padrão, conclui que o correto a fazer seria libertar a todos e se internar na Casa Verde, onde morre solitário alguns meses depois. 

Mas a novela Machadiana - publicada pela primeira vez em 1882 - nos soa mais como uma profecia. O DSM IV – bíblia da psiquiatria americana exportada para o mundo – transforma quase tudo em patologia. Fica praticamente impossível não se identificar com alguns de seus transtornos. Um amigo psiquiatra (daqueles que possuem crítica sobre sua conduta) me disse que se tornou comum diagnosticar a tradicional “pirraça de criança” como TADH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) que, convenhamos, se trata de um nome muito mais pomposo e inteligente para definir e rotular nossas crianças. Sendo assim, a começar por nossas crianças, a vida de agora imita a arte de outrora, estamos gradativamente aumentando o número de portadores de algum transtorno mental e, portanto, passível de algum tipo de tratamento ou medicalização. Só nos resta saber quem vai sobrar com sanidade suficiente para diagnosticar os demais.

Para a psicanálise, entretanto, o sintoma não é simplesmente uma patologia, é também e principalmente, a forma com a qual nos apresentamos para o mundo. Sendo assim, nossos sintomas, os mesmos que às vezes nos atormentam, também falam de nós, de como lidamos com o outro e o mundo que nos cerca. Freud - considerado hoje ultrapassado por muitos psiquiatras e neurocientistas - dizia que os sintomas não deveriam ser silenciados, mas escutados, já que eles, apesar de causadores de sofrimento, também nos trazem algum tipo de satisfação. Clarice Lispector, de maneira mais poética, escreveu algo parecido: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”. 

Mas a psiquiatria que vemos em ascensão, infelizmente, não pensa desta maneira. Curiosamente, na era da defesa irrestrita das chamadas “liberdades individuais”, assistimos uma intolerância sem precedentes a todo o tipo de desvio ao padrão. Enquanto levantamos as bandeiras de uma nova ordem onde todos têm o direito de ser do jeito que bem quiser, contraditoriamente, tememos qualquer tipo de exceção. 

É urgente e necessário, assim como fizeram em certo momento os habitantes da Vila de Itaguaí, nos rebelarmos contra a banalização do diagnóstico psiquiátrico, a medicalização da vida e dos nossos problemas relacionais e cotidianos, sob o risco de nos transformamos numa geração de zumbis dopados e débeis, incapazes de suportar quaisquer frustrações, dores e estranhezas, as mesmas que reafirmam nossa condição de humanos. Deveríamos seguir numa outra direção, tomando como linha de fuga um conselho dado pela Dra Nise da Silveira, psiquiatra brasileira que, na década de 40, iniciou uma revolução no tratamento dos doentes mentais. Dizem que certa vez ela disse à Elke Maravilha o seguinte: “Nunca se cure demais, gente muito curada é gente muito chata.” Nessa mesma linha segue também a ética inaugurada por Freud: é impossível eliminar todos os nossos sintomas sem perder junto com eles, aquilo que representa nosso estilo de ser, aquilo que nos aproxima da obra de arte e nos afasta de sermos mera cópia de um original previamente definido, higienizado, polido e considerado normal.

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39 comentários
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Paulo R N Soares

a industria precisa vender remédios. as pessoas não se permitem mais a tristeza e o luto. todos querem a felicidade numa pílula.

simples assim.

 
 
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Marcia

Não conheço ninguém que  toma  antidepressivos que  seja feliz.

Se tomam é porque  precisam.

Minha mãe jamais  tomou um m anti depressivo , calmante ou remédio para  dormir, no entretanto   todas  as tres irmãs dela  tomam, ou tomou (uma já  faleceu).

 
 
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Renato1

Fora isso, Paulo, a medicina está cada vez mais dependente de aparatos tecnológicos. Um médico quase não toca mais no paciente, muitas vezes preferindo diagnosticar por meio de imagens e números. Esse mesmo doutor quase sempre ignora as condições de vida e mesmo as condições emocionais do paciente, deixando isso para os psicólogos e psiquiatras. Não quero aqui questionar eficácias desses métodos, mas concentrar-se mormente neles me parece uma rota perigosa para a prática médica. Os laboratórios e fabricantes de equipamentos médicos agradecem. Att 

 
 
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Cláudio José

Belo artigo!!

 
 
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João AM

Desculpe, não está relacionado a doenças mentais, mas terei de postar porque é uma notícia muito importante. É de dezembro, mas ainda não está nos grandes portais da mídia e você, Nassif, pode repercutir de forma rápida.

É sobre a cura do câncer, o assunto está borbulhando no Twitter e nas procuras do Google. Olhei as fontes oficiais, é verdade, não é boato! Está no site da Siemens. Postarei o que entendi da história e a fonte oficial.

Fonte: http://www.siemens-foundation.org/en/competition/2011_winners.htm

***

A cura do câncer!

No último 5 de dezembro, a Siemens pagou US$ 100 mil a uma nerd de origem chinesa que venceu sua feira de ciência, nos EUA, com um projeto de produção de um polímero que gruda apenas em células cancerosas e pode liberar diversos tipos de drogas após uma irradiação em infravermelho. A molécula têm metais em sua composição que permitem criar uma imagem precisa das células em uma ressonância magnética e não afeta as células normais.

Ela ainda não entrou na universidade, tem apenas 17 anos, mas participa de um projeto pioneiro em Stanford e é orientada por um doutor também chinês. Já ganhou diversos prêmios científicos nessa área e estudou mais de mil horas sob orientação pra desenvolver a partícula.

O tratamento teve 100% de sucesso em ratos. Não só isso, outras substâncias parecidas podem ser criadas para encontrar outros tipos de células no futuro e tratar as mais variadas doenças.Seu orientador acredita que o tratamento começará a ser testado em humanos em 20 anos.

***

A notícia já é antiga, 2 meses, mas está sendo encoberta pela mídia.

 
 
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José Antônio Araújo

Rita:

Gostei muito do seu escrito e concordo com ele. O DSM IV fez a festa da indústria farmacêutica, mas para gáudio desta, vem aí o DSM V...

Um abraço,

 

José Antônio

 
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Alexandre Weber - Santos -SP

Uma coisa é certa, os juros pornográficos praticados no Brasil são uma coisa de louco.

 

Análise de Custo do Crédito

 

09 de fevereiro de 2012

 

O Departamento de Economia (Depecon) da FIESP elaborou um estudo comparativo das taxas de  juros aplicadas pelos grandes bancos de varejo no Brasil, com o intuito de auxiliar os industriais e a sociedade a negociar  as melhores condições para suas operações de crédito.

 

 Além disso, o estudo vai ao Custo de Crédito do Brasil toma como base os dados médios do Banco Central sobre financiamento de capital de giro e crédito pessoal. Deste modo, é possível que empresas maiores e com risco baixo consigam taxas menores do que empresas com alto grau de risco.

 

 Semana: de 23/1/2012 a 27/1/2012 Pessoa Física – Crédito Pessoal 

 

Nesta semana, as taxas de juros aplicadas para o Crédito Pessoal prefixado, foram em encontro dos esforços da entidade na busca pela redução do custo do capital. Atualizado semanalmente, o média de 53,3% ao ano nos principais bancos do país. Considerando a média móvel das últimas quatro semanas, os juros para  essa modalidade de crédito caí-ram de  59,6% a.a. para 58,4% a.a. nas quatro semanas encerradas no dia 27 de janeiro. Entre os dias 23 e 27 de janeiro, os bancos públicos tiveram taxas menores que os priva-dos. A média da semana em análise foi de 34,1% a.a., contra 63,8% a.a. dos bancos pri-vados.

 

 A Caixa Econômica Federal teve, entre os principais bancos, a menor taxa (33,1% a.a.), seguido pelo Banco do Brasil (35,1% a.a.).

 

 Entre os bancos privados, o Santander fechou a semana com uma taxa de juros de 48,5% a.a., o Itaú- Unibanco de 64,8% a.a., HSBC de 65,7% a.a. e o Bradesco de 77,5%. Pessoa Jurídica –

 

 Capital de Giro 

 

Na semana compreendida entre 23/01/2012 e 27/01/2012, a média das taxas de juros dos principais bancos do país para a linha de crédito de Capital de Giro prefixada ficou em 28,7% ao ano, aumentando a taxa média móvel cobrada na quadrissemana encerrada no dia 20 de janeiro de 29,9% a.a. para 30,4% a.a.

 

 Os bancos públicos apresentaram média de 29,7% a.a. nesta semana. A Caixa Econômi-ca Federal aplicou juros de 24,0% a.a. e o Banco do Brasil de 22,3% a.a. 

 

Já os bancos privados fecharam a semana com juros em torno de 30,7% a.a. Entre as instituições analisadas, destacaram-se com as menores taxas o Santander (26,4% a.a.) e o Itaú-Unibanco (27,6% a.a.) seguidos por Bradesco (33,7% a.a.) e HSBC (38,6% a.a.). Quanto ao spread bancário dessa modalidade de crédito, a média foi de 16,1%  a.a. na última semana, inferior à média quadrissemanal (17,7% a.a.).

 

 Os bancos públicos registraram taxas de 17,1% a.a, 2 valor menor que o atingido pela média quadrissemanal (18,8% a.a.). A Caixa Econômica Federal registrou, na semana em análise, spread de 11,9% a.a. Já o Banco do Brasil obteve spread de 10,3% a.a. Os bancos privados por sua vez, tiveram média de  18,0% a.a., contra média de 19,5% a.a. da semana anterior. Em ordem crescente, os principais bancos registraram as seguintes taxas: Santander (14,0% a.a.);  Itaú- Unibanco (15,1% a.a.); Bradesco (20,7%) e HSBC (25,2% a.a.).

 

 Agenda para discussão:

 

  A  diminuição do  spread bancário passa pela resolução de vários pontos importantes. Dentre eles podem ser citados:

 

 1) redução drástica das alíquotas dos recolhimentos compulsórios feitos pelo BC;

 2) redução da tributação das intermediações financeiras;

 3) cadastro positivo;

 4) redução da Taxa Selic;

 5) redução dos intervalos das reuniões do Copom; 

 6) ampliação do número de membros do Conselho Monetário Nacional

 

 

Follow the money, follow the power.

 
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antonio francisco

Pura verdade!

Dado preocupante, a meu ver, é a transformação da saúde em "negócio", o que a faz carecer cada vez mais de doenças para se sustentar.  Tomando como exemplo o TADH, fico imaginando quantos milhões de reais passaram a entrar nos cofres das indústrias farmacêuticas depois que foi criada essa categoria de transtorno.

 
 
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O Escritor

Você é tímido? Pois saiba que é um doente mental. E o nome da sua doença é tão feio quanto a sua condição: "transtorno de personalidade esquiva".

Seu filhinho vive contestando suas ordens? Sinto muito, ele também é um doente mental (sofre do perigoso "transtorno desafiador opositivo").

Você passa muito tempo na internet? Tsk, tsk... É um doente mental, também. Vá tratar logo de seu "transtorno de dependência da internet".

Conhece alguém que ficou deprimido após a morte de um ente querido? Cuidado, essa pessoa é doente mental. Sofre de "transtorno depressivo maior". Maior?!

E aquele seu parente, que passa por uma fase de profunda falta de motivação? Saiba que ele sofre da "síndrome da apatia". Fique tranquilo: não é contagiosa, mas é doença (mental). 

Você não se enquadra em nenhuma dessas terríveis categorias acima? Não fique triste por não fazer parte de uma turma tão grande e prendada, pois vem aí o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição). Certamente haverá alguma doençazinha mental para você.

Afinal, o "Censo de 1840 nos EUA incluiu somente uma categoria para doença mental, mas por volta de 1917 a APA já havia reconhecido 59 [doenças mentais]. Esse número subiu para 128 em 1959, para 227 em 1980, e novamente para cerca de 350 transtornos nas revisões apressadas do DSM em 1994 e 2000."

Sabe lá quantas novas doenças mentais conheceremos na quinta edição da Bíblia da Psiquiatria... De edição em edição, um dia os 7 bilhões de habitantes da Terra poderão dizer, orgulhosamente: "Eu sou, mas quem não é?"

Detalhe: considerar que todo comportamento humano é sintoma de doença mental, a qual exige intervenção psiquiátrica, medicação especializada e discriminação social, *não* é uma doença mental para o DSM-5. E provavelmente não o será nas próximas edições.

Loucos, é claro, são sempre os outros. 

http://health.yahoo.net/news/s/nm/shyness-an-illness-in-dangerous-health-book-experts

http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(08)60470-5/fulltext

 
 
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desse jeito ninguem escapa....óh céus.......óh vida.......tá todo mundo loko....oba......

 

Fatos que gostaria de testemunhar antes de morrer: 1-político bandido, preso; 2-juiz, promotor, procurador bandido, preso 3-Corinthians, campeão da Libertadores.....

 
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fog

Felicidade, de Luis Tatit, também é doença...

 
 
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fog

Aí vai o video:

 
 
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ritalmeida

é isso!!! tudo virou uma doença passível de ser medicada...Itaguaí é aqui!!

Rita

 
 
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Jaime

Texto excelente. Assunto importante.

 
 
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Emilio GF

Já que a antipsiquiatria é consenso aqui no blog e antes que alguém bote um vídeo do Pink Floyd - The Wall, algumas perguntas que gostaria ver respondidas:

1. Você prefere ser diagnosticado com depressão ou ser chamado de preguiçoso, vagabundo, que nem banho toma?

2. Você gostaria de sair da ABD com um diagnóstico de dislexia ou ser classificado como burro, analfabeto e  desleixado que escreve com garranchos.

3. Prefere ser tratado como portador de Tourette ou ser mandado para um padre te fazer um exorcismo?

4. É melhor ser chamado de Asperger (tem até o carinhoso aspie, em inglês) ou que te digam pelas costas que é esquisito, metido, ególatra, insuportavelmente prolixo e um sujeito falso, que não olha nos olhos das pessoas?

5. Crê que é melhor pensar que tem síndrome do medo ou julgar a si mesmo um  covardão, que não sai de casa e vive com medo do mundo?

6. É melhor reconhecer que tem DHA ou que é um irresponsável que não consegue se concentrar nos seus estudos ou trabalho?

Eu sofro de 1, 2 e 4 e afirmo que prefiro ser classificado como doente. Todas as classificações pejorativas que citei nesses ítens, são fruto de experiência pessoal. Sobre as outras, conheço por relatos de terceiros ou leituras.

Mas as ciências da psiquiatria e da psicologia me ajudaram a compreender minhas limitações e minhas qualidades - também as há!

Hoje, faço dieta e tomo antidepressivos. Melhorei muito e estou agradecido.

 
 
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alfredo machado

Caro Emílio GF:


Concordo contigo, vejo um exagero prá rotular as pessoas, é interpretação de leigos prá todos os lados.


Se o sujeito sai fora do script da época, lá vem a chuva de classificações pejorativas prá cima dele. Quando ocorre de a pessoa ter baixa auto-estima, pronto, os rótulos turbinam o fulano em direção à depressão, a sentir um ET, etc..., (não sei as classificações corretas para cada caso, como você, e nunca me preocupei por aprender este vocabulário que não tem fim).


Na minha experiência com a psiquiatria, ainda nos meus vinte anos, com profissional realmente excelente, só não gostei do excesso de remédios, o motivo principal por nunca mais ter procurado um terapeuta deste tipo.


Acredito que todos devam fazer terapia, um bom modo para melhor exercer a indispensável autocrítica, se conhecer um pouco melhor, mas sei que muitos discordam deste meu ponto de vista.


Os exemplos que você dá são muito pertinentes – não sabia que podem dizer que tenho síndrome do medo, pois mudei completamente e raramente saio de casa, só que não é por medo do mundo (efetivamente perigoso, por onde vivo), mas prá não ter que olhar aquela enorme quantidade de imbecis (no meu ponto de vista) andando desgovernada pelas ruas rsrs. Minha mulher já é o contrário, acha quase todos maravilhosos, consegue conversar durante horas com verdadeiros boçais, ou seja, cada um enxerga o cotidiano de uma maneira.    


E sobre os sintomas desta praga chamada depressão, são cada vez mais frequentes, e motivos para aquelas reações momentâneas é que não faltam, razão da festa $$$ de alguns terapeutas, pois um “baixa auto-estima de carteirinha” na mão de um profissional pela metade, malandro, coitado do sujeito.


Um abraço   

 
 
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cariry

"Já que a antipsiquiatria é consenso aqui no blog"

Muito bom teu comentário. É um contraponto -- mas não excludente -- ao post.

Mas antipsiquiatria não é consenso aqui no blog. Talvez seja ironia tua, mas não me agradaria nadinha frequentar um "blog de antipsiquiatria consensual". E a riqueza do blog é melhor explicitada contrapondo cuidadosamente -- sem exclusão mútua -- o post e teu comentário.

 

(Penso, logo insisto!  

não durmo, conecto...

quero de volta o Rivotril!)

 

"Seja realista: exija o impossível"

 
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José Calazans Ribas Neto

Interessante.....ser ético e honesto são loucuras......., ser corporativista é normal!


Conclui-se que ser normal é loucura...........Deus ajude a humanidade enlouquecer! 

 
 
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DanielQuireza

O texto é interessante.

Provavelmente ocorrem as duas coisas: aumentos de diagnósticos de doenças (acredito que isso vem ocorrendo em todas as áreas da medicina) e aumento de doenças mesmo, pelas pressões do dia-a-dia.

Essa estória de banalização das doenças pode ser verdadeira mas tem que haver um meio termo. Já que também é muito bom que a medicina avance e muitas doenças ou problemas sejam diagnosticados e tratados. Também não sou nada da área e não sei até que ponto essa banalização tenha chegado.

 

@DanielQuireza

 
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Selma1

Que comentário pertinente! Duas observações: Quando eu era criança (ah! não peça-me datas, patologia moderna) as crianças respondonas eram levadas a um centro espírita e era comum serem diagnosticadas  como uma pessoa que precisava se desenvolver, ou frequentar o terreiro de umbanda. E aí éramos criados entre católicos/espíritas. Hoje dão ritalina e, em alguns casos, igreja evangélica. Atualmente, fico muito intrigada quando ouço alguém dizer que fulano não funciona bem da cabeça porque fala muito, fala pouco, ri muito, não dá risada, reivindica, não reclama de nada. Que dizer: ninguém é normal. Mas o que é ser normal? Estarei eu fadada à ir para a Casa Verde porque não sei a resposta?

 
 
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ralph danisa

Muito bom o texto, desde que não haja na família alguém com "estupor melancólico" em que a gravidade da depressão não deixa a pessoa nem mesmo sair da cama pra se alimentar. 

 
 
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motoboy

loucos são apenas aquêles que rasgam dinheiro. o résto é fricóte.

 
 
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Cafezá

Texto excelente. Andei procurando uma vez, mas não encontrei em nenhuma lista de doenças mentais, a enorme coceira pelo consumo. Também conheço uma porção de pessoas que passam 25 horas por dia preocupadas em angariar mais e mais bens valiosos e propriedades mil. Esses seres obcecados pela matéria são capazes de esfolar e matar para conseguir o objeto almejado. Não estou falando de cleptomaníacos, mas daqueles em cujo cérebro nasce chifrões (cifrões) enormes, prontos para a furar a barriga de quem se interpuser em seus caminhos rumo ao money. Para esse tipo de gente, quaisquer pessoas com as quais convivam não passam de degraus para pisar e subir rumo ao alto da montanha de ouro. Aliás, são pessoas socialmente reluzentes, como se o ouro que juntaram as tivesse pintado de dourado. Ao redor delas, grupos de pessoas que têm a mesma patologia se unem rumo aos objetivos em comum. Contudo, assim como o ouro, que é garimpado no barro, se um jato d'água é lançado sobre os obcecados d'ouro, eles se transformam e mostram a essência de que são feitos, montes e montes de barro fermentado a escorrer por todos os cantos. 

Pergunto, então, à autora do texto se ela tem conhecimento sobre os avanços da psiquiatria no concernente a pílulas medicamentosas que aliviem os afectados pelo transtorno do barro doirado. E se ela própria já curou pessoas portadoras deste mal e como estava e se sentiu ao fim do tratamento. 

 
 
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cldamasceno

Achei o texto sedutor, que confunde ao induzir a conclusões extremas. Não duvido que existam doenças mentais. Nem também que seu número tende a aumentar em uma sociedade que leva aos extertores o comportamento individualista e hedonista. Que massacra ao reduzir a vida de muita gente a um simulacro. Aliás, se as pessoas não adoecessem nas circunstâncias atuais, isso talvez fosse mais preocupante. Mas também, é lógico que a indústria farmacêutica se aproveita dessa situação e busca obter maximização de seus lucros. O cuidado que o texto precisaria ter é o de, ao buscar combater a banalização do diagnóstico psiquiátrico, não generalizar ao ponto de estigmatizar a psicanálise e a psiquiatria.

 

Claudionor Damasceno

 
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peregrino

Assim que troquei a televisão por livros, parei com os remédios e melhorei maravilhas

 
 
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will

toda metrópole parece gotham city

neurose, histeria, desânimo, etc. o ocidente inventou uma sociedade artificial, a sociedade atual não é da natureza. pouco integrada com a racionalidade humana e tudo a ver com a vaidade irracional

 
 
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Ricardo Silva Pinto

Excelente muito claro, muito lúcido!

 
 
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Burice pode ser doença genética mineira?

1] SEM HABILIDADE COM NÚMEROS, Junia Oliveira, O Estado de Minas, 08/06/2010

 


Fonte: http://wwo.uai.com.br/EM/html/sessao_18/2010/06/08/interna_noticia,id_sessao=18&id_noticia=141062/interna_noticia.shtml


 


Consta em relatos disto em:                    


http://www.exkola.com.br/scripts/noticia.php?id=34579041


http://blog.opovo.com.br/educacao/sem-habilidade-com-numeros/


http://isaude.net/z9h8, europsicologia e genética decrifram causas e


consequências da discalculia,  Saúde Pública


http://vghaase.blogspot.com/, acesso,  ag/10


- http://discalculialnd.blogspot.com/,   acesso,  ag/10


- Decifrando uma incógnita, www.ufmg.br/boletim/bol1698/4.shtml,  acesso,  ag/10


- Pesquisa dos Laboratórios de Neuropsicologia e de Genética da UFMG pode ajudar a desvendar causas e consequências da discalculia, 7 de junho de 2010


http://www.ufmg.br/online/arquivos/015678.shtml


- Neuropsicologia e genética decrifram causas e consequências da discalculia,


ISaúde.Net, Saúde Pública, http://isaude.net/z9h8, acesso ag/10


 


[2] Doença que dificulta aprendizado de matemática é alvo de especialistas


 


http://saude.ig.com.br/minhasaude/doenca+que+dificulta+aprendizado+de+matematica+e+alvo+de+especialistas/n1597074737032.html


 


 

 
 
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É fáicl saber

ALGUMAS LOUCURAS NO ENSINO DA MATEMÁTICA NO BRASIL


 


Uma propriedade universal de toda tragédia é absorver quem descuidadamente desta se aproxime. Dimensionar o trágico que envolve o ensino da matemática no Brasil é, antes de qualquer coisa, mergulhar numa imensa legião de reprovados, catalogar infindáveis histórias de fracassos, assistir jovens dominados por dogmas e ouvir muito, muito, silêncio.  


 


O desesperador é que ainda não se sabe, e nem vislumbre há, como se produz desenvolvimento científico e tecnológico – tradução: emprego para um significativo contingente populacional - sem uma base social sólida em matemática. E a razão é simplória: o que estamos chamando disto são processos que se compõem e se impregnam de racionalidades matemáticas. Assim, celular é uma definição, teclas básicas são axiomas, ligar/atender são proposições, passar mensagem de texto/navegar na internet são teoremas básicos e tirar foto um teorema avançado Os dados educacionais do nível da aprendizagem em matemática, se verdadeiros, indicam que próximo de 70% da população brasileira com nível de ensino médio, não vai além das proposições iniciais desta tecnologia. Até compra, mas não usufruiu todo potencial desta de fato!


 


 No contexto, enquanto espero ônibus para ir ao trabalho, são raros os dias em que, pelo menos uma ¨cegonheira¨ lotada de carros novos, não esteja chegando aqui/Belém-Pa. Sem dúvida, seria mais prático trazer tais peças em grandes aeronaves para aqui montar/encaixar. Só que isto exige, para começar, haver sido desenvolvido no social, através da ação escolar,  algumas habilidades e competências básicas. No entanto, ante os dados educacionais, se tomados por verdadeiros, indicando que a maioria baba e treme ante uma simples raiz quadrada, é perigoso colocar um paquímetro digital, aparelho que integra o processo de montagem, nas mãos destes.


 


Só que há um absurdo em tudo isto. Basta reunir qualquer grupo de crianças que não se ver nada, um traço sequer, de algo que possa caracterizar uma espécie ¨burrice congênita¨. Pelo contrário, são criativas e curiosas, que é o básico no aprender. E, os poucos que chegam na universidade, muitos já estão quebrados, moídos, destroçados, alguns apenas por meses e outros por muitos anos, de pedantismo do ensino da matemática. Também pudera. Alguns ¨estudaram¨ em livros didáticos comprados pelo MEC, no qual o número sete é ilustrado com um gatinho sendo jogado do sétimo andar.  Além de aberrações, tais como: para fazer uma simples subtração entre 8,5 milhões e 4 milhões de quilômetros quadrados, precisam conceber separar o Brasil da Amazônia.


 


 Se os esforços de todos nós na universidade só fossem na direção de recuperar tal tragédia, já teríamos uma longa e penosa caminhada. No entanto, muitos vão ao contrário e o requerido, sinto ser, apenas exceções. É óbvio: o ensino da matemática no fundamental e médio é apenas subproduto da formação propiciada na universidade. E a comprovação mais cristalina ainda: o nível de diplomação, tanto em graduação e quanto em pós, dos docentes de matemática da rede pública nacional cresceu espantosamente na última década, mas os indicadores educacionais não mexerem além de décimos, sendo que, em alguns casos, para menos ainda.


 


Numa turma na universidade e de não mais que de vinte alunos, todos se informaram do fato de um louco, em setembro de 2006, ter atirado em estudantes canadenses, no Dawson College. Os questionei no sentido de identificarem qual era a tragédia maior de todas elas estampadas na notícia, já que loucura não é explicável, mas apenas relatada. Ninguém soube que era esta:  ”O Dawson College é um estabelecimento de ensino pré-universitária, freqüentado  por cerca de dez mil estudantes, com idades compreendidas entre os 16 e os 20 anos” . E, por quê? Pelo fato da maioria de nós, no trajeto lar/universidade, cruzarmos com no mínimo quatro prédios escritos em cima “Escola pública do Ensino Médio”. Algumas, se não fosse o letreiro, nem diferenciaríamos do boteco ao lado. Todas, em termos de estrutura física, não passam de paredes. Uma vergonha, se pelo menos esta já tivéssemos construído na educação nacional.


 


 A quantidade não passa de uma forma perversa de divisão. Por vezes, e literalmente, se digladiam (se degradam) grupos de ¨escolas¨ públicas de nomes diferentes. Enquanto isto, verdadeiros tratores, para quem pode pagar, óbvio, esmagam a todos e despejam por cima dos murros das universidades públicas suas ¨feras¨, cujo sentido deste temo é o dado nas propagandas dos pré-vestibulares brasileiros, já que fica visível que são inocentes nesta história.  Quanto ¨dão um tempo¨ na briga e fazem carreira para entrarem na universidade pública, a maioria bate com a cara no muro ao virarem zeros na primeira questão dita de matemática.


 


O tempo que perderam até brigando, poderia ter sido gasto, como fizeram alguns, para aprender truques como: saber que se na prova estiver escrito ¨calcule os ângulos Intervalos¨ de fato leia-se ¨calcule os ângulos Internos¨; se perguntaram ¨quanto precisa para pagar¨, leia-se ¨quando precisa exatamente para pagar ¨, posto que, este é um caso em que até quem tem mais que o devido fica impedido de pagar sua dívida; se o texto fala em função linear e esta gera incongruência, use função afim que é mais geral, pois, este é um caso especial quando o que abunda ajuda; se, para indicar a resposta que querem como certa, você precisa supor que um automóvel passou por centenas de postos de gasolina e não se reabasteceu, então este não se reabasteceu; sendo o escrito ¨alguns¨ e você precisa de todos, eis um caso em que ¨alguns¨ é sempre igual a ¨todos¨.


 


 Até mesmo poderiam se pós-graduar em ¨retroengenharia¨ com um treino simples, tais como: se a prova é de marcar, teste os itens dados, pelo fato óbvio: a resposta que querem tem que ser uma das possíveis respostas que deram; estude até a exaustão questões que já ¨caíram¨ ; se, sem nenhuma conta, você pensou qual item marcar e rigorosamente, usando matemática ¨pura¨, você não sabe, esqueça-o e marque qualquer outro. Enquanto isto, em algumas salas de aula na nossa universidade pública, uma boa quantidade de cadeira descansa.


 


Que sou louco, até já quiseram provar e jogam ¨pedras¨ em mim todo dia, na esperança que me agache para ¨pegar¨ alguma. Tenho parecer de processo público assinado por professores doutores de matemática da USP dizendo que onde aparece escrito  ¨Ângulos Intervalos¨, prova do vestibular/99 da UFPA, qualquer um sabe que se trata de ¨ Ângulos Internos¨, etc. Enquanto isto, jovens de escolas pública deste país, delinearam ante tal prova que ¨ângulos Intervalos¨ se tratava até de um novo conceito inventado pelos ¨papas¨ da matemática do Brasil.  


 


A reportagem ¨A Matemática Atraente¨, de Camila Antunes e Marcos Todeschini, na Veja de 14/03/2007, é um retrato brilhante da tragédia. Tudo que já dissemos, esta diz ou ilustra. O medalhista fields, o russo Andrei Okounkov,  expõe o cerne de tudo quando diz ¨Os matemáticos buscam argumentos que em poucas páginas estabelecem verdades definitivas.¨ Pois é, só há uma coisa definitiva no pensamento humano: dogma. Por tal concepção não cabe mostrar uma construção do pensamento que indique ser o fato matemático conseqüência, mas apenas impor que é pelo fato deste entender ser assim, até por terem feito o mesmo com este,  e excluir todo e qualquer que não tiver fé no dito,  não seguindo os mesmos rituais.


 


Assim, dogmatiza-se nas primeiras lições que um mais um é sempre dois, e nem adianta esta olhar por lado e ¨ver¨ uma gota d’ água caindo sobre outra. Rigidamente dogmatizado, agora cursando computação, ao lhe ser dito pela primeira vez que há uma álgebra, tão boa quanto qualquer outra, na qual um mais um é zero, finge que acredita, segue até todo rito obrigatório ( não aborrecer um louco sempre há de ser prudente), passa, mas, no âmago, não concebe fundamento para tal. O resultado, da forma como foi construída e operacionalizada a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas pública, tema da reportagem, foi, assim vejo por alguns itens que estudei e fatos que pesquisei, fruto em grande parte disto. Produzi um Dossiê que consta publicamente disponível na nossa página, quando funciona, e denunciei publicamente junto ao MCT, através da Comissão de Ética, a qual não se viu em condições de providenciar nada. O mesmo documento foi enviado para diversos órgãos públicos do setor e imprensa em geral. Não registro ter ocorrido nada de significativo, fora represálias, financeiras para começar, contra minha pessoa. 


 


Na reportagem da VEJA, há um conjunto de 06 quesitos, ditos de matemática, para que o leitor teste seus conhecimentos. Este exemplifica fielmente o que na média acontece nas avaliações, ditas de matemática, de larga escala realizadas no Brasil ( Vestibulares, SAEB, PISA e outras). No todo este consegue avaliar muitas coisas, o menos é conhecimento matemático, posto que, uma é errada (04) e outra de formulação duvidosa (05), o que perfaz em mais de 30% matematicamente imprestável. Caso tivesse 120 mil inscrito no vestibular e apenas 5 mil vagas, colocaria estas duas no inicio da prova e ¨quebrava¨ logo a cara da metade destes, das escolas públicas especialmente. 


 


Ambas, assim como quase todas, são passivas de ser ¨corretamente¨ respondidas sem que nada se sabia dos fundamentos da matemática. Donde perderá tempo quem tentar por estes. O que obviamente não se aprende na escola pública, já que o docente desta só ganha o suficiente para tratar um pouco da matemática formal. Este não tem tempo e/ou nem recursos, e a imensa maioria dos sistemas de vestibulares nem publicam oficialmente que resoluções esperam de cada item logo após suas provas, para ¨escutarem¨  as últimas ¨novidades¨ que os sistemas estão produzindo.


 


A solução do quesito 04  -  ¨Um bebê recém-nascido dorme em um dia o mesmo número de horas que sua mãe dorme durante uma semana. Quantas horas de sono o bebê e a mãe têm, respectivamente, por dia?¨   Dizem ser simples: se X é o número de horas por dia que o bebê dorme e Y o mesmo da mãe, do problema  X = 7Y. Juntamente com o fato de X + Y = 24, temos um sistema de duas equações e duas incógnitas, uma moleza!  Quem foi que disse que a mãe dorme todo dia exatamente o mesmo número de horas? Você não sabe que dormir irregularmente, principalmente na fase de amamentação, não é saudável?  De onde veio à outra equação? ¨Claro e simples¨: enquanto a mãe dorme o bebê fica acordado e vice-versa. Você não sabia disto? Além disso, este problema já apareceu assim dúzias de vezes por ai e ninguém nunca disse nada, não é possível que esteja errado. E, tem que ser assim, já que produz uma das respostas possíveis.


 


 No 05, pretensamente se quer avaliar se o candidato sabe comparar números fracionários. Para tanto informam ter afirmado um geólogo haver uma probabilidade de 2 para 3 de ocorrência de um terremoto. Como probabilidade é, incrível não!, um fato provável, e sendo dois dos itens respostas, de um total  de três possíveis, a) e c),   afirmações categóricas, o único item possivelmente certo é b). Como deve ter algum certo, este é o certo. Agora, quem ainda vai relembrar dos conceitos básicos de fração e probabilidade... perdeu tempo.


 


Poderíamos continuar enchendo centenas de páginas narrando loucuras, que é um ledo engano supor que só atingem o ensino fundamental e médio. Enquanto isto, todos dormem em berço esplendido. Literalmente na esplanada. Nenhum estudo sério, nenhuma construção de parâmetros, nem moralidade sensível há no sistema, como um todo, claro! Até pelos abnegados que estão, até sem trocadilho, se matando para ensinar um pouco de matemática. Digo tudo isto, não por ter alguma moral além de qualquer outro. Grito unicamente pelo silêncio mordaz que se faz ante tal tragédia, deixando que tudo recaia no único inocente que há: nossas crianças. Ou melhor: o futuro do Brasil.


 


Para concluir, consta nas bancas, encarte de revista nacional, a última novidade em proposta para o ensino de matemática nas séries iniciais, em que uma destas é fazer um passeio pelo bairro com as crianças para que estas vejam os números das casas. E, o mais triste disto, é sabemos que seria uma imensa alegria para maioria das nossas crianças, ante o que acontece na boa parte  das suas salas nas aulas ditas de matemática. E, ainda, deixo claro que os meus erros são meus, e são muitos, e nunca os cometi para proteger facções quaisquer, prejudicar meus alunos ou milhares de jovens nos vestibulares e até promover uma visão social torpe da matemática.    

 
 
imagem de ralph danisa
ralph danisa

Que lindo essa visão romantica da doença mental como se todos fossem "loucos felizes super criativos".

Será que o autor tem algum deprimido em casa quase parando, sem vontade até pra se alimentar?

Será que o autor tem algum esquizofrênico em casa acostumado a quebrar tudo e a bater nos familiares?

Posso colocar esses indivíduos aí na sua casa Sra Rita de Cássia?

 
 

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