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A entrevista de Dilma ao ValorEnviado por luisnassif, qui, 17/03/2011 - 11:30Do Valor Dilma vai adotar regime de concessão para aeroportos Claudia Safatle | De Brasília A presidente Dilma Rousseff anunciou que vai abrir os aeroportos do país ao regime de concessões para exploração do setor privado. Disse, também, que é preciso acabar com o incentivo fiscal dado por vários Estados que reduziram para apenas 3% a alíquota do ICMS para bens importados que chegam ao país por seus portos. "Estão entrando no Brasil produtos importados com o ICMS lá embaixo. É uma guerra fiscal que detona toda a cadeia produtiva daquele setor", comentou a presidente, citando proposta de projeto de lei que já se encontra no Senado para acabar com essa distorção. Dilma já definiu as propostas que enviará ao Congresso ainda neste semestre: a criação do Programa Nacional de Ensino Técnico (Pronatec) e do Programa de Erradicação da Pobreza, além de medidas específicas que alteram alguns tributos (e não uma proposta de reforma tributária). Ela admitiu, também, concluir a regulamentação da reforma da previdência do servidor público, com a aprovação da proposta que institui os fundos de pensão complementar. "Mas não vamos tirar direitos do trabalhador, não", assegurou. Em entrevista ao Valor, a primeira concedida a um jornal brasileiro, a presidente adiantou: "Agora nós estamos nos preparando para fazer uma forte intervenção nos aeroportos. Vamos fazer concessões, aceitar investimentos da iniciativa privada que sejam adequados aos planos de expansão necessários. Não temos preconceito contra nenhuma forma de expansão do investimento nessa área, como não tivemos nas rodovias." Até o fim do mês ela deve enviar ao Congresso a medida provisória que cria a Secretaria de Aviação Civil com status de ministério, que agregará a Anac, a Infraero e toda a estrutura para fazer a política de aviação. Diante da falta de mão de obra tecnicamente qualificada para atender à demanda de uma economia que cresce, o governo está concluindo o desenho do Pronatec, programa de pretende garantir que o ensino médio tenha um componente complementar profissionalizante. Promessa de campanha, o projeto de erradicação da pobreza terá como meta retirar o máximo possível dos 19 milhões de brasileiros da situação de miséria que ainda se encontram.Desta vez, porém, o programa virá acompanhado de portas de saída, disse. A erradicação da pobreza usará o instrumental reformulado do Bolsa Família e terá tanto no Pronatec, quanto nos mecanismos do microcrédito e de novos incentivo à agricultura familiar, as portas de saída da mera assistência social. "Estamos passando as tropas em revista e mudando muita coisa", comentou a presidente. Nada disso, porém, prescinde do crescimento da economia. A seguir, a entrevista: Valor: Qual o impacto do desastre no Japão sobre a economia mundial e sobre o Brasil? Dilma Rousseff: Primeiro, acho que ficamos todos muito impactados. A comunicação global em tempo real cria em nós uma sensação como se o terremoto seguido do tsunami estivessem na porta de nossas casas. Nunca vi ondas daquele tamanho, aquele barco girando no redemoinho, a quantidade de carros que pareciam de brinquedo! Inexoravelmente, a comunicação faz com que você se coloque no lugar das pessoas! Essa é a primeira reação humana. Acredito, numa reflexão mais fria depois do evento, se é que podemos chamar alguma coisa de fria no Japão, acho que um dos efeitos será sobre o petróleo. Valor: Aumento de preço? Dilma: Vai ampliar muito a demanda de petróleo ou de gás para substituir a energia nuclear. Pelo que li, 40% da energia de base do Japão é nuclear. Os substitutos mais rápidos e efetivos são o gás natural ou petróleo. Acredito que esse será um impacto imediato. Nós sempre esquecemos da diferença substantiva entre nós e os outros países. Valor: Qual? Dilma: Água. Nesse aspecto somos um país abençoado. Não tenho ideia de qual vai ser a política de substituição de energia. Não sei como a Alemanha, por exemplo, vai fazer. Os Estados Unidos já declararam que não vão interromper o programa nuclear. Nós não temos a mesma dependência. Temos um elenco de alternativas que os outros países não têm. A Europa já usou todo o seu potencial hídrico. Energia é algo que define o ritmo de crescimento dos países e o Brasil tem na energia uma diferença estratégica e competitiva. Valor: E tem o pré-sal. O governo poderia acelerar o programa de exploração? Dilma: Não. Vamos seguir num ritmo que não transforma o petróleo em uma maldição. Queremos ter uma indústria de petróleo, desenvolver pesquisas, produzir bens e serviços e exportar para o mundo. Não podemos apostar em ganhos fáceis. Temos que apostar que o pré-sal é um passaporte para o futuro. Não vamos explorar para usar, mas para exportar. Queremos nossa matriz energética limpa e queremos, também, ter ganhos na cadeia industrial do petróleo. Esse é um país continental com uma indústria sofisticada e uma das maiores democracias do mundo. Não somos um paisinho. Valor: A sra. acha que a tragédia no Japão vai atrasar a recuperação da economia mundial? Dilma: Acredito que atrasa um pouco, mas também tem um efeito recuperador, de reconstrução. O Japão vai ter que ser reconstruído. É impressionante o que é natureza. Nem nos piores pesadelos conseguimos saber o que é uma onda de dez metros. Valor: O esforço de reconstrução de uma parte do Japão deve demandar grandes somas de recursos. Isso pode reduzir o fluxo de capitais para o Brasil? Dilma: Pode ter um efeito desses. Acho que vai haver um maior fluxo de dinheiro para lá e isso não é maléfico. Tem dinheiro sobrando para tudo no mundo. Para a reconstrução do Japão, para investir aqui e para especular. Valor: O governo, preocupado com a taxa de câmbio, tem mencionado a necessidade de novas medidas. Uma delas seria encarecer os empréstimos externos para frear o processo de endividamento de bancos e empresas? A sra. já aprovou essas medidas? Dilma: Primeiro, é preciso distinguir o que é dívida para investimentos do que é dívida de curto prazo. Imagino que quem está se endividando esteja fazendo "hedge". Todo mundo aí é adulto. Valor: Mas o governo prepara um pacote de medidas cambiais? Dilma: Tem uma coisa que acho fantástica. Às vezes abro o jornal e leio que a presidenta disse isso, pensa aquilo, e eu nunca abri minha santa boca para dizer nada daquilo. Tem avaliações de que um ministro subiu, outro desceu, que são absurdas. Absurdas! Falam que tais ministros estão desvalorizadíssimos na bolsa de apostas. Acho que o governo não pode se pautar por esse tipo de avaliação. Nenhum presidente avalia seus ministros dessa forma. E nenhum presidente pode fazer pacotes de acordo com o flutuar das coisas. Toma-se medidas que tem a ver com o que se está fazendo. Mas posso lhe adiantar algumas coisas. Valor: Quais? Dilma: Eu não vou permitir que a inflação volte no Brasil. Não permitirei que a inflação, sob qualquer circunstância, volte. Também não acredito nas regras que falam, em março, que o Brasil não crescerá este ano. Tenho certeza que o Brasil vai crescer entre 4,5% e 5% este ano. Não tem nenhuma inconsistência em cortar R$ 50 bilhões no Orçamento e repassar R$ 55 bilhões para o BNDES garantir os financiamentos do programa de sustentação do investimento. Não tem nenhuma inconsistência com o fato de que o país pode aumentar a sua oferta de bens e serviços aumentando seus investimentos. E ao fazê-lo vai contribuir para diminuir qualquer pressão de demanda. Hoje, eu acho que aquela velha discussão sobre qual é o potencial de crescimento do país tem que ser revista. Valor: Revista como? Dilma: Você se lembra que diziam que o PIB potencial era de 3,5%? Depois aumentou, e baixou novamente durante a crise global, pela queda dos investimentos, não? E aumentou em 2010, com crescimento de 7,5% puxado pelo aumento de bens de capital. Então, isso não é consistente. Valor: A sra. comunga ou não da ideia de que é possível ter um pouquinho mais de inflação para obter um pouco mais de crescimento? Dilma: Isso não funciona. É aquela velha imagem da pequena gravidez. Não tem uma pequena gravidez. Ou tem gravidez ou não tem. Agora, não farei qualquer negociação com a taxa de inflação. Não farei. E não acho que a inflação no Brasil seja de demanda. Valor: Não? Dilma: Pode ser que essa seja a divergência que nós temos com alguns segmentos. Nós não achamos que ela é de demanda. Achamos que há alguns desequilíbrios em alguns setores, mas é inequívoco que houve nos últimos tempos um crescimento dos preços dos alimentos, que já reduziu. Teve aumento do preço do material escolar, dos transportes urbanos, que são sazonais. Valor: E a inflação de serviços que já passa de 8%? Dilma: Há crescimento da inflação de serviços e isso temos que acompanhar. Mas o que não é possível é falar que o Brasil está crescendo além da sua capacidade e que, portanto, tem um crescimento pressionando a inflação. O mundo inteiro, na área dos emergentes, está passando por isso. Houve um processo de pressão inflacionária que tem componente ligado às commodities e, no Brasil, tem o fator inercial. Mas é compatível segurar a inflação e ter uma taxa de crescimento sustentável para o país. Caso contrário, é aquela velha tese: tem que derrubar a economia brasileira. Valor: Derrubar o crescimento? Dilma: Nós não vamos fazer isso. Não vamos e não estamos fazendo. Estamos tomando as medidas sérias e sóbrias. Estamos contendo os gastos públicos. Tanto estamos que os resultados do superávit primário de janeiro e fevereiro vão fechar de forma significativa para o que queremos. Vamos conter o custeio do governo. Estamos esfriando ao máximo a expansão do custeio. Agora, não precisamos expandir o investimento para além do maior investimento que tivemos, que foi o do ano passado. Vamos mantê-lo alto. Olhe quanto investimos em janeiro: R$ 2,5 bilhões pagos. O pessoal fala dos restos a pagar. Ninguém faz plano de investimento de longo prazo no Brasil sem fazer restos a pagar. Valor: São mais de R$ 120 bilhões. Não está muito alto? Dilma: Por quê? Ou nosso investimento é baixo ou é alto. Eu levei dois anos - 2007 e 2008 - brigando para fazer a BR-163, entre o Paraná e o Mato Grosso. É todo o escoamento da nossa produção e agora ela decolou. Está em regime de cruzeiro. Estamos nos preparando para ter uma forte intervenção nos aeroportos. Valor: Intervenção como? Dilma: Vamos fazer concessões, aceitar investimentos da iniciativa privada que sejam adequados aos planos de expansão necessários. Vamos articular a expansão de aeroportos com recursos públicos e fazer concessões ao setor privado. Não temos preconceito contra nenhuma forma de expansão do investimento nessa área, como não tivemos nas rodovias. Porque não fizemos a BR-163 quando eu era chefe da Casa Civil? Valor: Por quê? Dilma: Quando cheguei na Casa Civil havia um projeto para privatizá-la completamente. Esse projeto virou projeto de concessão e eu o recebi assim. Fomos olhá-lo e sabe quanto era o cálculo da tarifa média? R$ 900. Isso mostra que essa rodovia não era compatível com concessão. Talvez no futuro, quando tivesse que duplicar, fosse por concessão porque ela já teria se desenvolvido e criado fontes geradoras para si mesma. A Regis Bittencourt dá para fazer concessão, pois ela se mantém. O que não é possível é usar o mesmo remédio para todos os problemas. Valor: E como será para os aeroportos? Dilma: Vamos fazer concessão do que existe - fazer um novo terminal, por exemplo. Posso fazer concessão administrativa com cláusula de expansão. Posso fazer concessão onde nada existe, como a construção de um aeroporto da mesma forma que se faz numa hidrelétrica. É possível que haja necessidade de investimentos públicos em alguns aeroportos. O Brasil terá que ter aeroportos regionais. Nós vamos criar a Secretaria de Aviação Civil com status de ministério, porque queremos uma verdadeira transformação nessa área. Para ela irá a Anac, a Infraero e toda a estrutura para fazer a política. Valor: Quando a sra. vai mandar para o Congresso a medida provisória que cria a secretaria? Dilma: Estou pensando em mandar até o fim deste mês. Valor: Quem vai ocupar a pasta da Aviação? Dilma: Ainda estamos discutindo em várias esferas um nome para a aviação civil. Valor: O nome do Rossano Maranhão não está confirmado? Dilma: Nós sempre pensamos no Rossano para várias coisas. Não só eu. O presidente Lula também. Nós o consideramos um excepcional executivo. Valor: Eu gostaria de voltar à questão da inflação. A sra. disse que não vai derrubar a economia e vai derrubar a inflação. É isso? Dilma: Não é só isso. Eu não negocio com inflação. Valor: Há quem argumente, na ponta do lápis, que não é possível reduzir a inflação de 6% para 4,5% e crescer 4,5% a 5% ao ano. Dilma: Você pode fazer várias contas. É só fazer um modelo matemático. Agora, se ela é real... Valor: Mesmo com o corte de R$ 50 bilhões nos gastos públicos, a política fiscal do governo não é contracionista de demanda. Ela é menos expansionista do que foi no ano passado. Dilma: Ela é uma política de consolidação fiscal. Valor: O que significa isso? Dilma: É porque achamos que o que estamos fazendo não é... É como cortar as unhas. Vamos ter que fazer sempre a consolidação fiscal. Na verdade, temos que fazer isso todos os anos, pois se você não olhar alguns gastos, eles explodem. Se libera os gastos de custeio, um dia você acorda e ele está imenso. Então, você tem que cortar as unhas, sempre. Nós estamos cortando as unhas do custeio, vamos cortar mais e vamos fazer uma política de gerenciar esse governo. Estamos passando em revista tudo o que pode ser cortado e isso tem que ser feito todos os anos. Valor: O que significa não negociar com a inflação do ponto de vista de cumprimento da meta? Dilma: Significa que a meta é de 4,5% e nós vamos perseguir 4,5%. Tem banda para cima, banda para baixo (margem de tolerância de 2 pontos percentuais), mas nós sempre tentamos, apesar da banda, forçar a inflação para a meta até tê-la no centro. Valor: Os mercados não estão acreditando nisso. Acham que o Banco Central foi frouxo no aumento dos juros, até porque o Palácio do Planalto teria autorizado um aumento de 0,75 ponto percentual e o presidente do BC (Alexandre Tombini) não usou essa autorização... Dilma: Eu não vejo o Tombini há um mês, não vejo e não falo. Aproximadamente... eu lembro uma vez que ele viajou e a última vez que falei com ele foi antes dessa viagem. Valor: O Tombini é "dovish" [neologismo inglês derivado de 'dove', pombo, que indica um defensor de juros mais baixas e com postura mais tolerante com a inflação]? Dilma: E eu sou arara (risos). Valor: Preocupa a descrença dos mercados na política antiinflacionária? Dilma: O mercado todo apostou que esse país ia para o beleléu em 2009. E no fim de 2009 a economia já tinha começado a se recuperar. O mercado apostou numa taxa de juro elevadíssima quando o mundo já estava em recessão. Então eu acho que o mercado acerta, erra, acerta, erra, acerta. Não acho que temos que desconsiderar o mercado, não. A gente tem que sempre estar atento à opinião dele, que integra um dos elementos importantes da realidade. Um dos principais, mas não o único. Eu vou considerar essa história de "dovish" e "hawkish" (pombo ou falcão) uma brincadeira, um anglicismo. Valor: Mas o BC, no seu governo, tem autonomia? Dilma: O Banco Central tem autonomia para fazer a política dele e está fazendo. Tenho tranquilidade de dizer que em nenhum momento eu tergiverso com inflação. E não acredito que o Banco Central o faça. Eu acredito num Banco Central extremamente profissional e autônomo. E esse Banco Central será profissional e autônomo. Não sei se não estão tentando diminuir a importância desse BC. Valor: Por quê? Dilma: Porque não tem gente do mercado na sua diretoria. Valor: Mas pode vir a ter? Dilma: Pode ter, sim. Falar que tem que ser assim ou assado é um besteirol. Desde que seja um nome bom, ele pode vir de onde vier. Valor: A opção por fazer uma política monetária diferente, mesclada de juros e medidas prudenciais, pode estar criando um mal-estar? Dilma: O mercado tem os seus instrumentos tradicionais, mas tem também os incorporados recentemente, no pós-crise. Você tem que fazer essa combinação. Não pode ser fundamentalista, não é bom. Conte com os dois que o efeito ocorre. Valor: A sra. reiterou a meta de inflação de 4,5%, mas não mais para este ano, não é? Dilma: Sobre isso, tem um artigo interessante escrito pelo Delfim (na edição de terça-feira do Valor), a respeito de que não existe uma lei divina que diz que a taxa de crescimento será de 3% e que a inflação será de 6%. Eu acho que isso é adivinhação. Valor: As condições para o ano de 2011 não estão dadas? Dilma: Não, depende da gente. Nós mostramos que não estava dado na hora da crise e vamos mostrar que não está dado também na hora da inflação e do crescimento sustentado da economia brasileira. Quando eu digo que tenho firme convicção de que não se negocia com a inflação, é para você saber que nós passamos todo o tempo olhando isso. Por isso eu acredito no que faz o Banco Central, no que faz o Ministério da Fazenda. Valor: Tem um elemento já dado para 2012 que preocupa os analistas: a superindexação do salário mínimo no momento em que o país estará em plena luta antiinflacionária. Não seria hora, depois de 17 anos de plano de estabilização, de se desindexar tudo? Dilma: No futuro nós vamos ter uma menor preocupação com a valorização do salário mínimo. Quando? Quando houver um crescimento sustentado nesse país. Valor: Isso não dificulta o combate à inflação? Dilma: O que aconteceu com o salário mínimo ao longo do tempo? Uma baita desvalorização. Seja porque ele não ganhava sequer a correção inflacionária, seja porque vinha de patamares muito baixos. Acho que o processo de valorização do salário mínimo ainda não se esgotou. Foi isso que nós sinalizamos aquele dia na Câmara (na votação da proposta de correção pela inflação e pelo PIB até 2015). Nós não fazemos qualquer negócio. Quando a economia vai mal, nós não vamos dar reajuste, ele será zero. Vamos dar a inflação. Quando a economia vai bem, com um atraso de um ano, nós damos o que a economia ganhou ali, porque acreditamos que houve um ganho global de produtividade e de crescimento sistêmico. O prazo de um ano (o reajuste é dado pelo PIB de dois anos anteriores) amortece, mas transfere ao trabalhador um ganho que é dele, é da economia como um todo. Valor: Esse é um assunto resolvido até 2015, portanto? Dilma: Dar ao trabalhador o direito de receber o ganho decorrente do crescimento do país, com o cuidado de não ser automático para você poder ter acomodação necessária, é fundamental. Acho que o acordo feito entre as centrais e o governo do presidente Lula dá conta dessa época que estamos vivendo, em que estamos valorizando o salário mínimo. Valor: E depois, negocia-se outra regra? Dilma: É, porque esta não vai dar conta de uma época futura neste país, onde teremos mantido uma taxa de crescimento sistemática, durante um período mais longo, mais de cinco anos, por exemplo. Aí, sim, você terá tido um nível de recuperação da renda que justifica você ter outra meta. Agora, o que nós fizemos e explicamos para as centrais foi manter o acordo que tinha uma sustentação política, uma sustentação de visão econômica da questão do salário mínimo. Valor: O reajuste de 13,9% de 2012 corrigirá também as aposentadorias? Dilma: Esse aumento vai para 70% dos aposentados que ganham salário mínimo. Quem ganha mais do que um mínimo não tem indexação. Em 2014 nós teremos que apresentar uma política para os anos seguintes. Valor: Nessa ocasião ele poderá ser atrelado à produtividade? Dilma: Não sei. Não acho que isso (a regra atual) seja uma indexação e quem está falando que é uma indexação tem imensa má vontade com o trabalhador brasileiro. Temos que fazer com que algumas regiões do país e alguns setores da sociedade cresçam a uma taxa maior do que a média para reduzir as desigualdades. Isso vale para o Nordeste, para o Norte, para a metade sul do Rio Grande do Sul, para o Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais e o Vale do Ribeira, em São Paulo. O mesmo se aplica a alguns setores da sociedade. Há, aí, uma estratégia que olha para o Brasil. O país não pode ser tão desigual. Isso não é bom politicamente, socialmente, e não é bom para a economia. O que nos aproxima da Índia, da Rússia e da China, os Bric, não é tanto o fato de sermos emergentes. Valor: O que é? Dilma: É o fato de que países que têm a oportunidade histórica de dar um salto para a frente, países continentais com toda a sorte de riquezas, quando sua população desperta e passa a incorporar o mercado, isso acelera o crescimento. É o que explica que o nosso crescimento pode ser maior do que o crescimento dos países desenvolvidos. Outro fator é se conseguirmos criar massivamente um processo de educação em todos os níveis para a população, e formação de pessoas ligadas à ciência e tecnologia que permita que o país comece a gerar inovação. Essas três coisas explicam muito os Estados Unidos e é nelas que temos que apostar para o Brasil dar um salto. Nós temos hoje uma janela de oportunidade única. Além disso temos petróleo, biocombustível, hidrelétrica, minério e somos uma potência alimentar. Não queremos ser só "commoditizados". Queremos agregar valor. Por isso insistimos em parcerias estratégicas com outros países. Agora mesmo vamos propor uma para os Estados Unidos. Valor: Na visita do presidente Obama? Qual? Dilma: Na área de satélites, especialmente para avaliação do clima, e parcerias em algumas outras áreas. Vou lhe dar um exemplo: acho fundamental o Brasil apostar na formação no exterior. Todos os países que deram um salto apostaram na formação de profissionais fora. Queremos isso nas ciências exatas - matemática, química, física, biologia e engenharia. Queremos parceria do governo americano em garantia de vagas nas melhores escolas. Nós damos bolsa. Vamos buscar fazer isso não só nos Estados Unidos, e de forma sistemática. Valor: O que a sra. espera de fato dessa visita? Dilma: Acho que tanto para nós quanto para os Estados Unidos o grande sumo disso tudo, o que fica, é a progressiva consciência de que o Brasil é um país que assumiu seu papel internacional e que pode, pelos seus vínculos históricos com os Estados Unidos e por estarmos na mesma região, ser um parceiro importantíssimo. Isso a gente constrói. Agora, essa consciência é importante. Nós não somos mais um país da época da "Aliança para o Progresso", um país que precisa desse tipo de ajuda. Não que a aliança para o progresso não tenha tido seus méritos, agora não é isso mais que o Brasil é. O Brasil é um país que os EUA tem que olhar de forma muito circunstanciada. Valor: Como assim? Dilma: Que outro país no mundo tem a reserva de petróleo que temos, que não tem guerra, não tem conflito étnico, respeita contratos, tem princípios democráticos extremamente claros e uma forma de visão do mundo tão generosa e pró-paz? Uma questão é fundamental: um país democrático ocidental como nós tem que ser um país que tenha perfeita consciência da questão dos direitos humanos. E isso vale para todos. Valor: Para o Irã e para os EUA? Dilma: Se não concordo com o apedrejamento de mulheres, eu também não posso concordar com gente presa a vida inteira sem julgamento (na base de Guantânamo). Isso vale para o Irã, vale para os Estados Unidos e vale para o Brasil. Também não posso dar uma de bacana e achar que o Brasil pode ficar dando cartas e não olhar para suas próprias mazelas, para o seu sistema carcerário, por exemplo, sua política com relação aos presos. E isso chega ao direito de uma criança comer, das pessoas estudarem. Isso é direito humano. Mas é também, no sentido amplo da palavra, o respeito à liberdade, a capacidade de conviver com as diferenças, a tolerância. Um país com as raízes culturais que nós temos, que tem uma cultura tão múltipla, e que tem esse gosto pelo consenso, pela conversa, tudo isso caracteriza uma contribuição que o Brasil pode dar para a construção da paz no mundo. Acho que o mundo nos vê como um país amigável. Valor: A sra. disse recentemente que não fará reforma da previdência social. Mas a regulamentação da reforma da previdência do setor público que está parada no Congresso, será feita? Dilma: Isso é outra coisa. Já está no Congresso e vamos tentar ver se ele vota. Mas não vamos tirar direitos do trabalhador, não. Nem vem que não tem!. Valor: A regulamentação da previdência pública, com a criação dos fundos de previdência complementar, não seria apenas para os novos funcionários? Dilma: É. Mas aí temos que ver como será feito. Não estamos ainda discutindo isso. Valor: E a reforma tributária? Há informações que a sra. enviará quatro projetos distintos, mudando determinados tributos. É isso mesmo? Dilma: Estão entrando no Brasil produtos importados com o ICMS lá embaixo. É uma guerra fiscal que detona toda a cadeia produtiva daquele setor. Mas não vou adiantar o que vamos enviar ao Congresso porque não está maduro ainda. Vamos mandar medidas tributárias e não uma reforma. Vamos mandar várias para ter pelo menos uma parte aprovada. Mandaremos também o Programa Nacional de Ensino Técnico (Pronatec) e o programa de Erradicação da Pobreza. Valor: Como serão esses dois? Dilma: Não posso lhe adiantar porque também não estão fechados. O Pronatec vai garantir que o ensino médio tenha um componente complementar profissional, de um lado, e, de outro lado, garantir que tenha uma formação para os trabalhadores brasileiros de forma que não sobre trabalhador numa área e falte em uma outra. Isso é um pouco mais complicado e não posso dar todas as medidas por que elas interferem em outros setores. Já a questão do ICMS é uma regulamentação que já está no Senado. Valor: E a desoneração de folha salarial sai? Dilma: Não posso lhe falar sobre as medidas tributárias. Valor: São para este ano? Dilma: Na nossa agenda é para este semestre. Valor: Qual a proposta para a erradicação da pobreza? Dilma: É chegar ao fim de quatro anos mais próximo de retirar da pobreza os 19 milhões de brasileiros que ainda faltam. Valor: O instrumental é o Bolsa Família? Dilma: Nos já começamos a mexer no Bolsa Família, aumentando a parte de crianças. É com isso, com uma parte do Pronatec, que vai ajudar, é com microcrédito, incentivo à agricultura familiar de uma outra forma. Estamos passando as tropas em revista e mudando muita coisa. E tem que ter sintonia fina. Há profissionais dedicados ao estudo da pobreza que diz que se você não focar, olhando a cara dela, você não consegue tirar as pessoas. E nós queremos, desta vez, estruturar portas de saída. Valor: Para todos e não só para os 19 milhões a que a sra se referiu? Dilma: Para todo mundo. Valor: Uma porta de saída será o Pronatec? Dilma: Também. As saídas estão aí e estão em manter a economia crescendo. Valor: A reunião anual da Assembleia de Acionistas da Vale será dia 19 de abril. Nessa reunião deve se decidir sobre a permanência ou não do presidente Roger Agnelli, cujo contrato de trabalho termina dia 30 de abril. Ele será substituído ou pode ser reconduzido? Dilma: Não sei. Valor: A sra. não sabe? Dilma: Você vai ficar estarrecida, mas não sei.
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Comentários + votados
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Roberto Andrade
17/03/2011 - 11:58
Como liberal, fiquei satisfeito com os seguinte pontos da entrevista da Presidente Dilma:
"Isso não funciona [sobre permitir uma pequena inflação para obter mais crescimento, medida defendida no...
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Chato Feliz
17/03/2011 - 12:15
É uma grande diferença realmente, tanto para fhc quanto para o próprio lula: ter um presidente ou uma presidenta (maldita lingua) que sabe do que fala. Não arredo o pé de reclamar que tem sido...
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Whatever
17/03/2011 - 12:21
Muito boa a entrevista. Mostra, claramente, que Dilma tem muito claras as circunstâncias históricas atuais e as propostas de como inserir o Brasil nesse mundo em transformação de maneira digna....
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T Fraile
17/03/2011 - 12:32
Parece equilibrada, como sempre. Aliás, com conhecimento técnico que não é comum em presidentes de Republica.
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Antonio Carlos Silva - RJ
17/03/2011 - 12:43
Dilma e os direitos humanos :
" Se não concordo com o apedrejamento de mulheres, eu também não posso concordar com gente presa a vida inteira sem julgamento (na base de Guantânamo). Isso...
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Ivan Ilitch
17/03/2011 - 12:46
Beleza de entrevista.
A Presidenta demonstrou o seu jeito de governar.
Só fico um pouco desconfiado com as concessões nos aeroportos, apesar de gostar da idéia da criação da Secretaria de Aviação...
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Guiba
17/03/2011 - 13:04
Presidente Social-Democrata... Muito bom! Para o desespero dos fanáticos messiânicos marxistas...
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João Carlos - SP
17/03/2011 - 13:19
Ótima entrevista.
Nossa Presidenta sabe o que quer e sabe como chegar lá, não se deixa iludir.
Fico feliz ao ver que o país está sendo comandado por uma pessoa como Dilma.
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Luana
17/03/2011 - 13:33
Entrevista muito boa, mas gostei muito disso abaixo:
Tem uma coisa que acho fantástica. Às vezes abro o jornal e leio que a presidenta disse isso, pensa aquilo, e eu nunca abri minha santa...
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Priscila Susan Miranda de Sousa
17/03/2011 - 14:11
Essa entrevista da presidenta Dilma foi muito esclaressedora. Ela possuí uma visão de Brasil. Sem duvida o Futuro chegou. O Brasil está se construindo como uma nação com todo o seu potencial.
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Alan Souza
17/03/2011 - 14:41
Pensei justamente nisso, abordou temas complexos com uma clareza de ideias magnífica! Tanto que a repórter ficou meio "no ar" em vários momentos.
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Alan Souza
17/03/2011 - 14:43
Rapaz, em 2014 nela, e em 2018 em quem ela mandar! Se a Dilma mandar eu votar num legume eu voto!
(Já se o Serra me pedir pra votar numa mistura de Einstein com Juscelino e Mandela eu não voto!)
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Gunter Zibell - SP
17/03/2011 - 15:29
Também acho isso, de pessoa certa na hora certa.
Com algumas vantagens:
- ela trata tudo com uma visão holística, não dá respostas olhando apenas um efeito específico e no curto prazo, ela leva em...
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reinaldo carletti
17/03/2011 - 16:05
já mostrou para o pig quem ela é........nós brasileiros, podemos dormir em paz, e ela vai fazer acontecer, doa a quem doer!
reinaldo carletti
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GalileoGalilei
17/03/2011 - 16:53
D'après Braguinha:
Yes! Nós temos petróleo;
Petróleo prá dar e vender;
Petróleo, menina,
faz gasolina,
Petróleo dá inveja e nos faz crescer!
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Filippini
17/03/2011 - 17:02
Sr : Osmar.Estou até agora rindo de suas declarações.Parece o tipo de declaração encomendada.
De espontaneidade nesta sua declaração não tem nadica de nada.Háhahahahahaha dúvido que o senhor seja um...
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Ricardo Sividanes
17/03/2011 - 23:15
Azar dos nossos ermanos mexicanos! Nós e os noroegueses não temos nada a ver com isso!
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Universidades
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com essa esquerda no poder que precisa de direita?
Vc podia pelo menos dar o crédito de quem disse isso...
Presidente Social-Democrata... Muito bom! Para o desespero dos fanáticos messiânicos marxistas...
Bom, mas as estruturas reais de poder de longo prazo não se alteram muito com eleições. O que acontece é que se pode interferir um pouco através de políticas de governo e/ou políticas de estado, dependendo de apoios no poder legislativo. E na última campanha eleitoral, tanto para executivo como para legislativo, ninguém da atual coligação governista propôs nada muito diferente de continuísmo ou melhorismo.
A começar pela presidenta... É comum políticos prometerem coisas, até assinar em cartório, mas não consigo lembrar de nada muito substancioso que ela tenha prometido (além de UPAs, maior combate ao crack e à miséria, criar ministério da pequena e média empresa e não-privatizar pré-sal)... Depois dizem que governos com boa popularidade não elegem sucessor com facilidade. Elegem sim, tanto que ela teve mais votos que seus oponentes que prometiam muito mais coisas.
Em 2012 pense, vote, faça um Brasil anti-homofóbico!
Prometeu nao mexer na Previdência, Gunter. Agora já há exceçao para o funcionalismo... Comendo pelas beiradas.
Como liberal, fiquei satisfeito com os seguinte pontos da entrevista da Presidente Dilma:
"Isso não funciona [sobre permitir uma pequena inflação para obter mais crescimento, medida defendida no passado pela oposição ao governo FHC]. É aquela velha imagem da pequena gravidez. Não tem uma pequena gravidez. Ou tem gravidez ou não tem."
"Vamos conter o custeio do governo. Estamos esfriando ao máximo a expansão do custeio."
"Vamos fazer concessões [nos aeroportos], aceitar investimentos da iniciativa privada que sejam adequados aos planos de expansão necessários." [quem diria que um governo do PT iria passar a Administração dos aeroporto para a iniciativa privada]
"Na verdade, temos que fazer isso todos os anos, pois se você não olhar alguns gastos, eles explodem. Se libera os gastos de custeio, um dia você acorda e ele está imenso. Então, você tem que cortar as unhas, sempre. Nós estamos cortando as unhas do custeio, vamos cortar mais e vamos fazer uma política de gerenciar esse governo."
"Eu acredito num Banco Central extremamente profissional e autônomo. E esse Banco Central será profissional e autônomo."
"Por isso insistimos em parcerias estratégicas com outros países. Agora mesmo vamos propor uma para os Estados Unidos."
"Queremos parceria do governo americano em garantia de vagas nas melhores escolas."
Curiosidade: quem falou que uma pequena inflação é como uma pequena gravidez, Roberto Campos ou Simonsen?
Pesquisei na net e vi a frase atribuída a esses dois. Nassif poderia ajudar com sua experiência.
Incrível a clareza de idéias da Dilma.
É a pessoa certa, na hora certa.
Pensei justamente nisso, abordou temas complexos com uma clareza de ideias magnífica! Tanto que a repórter ficou meio "no ar" em vários momentos.
Venha para o PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!
Também acho isso, de pessoa certa na hora certa.
Com algumas vantagens:
- ela trata tudo com uma visão holística, não dá respostas olhando apenas um efeito específico e no curto prazo, ela leva em conta as várias causas que interferiram e também as consequências em tudo, e também no tempo, para o longo prazo. Convence-me de que não é assim "reduzir inflação custe o custar", é mais "controlar a inflação do melhor modo possível sem causar outros danos". Também convence que não olha apenas para um segmento (por exemplo mercado financeiro ou sindicato patronal da indústria), mas que pensa em todos os segmentos ao mesmo tempo enxergando como as coisas se relacionam.
- ela nunca se compromete com o que não pretende fazer ou para o qual ainda não tem todas as informações. Por outro lado, no que ela se comprometeu, ela busca reafirmar mostrando prazos e caminhos. Por exemplo em relação a Selic : ela se comprometeu em campanha a baixar para patamares reais de emergentes ao longo de 4 anos, não para este primeiro ano. E junto pretende reduzir a dívida/PIB (de 40%) para 30%. Então ela se deixará cobrar por isso que ela falou, não pelo que analistas de qualquer tendência cobrem. Outro exemplo : nunca falou sobre câmbio, mas em desonerar tributariamente a indústria ou eliminar imperfeições do sistema que afetam a produtividade, e reafirma isso na entrevista ao falar que para este semestre serão apresentados projetos nesse sentido.
Eu não vejo razões para alguns setores da sociedade se apresentarem tão críticos agora. Em nenhum momento na campanha fez promessas populistas (poderia ter feito, mas não precisou usar esse recurso por estar na dianteira na corrida eleitoral.) Também em nenhum momento deixou de lembrar que representava uma coligação de partidos e um programa mínimo denominador comum.
Até o momento Dilma atende e/ou supera minhas expectativas como eleitor.
Em 2012 pense, vote, faça um Brasil anti-homofóbico!
Sabe muito. Gosta do que faz e tem o Brasil correndo na veia. Guardo pro resto da vida o comprovante de que fiz história sendo mesário em 2010. Voto garantido em 2014.
Isso é que é mulher.
É isso aí!!
Cosi è, si vi pare!!!
Rapaz, em 2014 nela, e em 2018 em quem ela mandar! Se a Dilma mandar eu votar num legume eu voto!
(Já se o Serra me pedir pra votar numa mistura de Einstein com Juscelino e Mandela eu não voto!)
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Contanto que não seja chuchu...
Em 2012 pense, vote, faça um Brasil anti-homofóbico!
Nassif:
Da leitura em diagonal:
Entre os beleléu e besteirol, passando pelo “não somos um paisinho”, o “nem vem que não tem” e sobre “a diferença substantiva entre nós e os outros países, a água”, ficam nítidos na entrevista o conhecimento e objetividade da presidenta sobre as questões principais do país, dentre as quais não se inclui a presidência da CVRD rsrsrs, uma tirada realmente formidável de pessoa que sabe muito bem do que fala e como fala, nada é por acaso.
É uma grande diferença realmente, tanto para fhc quanto para o próprio lula: ter um presidente ou uma presidenta (maldita lingua) que sabe do que fala. Não arredo o pé de reclamar que tem sido irresponsável com C&T, mas tiro o chapéu para o conhecimento e articulação que demonstra.
Muito boa a entrevista. Mostra, claramente, que Dilma tem muito claras as circunstâncias históricas atuais e as propostas de como inserir o Brasil nesse mundo em transformação de maneira digna.
Obviamente, o Luiz Lima vai espinafrar a presidenta porque a toada é a do Capital, mas fiquei pensando numa possível entrevista do Cerra sobre os mesmos temas e me deu até calafrios!
Já fiquei famoso assim e não estou sabendo? Mas vou te decepcionar, infelizmente. Uma coisa é a entrevista em si. D. Dilma foi extremamente coerente, demonstrou conhecimento da matéria etc. Essa é uma qualidade da entrevistada: soube trazer o repórter para o seu campo. O campo, propriamente dito, é que são elas. Um dos problemas - e perdoem-me por não poder desenvolver a afirmação que se segue neste momento - é a explicitação e o aprofundamento do "projeto" arcaísta de transformação do Brasil no almoxarifado de matérias-primas do mundo. Vamos nos tornar a plantation mais avançada do planeta. E exportaremos os portentosos 15 bilhões de barris de nossas pujantes reservas de óleo para bancar este belo projeto de desdesenvolvimento.
Mas, veja: D. Dilma não faz, nem fará, o que lhe vem à cabeça. Ela age em nome da fração - hoje majoritária - da classe dominante que representa, e em defesa dos interesses da classe como um todo - o que inclui a administração e/ou a arbitragem do conflito entre essas frações. Cumpre lembrar que a alternativa, nas eleições, se dava entre a escolha dum candidato que representava os interesses de uma fração da classe, ou do outro, que representava os interesses de outra fração da mesmíssima classe. O gov Dilma, portanto, não é mais nem menos um governo do capital do que um possível gov Serra o seria - a questão democrática à parte, claro. Criticá-la por uma entrevista é perder o foco da questão.
PS - sempre que vejo alguém falar na "riqueza" do pré-sal me vem à cabeça a ideia de que as pessoas fariam muito bem se usassem uma calculadora de vez em quando. Nos níveis atuais de consumo, uma reserva de 15 bilhões de barris abastece o mundo por... SEIS meses. O Brasil, sozinho, dá conta do consumo de 1 bilhão de barris/ano. Podem multiplicar os números das reservas por seis, sete, quanto quiserem. Que sejam cem bilhões de barris recuperáveis, vá lá. Façam as contas. Quanto tempo dura? E o que virá depois? Em 1986, as reservas do México eram estimadas em quase 80 bilhões de barris. Pois bem: um quarto de século depois, o óleo mexicano está acabando. O México é, hoje, um país rico?
Azar dos nossos ermanos mexicanos! Nós e os noroegueses não temos nada a ver com isso!
Por isso ela é a Presidenta! simplesmente, show!
Pensei que tinha votado em um poste. Enganei-me.
Falando sério, agora, essa Claudia Safatle é bem fraquinha.
Hamilton
Parece equilibrada, como sempre. Aliás, com conhecimento técnico que não é comum em presidentes de Republica.
Tomás Fraile
Dilma e os direitos humanos :
" Se não concordo com o apedrejamento de mulheres, eu também não posso concordar com gente presa a vida inteira sem julgamento (na base de Guantânamo). Isso vale para o Irã, vale para os Estados Unidos e vale para o Brasil. Também não posso dar uma de bacana e achar que o Brasil pode ficar dando cartas e não olhar para suas próprias mazelas, para o seu sistema carcerário, por exemplo, sua política com relação aos presos...."
Eu sei que é muita pretensão, mas será que a Presidenta Dilma dá uma passadinha pelo nosso blog de vez em quando ?
Leiam os comentários do post de 14/03/2011 intitulado :
A ofensiva diplomática do Irã
Enviado por luisnassif, seg, 14/03/2011 - 06:58
Por JB Costa
" Não procures um prêmio, pois tens uma grande recompensa sobre a terra: a alegria espiritual que só o justo possui " - Dostoievski
Beleza de entrevista.
A Presidenta demonstrou o seu jeito de governar.
Só fico um pouco desconfiado com as concessões nos aeroportos, apesar de gostar da idéia da criação da Secretaria de Aviação Civil com status de ministério. Talvez assim possa acabar com as lambanças da ANAC.
Também desconfio deste corte de R$ 50 bilhões no Orçamento e repassar R$ 55 bilhões ao BNDES.
Espero que esse repasse também venha junto com uma maior cobrança quanto ao destino dos financiamentos do BNDES. Haja vista o caso das montadoras.
http://www.cartacapital.com.br/economia/gasto-publico-lucro-privado-2
No mais, achei que ela foi muito bem.
Presidente Social-Democrata... Muito bom! Para o desespero dos fanáticos messiânicos marxistas...
Não para mim, que já esperava isso. Derrotar Serra nas urnas e Dilma nas ruas!
Pense nas mediações meu, caro Morales, nas mediações. Algumas, aliás, são definitivas, permanecem como uma conquista hitórica da luta contra as trevas empreendida pelas classes populares, pelos intelectuais. Muitos dos que há pouco votamos em Dilma, pois.
Ótima entrevista.
Nossa Presidenta sabe o que quer e sabe como chegar lá, não se deixa iludir.
Fico feliz ao ver que o país está sendo comandado por uma pessoa como Dilma.
Votei em Dilma no segundo turno mais porque não queria de jeito nenhum que Serra assumisse. Hoje vejo com mais clareza a sua consistência e espero sinceramente que seu discurso se materialize. Não sou dada a tietagem e, depois de tantas decepções, prefiro ver para crer.
O que sinto falta na Dilma é um comprometimento com o meio-ambiente. Sustentabilidade a longo prazo é uma meta a ser perseguida e não um sonho de verão dos ecochatos. O problema é conciliar interesses imediatos incorporando os conceitos da sustentabilidade. Seria ótimo ter a Dilma como uma aliada da preservação ambiental, com seu pragmatismo e objetividade.
Sabe das coisas. Economista de formação heterodoxa que é, não se deixa cair nas armadilhas do concesso "mercadista" que a jornalista joga. Vide a questão combate a inflação "versus" crescimento (notem bem as aspas), mas também corte de gastos de custeio "versus" recursos ao BNDES, concessão "versos" investimento público. Tudo sem dogmas, no concreto, como tem que ser.
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