A eficácia do Ficha Limpa

Do Portal Luís Nassif
Do Blog de Ana Helena Tavares

Quando a limpeza não cheira bem

A Itália, depois de promover uma perseguição política através da chamada operação “Mãos Limpas”, elegeu Silvio Berlusconi. Já uma lei do tipo na África do Sul não teria permitido a eleição de Nelson Mandela, cuja “ficha suja” envolvia condenação por “terrorismo”.

Por Ana Helena Tavares (*)

Como se sabe, a esquerda, embora progressista, não é toda democrática. Exultado pelos dois pólos da política, stalinista e fascista são alguns dos nomes que se aproximam perigosamente do chamado “Ficha Limpa”. O que é essa nova lei? Uma limpeza moral à força? Você? Se fosse um político arrependido de seus crimes não gostaria do direito à segunda chance?

De onde vem a idéia

Peço a quem puder que me cite uma ditadura que não tenha sido instaurada em nome do “combate à corrupção”. Um dos vídeos, criados ainda ano passado em defesa do projeto, é um primor de moralismo hipócrita. Apresenta a proposta de uma varredura que “faria com que os que os eleitores pudessem confiar (?) em quem votar e mudaria o país”. Em política, cruzadas desse tipo invariavelmente acabam em vitória da direita - e mais corrupção. A última que vingou por aqui (travestida de “Marcha pela família com Deus pela Liberdade”) eu ainda nem era nascida, mas sei bem que resultou em 20 anos de ditadura.

O jornalista O jornalista e ex-deputado federal Marcos Rolim lembra: “Foi a ditadura militar que, com a Emenda Constitucional nº 1 e a Lei Complementar nº 5, estabeleceu a cassação dos direitos políticos e a inegibilidade por “vida pregressa””, disse Rolim em seu artigo “Boa intenção, má solução”, onde acusa ainda o projeto de legalizar a “presunção de culpa”.

Afinal, quem pode ser condenado por “vida pregressa” sem, ao menos, ter direito à sentença condenatória com trânsito em julgado, como quer a nova lei? Quem é “ficha limpa” no mundo e na política de hoje?

O Maluf que conseguiu provar inocência em todos os inquéritos nos quais foi processado e, por isso, não entra na roda? Ele votou a favor do projeto e está aí agora posando de justiceiro.

Taí um papel renegado pelo ministro Marco Aurélio Melo, único do TSE a votar contra a nova lei: “Eu não sou um justiceiro. Eu sou juiz. Aprendi desde cedo que no sistema brasileiro o direito posto visa a evitar que o cidadão tenha sobre a sua cabeça uma verdadeira espada de Dâmocles. Aprendi que a lei não apanha fatos passados.” Isso é o que reza o artigo 5º da nossa Constituição, ao afirmar que a “lei não pode retroagir em detrimento do acusado”.

No final das contas, uma lei desnecessária

Aprendi recentemente com o consagrado jurista, Dr. Hélio Pereira Bicudo, que esse artigo é quebrável por crimes imprescritíveis, como a tortura e o seqüestro contínuo. Crimes de lesa-humanidade. Só. E, segundo o mesmo Dr. Hélio, para o caso específico de eleições, é quebrável também pelo “princípio da inelegibilidade”, apresentado no artigo 14, parágrafo 9, da Constituição de 88, que reza que: “Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada a vida pregressa do candidato (...)”.

É esse o artigo usado em defesa da lei pelo “Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral”, responsável pela organização do projeto na sociedade civil e que o chama de “democrático radical”. E é esse o artigo que faz Dr. Hélio chamar a lei de “obsoleta”.

O respeitável jornalista Jânio de Freitas resumiu, em seu artigo “Ficha Limpa” (Folha de S. Paulo, 13 de Maio de 2010): “Trata-se de um projeto de iniciativa popular, cuja aprovação vale como uma advertência para a presença desse direito na Constituição.” Ou seja, já existia. Mas será mesmo válida essa “advertência”?

Pesando os prós e contras

Apesar de assumi-la como dispensável e muito provavelmente inútil, e, mesmo admitindo que “O candidato pode não ter sido condenado criminalmente, mas ter sua vida partilhada de circunstâncias que comprometem uma probidade imprescindível para o exercício de um mandato público”, em artigos recentes, Dr. Hélio tem se mostrado simpático à nova lei, porque considera legítima e bem intencionada a iniciativa popular. Legítima, sem dúvida, é. O problema é que o diabo mora nos detalhes e é inegável que lá também mora com ele um sem número de pessoas “bens intencionadas”.

Jânio de Freitas também acha que a lei tem pontos a serem considerados como vitória. “É um caso raro de aprovação contra o interesse de grande número de parlamentares”, garante. Será mesmo? A quem serve a desmoralização da classe política senão aos próprios políticos que se vêem beneficiados pelo desinteresse de um povo que vota por mera obrigação?

Compreendo e integro a indignação popular diante do fato de políticos usarem o mandato para escapar da punição por seus crimes. Indignação que levou à atitude extrema da criação de tal lei. Não há, no entanto, nada que me convença de que este seja o caminho.

Tal como o Dr. Hélio Bicudo, o advogado Erick Wilson Pereira também considera a lei desnecessária, alegando, porém, outros motivos: "O Brasil é a única democracia no mundo que precisa de uma lei para dizer que os políticos precisam ter ficha limpa. Ter vida pregressa idônea é uma obrigação do agente público. Porém não se pode inverter os valores democráticos. Afinal o grau de civilidade de uma nação se mede pelo princípio da presunção de inocência."

A presunção de inocência e a condenação sumária

O professor de Direito Penal, Túlio Viana, em seu desabafo “Sobre o projeto Ficha Limpa”, vai mais longe: “Se o “ficha-limpa” não fere a presunção de inocência (defendida pelo art.5º LVII da nossa Constituição), é pior ainda, pois vão tolher a exigibilidade do cidadão mesmo sendo inocente. Êh argumento jurídico bão: nós continuamos te considerando inocente, mas não vamos te deixar candidatar mesmo assim! Que beleza! Ou o cara é presumido inocente ou é presumido culpado. Não tem meio termo. Muitos dos corruptos brasileiros possuem “ficha limpa” – especialmente os mais espertos, que não deixam rastros. Por outro lado, várias lideranças sindicais brasileiras possuem condenações em segunda instância por “crimes” que envolveram participação em greves ou em lutas populares; devemos impedir que se candidatem?”, indagou Viana.

Como se vê, a polêmica idéia trata-se de uma aberração, que, pelo mundo, tem apresentado resultados com efeito contrário. A Itália, por exemplo, depois de promover uma perseguição política através da chamada operação “Mãos Limpas”, elegeu Silvio Berlusconi. Tão limpo quanto Maluf. Já uma lei do tipo na África do Sul não teria permitido a eleição de Nelson Mandela, cuja “ficha suja” envolvia condenação por “terrorismo”.

No vídeo citado no início deste texto, o jurista Aristides Junqueira alega que “diferentemente do que em direito penal, no direito eleitoral impera a precaução sobre a presunção”. Por que essa diferença? Não seria a “precaução” uma forma de condenação sumária?

“Ordem e precaução”

Muito se fala em “pôr ordem na casa”. E eu pergunto: a que tem se prestado a palavra “ordem” em nossa história? O que é o “choque de ordem”, de Eduardo Paes, atual prefeito do Rio de Janeiro, senão a criminalização da pobreza? O que foi o Departamento de Ordem Pública e Social (vulgo DOPS), instaurado por nossa ditadura militar, senão uma caçada a “terroristas”, como Mandela? Pode-se citar ainda episódios desconhecidos de nossa história, mas que, certamente, não foram os únicos. O que foi a “Operação mata-mendigo” (bem contada no filme “Topografia de um desnudo”), que, na década de 60, objetivou “pôr ordem” na cidade do Rio para visita da Rainha Elizabeth? Os mendigos foram brutalmente torturados e jogados no rio Guandu. Policiais e funcionários do então Governo da Guanabara foram indiciados. Porém, com o Golpe de 64, os inquéritos foram todos arquivados e o episódio quase apagado da história do Brasil.

Será incontável o número de artifícios malabaríticos que, já tão usados pelos políticos, surgirão ainda com mais freqüência, como drible para a “mão pesada” da nova lei. Já se tem notícia, por exemplo, de um que candidatou a esposa. É o incentivo a esse tipo de “precaução laranja”, à sujeira encoberta por debaixo do pano para melhor ludibriar o eleitor, que buscamos para nossa sociedade e política?

Por que (e para que) será?

Será que os pequenos delitos diários, não condenáveis pela justiça, não corrompem muito mais nossa política? É muito fácil demonizar os políticos. E nossa “grande mídia” é a primeira a atirar todas as pedras. Por que será? Imaginem se Lula vetasse a lei. Seria massacrado nas capas dos jornalões, ainda mais do que já é. E se fosse proposto um projeto “Ficha Limpa” para a profissão de jornalista, quantos sobrariam? Haja hipocrisia!

Tamanha foi a pressão popular, convenientemente apoiada pela mídia, que todos os deputados votaram pela aprovação do projeto. Ops... Menos um, que, com medo da reação da opinião pública, se apressou em alegar “ter trocado os botões no painel de votação por cansaço”. Os eleitores se enganam, porém, quando imaginam que a nova lei impedirá a reeleição de figuras como Renan Calheiros, José Sarney ou Fernando Collor. Todos estão em dia com a Justiça, a começar por Collor, que se elegeu senador depois de ficar inelegível por oito anos, situação em que se encontram os ex-deputados José Dirceu e Roberto Jefferson.

“E os casos de compra de voto e abuso do poder econômico?”, é o que indaga o ex-deputado José Dirceu em seu artigo “A mídia em mais uma de suas jogadas”. De fato, estes casos raramente levam a condenações. Por que não se tem coragem de falar em reforma política? Uma reforma que proporcionasse reais mudanças na legislação sobre as eleições, no sistema de financiamento das campanhas, nos guetos que ainda permitem que votos sejam trocados por dentadura?

Será que alguém já parou para pensar que a aprovação do projeto significou dar poder de veto de candidaturas às oligarquias regionais, que controlam a maioria dos Tribunais de Justiça e os Tribunais Regionais Eleitorais? Por que não se discute a sério uma reforma no Judiciário que proporcionasse maior rapidez nos julgamentos, não apenas impedindo a candidatura dos corruptos, mas fazendo com que eles de fato fossem condenados e presos?

Por que não pensarmos antes em educar a população, desde as classes mais básicas do ensino, levando-lhe ao entendimento de que o eleitor é o agente responsável pelas mudanças de uma nação, que é ele que detém nas mãos o verdadeiro poder e mostrando-lhe o caminho para saber escolher melhor seus representantes? Se houver a conscientização de que voto é direito e não dever, para que mesmo uma lei que impõe ao povo o que é ou não condenável?

Hitler tinha a ficha limpa?

Numa atitude desesperada e destemperada, em grande parte repleta de boas intenções, foi o próprio povo que a avalizou. Faltou lembrar que Hitler, o senhor da “mobilização popular”, tão pregada pelo movimento (“radical democrático”) que deu origem ao projeto, era um exemplo de “moral e bons costumes”: para aproximar sua figura a de Gandhi, Goebbles, ministro da Propaganda de Hitler, o “vendia” como vegetariano, enquanto, alertam historiadores, “ele comia macarrão recheado com carne picante e coberto com molho de tomate”. Na busca por “pureza”, não bebia, não fumava.

Estão claras as diferenças contextuais: o Fürer alemão foi um ditador. Mas que, em nome da busca por uma “raça pura” – ou “limpa”, não faz muita diferença – gozou de grande popularidade em sua terra.

*Ana Helena Tavares, jornalista por paixão, futura jornalista com diploma. Editora-chefe do blog "Quem tem medo do Lula?".

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63 comentários
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Fabio SP

Essa lei causa muita polêmica! Só de pensar que Sarney e Maluf tem ficha limpa, e Luiza Erundina tem ficha suja, já me deixa meio apatetado!!!

 
 
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jose carlos lima

Imagina só se não vão dar um jeito de sujar a ficha do Lula..,,,é o único jeito de tirá-lo do páreo em futuras eleições..,,a nossa zelite não dorme no ponto...se os coronéis ficha suja também ficarão de fora? Claro que não, que o diga o caso Heráclito Fortes que, recentemente, teve a ficha abonada pelo Gilmar Mendes

Marcadores: Heráclito Fortes 443 × 492 - 44k - jpgcloacanews.blogspot.comCHEIA - DIETA DE PANETONE 443 × 492 - 72k - jpgforafutebol.blogspot.comO senador Heráclito Fortes 271 × 400 - 22k - jpgproseandosobrepolitica...Encontrar imagens similares 

 
 
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Adriano Alves

Eu acho que o mais eficaz seria colocar um selo, letra miúda ou coisa parecida, em todo material de campanha de todos os candidatos que tenham sido condenados em 2a instancia. Desta maneira o eleitor poderá saber o que está consumindo.

 
 
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Jair Fonseca

Eleitor... consumidor?

 
 
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Adriano Alves

E, no fim, é isso mesmo. A lei determina que os produtores coloquem na embalagem dos produtos o seu conteúdo, com informações que são importantes para o consumidor decidir se aquele é o produto que ele procura. No caso dos políticos esse critério era baseado no programa do candidato, que não precisa ter nenhuma relação com o mundo real e, antigamente, na sigla, que hoje não significa nada. Portanto, acho válido o candidato carregar um "DNA" e ser obrigado a dizer que tem condenação (em segunda instancia!). Eles vão chiar, mas é uma maneira mais eficiente do que criar uma lei que pode ser derrubada pelos amigos do Rei, ou STF.

 
 
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Ivan Moraes

Eu disse que o "Ficha Limpa" era golpe desde o comeco...

Eu disse.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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neide

Basta dizer que era a lei em que a Globo estava com o chicote na mao as 8hs da noite a ameaçar todos que ousassem se levantar contra ela. Nossos políticos vao ser definidos agora pela higiênica Globo,  a limpa revista Veja e esse Judiciário que aí está. Estamos ferrados.

 
 
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Jose de Almeida Bispo

Essa lei (com l minúsculo, mesmo) é uma lei B.O. ou seja, Boa pra Otário. Otários que se acham espertos e por isso mesmo, acham ser possível resolver problemas de desonestidade numa tacada só; em definitivo. Com uma lei que, com todas as demais, não há amenor necessidade disso; e sim de juizes que julguem, que desegavetem, ou melhor, sequer engavetem per saeculo saeculorum. Tem também os otários boa-fé, que acredita em milagres e em milagreiros, obviamente. E o cimento de todos eles: o malandro. O que quer uma lei com que possa ser possível postergar a definição de uma candidatura concorrente, por exemplo. Sabe como é! Pela natureza do processo eleitoral, tudo eleitoralmente falando está sujeito a prazo. Vizinho à minha cidade, em 1988 um cara ganhou pra prefeito no tapetão. No roubo. Depois de terminada a eleição, ao invés de proceder imediatamente à contagem, o cínico do juiz deixou pro dia seguinte. Pior, proibiu que se ficasse de vigília das urnas. No dia seguinte (não havia eleição eletrônica) tinha voto marcado de vermelho, preto, verde... enquanto que as canetas oficiais eram obrigatoriamente azuis. O perdedor recorreu. O TRE, depois de idas e vindas lhe deu ganho na causa quase um ano depois. O "vencedor" recorreu ao TSE. Que se pronunciou a 48 dias da posse do novo eleito na eleição seguinte,  quando o reclamente já tinha, de fato, perdido novamente.

O "ficha limpa" é pra isso. Pra bloquear os indesejáveis pr"Os Donos do Poder". Alguém arranja uma desculpa esfarrapada e o pau canta. É óbvio que nas brigas de quadrilhas de olho na política, os quadrilheiros mais bem postados levam a melhor. Os mais mal postados dançam, como estamos a ver gente outrora supostamente intocável, dançar. A CNBB e todo o aparato direitista nacional recriaram aspectos do AI-5. E se a sociedade consciente não se manifestar para que o STF acabe com esta porcaria (constitucionalmente não devo ter consideração alguma por algo que estupre a Constituição Federal), isso ainda vai dar muita dor de cabeça.

 
 
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Edmilson Fidelis

Intão tá intão! 

"acreditar em uma lei" é coisa de "otário".

Bem fazem os "espertos" que não acreditam em nenhuma. 

 

A única coisa que os senhores de bom grado dão aos escravos é a esperança. (Albert Camus)

 
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Jose de Almeida Bispo

Nenhuma lei pode estar acima da Constituição, meu caro! Nenhuma. Primeiro é preciso quebrar a regra universal do direito à defesa até a última instância (STJ ou STF, dependendo do caso) prevista na Constituição pra depois aprovar uma coisa dessas. Do contrário, servirá para que juízes mal intencionados em conluio com politiqueiros malandros usem a lei temporariamente pra bloquear adversários destes até que o STF, obviamente julgue nula a condenação por essa lei. Aí o dito cujo já perdeu tudo por causa dos prazos. É lei pra malandro. Não importa que CNBB, OAB, deputados, senadores e mídia tenham ido na onda. Repito: primeiro teriam que mudar a Constituição.

 
 
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Edmilson Fidelis

Bem, temos progresso.

Já não temos "otários" que acreditam em leis.

Temos uma lei mal feita e alguns juizes mal intencionados em conluio com politiqueiros.

A conversa pode prosseguir.

Concordo que a constituição é a lei maior. Concordo que a tal "lei ficha limpa" é fumaça para espantar mosquito. Espanta, mas não extermina. Vai indo ele se acostumam...

Mudar a constituição?

Mas esta que temos nem acabada foi!

Quiseram fazer uma constituição perfeita e eterna, como se houvessem perfeição e eternidade.

Temos um emaranhado de normas que pretendeu regulamentar todos os procedimentos do país. Normas que até são conflitantes entre si.

E aí entra minha irritação ao ver chamarem de "otário" quem acredite na força de uma lei.

Vão acreditar em quem? No Bispo?  :-)

Nã precisamor mudar a constituição. Precisamos de uma constituição. E de leis. E de quem as façam serem cumpridas.

 

 

A única coisa que os senhores de bom grado dão aos escravos é a esperança. (Albert Camus)

 
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Rafael Santos

Nassif,

acho que também valia um post, a disputa por alguns partidos pelo quociente eleitoral. Enquanto não vem a reforma politica, partidos pequenos e médios fazem de tudo, é o verdadeiro samba do crioulo doido (não sei se essa expressão é agora politicamente correta, eh novos tempos !)

O PTB é campeão nessa tática, lançara como candidatos a deputados Vampeta, Kleber Bam Bam entre outros nomes que vão da bizarrice a cara de pau.

Depois do finado do Clodovil e o Eneas, que alavancaram a votação de partidos nanicos e conseguiram eleger mais de um deputado. Agora, a prática é corrente.

Precisamos realmente de uma reforma eleitoral.

 
 
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André

Sou a favor do remanejamento de votos, mas só daqueles que foram dados para a legenda. Não quero, como acontece hoje, votar em Honestino Imaculado da Purificação sabendo que meu voto será remanejado para alçar Improboso Peculato a uma vaga no Legislativo.

O motivo? O remanejamento de voto dado em uma pessoa para a outra significa uma usurpação da vontade do eleitor, pois o mesmo não quer que seu voto seja remanejado nem deu procuração ao partido para tal. Quando o cara vota na legenda, aí sim que ele delega ao partido a tarefa de remanejar aquele voto, justamente por estar subentendido que ele confia naquilo que o partido em que votou fará.

 

Rastreado 24 horas/dia via patrulha ideológica

 
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F

Bom... muito bom.... HIPOCRISIA é o nome dessa lei.

Corrigindo um equívoco:  A visita da rainha Elizabeth II foi em 1968, com direito a desfile em carro aberto ladeada pelo príncipe consorte e um general -  moda na época - por Copacabana. Veio dar uma olhadinha na ponte Rio-Niterói a ser contruída com financiamento ingles de 12% a.a. conseguido pelo"mágico Delfin, o Neto".

O massacre do rio da Guarda deu-se em 1962 durante o governo de Carlos Lacerda - o Corvo anti-democrático que governava o Rio de Janeiro com empréstimos americanos - amigos é para isso - de 1% a.a.

 
 
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Ana Helena Tavares

F, com relação à visita da Rainha Elizabeth, não há equívoco no texto quanto a isso. O que eu digo é que a "Operação Mata-Mendigo" ocorreu no início da década de 60, antes do golpe de 64 e, com o golpe, os inquéritos foram arquivados. É o que  está contado no filme "Topografia de um desnudo" (ver sinopse aqui http://www.topografiadeumdesnudo.com.br/ofilme.html ). A operação ocorreu precisamente entre 62 e 63, quando havia uma expectativa quanto à visita da Rainha Elizabeth. Visita que só iria ocorrer em 68.

 

 
 
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jura

Com disse MV Bill: "Ninguém alicia ninguém para o tráfico. Tem até fila".

O ficha limpa é o Poupatempo dos corruptos. Só vai fazer a fila andar mais depressa.

 
 
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Marco Aurélio

A turma não deveria se esquecer que essa lei partiu de uma iniciativa popular com mais de 1 milhão de assinaturas. Ou só valem as ações da "sociedade organizada", sendo esse qualitativo "organizada" devidamente entendido em torno do petismo?

Ademais, o que se deveria esperar de nossos representantes é uma vida tão ilibida quanto a nossa. Em outras palavras, se aceitamos esse e aquele com processos criminais nas costas, na verdade estamos a dizer que dada o oprtunidade fariámos igual?

Não consigo enxergar como admissivel que um sujeito processado por estupro, roubo, homicidio ou por qualquer outro crime descrito no código penal, tenha o "direito" de se proteger da justiça buscando for especial.

Ao mesmo tempo nào me parece correto que uma ação generica de improbidade administrativa seja usada para barrar pessoas de se candidatar.

Mas convenhamos, Maluf já citado, os 40 do mensalão e tantos outros, sempre terão guarida em suas bases, partidos e na militancia. Logo como os criminosos serão sempre os outros, a lei somente será boa quando efetivamente aplicada nos outros.

 

 

 
 
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Jose de Almeida Bispo

Minha mãe, da Pastoral dos Idosos, assinou a tal da iniciativa popular. Como ela, mais umas quinze de seu grupo. Não é analfabeta; é razoavelmente bem informada, mas o padre apresentou as boas intenções e pediu a assinatura. Claro, ele talvez nem ligou pro fato de que a lei atropela a Constituição e o direito universal à defesa; muito menos minha mãe. Dependendo de quem orienta e quem orientado, e da onda, se consegue facilmente até cinco milhões de assinaturas. Claro que o povo... o país merece o fim do lodaçal. Mas não com esquemas de malandros. O fundamentalismo, qualquer que seja a sua natureza, é a ideologia dos canalhas imposta aos desesperados.

 
 
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Marco Aurélio

O mesmo argumento poderia utilizar para eleições, adesão a planos de saúde, investimentos, etc.

Venhamos e convenhamos, o processo de investigação e denúncia é tão demorado e complexo justamente para proteger o direito de defesa que o fato de umn processo impedir a candidatura de alguem não é um mecanismo para apontar culpas mas para elevar o nivel. Só isso!

Se voce fica devendo uma parcela de um crediário não importando o valor da parcela, voce fica com o nome sujo e não compra a crediário sequer um pacote de balas. Ninguem fica a reclamar do direito de defesa, inocência, seja lá o que for, não é mesmo? Todo mundo conhece um pilantra que deve a Deus e a todo mundo e permanece com o nome limpo e nem por isso, existe a defesa do fim desse sistema de proteção.

Quer se candidatar? Resolva primeiro sua pendencia judicial. O que não se pode permitir é que pessoas usem o sistema politico para com isso ocnseguir foro especial e através dele, empurrar com a barriga um processo que no rito normal lhe seria danoso.

Qualquer pessoa de bom senso na procura de uma assistente, de uma bábá para seus filhos, pesquisa a vida pregressa dos candidatos e escolhe a que apresentar as melhores informações. Entre escolher alguem que nunca respondeu processos, nada está a dever e é profissional e outra que igualmente profissional responde a processos por agressão física ao antigo patrão, qual dos dois voce escolheria para cuidar de seu filho? A resposta é óbvia. E voce não estaria preocupado com o "direito de defesa" do candidato mas com a segurança de sua familia.

Porque com os representantes da sociedade, deveria haver menos rigor?

 
 
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H. C. Paes

Ainda não formulei opinião a respeito dessa lei. Porém, algumas considerações:

i. Mandela poderia concorrer. A lei só vale por oito anos a partir da condenação, e não a partir do cumprimento da pena.

ii. Sobre a presunção de inocência: o Brasil não fundamenta seu direito na presunção de inocência, e sim na presunção de não-culpabilidade. Não sei o que isso significa, estou só papagaiando o que o Walter Maierovitch diz a respeito. Alguém saberia explicar?

iii. Maluf vai concorrer? Eu achava que não, porque ele foi condenado em ultimíssima instância pela Paulipetro, não foi? Ele entrou com ação rescisória, mas não sei se isso é a mesma coisa que absolvição. Aliás, a quantas anda essa história? Ele teve de pagar ou não?

 
 
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NETO-TO

SEMPRE ME DÁ CALAFRIOS QUANDO VEJO UM CORO QUE TENTA DESQUALIFICAR UMA LEI QUE, SE NÃO É PERFEITA(E QUALÉ?)PELO MENOS É UM INÍCIO, E PENSEMOS POIS QUE PODERÁ COM O TEMPO SER APERFEIÇOADA?

O NOSSO LEGISLATIVO SÓ LEGISLA EM CAUSA PRÓPRIA, OU NA MARRA, COMO ESTA FOI.

ENTRE MORTOS E FERIDOS, QUE SALVEMOS NÓS, OS CIDADÃOS, SEMPRE A PONTA MAIS FRACA DA HISTÓRIA.

 
 
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Ivan Moraes

"SEMPRE ME DÁ CALAFRIOS QUANDO VEJO UM CORO QUE TENTA DESQUALIFICAR UMA LEI QUE, SE NÃO É PERFEITA(E QUALÉ?)PELO MENOS É UM INÍCIO, E PENSEMOS POIS QUE PODERÁ COM O TEMPO SER APERFEIÇOADA?"

NAO. Nao eh "inicio" de nada e nao vai ser "aperfeicoada". Voce esta sendo enganado. A "Ficha Limpa" eh uma continuacao judicioide/juridicoide do que o Brasil sempre foi por causa do judiciario.

Mais uma aberracao, so isso.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Chico Cerrito

Não precisava de Ficha Limpa, bastava a justiça(?) brasileira :

- deixar de ser extremamente lenta, aprender que celeridade é justiça e o oposto iniquidade,

- deixar de ser suscetível a inúmeros recursos e instâncias, todas privilegiando réus abastados que podem contratar advogados de muito prestígio, talento jurídico e moralidade nem tanto,

- deixar de ter tribunais superiores ou supremos de justiças, separadas, cada um com seus castelos faraônicos em todas as capitais, salários imorais e  milhares de funcionários,

-  passar a ter controle externo, da sociedade, com exigência de padrões de competência e de moralidade absoluta,

- ser realmente cega e aplicar penas de maior severidade para delinquentes que tinham  melhores condições e oportunidades de não delinquir.

Enfim, se e quando o poder judiciário e a justiça(?) brasileira virarem PODER LEGÌTIMO e JUSTIÇA REAL, aí sim não precisaremos de mais nada.

Agora, com esses poderes, judiciário e legislativo, caríssimos, de moralidade duvidosa e baixa qualidade, não dá para abrir mão de qualquer tentativa de não permitir a candidatura de gente como Roriz, Maluf e cia, ressaltando que não estamos num regime fascista como a Alemanha  entre guerras ou a África do Sul de anos atrás, e mesmo sabendo que, se não cheira bem, pouco nesses poderes parece cheirar bem.

 
 
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Anonimo

Correto Chico. Nos seus quarenta anos de existência o nosso excelso pretório, o STF, não conseguiu concluir nenhum processo  contra político.  A lei, aparentemente,  parte de um diagnóstico de que realmente o judiciário brasileiro vai continuar sempre nesse passo de cágado desfuncional e preguiçoso. Assim pega-se uma decisão colegiada de segunda instância para "quebrar o galho" e tentar suprir a crônica ineficiência do nosso judiciário.

O risco que corremos é de que a lei pegue apenas os bagrinhos. Até agora isso se confirmou. Vários bagrinhos já foram fisgados porém o bagrão Heráclito Ficha Suja Fortes, senador do Piauí, homem de sorte e de santo forte, conseguiu escapar.

A vantagem da lei é que, enquanto  apenas os bagrinhos estiverem sendo fisgados estará tudo bem. Todavia a hora que for fisgado um peixe grande vai ser uma confusão danada pra tirar o dito cujo das águas da corrupção onde eles sempre nadaram de braçada.   O peixão vai debater-se e resistir. E aí pode ser que a questão seja colocada nos seus devidos termos ou seja: Não podemos continuar a navegar nesse mar de impunidade. Teremos que, necessariamente, debater a necessidade de uma profunda reforma modernizadora e simplificadora no judiciário.

Comentário de: Zé da Silva Brasileiro

 
 
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Fabio SP

"Agora, com esses poderes, judiciário e legislativo, caríssimos, de moralidade duvidosa e baixa qualidade, não dá para abrir mão de qualquer tentativa de não permitir a candidatura de gente como Roriz, Maluf e cia, ressaltando que não estamos num regime fascista como a Alemanha  entre guerras ou a África do Sul de anos atrás, e mesmo sabendo que, se não cheira bem, pouco nesses poderes parece cheirar bem."

Vc deixou o poder EXECUTIVO de fora por que? Tem gente de moralidade não duvidosa e alta qualidade e são bem baratos? ou  foi algum repente democrata-chavista de sua parte?

 
 
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José Maia

A estratégia da nossa elite conservadora, nos anos recentes, tem sido a mesma: reduzir do povo a possibilidade de escolher seus representantes, seja lá quem for, na medida em que esse povo começa a não votar com eles. Esta lei nada mais é do que mais um passo nessa direção. Essa mesma lei será derrubada quando não interessar mais.

 
 
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IV AVATAR

O Gimar Mendes limpou a ficha do Heráclito


Caricatura de Claudio Teixeira

A ficha do Heráclito foi limpada pelo Gilmar Mendes

 
 
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neide

Nao conhece o ditado? Lavou tá limpo! Assim vai ser Maluf e toda a panelinha PSDB-DEMO e assemelhados.

 Quando o Judiciário começa a sobrepor a politica e querer definir quem serao os bons políticos ou maus para o país, acontece a merda que aconteceu na Itália, desmoralizaram e perseguiram quase todas as lideranças políticas do país. O que sobrou ao povo foi justamente o dono da mídia: Belluscone, o limpinho. As máfias estao aí como sempre estiveram  e  a tal inplacável justiça italiana não consegue mover uma palha contra as artimanhas de Belluscone como não conseguia durante todo tempo em que perseguia os políticos italianos.

Eu sei que muita gente não acredita em políticos, mas não se pode vibrar quando burocratas se aliam a mídia e saem tentando dizimar as líderanças políticas que se formaram dentro da sociedade em uma democracia, algumas lideranças no Brasil no período da Ditadura suportando inclusive o pau- de- arara.

  

 
 
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Roberto Andrade

Essas comparações "ceteris paribus" com outros países não tem qualquer lógica.

O regime militar no Brasil acabou há 25 anos e temos presidentes eleitos democraticamente há 20 anos. Houve uma anistia ampla e irrestrita (considere você justa ou não, é um fato). Ou seja, o caso do Mandela, eleito logo após um cruel regime de apartheid que o condenou por "terrorismo", não tem nada a ver com o brasileiro.

Todas as pessoas inelegíveis no Brasil o são por ações que correram em um período de vida democrática. Não há ninguém condenado por "terrorismo".

 
 
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neide

O ódio com que a mídia raivosa partiu para cima de José Genuíno,  José Dirceu e outros,

você acha que era porque?

Claro que cabe comparaçoes, destruam todas as lideranças políticas do país  e fique os filhos e donos da mídia.O ACM construiu um patrimônio que chega a Bilhao e só exerceu em sua vida cargo público. Ele esteve vivo até outro dia, você escutou falar que alguém do Judiciário já o incomodou por virar um Bilionário de forma tao inusitada?

 
 

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