A educação e os indicadores

Coluna Econômica

A divulgação do IDEB (Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico), o sistema de avaliação do ensino preparado pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) para o Ministério da Educação, é uma demonstração cabal do avanço da ciência dos indicadores no Brasil.

Os primeiros sistemas foram desenvolvidos no governo Fernando Henrique Cardoso. No primeiro governo Lula houve uma interrupção por algum tempo. Depois retomou-se o trabalho. Hoje, tem-se o mapa do ensino na mão, para definir políticas públicas.

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IndIndicadores são a melhor defesa de que dispõe a sociedade para a garantia de manutenção de políticas públicas. Definem-se os objetivos – no caso da educação, a qualidade do aprendizado do aluno. Depois, fixam-se metas, comparam-se desempenhos regionais, municipais ou de escolas.


Esse monitoramento permite identificar as melhores práticas, dentre escolas e estados, melhores métodos pedagogicos e, na outra ponta, os piores desempenhos.

A partir daí, governos federal e estaduais podem montar modelos de reforço aos mais fracos e de estímulo aos melhores.’

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A ciência dos indicadores de desempenho é recente no país. Apenas no início dos anos 2000, as primeiras ONGs passaram a estudar maneiras de avaliar os recursos aplicados na educação.

Coube ao Instituto Ayrton Senna os maiores avanços, com o projeto Acelera Ayrton – que visava reforçar o ensino para crianças repetentes. Na ocasião, Viviane Senna, presidente do Instituto, surpreendeu ao afirmar que o investimento em formas de avaliação era tão relevante quanto no projeto pedagógico.

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Tendo os indicadores, há que se ter o cuidado de formular os diagnósticos corretos.

Nos últimos anos, uma nova-velha geração de educadores, com um viés claramente contrário do da escola pública, estimularam a idéia de que a qualidade do ensino não depende de salários de professores, mas de métodos gerenciais e pedagógicos modernos.

Partia-se de uma visão simplificada da realidade. Primeiro, comparavam-se duas escolas nas mesmas condições – mesma região, com professores com os mesmos salários. Uma delas tinha desempenho superior ao da outra. Logo, concluía-se, o diferencial não é salário, mas o trabalho da direção.

Na semana passada, juntei no programa Brasilianas.org um conjunto de organizações envolvidas com educação – do Movimento Todos Pela Educação, liderado pelo empresário Jorge Gerdau, a movimentos mais ligados aos professores.

***

A opinião unânime é que o passo inicial é o resgate da carreira de docente. Tem que se ter salários e plano de carreira para seduzir os melhores quadros. Depois, fornecer condições de trabalho adequado.

Aí, sim, começar a medir, avaliar e cobrar, sempre procurando envolver pais, alunos e ganhar corações e mentes dos professores.

Um dos erros básicos do modelo educacional paulista recente – da secretária Maria Helena – foi tentar empurrar modelos modernos goela abaixo dos professores.

Como o próprio Gerdau aprendeu em suas empresas, gestão mexe com pessoas. Sem convencê-las, não há modelo que funcione.

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36 comentários
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cleber tomaz

Uma pequena cidade paulista apresentou os melhores índices , e Minas Gerais , S. Paulo , Sta Catarina e R.G .do Sul , são os estados que sobresairam , por coincidencia governados por PSDB ,estados mais politizados  a onde Serra esta na frente de Dilma ,portando a popularidade de Lula esta diretamente ligado as regiões com nivel de escolaridade mais baixo e consequentemente sem a politização necessária para perceber a tutela de politicos demagogos e populistas , que so acabaram com a educação do povo.

 
 
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paulob

é por análises como essa, simplistas ao extremo, que a educação no país não melhora. se a alegação desse sujeito tivesse sentido, a paraíba, que o psdb governa faz algum tempo, seria disparado o estado com melhor índice.

 
 
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Mario Abramo

E adivinha quem administra a pequena cidade paulista que teve o melhor índice...

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

 
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Ribas

O caso do RS é bem interessante mesmo, este eu conheço bem! A Yeda deve ter contribuído muito para os avanços na educação: fechou escolas; colocou crianças para estudarem dentro de containers de aço; ordenou que polícia batesse nos professores em greve; reduziu o percentual de investimento na educação; manteve a execução orçamentária em educação como a menor das últimas dácadas; e em 20 anos foi o único governo que não realizou concurso para servidores da educação.

 
 
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Adriano Alves

Estes Estados que vc citou já eram os mais desenvolvidos antes de existirem os Tucanos. O bom resultado alcançado em Cajuru é fruto do trabalho do prefeito de lá, filiado ao PP. O resultado de Sao Paulo foi medíocre, assim como do Rio, dominado pelo Dem.

O que vc deve levar em conta não é o ranking, mas sim a evolução nos resultados.

 
 
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alpa

Sr. Adriano

Não defendendo o DEM e seu líder no Rio, mas a prefeitura é dominado pelo queridinho da grande mídia Eduardo Paes (ex-PSDB) que é do PMDB.

 
 
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João Aguiar

a que nível de discussão nós chegamos

 

você não pode vencer a morte, mas você pode vencer a morte em vida, às vezes. Charles Bukowski

 
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Fernando Bueno

Já passou da hora de superarmos esse discurso de luta do bem contra o mal no campo da educação. Nos anos 80 ouvíamos que o problema da educação foram as políticas do regime militar - aí o inimigo da educação era o o ex-ministro Jarbas Passarinho. Nos anos 90 o mal estava encarnado no neoliberalismo, esse coisa-ruim que queria manter o povo na ignorância para entregar as riquezas a não sei quem que é poderoso. Nos últimos dez anos temos uma novidade: o inimigo passou a ser duplo. Quem gosta do PT diz que PSDB é inimigo da educação. De modo oposto, quem gosta do PSDB diz que o PT faz mal para a educação.

SERÁ que é assim?

Os meus anos de experiência vão me mostrando que por mais que gostemos ou não gostemos deste ou daquele personagem (geralmente ministro da educação) temos de reconhecer algumas coisas. A principal delas é que as políticas de educação estão inseridas num complexo da vida social e da história da Brasil. Assim:

Sem Jarbas Passarinho (em pleno governo Médice) não teríamos ensino obrigatório de 8 (hoje 9) anos. Continuaríamos com escola primária de apenas 4 anos e um impedimento para o prosseguimento dos estudos (o tal exame de admissão que impedia o acesso ao ginásio). Continuaríamos com um ensino de características aristocráticas, típico de sociedade rural.

Sem o Paulo Renato de Souza (governo FHC) não teríamos o Fundef (hoje Fundeb) e sem ele um sistema de financiamento que garante a expansão e universalização, primeiro, do ensino fundamental e, agora, podendo ampliar educação infantil e ensino médio.

Sem Fernando Hadad (governo Lula) não teríamos o Plano de Desenvolvimento da Educação e as metas e  propostas de ações para melhora da qualidade da educação básica.

É o maniqueismo que impede, de todos os lados, que se veja o que se faz e o que é importante para a educação. Impede de ver a complexidade do processo. Infelizmente essa visão de militante ortodoxa está disseminada: sindicatos de professores, mídia irresponsável (ops, não será uma redundância?), universidades - especialmente as Faculdades de Educação e, é claro, os próprios militantes.

Temos um país profundamente heterogêneo. Daí as disparidades. Elas não são resultado dos útlimos anos de governo, mas de políticas centenárias. Usar indicadores desse modo tão tosco é, no mínimo, lamentável.

 
 
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Hermes

Típico argumento tucano: Racista, simplista, sem um abordagem séria, sem intenção de melhorar ou contribuir, mas simplismente desqualificar. Ou seja, uma contribuição ao atraso, ao facismo político que impera em São Paulo, nessa combinação de partido elitizado + mídia manipuladora.

Vamos melhorar o nível e discutir, ideias, alternativas. Como diz minha mãe: Se não tem algo útil para falar, fique calado.

 

 
 
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flavio Garcia

Pelo q eu li São Paulo caiu da 2ª posição para a 7ª..... esta informação esta errada?

 
 
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Calvin

Excelente histórico sobre o assunto, e o mais importante, IMPARCIAL. Relato que estive recentemente em reuniões no TCU, e o órgão agora passou a exigir indicadores por setores estratégicos no Executivo. A área de transportes criou um comitê para tal. o CECIIT, que mapeará todos os indicadores do DNIT, Antaq,ANTT e Valec em uma base georeferenciada.

 
 
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Geraldo Roberto Pereira de Carvalho

conheço redes em que o salário do professor é mt bom e o resultado não. concordo com a primazia dos salários mas o nível de cobrança por resultado tem que acompanhar a recuperação salarial. td mundo, inclusive a imprensa precisa parar com essa história de culpabilizar os alunos. na reportagem da folha de sexta-feira, ficou parecendo que a queda no rendimento se deveu a entrada de mais crianças e a universalização do ensino fundamental. o nível de preparação dos gestores municipais precisa melhorar significativamente, principalmente dos secretários de educação. sou favorável a avaliações periódicas do trabalho do professor, ao longo da carreira e as provas de ingresso devem ter tb provas práticas como se faz nas universidades. demore o tempo que for , o professor precisa fazer tb as provas práticas. nassif, sugiro, modestamente, uma abordagem que cruze os recursos educacionais, inclusive os chamados recursos próprios (iptu e iss) com ideb. indico os nomes dos professores luis araújo e nicholas davies. tb seria importante uma abordagem do pisa em cuba e no brasil ou na argentina, por exemplo. sempre pegando cuba como referência. procure , nassif , as redes municipais que pagam salários mais significativos e veja se o rendimento do aluno é melhor mesmo. o ideb é um tremendo avanço mas tem mta gente que ainda precisa se tocar do que está acontecendo. p começar temos que vencer a batalha contra a reprovação. ainda tem gente que acha q ela é fundamental. nem entenderam ainda a composição do ideb. faça um post sobre correção de fluxo p vc ver como as coisas andam devagar. até o mec , inexplicavelmente, retirou o índice de distorção de fluxo de um de seus indicadores no site do inep (indicadores demográficos e educacionais). lamentável!

 
 
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João Rafael

Prezado Nassif,

Parabéns por trazer este tema tão importante ao debate de forma equilibrada. Ele andava meio sumido aqui.

Você tem toda a razão em destacar que a gestão também envolve pessoas. Trabalhei 4,5 anos no ensino fundamental em São Paulo (capital), em escola pública e particular. Em ambas, além do salário baixo e da falta de uma estrutura moderna, a “ausência” dos pais é algo assustador e muito preocupante. Há que se responsabilizar as famílias judicialmente pela educação de seus filhos!

Saí da sala de aula com duas sensações, em relação ao trabalho docente: 1) que exercia mais um papel de “carcereiro” do que de educador; 2) que meu papel era muita mais o de “cuidar dos filhos dos outros enquanto eles trabalham” do que produzir conhecimento escolar. Curioso: uma das coisas que mais ouvi dos pais quando estes eram chamados na escola é: “mas eu não posso fazer nada, eu trabalho”.

Um último aspecto que julgo importante destacar e que não li no seu texto: um dos maiores problemas que vi nas escolas que lecionei é o fator da “desestruturação das famílias”. Como eu vi alunos (as) sofrendo com separações de pais, brigas judiciais, etc.! Onde está o problema? Os professores e a escola em geral não estão preparados para trabalhar com isto e não há nas escolas psicólogos nem psicopedagogos, ou seja, ignora-se simplesmente a condição psicológica do aluno (a) e exige que ele (a) aprenda (goela abaixo) os conteúdos exigidos pelo currículo.

Os indicadores podem sim ajudar na melhoria da qualidade da educação brasileira, desde que os números sejam “humanizados”, levem em consideração que educação é uma relação estritamente humana, animada, e não simples objetos de observação.

Um abraço 

 
 
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Mario Abramo

Nassif,

  Só um alerta em relação ao IDEB: o indicador leva em conta nota e tempo de conclusão. De forma simplificada, um aluno que tira 5 na prova e leva os 9 anos para completar o básico é mais ou menos equivalente a um aluno que tira 7 mas levou 13.

 Isso é importante para a comparação dos dados, inclusive por que alguns estados pensam "promoção continuada" como "aprovação automática".

[]s

Mario

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

 
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Geraldo Roberto Pereira de Carvalho

caro mario, penso que a lógica da "promoção automática" não casa bem com o ideb. uma parte da composição desse índice é o resultado da prova brasil e se o poder público EMPURRAR o aluno (eu entendi esse sentido de crítica em suas colocações) não vai funcionar pq a prova brasil vai 'pegar' na quarta série ou quinto ano , o aluno que uma vez empurrado, não aprendeu. a gde sacada do ideb é q ele em princípio inibe a chamada "empurração continuada". por outro lado ele tb coíbe ( ou tenta coibir) a sistemática reprovação. esta prejudica o fluxo e assim faz o ideb cair. dito em outras palavras não adianta empurrar mas tb não adianta reprovar. tem q garantir aprendizagem no tempo certo, ou seja, a criança entrar com 6 anos no primeiro ano e sair com 14 no nono ano, SABENDO. tb não adianta conseguir uma nota alta na prova brasil (aplicada, por exemplo, no final do quinto ano) as custas da sistemática reprovação. por exemplo, vc reprova na primeira , na segunda e na terceira série, logo aplica a prova sobre uma base mt restrita na quarta série. o desafio é promover aprendizagem sem reprovação. conseguir resultados educacionais com fracasso escolar é fácil. a escola brasileira já faz isso há décadas. por isso o ideb é tão bom. vai caindo a máscara de um monte de gente. sobretudo entre os gestores públicos.

 
 
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Mario Abramo

Caro Geraldo,

  A crítica que fiz não é em relação ao IDEB, que considero um bom indicador, aliás, não é crítica, é um alerta, para se tomar cuidado ao comparar resultados em realidades diferentes. A crítica é só à "empurração continuada"... (gostei da expressão ;-)

[]s

Mario

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

 
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luzete

Sabe nassif,

eu não sou contra a existência de indicadores, mas, às vezes dá a impressão que são eles que podem indicar caminhos, quando, sem qualquer indicador e bastando um rápido olhar, dá para se saber onde estão nós cruciais da educação: estrutura física precária, decadente mesmo, escolas sem bibliotecas, turnos escolares de horário reduzidos para crianças cujos pais trabalham fora, escolas sem merenda ou com merenda de baixa qualidade (e nem falo dos superfaturamentos e esquemas de terecierização), professores mal remunerados e mal qualificados, professores e alunos desmotivados por várias razões, entre elas a falta de perspectiva profissional, gestores educacionais sem ousadia na busca de soluções (precária visão de liderança)... resolvido isto, aí sim, os indicadores poderão servir para aprimorar o sistema.

acho que esta é a síntese: indicadores são bons para aprimorar o sistema, mas quando o sistema sofre de coisas elementares, nem dá para culpar nada... tudo deve ser agregado para explicar os problemas de rendimento escolar...

naturalmente que excluo da análise o fator governo tucano que, segundo o moço aí em cima, explica o maravilhoso desempenho da região... (escondendo o caso geral de são paulo, o único que foi governado exclusivamente por tucanos nos últimos anos).

o problema da educação não é de acúmulo de erros mas de uma democratização da educação que vem sendo feita sem a menor preocupação com a qualidade da educação destinada aos mais pobres.

 

 
 
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foo

"Os primeiros sistemas foram desenvolvidos no governo Fernando Henrique Cardoso. No primeiro governo Lula houve uma interrupção por algum tempo. Depois retomou-se o trabalho. Hoje, tem-se o mapa do ensino na mão, para definir políticas públicas."

Desculpe destacar apenas o trecho acima, mas é importante destacar que essa foi uma boa iniciativa do governo FHC, que sofreu um recuo no primeiro mandato do Lula, para voltar a avançar no segundo mandato.

Aliás, tenho pra mim que o segundo mandato do Lula foi infinitamente melhor do que o primeiro; talvez porque o escândalo do mensalão tenha queimado muitos dos políticos profissionais que cercavam o Lula, e o obrigou a fazer um governo mais técnico -- do qual a Dilma é um dos principais quadros.

 

 
 
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mcn

A publicação do IDEB tem permitido uma série de análises consistentes sobre a melhoria da qualidade da educação.

Um exemplo interessante é o estudo "Melhores práticas em escolas de Ensino Médio no Brasil (2010)", lançado pelo MEC, em parceria com o BID. O estudo fez uma análise qualitativa de escolas estaduais do Acre, Ceará, São Paulo e Paraná que apresentaram ótimo desempenho escolar, baseado em indicadores, dentre eles o IDEB.

Destacam-se as seguintes boas práticas comuns:

1) Aprendizagem como foco central da escola;
2) Expectativas elevadas sobre o desempenho dos alunos;
3) Elevado senso de responsabilidade profissional dos docentes em relação ao sucesso dos estudantes;
4) Trabalho em equipe e lideranças reconhecidas;
5) Preservação e otimização do tempo escolar;
6) Normas de convivência claras, aceitas e incorporadas à dinâmica da escola;
7) Clima harmonioso: a escola como um lugar agradável para ensinar e aprender;
8) Autonomia e criatividade por parte da equipe escolar.

Esta lista é praticamente a "receita de bolo" para as escolas conseguirem desfazer o "nó" do Ensino Médio, que é hoje o elo mais frágil do sistema educacional brasileiro.

 
 
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Anarquista Lúcida

É piada? Concurso Conselheiro Acácio de obviedades? Como fazer para obter esses "ingredientes"? Como fazer para garantir o tal "ambiente harmonioso" e para que alunos obedeçam às tais normas? (as escolas eram de lugares pequenos? havia escolas de periferias conturbadas de grandes cidades nessas "ilhas de excelência"?) Como motivar professores, com os salários e condições de trabalho deles? Com esses ingredientes citados, é claro que o resultado é bom, o problema é como consegui-los...

 
 
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mcn

Anarquista Lúcida, indiquei o link da pesquisa acima. Vale a pena consultar. É um material bastante rico.

Pode parecer incrível, mas, no Brasil, além das Escolas Federais, existem algumas escolas públicas que oferecem Ensino Médio de qualidade.

Acho importante o esforço de sistematizar as melhores práticas e entender porque, com a mesma destinação de recursos, algumas escolas se sobressaem.

 
 
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Geraldo Roberto Pereira de Carvalho

acho que outra medida interessante seria se os tribunais de conta adotassem o princípio constitucional da eficiência p analisar as prestações de contas dos municípios e dos estados. tal princípio deveria partir do ideb mas em uma relação com os recursos educacionais. aqui em sp tem  cidade que faz mais com menos e tem o contrário tb (sou do litoral de sp e os recursos próprios, iptu e iss, são consideravelmente supeiores a média do estado). a busca da qualidade precisa ser mt mais agressiva do que é na verdade. p as crianças pobres é td mt lento, devagar. jabulaaaaniii!

 
 
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Rudá Ricci

Não é bem assim, Nassif. Vamos por partes:

1) O IDEB adota o mesmo modelo que os governos tucanos, na área educacional, que se denomina avaliação classificatória (há ampla literatura a respeito);

2) Este modelo de avaliação parte de um padrão e monta um ranking a partir do padrão. O grande problema é que processo de aprendizagem não possui padrão. Aliás, esta constatação é que traduz a esquizonfrenia do MEC: ele propõe um projeto pedagógico focado na individualidade do aluno e avalia no padrão;

3) Na prática, o professor recebe o boletim do IDEB e não sabe o motivo (ou motivos) que levam 30% dos seus alunos a não saber interpretar textos complexos. Enfim, o IDEB revela (de maneira incompleta) um retrato, mas não o filme que levou ao retrato. O professor fica refém desses indicadores;

4) Qual o efeito? Uma total apatia e angústia do professor. Pior: os governos aumentaram, com o IDEB, o poder dos mecanismos de controle intermediário, como inspetores regionais que pressionam diretores e professores a melhorarem os indicadores. Estamos vivendo a morte da capacidade diagnóstica das escolas. Imagine se isto ocorresse na medicina!!

5) A consequência da consequência é que estamos voltando atrás, no tempo, em termos pedagógicos. Na ânsia de tentarmos melhorar o tal índice, recorremos à aula de reforço. Aula de reforço é baseada em técnicas de reflexo condicionado. Pergunto: como formaremos lideranças para a 5a potência mundial com aulas de reforço?

6) Enfim, sugiro que fique menos entusiasmado com o IDEB. Não podemos substituir o espírito crítico pelo palanque eleitoral. O IDEB é um equívoco. Ao menos uma meia sola. Cheguei a conversar com Manoel Palácios quando ele montava o SIMAVE aqui em MG. Todos sabem de suas limitações e como estamos diminuindo cada vez mais a parca autonomia do professor porque ele está correnda atrás de números que não traduzem em nada o perfil do educando;

7) Para finalizar: por qual motivo não se fala na relação hábito familiar e desempenho do aluno? Este é o principal fator (já observado desde 1920 por Lev Vygotsky e recém corroborado pela Fundação Itaú Social) de influência sobre o desempenho do aluno. Por qual motivo não avaliamos a relação interpessoal definida em classe de aula, já que estudos canadenses recentes indicam que este é outro fator essencial para o desempenho escolar? Por qual motivo reduzimos indicadores a números? Será que falta estudo ou é má fé?

 
 
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luisnassif

Rudá

medir a capacidade do aluno de saber matemática ou português é o mínimo, o ponto de partida. Há um enorme conjunto de fatores influenciando as notas, mas o ponto central é saber qual a nota. A partir daí, a escola pode se comparar com ela própria, saber se melhorou ou não, Do cruzamento de dados será possível, em etapas posteriores, identificar fatores familiares,m regionais, situação sócio-econômica dos alunos.

Mas sem avaliar o resujltado final, não sei como chegar a esses diagnósticos.

 
 
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Geraldo Roberto Pereira de Carvalho

volto a dizer , nassif, conheço redes públicas municipais com situações estruturais bastante razoáveis e com rendimento de aprendizagem não correspondente. de novo , alerto p a situação cubana e o pisa. são outras referências, cuba é um país mt pobre mas tem um desempenho educacional mt bom usando como referência um teste internacional como o pisa. acho q as pessoas tendem a usar uma série de desculpas p deixar de reconhecer o básico. a escola brasileira produz fracasso escolar, não conseguimos extirpar a reprovação ( o sucesso escolar não é metabolizado) e o desempenho das crianças é em geral mt abaixo do esperado. em geral quase ninguém aborda a questão do recurso próprio, insisto nisso. as cidades que dispõem de mais recursos educacionais deveriam ter um desempenho melhor (em tese ) e isso mtas vezes não acontece. acho q existe tb a questão da responsabilização . é precária essa idéia, parece que ninguém se sente mt responsável por nada na escola pública. na economia falam em regime de metas de inflação. pergunto nassif: seria razoável trabalharmos com um regime de metas na educação?

 

 

 
 
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sergior

Nassif,

se não sabe, é difícil saber a razão do destaque? Pouco se pode ler na comparação entre uma escola de um cidade de 4 mil habitantes e outra de milhões. É cômico, do ponto de vista técnico, mas dá manchete, que é o que o ministro gosta. Rudá Ricci resume alguns dos problemas gerados por esses geradores aleatórios de números que são as consultorias de avaliação, mas a pior é a transferência da culpa do fracasso do sistema para o professor e para o aluno. Em SP, por exemplo, ao longo dos últimos anos, as seguidas trocas de secretários e de equipes de educação mostram que não se sabe o que se quer na área. A inoperância dos governos para a resolução dos conflitos trabalhistas com professores e técnico-administrativos mostra a importância que é dada ao tema. No caso de Serra, por exemplo, ele pode abrir sua agenda esse ano para receber Madonna, mas nunca recebeu a liderança dos professores em greve há meses. O mesmo vale para qualquer governo, petista ou tucano ou de qualquer outro partido.  Há um fato que independe de estatísticas: o salário de professor da educação fundamental ou média pública é menor que o de um soldado da policia militar ou de inspetor da polícia civil. Enquanto essa situação não se inverter, fica difícil ter educação de qualidade.

 
 
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Fernando Bueno

Fiz um comentário acima a respeito de uma manifestação maniqueísta.

Com todo o respeito ao Ruda, mas essa resistência ao IDEB (e outros tantos indicadores) é um exemplo do discurso "luta do bem contra o mal" que está presente, pelo menos, desde a década de 80 no meio daqueles que pesquisam a educação no Brasil. Estou falando especificamente das Faculdades de Educação mas incluo aí setores das Ciências Sociais e da Filosofia.

Infelizmente a pesquisa em educação no Brasil, salvo honrosas excessões, reduziu-se à discurso ideológico (especialmente a área denominada Políticas de Educação) - basta dar uma olhada nos anais dos principais encontros da área para notar como repetem-se os traballhos sobre os efeitos do neoliberalismo na configuração da educação e outros temas relacionados. Ideias são tomadas como dogmas e certos autores são alçados à condição de deuses (inclusive, se você não os citá-los você corre o risco de, no mínimo, ser taxado de conservador).  Daí  dizer que os métodos de gestão são burocráticos e que falta democracia na gestão é um passo.

Afinal de contas, porque o SAEB - que inclui a Avaliação Nacional da Educação Básica (avaliação por amostragem), a Prova Brasil o IDEB são ruins? Por que negar a grande utilidade desses índices? Por que dizer que eles servem para coagir os professores? - Afinal, qual o caso concreto em que houve coação?

Se corretamente interpretados os resultados da prova Brasil são muito úteis para as escolas fazerem o planejamento de suas ações pedagógicas. Isso porque a escola, por meio do boletim que é distribuído pelo Inep pode saber qual o nível de competência alcançado pelos alunos da 4ª e da 8ª séries (ah! eu esqueci, competência é um conceito neoliberal e, portanto, não deve ser utilizado numa escola em que impera a gestão democrática).

Eu acho que esse é o problema: criou-se um discurso pedagógico extremamente empobrecido. Tudo que é quantitativo é negado em favor de uma perfeição dos estudos qualitativos. Só que a a escola continua reprovando os pobres, continua falhando no ensino, continua sendo ineficiente. E nós nos negamos a saber porque.

Dizer que as escolas estão perdendo a capacidade de fazer diagnóstico? Mas que diagnóstico? O boletim da prova Brasil é um diagnóstico (e dos bons). O ministério oferece, cabe aos professores e gestores utilizá-lo. Mas, para isso, é preciso abandonar a posição confortável de rotular as coisas como neoliberais, tucanas, petistas, etc e procurar entendê-las.

 
 
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Rudá Ricci

Estamos tratando de uma das áreas mais técnicas do conhecimento humano. Mas que é tratada no Brasil como questão secundária, como se fosse um mero problema de esforço. Vou procurar aprofundar um pouco a questão:

1) Quem definiu esta noção de currículo focado em resultado foi o taylorista Joseph Mayer Rice. Copiamos literalmente isto no Brasil. Ele acreditava que o conteúdo fundamental era o que a indústria exigia para produzir: operações básicas da matemática, saber ler (escrever era desnecessário) e comportamento disciplinado;

2) Baseava-se no que Taylor denominava de "homem-boi". Quando Nassif sugere que o básico é saber matemática ou português, entendo sua boa vontade, mas é expressão de como esta visão anglo-saxônica é hegemônica em nosso país. Rice dava importância à leitura em função da necessidade do operário ter que ler apostilas de treinamento. Mas escrever era desnecessário porque ninguém queria saber sobre sua opinião a respeito de nada;

3) Aprender matemárica? Mas aprender o quê? Ensinamos bobagens, como fração imprópria que se encontra em inúmeros livros de matemática (é imprópria porque não é fração, como 6/3). Eu poderia citar milhares de exemplos para demonstrar erros grosseiros do que se ensina nas escolas brasileiras a partir de livros didáticos (ou não);

4) Não é básico adotar um sistema quantitativo (avaliação classificatória) para depois melhorá-lo. É simplesmente uma opção conservadora, atrasada, fundada no taylorismo;

5) A questão é que perdemos todo espírito crítico a respeito deste tema. Agora a moda é resultado e eficácia. Os resultados pululam, mas continuamos na mesma trilha, sem criticidade. E, cada entre nós, IDEB não é exemplo sério de indicador. Há indicadores de resultado, de impacto e tantos outros. Há estudos sérios sobre avaliação sistêmica qualitativa. Veja o livro Investigação Qualitativa em Educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Ajudaria a departidarizar sua interpretação. Não há nenhuma negação à necessária avaliação, mas à pobreza da base técnica do IDEB.

 
 
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Fernando Bueno

O problema conceitual do IDEB é considerar que é possível equalizar dentro da escola (ou do sistema escolar) a seletividade derivada de um maior ou menor "aperto" na avaliação para fins de promoção e o rendimento da aprendizagem. Ou seja, a escola (ou sistema) escolhe entre reprovar mais e ter alunos mais proficientes no final do ciclo escolar ou reprovar menos e deixar que alunos que aprenderam pouco cheguem ao final do ciclo. Esse verdadeiro "chute" está posto como premissa no texto institucional que apresentou o indicador. Digo isso porque um dos assuntos mais controversos na educação é a avaliação da aprendizagem. Os professores, em geral, não sabem avaliar a aprendizagem. Nos cursos de licenciatura esse assunto não é tratado de modo conveniente e os professores acabam adotando posturas baseados no senso comum (por isso não compreendem o sistema de progressão continuada). As pesquisas em avaliação são de uma pobreza sem par. Em nome de ser crítico jogou-se fora os aspectos técnicos essenciais. Vou deixar mais claro: quando em algum curso de licenciatura estuda-se avaliação utiliza-se como bibliografia os textos de Cipriano Luckesi (são os que figuram, também, nas bibliografias de concursos). Nada contra o autor, um filósofo de formação. Contudo, são textos que tratam da avaliação como uma abstração. Fale em usar o texto do Heraldo Marelin Vianna. Os doutos em avaliação educacional (nem pense em falar avaliação do rendimento escolar) vão chamá-lo de conservador, tecnicista e tantos outros adjetivos que eles encontrarem. Todavia, textos como o do Vianna mostram como preparar uma prova para difererentes finalidades.

Por isso, os professores acabam, por formação inadequada, tendo uma atuação equivocada. Muitas vezes, até, reprovam demais.

Além disso, o baixo rendimento de aprendizagem (ou mesmo apenas as notad baixas que levam à reprovação) são resultados de situações complexas que envolvem valores e afetos.

Mas, em meu comentário eu apontei o valor do resultado da Prova Brasil. Ele dá um bom diagnóstico da situação do rendimento da aprendizagem. E mais, não se trata de o aluno não saber o que é fração, polinômio, advérbio ou função sintática. O resultado da prova Brasil mostra quais são as habilidades que os alunos alcançaram. Ou seja, se o menino consegue localizar uma informação num texto, se ele visualiza uma proporção entre diferentes quantidades.

Ora, isso é essencial para a vida. Serve para o operário ler o manual, serve para o profissional saber fazer algo com mais eficiência mas serve para o cidadão ter meios para compreender algo e não ser enganado.

 

 
 
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Mario Abramo

Caro Rudá,

 Que mal lhe pergunte, qual sua formação? Administrador tenho certeza que não, senão não falaria tanta bobagem a respeito disso...

 Um indicador não é taylorista nem fordista nem hondista nem raioqueopartista. O que se faz com ele que é. Sabe PDCA. plan-do-check-act? Indicador é só o check.

 O resto do que vc fala é pura pedabobia.

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

 

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