A denúncia em off da Veja

Antes, Veja soltava uma denúncia. Imediatamente a matéria era reproduzida pelos seus próprios blogueiros. Espalhava-se como um raio pela Internet. Na maioria das vezes, era desmontada também que nem um raio pela blogosfera, seja por falta de verossimilhança, seja por falta de evidências, por menores que fossem e por falta de consistência jornalística

Agora, mudou.

Sai a nova denúncia sobre o suposto encontro da ex-Secretária da Receita Federal Lina Vieira com a ex-Ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Vai-se até o site da revista, e nada. Não está disponível no site nem nos blogs de seus blogueiros. A informação é de que novas edições da revista só estarão no site (na edição digital) a partir de sexta-feira da semana seguinte. 

A revista conseguiu subverter um princípio universal de mídia: quem assinar o impresso tem direito a acessar o online na frente dos outros. Agora, não. A razão é simples: dar uma sobrevida aos factóides. Em vez de durar um dia, as denúncias ganham uma sobrevida de cinco dias de baixa repercussão.

Pelo que se lê por aí (não li a edição impressa, por estar fora de São Paulo) a testemunha é um sujeito que diz ter existido uma gravação do dia do encontro. Estaria negociando as informações com quem pagasse mais. Mas tem apenas seu testemunho individual, nenhuma prova.

Ou seja, um sujeito que vende seu testemunho, para a revista mais vendida.

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89 comentários
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zanuja castelo branco

Vamos ressuscitar os mortos. Primeiro a Lina, segundo... e por ai vai. A credibilidade está tão baixa que proíbem a leitura com medo de serem desmentidos imediatamente.

 
 
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IV AVATAR

Alta espionagem tucano-demo com o suporte da Veja...mais uma vez

Veja no vídeo o marido de Lina Vieira passando cola para a depoente em plena CPI!!!!

O Senador Mercadante chamou a atenção do maridão da Lina, ex-ministro de FHC,

Os senadores tucanos-demos fizeram de conta que não conheciam o maridão da Lina

Eta nóis

 
 
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pastor marques

sou porteiro, no meu condominio dezenas de pessoas assinavam a veja então passei e mostrar que ha mesma não é uma revista séria ou seja impacial, dái hoje só 1 pessoa ligada ao PSDB continua assinando.

 
 
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Ed Döer

Eles podiam pelo menos criar um factóide novo. Pelo jeito nem para isso o pessoal da redação da revista presta mais.

Haja estômago para factóide requentado e já superado.

Essa testemunha deve ter tanto valor quanto a carta que apareceu na Record sobre o caso Bruno.

 
 
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H. C. Paes

Isso não vai funcionar.

A Veja (mas não compre; se comprar, não abra; se abrir, não leia; se ler não acredite e se acreditar, relinche) pode processar quem copiar a matéria inteira e espalhar pela rede por violação de direito autoral.

Porém, não pode impedir que se use a perífrase.

Basta que alguém que tenha estômago (eu não, que há anos não sujo minhas mãos com essa revista) leia a reportagem e descreva as alegações, sem esquecer qualquer coisa que seja minimamente importante, com as próprias palavras.

Vai se espalhar do mesmo jeito.

 
 
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Luís Antônio Albiero

Mais uma do dossiê semanal anti-PT chamado Veja que, de revista, só tem cara!

 
 
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Joalmi

Alguém ainda lê esse lixo, chamado Veja.  Convenhamos,  ninguém aguenta mais.

 
 
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H. C. Paes

Ah, Nassif, esqueci-me de dizer: provavelmente essa vai ser a desculpa para o resultado da próxima Datafolha, que deverá mostrar empate técnico com dianteira numérica para Serra, ou quem sabe até vantagem real para o tucano.

Arre, parece filme de suspense daqueles em que se descobre quem é o culpado nos primeiros cinco minutos...

 
 
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Alessandro

Olha, terão que fazer um malabarismo difícil, pois pelas pesquisas recentes nos estados o retrato era de subida Dilma... Por exemplo no RS e em MG...

 
 
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Leônidas Lima

Mas isso não é montagem de dossiê?

Hahahahahahaha!

 
 
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Alessandro

Peraí: 

A Veja afirmou que o tal Felinto gravou para si imagens da segurança do Palácio do Planalto (crime contra a segurança nacional) e que tentou "negociar" o suposto material com pessoas do PT (crime de chantagem). É a este sujeito que eles dão credibilidade? Que a coisa toda é um absurdo, é óbvio, mas eles perderam todo senso do ridículo ao fazer interlocução com tal sujeito.

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Brasilhttp://veja.abril.com.br/images/icon-pontilhado.gif); background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: initial; clear: both; display: block; height: 2px; background-position: 50% 100%; background-repeat: repeat no-repeat; padding: 0px; border: 0px initial initial;"> 17/07/2010 - 17:17

http://veja.abril.com.br/images/icon-pontilhado.gif); background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: initial; clear: both; display: block; height: 2px; background-position: 50% 100%; background-repeat: repeat no-repeat; padding: 0px; border: 0px initial initial;"> Eleições 2010Dilma volta a negar que tenha pressionado Lina VieiraEm resposta a reportagem de VEJA, a candidata do PT, Dilma Rousseff, voltou a negar que tenha se encontrado com a ex-secretária da Receita Lina Vieira Dilma recebe quarta multa

"Não tive acesso ainda à reportagem e não acredito nisso", afirmou Dilma (AE)

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, voltou a negar que tenha se encontrado com a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, para pressioná-la a encerrar uma investigação fiscal contra a família Sarney. "Afirmo que tive reuniões com ela (Lina Vieira), que não foram as que ela relatou", disse no início da tarde deste sábado, antes de encontro político realizado em Jales, no interior de São Paulo.

A ex-ministra voltou a ser questionada sobre a reunião com Lina Vieira, que teria ocorrido em 9 de outubro de 2008, porque VEJA publicou reportagem neste final de semana trazendo novas informações que poderiam levar à confirmação da história contada pela ex-secretária da Receita Federal. "Não tive acesso ainda à reportagem e não acredito nisso", reafirmou.

Na reportagem, o técnico de informática Demetrius Sampaio Felinto, responsável pelo sistema de câmeras do Palácio do Planalto até meados do ano passado, afirma que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República escondeu imagens gravadas pelo circuito interno de TV do Palácio do Planalto que comprovam a reunião. Segundo informações divulgadas à época pelo serviço de segurança da Presidência, as imagens teriam sido apagadas - o que levou o caso a ser encerrado. Felinto diz que fez cópia do vídeo.

Há sete meses, o técnico de informática negociava com o comitê de campanha do PT, com políticos e autoridades, e tentava obter dinheiro para divulgar ou não o vídeo, dependendo do interesse de quem se propusesse a pagar. A VEJA, ele disse que vinha sofrendo pressão para não revelar a existência do material.

 

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/dilma-volta-a-negar-que-tenha-pressionado-lina-vieira

 
 
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Luis Santos

Lina de novo .. ou melhor "de velho" ...caraca, acho que até os leitores de Veja e eleitores de Serra não aguentam mais essa conversa ...esses caras perderam a noção ...

 
 
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Julio Cezar Cruzeta

Nassif, há tempos o "Mestre Hariovaldo" já nos mostrou o "roteiro da vitória", rssssss;

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http://hariprado.wordpress.com/2010/03/13/roteiro-para-a-vitoria/

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Aplica-se como uma luva para mais uma reporcagem requentada da Veja.

 
 
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Aleandro Chavez

Sinceramente, não li a reportagem e não sei se há provas, ou se haverá, de que a Dilma se encontrou com a Lina Vieira e pediu um "jeitinho" para os processos de interesse do Sarney.

Entretanto, conhecendo o histórico do Sarney, e o episódio do mensalão no primeiro governo Lula, acredito que há uma altíssima probabilidade de o episódio realmente ter ocorrido.

Vocês acreditam que o Sarney está com o PT por ideologia? Sério? Juram?

 

 
 
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anonimo

Sarney só tem apoiado Lula por esse ter prometido energia elétrica para todos os maranhaenses. Essa foi a única exigência e Lula tem cumprido. Os Sarneys tem poder para conseguir na justiça que nenhum jornal publique nada envolvendo esses, imagine se iria se intimar ante um fiscalzinho da receita para precisar da intervenção da ministra Dilma. Tudo não passe de factóide de gente da oposição que se infiltra no petismo.

 
 
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Aleandro Chavez

Sarney está com o Lula porque esse prometeu enérgia elétrica na casa dos maranhenses???

Caramba...há algumas preciosidades que o lulismo vem produzindo que eu nunca imaginei que alguém teria coragem de dizer...

 
 
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H. C. Paes

Não. Sarney está ao lado de Lula porque é um dos animais políticos mais astutos do Brasil. Perto dele, ACM, Jader, Renan e Temer não passam de meros amadores, embora hoje Renan e Temer provavelmente detenham mais poder do que o velho dinossauro (um ser nefasto, mas extremamente resistente) e, imagino, o admirem secretamente e aspirem a ser iguais a ele. Eu diria que os únicos políticos de grande projeção cujo conhecimento da cena política brasileira e adaptabilidade a ela se rivalizam com os de Sarney, e possivelmente os superam, são Lula e Aécio, e tenho minhas dúvidas no caso do segundo.

E quem o jogou nos braços do PT foi Serra. Roseana, Jorge Murad, Lunus e Itagiba, lembras-te?

O que corre à boca pequena foi que Sarney jurou vingança.

Eu diria que esse foi um dos maiores erros da vida de Serra, se não o maior. Sarney foi o primeiro de uma longa lista de inimigos, a quem se juntaram Aécio, Alckmin, Tasso, boa parte do PFL e por aí vai.

Durante a campanha presidencial de 2003, o PMDB celebrou uma coligação formal com Serra (Rita Camata foi sua companheira de chapa), mas, como sempre, suas fileiras estavam divididas. Conforme a campanha se aproximou de seu final, e ficou claro que Lula venceria, elementos do PMDB começaram a se aproximar do PT e de seus aliados. Houve até um encorajamento público de Lula, que disse ao grande saco de gatos que não tivesse vergonha de chegar no fim da festa.

Porém, houve, como há (vide Jarbas Vasconcelos), resistência dentro do PMDB a uma aproximação. O processo de estranhamento e acomodação, em que uma maioria estreita do PMDB se tornou governista, demorou quatro anos. Foi necessário que os novos protagonistas do partido, que ascenderam durante os anos 2000, como Temer e Calheiros, moldassem o espírito dos quadros do partido.

Uma das primeiras vitórias nesse processo foi garantida por Sarney, ao aceitar ser presidente do Congresso de 2003 a 2005. À época ele posou de estadista - um ser vaidoso, como todo crocodilo velho que nunca foi derrotado - e disse "não aceitei a presidência do Senado antes, mas agora aceitarei" em nome da governabilidade. Isso provavelmente fez pender a balança dentro do PMDB a favor do governo. Aliás, o PMDB sempre foi governo desde a redemocratização; teve mais sucesso nisso que o PFL. E Sarney fez parte de tudo; esteve no centro do poder em perfeita sincronia com o partido, exceto pelo interlúdio do governo desmazelado de Collor.

E, como bem detalhou Leandro Fortes, que não perdoa isso a Lula (como tampouco perdôo), o Maranhão foi condenado ao ostracismo. Mesmo com o estado governado por um aliado de um partido de centro-esquerda, Jackson Lago, o presidente não o visitou até que Roseana estivesse no palácio do governo.

Eu diria que o governo Lula não protegeu Sarney. Mais provável é que não tenha facilitado o trabalho das forças que se opõem ao clã, sem tampouco propriamente se opor a elas. Os maranhenses não tiveram ajuda externa, quase como se fossem outro país, para se livrarem da dinastia. Em nome do resto do Brasil - ou assim Lula pensou -, o estado foi deixado à própria sorte. Se conseguirem derrotar Sarney no estado, prestarão um serviço a Lula ao torná-lo descartável, mas terão de fazer isso sozinhos. Sarney domina as cortes maranhenses - o fórum de São Luís leva o nome de uma parenta - e pode se defender sozinho da maior parte das acusações. Outras caducaram, emboloraram, prescreveram, reduziram-se a pó. Sarney é como um pinheiro eriçado, um recife milenar, um monstro coberto de cracas que derrota seus inimigos simplesmente por viver mais tempo que eles. Esconde o sorriso debaixo do bigode asqueroso quando vê um almofadinha jovem se espatifar no primeiro passo em falso, e em ver antigos rivais e adversários definharem, enquanto ele permanece, incólume. É velho demais para cometer erros; basta manter o curso por inércia que o resultado, salvo catástrofe, está garantido. Há que se tirar o chapéu, mesmo que sintamos repulsa por ele.

O jeito é torcer por Flávio Dino. Aliás, se Serra vencer (bata-se na madeira), pode ser que Sarney tenha o prêmio de consolação - o prêmio principal é ver sua vingança consumada e sepultar a carreira política de Serra sem que este jamais consiga chegar à presidência -, caso Roseana seja vitoriosa, de ver Serra ter que recorrer a ele para ter o apoio do PMDB, pois demotucanos e pepessistas, sozinhos, não controlarão o Congresso.

Sarney deve ter saboreado a oportunidade de desmentir, com fingido espanto, a alegação de Serra de que criou o seguro-desemprego. Posso até imaginar o que pensou ao dizer "Não sei de onde ele tirou que foi ele quem criou o seguro-desemprego. À época, ele era secretário do planejamento de Franco Montoro". Algo como "moleque atrevido, quando vais com o milho eu já estou vindo com o fubá". Para um animal do tipo de Sarney, não basta ferir os inimigos: é preciso girar a faca na ferida.

Sarney está a um passo de comer, em outubro, o prato que zelosamente preparou perto do zero absoluto e com grande apetite. E vai se aposentar como um dos políticos de mais longa carreira do século XX nas democracias representativas ocidentais sem jamais ter perdido em sufrágio popular. A não ser, claro, que seja acometido de hubris, vício que não escolhe idade, e decida concorrer de novo ao Senado em 2014. Então eu diria que haverá chance real de finalmente lhe impor uma derrota. Suspeito, contudo, que ele se aposentará antes. Terá 84 anos e isso deve falar mais alto.

O tempo em que podíamos ter nos livrado de Sarney passou. Ele nos venceu; somente o tempo e a inevitabilidade da vida poderão alcançá-lo. Deplorável, mas assim caminha a humanidade.

Esse é, com novo recurso a Leandro Fortes, o feitiço de Sarney.

P.S.: Ao mesmo tempo em que foi o maior erro de Serra, foi o ato que mais bem fez ao Brasil, e provavelmente será o melhor trecho de sua biografia. Temos de ser eternamente gratos a Serra por ter defenestrado Roseana Sarney. Jamais saberemos a magnitude do bem que ele nos fez ao impedir que ela se tornasse presidenta; mas eu diria que é mais ou menos igual a impedir que uma bomba de hidrogênio caia no centro de São Paulo.

 
 
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Aleandro Chavez

Escreveu, escreveu e não disse nada sobre o ponto central. Que Sarney é um animal político extremamente habilidoso, todos sabemos. Mas ele usa da política para se beneficiar, em busca de seus interesses, e não do povo.

E aí volta a pergunta: por que ele está aliado com Lula, qual é seu interesse próprio que está sendo contemplado?

É só responder a essa pergunta que se chega a conclusão que o episódio envolvendo a Lina faz todo o sentido.

 
 
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H. C. Paes

Escrevi, escrevi, e não leste. Sarney está aliado a Lula contra Serra por v-i-n-g-a-n-ç-a por este último ter destruído a candidatura presidencial de sua filha em 2002, e em menor parte por querer estar sempre ao lado do governo. Que parte da palavra não entendeste?

Tua afirmação de que Lula protege Sarney, como demonstrei, é improvável. Aliás, segundo a Transparência Brasil, no momento NÃO pesam processos contra o senador. Ele bloqueia tudo na fonte através de seu controle dos órgãos de segurança e das cortes maranhenses. Duvido até que esteja sendo investigado agora. E processos mais antigos já caducaram. Não achas, por certo, que a esta altura ele vá ser processado pelo que quer que tenha feito há mais de vinte anos, quando foi presidente?

Ademais, se Serra tivesse vencido em 2002, que é que o faz pensar que Sarney não estaria do lado do governo, ainda que sem o poder que tem hoje? Por acaso ele foi atingido por algum escândalo durante o governo de FHC?

Já disse, Sarney é mais ladino que a média dos políticos, que eu ou que tu.

 
 
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Aleandro Chavez

Muito conveniente achar que o Sarney estaria com o Lula por vingança contra o Serra. Assim, o Sarney teria caído no colo do governo Lula, com todas as benesses que isso traz no parlamento, sem que o governo Lula tivesse que arcar com qualquer custo.

É mais uma das preciosidades que só o lulismo pode produzir.

Não sei se vocês realmente acreditam nessas teorias absurdas - o que seria ingenuidade - ou o que importa pra vocês é apenas apresentar um argumento, seja ele qual for, mesmo sabendo que ninguém vai acreditar nele - o que seria cinismo.

 

 

 
 
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H. C. Paes

Então desfaze minha ingenuidade à luz de tua sapiência, meu caro.

Mas antes, permite-me fazer uma retrospectiva cronológica: no rescaldo do caso Lunus, os Sarney ofereceram apoio a Lula logo de cara. Roseana foi expulsa - ou se desligou, não me lembro - do PFL e foi para o partido do pai, o PMDB, apesar de ele estar coligado com Serra.

Ou seja, o apoio dos Sarney a Lula antecede qualquer cálculo político-partidário e ocorreu mesmo antes de ficar claro que Lula venceria.

Isso te parece um toma-lá-dá-cá ou um gesto passional da família? Foram os Sarney que começaram a fazer a balança PMDBista pender para Lula, mais tarde, culminando com a eleição do patriarca para a presidência do Senado.

E em troca, como eu já disse mas ignoraste, eles receberam do governo algo muito mais singelo do que a proteção jurídica que alegas: o ostracismo dos opositores no Maranhão, muito melhor explicado por Leandro Fortes em seu diário virtual, e que permitiu à família retomar o controle do estado. Lula sequer visitou o estado até depois de Roseana ser empossada no tapetão (com a ressalva de que a composição do TSE não é determinada pelo presidente, e sim segue critérios de antigüidade e seleção pelos plenos do STF e do STJ; a liberdade de indicação do presidente é mínima).

Eu jamais disse que a aliança não foi oportunista - todas as alianças políticas são -, mas sustento, e creio ter dado elementos que reforçam essa afirmação, que não foi atrás de proteção judicial que os Sarney foram se abrigar junto a Lula, mas por uma combinação de vingança, afinidade com o poder e a chance de subtrair o apoio pessoal da figura do presidente aos seus adversários de centro-esquerda no Maranhão - antes Jackson Lago, agora Flávio Dino. Eles foram jogados por Serra no colo de Lula, sim; a barganha veio depois.

Acho que imaginas que estou tentando desculpar Lula, como se ele não tivesse responsabilidade por ter recebido apoio dos Sarney ou que este tenha sido gratuito. Espero ter deixado claro que não acredito nisso, mas que minha explicação para esse apoio difere da tua. Não sou petista, não no sentido de apoio incondicional ao partido: voto nele por ser quem menos distante está de um partido de esquerda adequado à realidade política brasileira. Se aparecer uma alternativa superior, mudo sem pestanejar.

Afinal, os Sarney poderiam ter escolhido uma reconciliação com Serra. Eles não seriam os primeiros cujo tapete Serra puxou a continuar a seu lado. Vê Tasso Jereissati, cujas pretensões presidenciais foram frustradas por Serra, conforme documentado aqui mesmo? Mas não, Serra deu o azar de mexer com gente mais astuta que ele.

Antes de me contradizeres, sugiro que listes exatamente quais são os processos contra Sarney que o governo abortou. A Transparência Brasil não lista um só. Se sabes de algo que ninguém mais sabe, estou disposto a engolir tudo o que disse aqui, mas preciso de argumentos. E não adianta tentar me desqualificar com o guarda-chuva de defensor de Sarney que um colega tentou abrir mais abaixo, que isso só cola entre os que assim já pensam de antemão. Preciso de fatos, meu caro, fatos.

E se fores falar em Lina, bom, aí o raciocínio fica circular, porque estarás dando crédito à versão pessoal sem prova de uma mulher que tem motivos para vituperar o governo. Eu fico com a versão de Dilma, que não mudou desde o começo, ao contrário da ex-secretária. Se preferes crer que Lina está com a razão, só porque a Folha ou a Veja a defendem, ou porque ela é a "parte fraca" no embate contra o "governo forte", não posso fazer nada, pois isso deixa de ser raciocínio e passa a ser crença.

Ou, como dizia George Bush Jr. de seu exercício da presidência dos EUA, ele agia movido por gut feeling. Se também escolheste argumentar de acordo com o que tuas tripas dizem, desisto. Se isso for uma definição de ingenuidade, acho que se aplica bem a ti.

Eu também cresci ouvindo o quanto mal Sarney fazia e faz ao Brasil. Porém, prefiro aceitar que ele venceu e seguir em frente. Se Flávio Dino ganhar as eleições no Maranhão, Lula não ficará a dever coisa alguma aos Sarney, pois a culpa não terá sido sua, e ainda poderá descartar o apoio da família na medida em que esta perder seus cargos.

Se, depois de tudo isso, ainda achas que Sarney merece julgamento sumário sem passar pelos canais da lei, ou que Lula teria mais é que humilhá-lo publicamente - e com isso radicalizar de vez e afugentar todos os aliados -, então digo que darias um péssimo magistrado e um ótimo carrasco.

Ver Sarney condenado por crimes do passado não vai remir o Brasil de suas mazelas. Não que ele não seja um escroque, mas ele conseguiu derrotar a justiça, não por obra do governo federal, mas do controle que a família exerce na fonte de qualquer processo contra ele, o Maranhão. Há um momento em que é melhor contornar um obstáculo ao invés de tentar destruí-lo. Sarney tem 80 anos; é melhor nos preocuparmos com a direita jovem, como Maia filho e o Índio. Ainda se houvesse processos abertos contra ele, como no caso de Maluf, que é quase tão velho quanto Sarney embora muito menos astuto, mas não há. É como tentar agarrar uma sombra.

Estamos do mesmo lado, meu caro, mas só um de nós quer investir contra moinhos de vento.

 
 
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Aleandro Chavez

Não é uma questão de vingança, mas sim de oportunidade. Sarney viu que não teria em um eventual governo Serra em 2002 o espaço que lhe foi concedido no governo Lula.

Como animal político, Sarney não se move por questões passionais. Lula já chamou Sarney de ladrão e outras coisas piores, e isso não é problema para Sarney ser seu aliado.

 
 
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H. C. Paes

Bom, pelo menos paraste de afirmar taxativamente que era atrás de proteção jurídica que Sarney estava quando se bandeou para o lado de Lula.

Achar que astúcia exclui paixão é um pouco simplista, em minha opinião. O que Serra fez não foi pouca coisa: ele tirou a filha dele do páreo para a presidência da república. Ainda mais que ele está chegando ao fim da vida e deve estar pensando em como a dinastia vai seguir em frente sem ele. Se Roseana tivesse sido eleita, Sarney não teria mais preocupações, é possível que ela já estivesse em seu segundo mandato e com o pai no comando do congresso.

Se fosse apenas uma questão de "não ter espaço num governo Serra", os Sarney não teriam se engajado tanto em apoiar Lula esses anos todos. Edison Lobão, preposto de Sarney, foi ministro das Minas e Energia com atuação razoável, no sentido de que não entornou o caldo preparado por Dilma para o setor energético e não atrapalhou o bom andamento da Petrobras, por exemplo.

Aliás, os Sarney teriam procurado se reconciliar com os tucanos durante todos esses anos se fosse apenas um caso de ficar bem na fita com todo mundo para a eventualidade de uma mudança no governo. Não o fizeram, e só posso crer que tenha sido assim porque Serra seguiu dominando o PSDB.

A partir do ano que vem, especialmente se Roseana perder para Dino, pode ser que eles voltem a se reaproximar dos tucanos sob a liderança de Aécio.

Ademais, já dei outras duas razões além da vingança - puxar o tapete federal de debaixo da centro-esquerda maranhense e ficar junto do poder - para a aliança, mas continuo firme em minha convicção de que foi Serra o catalisador da aproximação, e não Lula.

Aliás, eu não tirei da minha cabeça esse interpretação de um Sarney vingativo: foi um boato que correu à época, e que segue até hoje. A armação da Lunus foi tão descarada que até Serra deve ter percebido que havia ganhado o desfavor de alguém MUITO mais engenhoso do que ele.

Imagino que tenhamos chegado a um entendimento.

 
 
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Aleandro Chavez

No caso da Receita, não seria proteção jurídica, mas sim proteção administrativa, dentro da esfera do Poder Executivo. Acho que sim, Sarney está no governo Lula em busca de vantagens. Entre elas, proteção administrativa. E acho que isso é só a menor das vantagens que Sarney está usufruindo.

 
 
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H. C. Paes

Achar, podes achar o que quiseres, como eu e todo mundo mais. Mas preciso de evidências para me deixar convencer.

Aliás, a investigação da Receita nem era sobre Sarney, e, sim, sobre o filho dele que não é político (embora seja suplente do pai). Não sei se terminou ou não e a que conclusões chegou. Sabes de alguma situação em que a administração federal tenha protegido Sarney, ou te baseias só nas afirmações de Lina Vieira?

Aliás, será que eles tinham em mente irregularidades que ainda iriam cometer quando franquearam apoio a Lula em 2002? Os eventos que a Receita investigou foram muito posteriores...

Aliás, Lula não protegeu Sarney tanto assim. A Fundação "filantrópico-cultural" que a família controla se dissolveu recentemente em face de irregularidades.

Já dei três motivos muito bons para o apoio dos Sarney a Lula. A meu ver, a hipótese de proteção administrativa não é necessária para explicar o comportamento da família, não bate com a cronologia da aproximação de Sarney a Lula e não é sustentada pelos fatos de domínio público.

 
 
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Aleandro Chavez

Não tenho a intenção de te convencer. Estou expondo meu ponto de vista. E como falei no início, esse é que "conhecendo o histórico do Sarney, e o episódio do mensalão no primeiro governo Lula, acredito que há uma altíssima probabilidade de o episódio realmente ter ocorrido".

É óbvio que a aliança não foi feita pensando nesse favorecimento específico. Como toda relação política, é dinâmica. Se aparecer um outro problema não previsto, não duvido de que Sarney busque ajuda do governo Lula, em troca de apoio no parlamento.

Outra coisa: as irregularidades na Fundação Sarney foram denunciadas pela Revista Veja, e não pelo governo Lula.

 
 
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H. C. Paes

Eu não disse que foi o governo que a deflagrou. De mais a mais, fato é que o governo não o protegeu neste caso. E o resto é achismo teu: que Sarney procuraria Lula, não duvido, mas ele faria o mesmo com Serra. A dúvida é: tens elementos para afirmar que o governo protegeu Sarney no passado?

"Pontos de vista" podem ser usados para justificar a simpatia por um político em particular, e não para fazer acusações. É uma graça dizer que "eu acho que tem uma grandessíssima probabilidade" de x ou y ter ocorrido, "dado o histórico de fulano ou sicrano". Podes começar uma carreira de procurador com isso.

Dado o histórico de Maluf, eu acho grande a probabilidade de ele estar envolvido no escândalo da Alstom. E aí?

O fato é que te baseias unicamente nas acusações de Lina Vieira, que mudou de versão tantas vezes que virou motivo de chacota, é casada com um publicitário do PFL e foi demitida da Receita, provavelmente em vista de uma atuação que fora criticada até pelos órgãos de imprensa que depois a defenderam quando foi conveniente. Antes, ela era vista como um símbolo do aparelhamento do órgão, lembras-te?

É exatamente dessa forma que a Veja quer que seus leitores pensem. Eu me sentiria insultado se um semanário noticioso me tratasse dessa maneira.

Se não tens evidências melhores do que isso, por que perder tempo falando misturando Sarney numa postagem que não tem o que ver com isso?

"Convencer-me" é uma figura de retórica, meu caro. Quis apenas ilustrar que ficaste aí, do alto de tua sapiência, despejando rótulos de ingenuidade, lulismo, petismo, cinismo, a torto e a direito, quando o recheio do que tu mesmo dizias não passava de ar. Ao cabo e ao fim, não tens fatos, tens opiniões, e, a julgar pelo que fazes passar por argumentos, pré-concebidas, na forma de silogismos malandros como: "Sarney é um escroque" - "Sarney apóia Lula" - "Logo, Lula protege Sarney contra as forças da ordem", quando já demonstrei por A mais B que Sarney teria muitos outros motivos, documentados pela crônica política, para apoiar Lula do que proteção administrativa. E muitos meios para se defender sozinho das forças da ordem sem recurso ao governo federal.

E esperas ser levado a sério com esse tipo de posicionamento? Aqui, no diário do Nassif, onde o pessoal extrai a substância das idéias até a medula? Faze-me o favor...

 
 
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Aleandro Chavez

O PP, partido do Maluf, também integra a base do governo Lula. Assim como Collor.

Maluf, Collor, Sarney, todos no governo Lula. Ideologia?

É só vc pensar....

 
 
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H. C. Paes

Bom, agora já estás fugindo pela tangente. Trouxeste Maluf, Collor e todo mundo mais para o saco.

Quem fala em ideologia és tu. Nenhum dos motivos de Sarney que citei é ideológico.

O fato de uma coisa ser imoral - ou seja, passível de moldar nossa opinião política - não significa que ela seja ilegal - passível de acusação judicial.

Tanto o governo não protege o PP que Maluf foi condenado em última instância pela Paulipetro. Se a ação rescisória dele não vingar, vai ter que pagar quatro bilhões para os cofres da fazenda de São Paulo. Se o governo estivesse mexendo nas forças de segurança e tentando interferir no MP, não achas que seria do interesse dele impedir que quatro bilhões caíssem no colo de um estado governado pelos tucanos?

Tanto não protege o PDT que Jackson Lago foi cassado.

Tanto não protege o PTB - que apoiou o governo no primeiro mandato e informalmente no segundo - que Roberto Jefferson foi cassado.

Tanto não protege o PT que todos os indiciados no caixa dois respondem a processo.

E quem tem que pensar sou eu? Por que não experimentas antes?

Não quero que engulas tudo que o governo faz acriticamente. Mas antes de vires nos tacar a pecha de lulistas cínicos incorrigíveis e ingênuos, quero que justifiques tuas posições com fatos.

Quando Collor cometeu seus crimes, ele não estava coligado com Lula. Aliás, foi impedido por eles. Que é que Lula tem a ver com o passado dele?

Podes censurá-lo moralmente por aceitar o apoio de Collor (no que eu te faço companhia), mas não tem cabimento acusares o governo de protegê-lo - sabe-se lá do quê - sem evidências para isso.

Cita uma ação da PF que tenha sido abortada pelo ministro da justiça de Lula.

Cita uma representação que o MPU tenha engavetado.

Qualquer coisa.

Eu só quero que enxergues a diferença entre fazer objeções à política de alianças de Lula e acusar objetivamente o governo de proteger seus aliados contra as forças da lei e da ordem (incluindo a Receita). Como se a grande imprensa fosse permitir que isso acontecesse.

Já disse, podes ter a opinião que quiseres. Mas não te arrogues o direito de julgar os outros como ingênuos sem antes verificar mentalmente o que daquilo que dizes é papagaiada de ilações jornalísticas não sustentadas pelos fatos.

Porque se isso não for ingenuidade, não sei o que é.

 
 
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Aleandro Chavez

Errado. Quem trouxe Maluf ao debate foi você. Pode ler acima. O problema é que você está tão preocupado em rebater que nem está pensando - nem lembrando - o que escreve.

 
 

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