A demissão de Palocci

Coluna Econômica

A demissão de Antônio Palocci, em si, não prejudica o país. De minha parte, considerei rematada imprudência sua nomeação para um cargo-chave, como Ministro-Chefe da Casa Civil.

Mesmo que formalmente não tenha cometido nenhum ilícito, como consultor, era evidente que o mero exercício da consultoria e o fato de ter enriquecido no último ano daria margem a toda sorte de exploração política.

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É grande a lista de ministros que enriqueceram depois de terem deixado o governo. É enorme o capital acumulado no exercício da função, permitindo várias formas de usufruto, dos legítimos aos ilícitos.

Por exemplo, antes da crise mundial, havia uma operação praticada no Banco Central que permitiu ganhos expressivos a muitas empresas: o swap reverso. A empresa ganhava se houvesse uma apreciação do real. Muitas relutavam em apostar por não ter segurança sobre quando poderia haver uma inversão do câmbio.

Ter um ex-Ministro como consultor permite uma segurança extra na aposta. A mesma segurança de clientes de Maílson da Nóbrega, quando ele os aconselhava sobre apostas cambiais.

Nem digo que Palocci tenha praticado esse tipo de consultoria. Apenas exemplifico.

Os economistas do Real ganharam muito mais dinheiro e em operações muito mais duvidosas. A questão é que nenhum deles largou consultoria para retornar ao governo, em posição estratégica.

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De qualquer modo, o episódio demonstra as vulnerabilidades do modelo político brasileiro e a maneira como se utiliza politicamente o escândalo – especialmente quando se misturam questões objetivas (como as dúvidas sobre os clientes de Palocci) com factoides (a "denúncia" da Veja sobre o proprietário do imóvel alugado por ele).

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A verdade é que desde o impeachment de Fernando Collor a denúncia tem sido utilizada como ferramenta exclusiva de disputa política – não como instrumento de aprimoramento das instituições. E é um jogo bastante empregado pela chamada grande mídia do circuito Rio-São Paulo incluindo as revistas semanais.

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Mantem-se os escândalos guardados, reais ou fictícios, como em gôndolas de supermercados. Depois, vão sendo tirados da prateleira dependendo do interesse político em jogo.

Na hora em que quiser, a mídia poderá fazer o mesmo contra Serra, Aécio, Alckmin, Eduardo Campos, Cabral, Ministros de Dilma, secretários de Alckmin. Porque são acusações que independem de comprovação. Não há a mediação do Poder Judiciário, a análise de provas e contraprovas. Basta criar o movimento, a onda, o fato político e aguardar o desfecho.

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Esse mesmo modelo foi aplicado contra FHC logo após a mudança cambial – quem não se recorda da saraivada de capas de revistas semanais com as acusações mais estapafúrdias contra ele, disparadas por Antônio Carlos Magalhães? Tentou-se contra Lula, no episódio do mensalão. E, agora, inaugurou-se contra Dilma, em cima de seu assessor mais vulnerável.

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Qual o resultado final dessa história? Tornar o Executivo mais vulnerável às demandas de partidos aliados fisiológicos. 


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133 comentários
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Ronaldo

   Ok, Nassif, mas creio que tudo seria evitado se a prudência (e caldo de galinha) tivessem sido adotadas desde o primeiro momento.

   Muito bem posto no primeiro parágrafo desta análise: Palocci simplesmente não precisava estar lá. Ao nomeá-lo, Dilma expôs uma gigantesca vidraça na esplanada... Faltava só alguém atirar a primeira pedra.

   Se nosso sistema político permite o "denuncismo", que se evitem ao máximo o uso de vidraças.

 
 
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Alberto Porem Junior

Se não tem vidraça a mídia cria, Lina Vieira é exemplo (cadê a agenda?), O duo GIlmar-Demóstenes e o grampo ( cadê o áudio?).

Como eu disse ontem, mais que a nossa Constituição e leis vale a letra fria de Vejas, Folhas, Estadões...

Quanto ao PT, demonstra continuar um partido aparvalhado e com "síndrome do ladrão", é aparecer uma denúncia e em vez de revidar, gritar, espernear, metade encolhe o rabo e diz que a mídia tá certa e a outra metade tem medo de sobrar para o próprio rabo, diferente de tarimbados políticos da oposição que fazem o que fazem, passam óleo de peroba na cara e vão dar entrevista no "Clube de amigos", antigamente chamado Roda Viva.

 
 
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edisilva

Dissestes muito bem, Alberto.

 
 
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Carlos.

Assino embaixo e acrescento: Se a mulher de Cesar for honesta e parecer honesta, é só cometer um assassinato de reputação

 
 
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odorico.carvalho

Na mosca!

 
 
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Cláudia Stefani

O PT deveria fazer isso? E o próximo passo qual seria, ser incorporado pelo PMDB?

 
 
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Alberto Porem Junior

O PT deve limpar sua "banda podre". Tem quadros suficientes para isto.

A postura encolhida e medrosa do PT é tudo que a mídia quer. No episódio Palocci a resposta deveria ter sido rápida e eficiente como faz a Petrobrás. Observe que hoje os ataques a Petrobrás acabaram logo após a mesma criar um blog e responder rapidamente a toda e qualquer "factóide" da mídia.

 
 
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Cláudia Stefani

Mas será que a diferença de postura entre um e outro caso é que no caso da Petrobrás a defesa era possível e as acusações eram, de fato, infundadas?

 
 
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Raí

Claudinha, tanto num caso como no outro, as acusações eram infundadas.

Se a Petrobrás foi mais ágil, e colocou as coisas nos seus devidos lugares, pronta e rapidamente, a diferença, é que no caso da Presidencia, agir por impulso e "com medo" da imprensa,seria abrir um precedente perigoso, não achas ?

A atitude do Palocci, foi de grandeza, ao pedir demissão do cargo, para não paralizar a adm.pública.

Entre os mortos e feridos, salvaram-se todos.

 

Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.

 
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Cláudia Stefani

Rai, o Palocci não pediu demissão. E não se esqueça que a lei só diz o que é errado, não é o que é certo. Ética, legalidade e justiça não necessariamente guardam relações entre si.

 
 
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Fatima-Bahia

No quesito "cara de pau",o Aécio se superou ontem!não acreditei quando o vi afirmando,de forma enfática,"olho no olho" da câmera,que homens públicos devem ser criteriosos com a sua conduta na vida privada!Olhava para a cara dele na TV e tinha a nítida sensação de que ele estava garagalhando por dentro,não me lembro de ver tanto cinismo estampado em uma face!

Olho de peroba é coisa antiga,o rapaz deve estar usando algum produto de última geração!

 
 
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DanielQuireza

O Aécio, a própria face o denuncia, não tem jeito. Ele tem cara de mentiroso !!

 

@DanielQuireza

 
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Como dizem no interior...Aócio é do couro grosso..aquilo não tem vergonha na cara nunca.  Nos tomam por otários, pensam que somos idiotas, nos tratam como burros e depois pedem nosso voto...e pior...tem muita gente que dá!!! 

 

Fatos que gostaria de testemunhar antes de morrer: 1-político bandido, preso; 2-juiz, promotor, procurador bandido, preso 3-Corinthians, campeão da Libertadores.....

 
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Juliano Santos

De fato, Alberto, ninguém está livre. O pig e seus sabujos não tem escrúpulos. Qualquer coisa serve contra qualquer um, se é necessário para alimentar o apetite do pig por "crises" contra governos de esquerda. 

É assim que eles aprenderam e é só assim que eles sabem a fazer "jornalismo" 

 

Juliano Santos

 
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Marcia

Eu concordo com LN em gênero, numero e grau.

 

Excelente  análise.

 
 
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Weden

 

A verdadeira manchete deveria ser:

Palloci sai, oposição lamenta e petistas comemoram

Que havia uma ala do PT anti-Palocci, isso é certo.

E havia, na oposição, a esperança de que o "caso Palocci " desgastasse um pouquinho mais o governo que está bem na fita.

Quanto à opinião pública, ninguém estava nem aí...

Mas para a oposição, com a saída, fica tudo muito chato.

 

 

 
 
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Bento

Os petistas devem comemorar mesmo. Já eu e vários outros que nunca quisemos Palocci no governo para início de conversa e brigamos para que ele saísse, não temos nada para comemorar. O estrago que ele fez no governo nesse curto período de tempo, inclusive para tentar se manter no cargo, foi imenso e com ele que estamos preocupados. Dilma e Gleisi terão muito trabalho para consertar isso, mas se há algo a ser comemorado é que pelo menos agora temos uma liderança séria e capacitada na Casa Civil.

 
 
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alexandre toledo

Já que lutou tanto para tirar alguem que não cometeu crime nenhum que tal agora começar a lutar para tirar um que cometeu um?

vamos a luta: FORA AERCIO!!!!!

ou sua moralidade é seletiva?

 

alexandre toledo

 
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Bento

Em primeiro lugar, em minha opinião Palocci cometeu crime sim. Quem o inocentou foi Gilmar Dantas, cuja opinião eu não respeito nem travestida de sentença judicial. Independente disso, politicamente Palocci já era um defunto desde 2005 e não tem ministério no mundo que o ressucitasse. Em segundo lugar, Aécio também é criminoso, mas dificilmente será punido pela lei. É que, a exemplo de Palocci, ele também conta com bons advogados, leis medianas e péssimos juízes. Ainda assim, seria muito bom que o Congresso pedisse sua cassação por quebra de decoro por dirigir embriagado e com carteira vencida. Não precisamos esperar a justiça. Politicamente, podemos derrubar todos os pusilânimes.

 
 
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alexandre toledo

tá tá tá ja sabemos do seu sambinha de uma nota ´so quero saber é se agora que o "morto" foi sepultado podemos contar com sua ira santa num caso onde realmente houve um crime? vamos partir para o FORA AERCIO!!! ?

ou realmente sua moralidade é seletiva?

 

alexandre toledo

 
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alexandre toledo

e deixa de bobeira ninguem aqui esta falando dele ter bebido e dirigido voce sabe muito bem  que o crime dele é bem pior ...

 

alexandre toledo

 
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Bento

Se você tem provas de outro crime dele denuncia, oras.. qualquer cidadão pode fazer isso, é só procurar o MP. De seletiva até agora só vimos a tua certeza Alexandre, pois mesmo sendo suspeitos dos mesmos crimes (segundo você próprio diz), você tem certeza de que Aécio é culpado e que Palocci é inocente. É um direito seu ser seletivo assim; já para mim a culpa deriva dos fatos e não da filiação política. Só não entendo porque você ainda está tão nervoso. Palocci já caiu há 5 anos. Aceite o fato, ele acabou. Não se revolte mais contra a realidade. Desse jeito você nunca vai superar a fase 2 e seguir sua vida. Há coisas muito mais importantes no país do que o destino político de Palocci.

 
 
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Clever Mendes de Oliveira

Bento (quarta-feira, 08/06/2011 às 09:24),
Você é o mesmo do post "Sobre popular e populista" de sábado, 12/02/2011 às 19:36 aqui no blog do Luis Nassif? O link para o post é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/sobre-popular-e-populista
Lá eu gostei das suas observações não tanto na que originou o post, mas nas críticas que você faz a Andre Araujo. No seu comentário que foi transformado em post eu achei que você fez um pouco a confusão entre populista e demagogo.
No que diz respeito a questão de Palocci vejo sua análise muito próxima da de Romanelli contra a qual eu já fiz as minhas manifestações aqui no blog de Luis Nassif junto ao post "Para entender a consultoria de Palocci" de quinta-feira, 26/05/2011 às 10:35 e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/para-entender-a-consultoria-de-palocci
Aqui neste post "A demissão de Palocci" de quarta-feira, 08/06/2011 às 10:00, o seu comentário é pertinente em parte. Sim, o episódio Antonio Palocci fez estragos no governo. Bem, mas além de eu ter divergência com você em relação a Palocci, pois sempre o considerei como a maior competência dentro do PT (Não há nenhum instrumento que consiga medir competência objetivamente e assim nós utilizamos nessa medição a nossa ideologia. Avaliamos como competente aquele que tem uma ideologia próxima da nossa, a menos que ele demonstre uma incompetência absoluta, pois essa é mensurável), eu não creio que Dilma Rousseff terá muito trabalho para consertar o que há pela frente.
A demissão anterior de Antonio Palocci foi muito útil ao PT. Quando surgiu a crise do extrato do caseiro, embora Palocci vinha sendo criticado ele era visto como imprescindível para o governo Lula (Também não creio que exista essa figura de "o imprescindível" na Administração Pública, mas era o que a mídia gostava de repassar). Lula era visto como um incompetente que dependia de Palocci, o médico que acertou as finanças públicas, para fazer um bom governo. Imagino que o slogan da campanha de Geraldo Alckmin já devia ter sido feito àquela época e dizia : "Se um médico foi capaz de fazer o que Antonio Palocci fez no Ministério da Fzenda imagina o que ele será capaz de fazer na Presidência da República". Com o episódio do extrato do caseiro o slogan poderia ser usado por Lula.
Agora também se dizia que Palocci era o verdadeiro gerenciador político do país. Saindo e as coisas continuarem indo no mesmo rítmo, inclusive com melhoras nos índices de inflação, os frutos serão todos para a Dilma Rousseff. Aliás, achei estranho quando recentemente Cristiano Romero fez uma artigo dizendo que tinha havido uma inflexão na política monetária e econômica do governo de Dilma Rousseff. Ver a esse respeito meu comentário enviado  terça-feira, 10/05/2011 às 00:51 para junto do post "Os rumos da política econômica' de quinta-feira, 05/05/2011 às 14:29 aqui no blog de Luis Nassif feiro a partir do artigo de Cristiano Romero no Valor Econômico de 05/05/2011 intitulado "Afinado, governo muda rumo da política econômica" e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-rumos-da-politica-economica
Embora o meu comentário tenha sido enviado erradamente, ele serve para mostrar minha estranheza com a análise que se fazia então sobre mudanças na política econômica e monetária. Era como se quisessem passar para Palocci o bônus da queda de inflação que se avizinhava.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 08/06/2011

 
 
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Bento

Olá Clever

Sim, eu sou o mesmo Bento daquela discussão, mas tive de refazer meu cadastro no blog (perdi a  senha anterior e não conseguia postar porque dizia que já havia outro usuário com mesmo nome).

Sobre Palocci, respeito sua opinião e ressalto que não tenho objeções ao desempenho dele como formulador de política econômica, muito pelo contrário. Minha crítica - por muitas vezes dura, reconheço - se limita exclusivamente ao seu desempenho como liderança política e gerente de equipe. O que aconteceu no episódio do caseiro foi uma lambança de proporções dantescas que quase custou a eleição de Lula em 2006 (tudo bem que o PT de SP aprontaria algo pior ainda às vésperas do 2º turno, mas isso é outra estória). Para mim foi imperdoável e jogou por terra todo o mérito anterior acumulado por Palocci.

Não se trata de moralismo mas de um problema concreto: a Caixa Econômica Federal reponsabilizou diretamente Palocci pelo vazamento de dados do caseiro, enquanto ele próprio se defendeu dizendo que não sabia o que seus assessores e subordinados diretos faziam usando seu nome. Entre a palavra dele e a de uma instituição centenária (cuja imagem foi tristemente arranhada por causa dele, ressalte-se), fico com a da CEF. Não dá para manter alguém assim num ministério, é pedir para ocorrer um novo escândalo a qualquer instante. O problema de Palocci não é cometer erros polpiticos, o problema é não saber o que é errado mesmo. Eu nem me preocupo tanto com os imóveis milionários dele hoje - para mim o incidente de 2006 e a forma como ele se defendeu, inclusive jogando a culpa em pessoas de reputação ilibada e que nunca foram políticos (tal como o ex-presidente da CEF), foi mais que suficiente para perder a confiança no sujeito. O fato dele ter sido incapaz de pedir demissão logo que estourou esta última crise só me convenceu em definitivo que ele se preocupa exclusivamente com seu próprio futuro e não tem qualquer compromisso para com o projeto de Dilma. Fosse um ministro japonês pego em situação similar à de Palocci, era "harakiri" na certa.

Sobre a mudança da política econômica, o pouco que sei é que ela já ocorreu desde que Dilma assumiu o poder. O problema foi a aposta que o mercado fez contra o Bacen, uma aposta que tinha tudo para ganhar enquanto o dólar permanecia em ritmo de queda livre. Não acredito que a mudança tenha sido recente e menos ainda que tivesse por objetivo cacifar Palocci. Pode até ser que ele tenha tentado nos bastidores passar essa imagem, mas francamente, eu sempre tive comigo que, envolvendo-se cada vez mais com disputa política, era questão de tempo até ele se queimar de vez. Palocci é um defunto político. Se tivesse ficado quieto, possivelmente manteria algum poder e sobreviveria incólume à perseguição da mídia. Mas tentou mexer demais a asa, e o que é pior, batendo de frente com o PMDB, deu no que deu. Agora, se tem alguém no PT que nunca quis ativismo cambial algum e muito menos mudança na política monetária, esse alguém era Palocci. Contudo, a recente queda da inflação é prova de que o Bacen estava certo em sua estratégia gradualista e macroprudencial, evitando "pancadas" nos juros como defendiam os "juristas" de sempre; então não faz o menor sentido creditar esse sucesso ao monetarismo do Bacen e menos ainda a Palocci, como se ele fosse artífice de uma mudança de estratégia econômica.

sds

 
 
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concordo concordo e concordo

só que acho que o artigo esta atrasado, no mínimo, em umas 24 horas  ..portanto, não vale pra biografia, tá?

re re re

 
 
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Clever Mendes de Oliveira

Romanelli (quarta-feira, 08/06/2011 às 08:07),
Aqui eu concordo com você. Nesse imbróglio envolvendo o Antonio Palocci penso que muita gente aproveitou para o espinhar (Eu ia dizer espezinhar, mas fico só na idéia de cutucar). Houve casos graves como o do jornalista Paulo Nogueira e parece que ninguém levou adiante o questionamento ético do comportamento dele (Do jornalista). Da atividade política por ser uma atividade de representação, como é a de advogado, e como é a do Promotor não se pode exigir o mesmo comportamento que se exige para o exercício de qualquer outra atividade, pois na representação não se pode renunciar à representação. A bem da verdade, o advogado ainda pode, mas o político não, pois ele não tem como comunicar-se com todos os eleitores que votaram nele e dizer a eles que vai renunciar à defesa do interesse deles por motivos éticos. E no entanto, Paulo Nogueira passou incôlume por ter deixado de informar o que verdadeiramente ocorrera na época certa. Comentei sobre isso lá no post "O caso Palocci, por Paulo Nogueira" de sexta-feira, 20/05/2011 às 07:23 aqui no blog de Luis Nassif e que foi feito a partir de comentário de Webbert que fez chamada para o post "Palocci E O Caseiro" de 17/05/2011 de Paulo Nogueira que ele postou no blog dele Diário Do Centro Do Mundo. O endereço do post "O caso Palocci, por Paulo Nogueira" no blog do Luis Nassif é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-caso-palocci-por-paulo-nogueira
E o endereço do post "Palocci E O Caseiro" no blog de Paulo Nogueira é:
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/?p=5093
Parece que a Carta Capital deu alguma repercussão para a história de Paulo Nogueira. Em posts mais recentes ele tem criticado a imprensa por não ter repercutido o post dele. Sim, mais importante que a quebra do sigilo (Efetivamente quem quebrou o sigilo do extrato foi a revista Época, pois se ela não tivesse divulgado a história ninguém saberia sobre os dados do extrato) de Francenildo foi o comportamento da imprensa tanto quando a revista Época revelou o conteúdo do extrato, como agora quando se calou sobre o que Paulo Nogueira disse no blog dele no post "Palocci E O Caseiro". Só que o próprio Paulo Nogueira fez parte do comportamento da imprensa durante todo os cinco anos em que ele se calou.
Agora, eu utilizo seu comentário mais para criticar o comportamento dos jornalistas sobre o caso. E no caso a minha crítica é sobre a frase de Luis Nassif que você diz apropriadamente que foi dita atrasada. Diz então Luis Nassif:
"De minha parte, considerei rematada imprudência sua nomeação para um cargo-chave, como Ministro-Chefe da Casa Civil"
Tudo bem, mas ele considerou a nomeação rematada imprudência desde a posse de Dilma Rousseff em razão da quebra do sigilo ou apenas depois da revelação da multiplicação do patrimônio de Antonio Palocci? Em qualquer dos casos na época é que se devia falar a respeito. Faço esse questionamento porque Luis Nassif pareceu-me espinhar o Antonio Palocci ao longo do processo. Não falava mal, mas dava a cutucada. Junto a frase dele, ele deveria trazer um link para um post dele onde ele já havia mencionado essa restrição a Antonio Palocci posta deste modo, isto é, como sendo a nomeação do ministro uma rematada imprudência.
E o pior neste post não foi essa frase. O pior no meu entendimento foi fazer referência  à grande "lista de ministros que enriqueceram depois de terem deixado o governo" e dar como exemplo de oportunidade assim o Swap reverso e mencionar o ex-ministro Maílson da Nobrega.
O Swap reverso que é uma discussão sem fim, mas de quem o Luis Nassif não gosta e o Mailson da Nóbrega que também é uma discussão sem fim e de quem o Luis Nassif também não gosta são introduzidos no debate como exemplos de oportunidade de consultoria para um ex-ministro da Fazenda. Assim, ele faz uma crítica subliminar ao Swap reverso e a Mailson da  Nobrega sem que nenhum dos dois sejam motivos de discussão. Quem lê incorpora a idéia. Um exemplo embora muito provavelmente não tenha sido de consultoria, mas sim de ganho com aplicação e que se caberia fazer, foi o crescimento de capital do Matrix de 1993 para 1995. A notícia foi dada pela mesma Folha de S. Paulo que disse que quando Luis Carlos Mendonça de Barros e André Lara Resende firmaram a sociedade em 1993, o capital social era de cerca de U$7 milhões e de cerca de U$140 milhões quando eles a encerraram em 1995.
Enfim, penso que Luis Nassif nunca concordou com as idéias de Antonio Palocci e de certo modo aproveitou a situação para fazer elogios de tal modo que eram críticas a Antonio Palocci ou aproveitar a situação para criticar outras coisas de que ele não gostava. Foi essa a sensação que ele me passou ao longo do imbróglio envolvendo o ex-ministro Antônio Palocci.
Menciono aqui como exemplo da crítica indireta é o post laudatório a Nelson Machado e que foi intitulado "Machado, o funcionário público da década" de sexta-feira, 03/06/2011 às 08:00. O link para o post é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/machado-o-funcionario-publico-da-decada
Não creio que o Nelson Machado seja tudo aquilo de que o Luis Nassif disse, mas posso estar enganado e não é isso que me interessa discutir. Interessa discutir mais a referência que ele faz a José Roberto Afonso. Em um texto laudatório e apologético a Nelson Machado, Luis Nassif faz o elogio a José Roberto Afonso como um grande funcionário público (E me parece que ele é) dizendo se tratar do pai da Lei de Responsabilidade Fiscal. A Lei de Responsabilidade Fiscal também é uma discussão sem fim. Luis Nassif gosta da Lei de Responsabilidade Fiscal, esquecendo que se trata de uma lei que foi feita para tolher a mobilidade dos governos estaduais e municipais e de acordo com o figurino do FMI. Assim ele aproveita a oportunidade para falar bem do José Roberto Afonso, falar bem subliminarmente da Lei de de Responsabilidade Fiscal e de certo modo dizer que esses são verdadeiros servidores públicos e não outras figuras que estavam sendo discutidas na mídia, mas que nada fizeram de importante.
O que eu vejo é que a questão toda de Antonio Palocci que se desenvolveu em torno do aumento patrimonial  tinha como pano de fundo o fato de se gostar ou não do Antonio Palocci. E se trata de um gosto que é muito anterior ao episódio da quebra do sigilo do extrato bancário de Francinildo.
Eu pelo menos penso que eu raciocino desse modo. Gostei de Antonio Palocci porque ele fez o que eu queria que o Brasil fizesse desde 1983: manter um saldo na Balança Comercial. Era só isso que eu queria e ele fez. Eu o passei a considerar o mais competente homem do PT, afinal manter um saldo na Balança Comercial em um governo de esquerda me parece o maior feito que já foi feito no mundo. Houve o episódio da quebra do sigilo de Francinildo. Imaginei que o extrato fora passado por quem tinha relacionamento na revista Época e não diretamente pelo Antonio Palocci. Se foi ele quem repassou diretamente ele deveria ter sido demitido na época. A demissão não deixaria de fazer de Antonio Palocci a administrador competente que conseguiu fazer com que o país voltasse a ter o saldo na Balança Comercial que permite que o país se liberte do jugo do capital internacional. É claro que a quebra do sigilo também revelaria uma pessoa tacanha. O que por sinal é muito comum nos homens públicos. E o caso do Dominique Strauss-Kahn é bem revelador disso. Ao mesmo tempo que ele fazia um trabalho excepcional ele agia como um completo irresponsável. O que eu sinto não é tanto por acusar o Antonio Palocci de irresponsável sem prova. O que eu sinto é que para muitos o trabalho dele não foi excepcional como eu o avalio que foi. E ai nada haveria demais pois trata-se só de divergência de opinião basicamente fundada em ideologias diferentes. O problema é avaliar que ele foi irresponsável por considerar que o trabalho dele em lugar de excepcional fora péssimo.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 08/06/2011

 
 
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Edilson Araujo

Como praticamente todos os ex-ministros, Palocci constituiu uma empresa de consultoria. Emitiu Notas Fiscais dos serviços, informou a quem de direito(Sefin-SP, Receita Federal, etc...), pagou todos os impostos. Cumpriu com as obrigações acessórias pertinentes a uma empresa do ramo. Palocci Caiu, mesmo não tendo cometido nenhum crime. Assim quis o PIG. Assim quiseram seus DESAFETOS PESSOAIS. A Folha de São Paulo vazou informações passadas pela Prefeitura de São Paulo de serviços prestados pela empresa do ex-ministro. Serviços que foram todos informados à Receita Federal e tiveram todos os impostos pagos. O pior foi o ataque do “PIG AMIGO”. Quem será o(a) próximo(a)? tomara que não seja alguém de quem o Conversa Afiada e a Carta Capital não gostem. Triste! Ivan Monte

 
 
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Rodrigo Rod

A grande dúvida é: QUEM VAZOU O SIGILO FISCAL?????

Atrás dessa notícia ninguém corre, a não ser no caso da filha do Serra, a sócia da irmã do Dantas, abençoado pelo STJ.

Naquele caso, antes de se descobrir quem foi , a mídia já afirmava que era a campanha do PT.

A Folha deveria providenciar logo seu registro no TSE, pois virou partido político faz tempo.

 
 
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Ginah

Acho que agora é a hora do PT centrar fogo no vazamento publicado pela Folha.

 

Ginah

 
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Roberto São Paulo SP

A questão não é meramente de recolher os impostos, mas sim saber o que ele vendeu que valeu tanto dinheiro?

Esse termo "consultoria" é bem vago, e como exemplificou o Nassif, uma informação DAQUELAS - que só os amigos mais chegados do rei tem - pode render milhões para empresas do porte das que "consultavam" o médico Palocci.

Um cara desses não tinha condições nem de ser nomeado, muito menos permanecer no cargo depois do escândalo.

O Zé Simão fala da piada pronta, mas esse era o escândalo pronto.

Facilitaram a vida do PIG. 

 
 

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