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A complicada situação da ginástica brasileiraEnviado por luisnassif, dom, 26/02/2012 - 13:25
Por Adamastor
Meninas da ginástica na corda bambaDo Correio do Brasil Uma campeã mundial que se tornou ídolo nacional, um treinador estrangeiro vitorioso, um centro de treinamento estruturado e apelo popular. A ginástica artística feminina do Brasil parecia estar no caminho para se posicionar entre as melhores do mundo. Movimentos mal executados, no entanto, derrubaram a equipe, que perdeu o equilíbrio e dificilmente vai brigar por medalhas nos Jogos de Londres neste ano. Embalada pelos saltos de Daiane dos Santos, campeã do mundo no solo em 2003 – título inédito para a ginástica brasileira – a modalidade se tornou uma febre no Brasil durante o Pan 2007 no Rio de Janeiro e conquistou espaço na mídia e entre a população, que se entusiasmou com um esporte que mistura habilidade, força, graça e emoção. Nada disso foi adiante, no entanto. Para os Jogos de Londres deste ano a equipe de ginástica artística feminina só conseguiu se classificar na repescagem. As principais atletas brasileiras são as mesmas que representaram o país há quatro anos em Pequim, e Jade Barbosa, o destaque da equipe, já pode ser considerada veterana hoje com 20 anos. Após chegar a uma inédita final por equipes na Olimpíada de 2008, que muitos apostavam seria a plataforma para o crescimento no ciclo olímpico seguinte, o treinador ucraniano Oleg Ostapenko deu por encerrado seu trabalho na seleção feminina, que ele comandava desde 2001. Além disso, o projeto de manter a equipe permanente foi desfeito mediante a troca de comando na presidência da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). Os dois acontecimentos, junto com a decisão da nova administração da confederação de tirar o foco da ginástica artística para incentivar outras modalidades, com destaque para a ginástica rítmica e também incluindo modalidades não olímpicas como ginástica aeróbica, foram as causas para as meninas do Brasil terem perdido sua posição entre as melhores do mundo, disseram pessoas ligadas ao esporte à Reuters. A ginástica rítmica, no entanto, não conseguiu se classificar para os Jogos de Londres e ficará de fora de uma Olimpíada pela primeira vez após três participações consecutivas. - Quem sempre teve retorno foi a ginástica artística. A ginástica artística tem mostrado muito resultado, tanto no masculino como no feminino. Precisa dar valor para quem tem título”, disse a ginasta Daiane do Santos, que aos 29 anos se prepara para sua quarta e última Olimpíada, novamente como uma das principais integrantes da seleção brasileira. Mas agora sem o favoritismo que tinha antes de Atenas 2004, quando terminou em quinto lugar no solo. - Acho que algumas coisas mudaram com a nova presidente (da CBG)… com tudo que aconteceu, o fim da seleção permanente – acrescentou Daiane, que ainda hoje lamenta o fim da equipe treinada por Oleg em Curitiba. Sob o comando do ucraniano o Brasil conseguiu os melhores resultados da história da modalidade: finais olímpicas em Pequim 2008 e Atenas 2004, o título mundial de Daiane e as medalhas em mundiais de Daniele Hypólito e Jade Barbosa, entre outras conquistas. Mudança na CBG Com a eleição de Maria Luciene Resende para presidir a confederação em 2008, a entidade, antes com sede em Curitiba, onde desde 2001 funcionava o centro de treinamento da seleção feminina, se mudou para Sergipe, onde, como em toda a região Nordeste, a ginástica rítmica é muito mais praticada que a artística. A entidade também decidiu acabar com a seleção permanente e mandar as atletas de volta para treinar com os técnicos de seus clubes, uma decisão polêmica que dividiu as próprias atletas entre as favoráveis à medida -como Jade e Daniele, que reclamavam do rigor do regime de concentração- e as que preferiam seguir treinando juntas, lideradas por Daiane. A piora nos resultados, porém, é incontestável. As brasileiras voltaram do Mundial de 2011 no Japão sem terem disputado a final por equipes, tiveram no Pan de Guadalajara seu pior desempenho nos Jogos desde a edição de Mar Del Plata 1995 e precisaram disputar a repescagem no mês passado para conseguir classificar a equipe para os Jogos de Londres. - Foi uma mudança bastante drástica. Optou-se por não se seguir com o trabalho, com a estrutura que estava criada com as seleções permanentes e passaram a ficar com os treinamentos nos clubes. Infelizmente, nós ainda não temos essa estrutura nos clubes -avaliou Eliane Martins, ex-coordenadora da seleção brasileira e que atualmente chefia um projeto da Federação Paranaense de Ginástica com jovens atletas mirando os Jogos de 2016 no Rio de Janeiro, tendo Oleg como treinador. - Os resultados não mentem. A gente treinava para ter um resultado internacional que representasse bem o Brasil – acrescentou. Todas as ginásticas Na avaliação da nova administração da CBG, no entanto, a escolha por desfazer a seleção se justifica para fortalecer os clubes formadores de atletas pensando na renovação da seleção, o que não será o caso para Londres. Num esporte em que as melhores do mundo alcançam o auge na adolescência, Daiane terá 29, Daniele, 27, e Jade, 21, na Olimpíada. - Quando o jovem atleta vê que está treinando (no clube) com a Jade, é muito mais fácil para nós treinadores conseguir tirar desse atleta o que ele tem capacidade pra render. Ser campeão mundial não fica sendo só um sonho que não é paupável – afirmou o coordenador de seleções da CBG, Klayer Mourthé. O dirigente negou que a federação tenha se concentrado na ginástica rítmica, de onde vem a presidente Maria Luciene, sem dar continuidade ao trabalho que já estava em andamento na ginástica artística. - A principal diferença dessa administração é que existe um trabalho para todas as ginásticas – disse ele. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que trabalha para colocar o Brasil entre os 10 primeiros colocados do quadro de medalhas nos Jogos do Rio 2016, espera conseguir recuperar o antigo patamar da ginástica artística a partir da inauguração de um centro de treinamento no Rio e da contratação de técnicos estrangeiros para comandar a seleção. “Conseguimos tirar o cara da Austrália, ele é muito bom, um monstro”, disse o superintendente-executivo de Esportes do COB, Marcus Vinícius Freire, com confiança no trabalho do treinador bielorrusso Vladimir Vatkin, que estava no comando da equipe da Austrália. O treinador será o encarregado da seleção masculina, que representa um alívio para a modalidade nas mãos de Diego Hypólito e Arthur Zanetti -ambos classificados para Londres apenas em provas individuais e com chances de medalhas. Com as meninas ficará a mulher dele, Margarita, e a expectativa de que o período pós-Londres recoloque a equipe em condições de brigar por medalhas quando o país receber a Olimpíada de 2016.
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Comentários + votados
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AlvaroTadeu
26/02/2012 - 15:11
Pela leitura do comentário do motoboy, só me resta dizer o seguinte: "se dirigir, não beba, se beber, não dirija, nem dê palpites nos blogs. Economize as besteiras para os tempos de sobriedade.
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Josaphat Neto
26/02/2012 - 20:28
Excelente comentário. esclareceu para quem não tinha entendido direito a questão.
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Leonidas de Souza
26/02/2012 - 22:37
O problema do Brasil é o mesmo em todos os esportes, só conseguem apoio financeiro quando e depois que se destacam.
Vivemos de esforços individuais e patrocínio geralmente dos pais no início da...
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motoboy
26/02/2012 - 13:40
as mulheres brasileiras no atletismo ainda são muito frouxas. o problema é a cultura maxista que psicológicamente não permite que élas desempenhem ao máximo suas potencialidades. mas, lá prá dois mil...
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Jefferson Castro
26/02/2012 - 15:17
Esporte degradante, extremamente nocivo aos praticantes que competem em alto nível.
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as mulheres brasileiras no atletismo ainda são muito frouxas. o problema é a cultura maxista que psicológicamente não permite que élas desempenhem ao máximo suas potencialidades. mas, lá prá dois mil e nóis não tamo vivo, prometem. pelo menos tudo indica e até estamos torcendo. afinal de contas o mundo é masculino mas a térra é feminino, embora o universo seja masculino mas as galáxias são femininas.
?!?
Sérgio Troncoso
Na União Soviética você alucina o LSD!
Excelente comentário. esclareceu para quem não tinha entendido direito a questão.
Gostei principalmente da dialética desenvolvida a partir da evidente dicotomia existente entre gêneros reconhecidamente antagonistas.
Pela leitura do comentário do motoboy, só me resta dizer o seguinte: "se dirigir, não beba, se beber, não dirija, nem dê palpites nos blogs. Economize as besteiras para os tempos de sobriedade.
Esporte degradante, extremamente nocivo aos praticantes que competem em alto nível.
O problema do Brasil é o mesmo em todos os esportes, só conseguem apoio financeiro quando e depois que se destacam.
Vivemos de esforços individuais e patrocínio geralmente dos pais no início da carreira.
Nossos atletas geralmente ficam nervosos nas competições internacionais por falta de preparo psicológico para suportar a pressão.
A única saída é levar os esportes para as escolas, mas Educação no Brasil virou um comércio em que importa somente o lucro.
Para mim as escolas deveriam ser obrigadas a oferecer ao menos 3 modalidades esportivas para seu alunos e dai se extrairem os talentos.
Caberia aos entes públicos, Prefeitura, governo de estado e União promoverem as competições entre os estudantes.
Só massificando o esporte é que o Brasil irá descobrir novos talentos e não esse sistema elitista.
Só o futebol, que pode ser praticado quase em qualquer lugar, tendo chinelos como trave, conseguiu se destacar e assim mesmo esta em queda.
Inventamos o futebol de salão e bastou os europeus se organizarem que já estamos com dificuldades de vencer, sendo ultrapassados por espanhóis e russos.
Alguém tem que estudar porque nossos atletas de ponta não consequem se manter no topo, brilham por pouco tempo e logo caem de produção. Falta de motivação e de concorrência, o que faz com que relaxem e não progridam? Fazem um brilhareco e logo caem no esquecimento.
Talvez o voleibol tenha sido a modalidade que conseguiu e ainda conseque se manter em alto nível por muito tempo. Qual o segredo desse esporte que conseguiu absorver as pessoas de alta estatura em detrimento do Basquete que praticamente desapareceu em termos internacionais.
Os clubes sociais, que eram a base dos esportes não proficionais estão desaparecendo (na minha cidade, Santos, já não existe quase nenhum), engolidos pela especulação imobiliária e a falta de renda para se manterem.
Só vejo uma saída, esporte obrigatório nas escolas.
Não tenho dúvidas, nosso problema é estrutural
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