Nossa página está em teste e sua contribuição será valiosa.
Participe com sugestões e auxilie na construção.
Relacione aqui sugestões e problemas que tenha encontrado. Esse espaço também é seu!
Nossa página está em teste e sua contribuição será valiosa.
Participe com sugestões e auxilie na construção.
Relacione aqui sugestões e problemas que tenha encontrado. Esse espaço também é seu!
|
|
|
Brasilianas.Org |
|
A classe social dos batalhadoresEnviado por luisnassif, dom, 13/02/2011 - 10:26Bom dia Nassif e leitores.Primeiramente esqueçam do título. Já na primeira frase demonstra-se que não é bem isto que o sociólogo Jesse de Souza quer dizer. Mas a análise e a leitura que traz deste novo Brasil são bastante estimulantes. Vale a leitura13/02/2011 - 00h02 Da Folha É um erro falar que existe nova classe média, diz sociólogo UIRÁ MACHADO Autor do livro "Os Batalhadores Brasileiros", o sociólogo Jessé Souza afirma que a ascensão social de 30 milhões de pessoas no governo Lula não produziu uma "nova classe média", mas uma classe social diferente, que ele chama provocativamente de "batalhadores". Abaixo, trechos da entrevista sobre a classe que, para ele, "parece se constituir, com o resgate social da ralé, na questão social, econômica e política mais importante do Brasil contemporâneo". Folha - Após lançar o livro "A Ralé Brasileira", o senhor agora publica "Os Batalhadores Brasileiros". Qual a diferença entre a "ralé" e os "batalhadores"? Jessé Souza - Os dois livros se enquadram no projeto de longo prazo de estudar as classes sociais mais importantes do Brasil contemporâneo de maneira não economicista e quantitativa, como sempre acontece. Em seu livro, o senhor questiona a afirmação de que o governo Lula alçou 30 milhões de brasileiros à classe média e diz até que se trata de uma mentira. Por quê? Eu não nego que houve uma efetiva ascensão social de 30 milhões de brasileiros nem que esse fato seja extremamente importante e digno de alegria. O que questiono é a leitura dessa classe como uma classe média. Qual o ganho analítico de enxergar os batalhadores como uma classe diferente da classe média tradicional? E quais as implicações que essa diferenciação traz para o governo Dilma? O ganho é tanto analítico quanto político. Quando o senhor afirma que os batalhadores alcançaram um "lugar ao sol à custa de extraordinário esforço", o senhor não está assumindo a tese do mérito individual, a qual o senhor habitualmente critica? Quando critico a ideologia do mérito individual, não estou negando a extraordinária importância do esforço individual, nem, muito menos, a necessidade de reconhecimento social efetivo para os desempenhos singulares em qualquer área da vida. Nos casos empíricos de seu livro, há operadores de telemarketing, uma profissão relativamente nova, e feirantes, ocupação bem antiga. Como as duas funções aparecem juntas para caracterizar tipos de uma nova classe social que é tão conforme o modelo atual do capitalismo? Para responder a esta pergunta, temos que compreender, antes de tudo, ainda que sucintamente, o que significa "modelo atual de capitalismo", de modo a podermos compreender de maneira mais adequada como essa "nova classe trabalhadora" se torna, não só no Brasil, mas em todos os países emergentes, como China e Índia, sua classe suporte, como diria Max Weber, mais típica. Quais são os valores dessa classe batalhadora? Em primeiro lugar, há que ficar bem claro que uma pesquisa sobre valores sociais profundos, como a que realizamos, não pode imaginar que esses valores sejam de fácil acesso e estejam na cabeça das pessoas de modo claro e óbvio. Durante as eleições deste ano, alguns debates ganharam fortes contornos religiosos, como foi o caso da discussão sobre o aborto. A religião é mais importante para os batalhadores do que para a classe média tradicional? O tema da religião é tão importante para essa classe que até dedicamos toda uma parte do livro a esta temática. Além disso, a socialização religiosa dessa classe perpassa boa parte dos textos construídos a partir das análises empíricas. Se é verdade que a classe batalhadora não é uma classe média em sentido tradicional, e se aí vai uma crítica, não é possível ao menos imaginar que os filhos dos "batalhadores" terão melhores oportunidades que seus pais? Nesse sentido, a crítica não perderia sua força? Não é possível imaginar que a ascensão à classe média se dará em "duas etapas"? Sem dúvida que isso é possível. Até porque o Brasil é um país singular no sentido de ser extremamente desigual e, ao mesmo tempo, apresentar forte mobilidade social muitas vezes ascendente. A nova classe batalhadora faz surgir um novo tipo de preconceito no Brasil? Sem dúvida. Basta olhar qualquer das revistas que analisam o padrão de consumo dessa classe sob a égide da visão de mundo da classe média estabelecida. Ela aparece sempre como um tanto vulgar e sem o "bom gosto" que caracterizaria os estratos superiores. Uma das características dos "batalhadores" parece ser a precariedade da situação econômica e social. De que forma o governo pode melhorar ou piorar a situação dessa classe? Eu acho fundamental o aprofundamento mais consequente tanto da política social --no sentido de que apenas uma pequena ajuda econômica tópica não irá retirar o um terço de brasileiros da exclusão e do abandono-- quanto de políticas de crédito e de estímulo aos batalhadores.
Faça seu login e aproveite as funções multímidia!
|
Carregando
Mais Lidos da SemanaPosts de hoje
Comentários + votados
1
-
Rudá Ricci
13/02/2011 - 11:14
Me perdoem, mas Jessé está falando bobagem. Isto não é sociologia, mas juízo de valor. Li a entrevista de Jessé na Folha de hoje e me assustei. Ralé e batalhador são conceitos políticos que vem...
5
2
-
André LB
13/02/2011 - 11:17
Fiquei com impressão semelhante. Seja como for, é um mérito uma análise séria sobre o assunto, que passe ao largo de "Bolsa Família é pra vagabundo" ou "tá vendo? Não somos racistas".
5
3
-
Paulo Paiva
13/02/2011 - 11:21
Interessante a análise, realmente classe média não é só poder financeiro, mas poder em outras formas (incluindo o cultural), mas a folha não perde a chance de fazer um jornalismo rasteiro quando o...
5
4
-
Eugênio José Zoqui
13/02/2011 - 11:29
Olá Luzete,
O objetivo de ter comunicado a matéria da Folha ao blog é justamente para levantar este tipo de discussão. Está realmente sendo formada uma "nova classe média", (dê-se qualquer nome à ela...
5
5
-
motoboy
13/02/2011 - 11:30
a mania de definir as coisas, bem como inovar, leva-nos muitas vezes a dizer abobrinhas. conhecemos vários médicos ricos, de berço, fazendo toneladas de cirurgias plásticas a preços de bananas...
5
6
-
Edson Joanni
13/02/2011 - 11:41
Muito interessante mesmo a entrevista e os argumentos de Jessé para justificar essa distinção entre batalhadores e classe média. Essa idéia de chamar de "batalhadores" me parece muitíssimo feliz, já...
5
7
-
Cardoso
13/02/2011 - 12:02
Sobre esta discussão quanto ao processo de reestruturação do Partido dos Trabalhadores, comandado pelos prefeitos de pequenos municípios mineiros, vai ai um texto que circulou na rede, em meados de...
5
8
-
Dulcinéa Santos Carvalho
13/02/2011 - 12:07
Gostei imensamente da entrevista. Se dispusesse de tempo para ler, no momento, iria adquirir o livro. Talvez o faça.
...
5
9
-
Raí
13/02/2011 - 12:12
O que é Classe Média ?"
O que o estudioso não soube explicar,é que independente do nome que se dê ao fenômeno da inclusão social de mais de 1/3 dos brasileiros,até então alijados do mercado de...
5
10
-
Zilda
13/02/2011 - 12:18
Logro? Que eu saiba Lula não se elegeu propondo fazer revolução e implantar o socialismo no Brasil!Ao contrário, muitos só votaram nele, inclusive pobres que até então tinham medo dele, porque,...
5
11
-
Raí
13/02/2011 - 12:27
O que o Jessé Souza esqueceu de explicar,foi que independente do nome que se dê ao fenomeno social da entrada no mercado de consumo de cêrca de 1/3 da população brasileira,até então alijada...
5
12
-
Marco Antonio Loureiro
13/02/2011 - 12:30
Batalhadores, trabalhadores, povo. Todos são pessoas que melhoraram de vida, isso que importa. Para aqueles que ascenderam de classe, os 50 milhões e não 30 milhões, a vida melhorou e isso que...
5
13
-
Nena Noschese
13/02/2011 - 12:33
Me pareceu extremamente pertinente a análise empreendida pelo professor sobre os "Batalhadores" , que na minha opinião se aproximam muito dos "imigrantes estrangeiros" que vieram para o Brasil ,como...
5
14
-
mellobarros
13/02/2011 - 12:40
Será que não é muito apresado um estudo Sociológico sobre um fenômeno em pleno desenvolvimento?
Deixar...
5
15
-
rodnei
13/02/2011 - 12:46
a melhor resposta até aqui às visões preconceituosas sobre os valores e comportamento desses novos agentes sociais como aquelas sintetizada pelo livro "A cabeça do brasileiro" (Carlos Alberto...
5
16
-
odair de souza
13/02/2011 - 12:54
Nossa!!! Como é difícil ascender a uma nova classe social.
Tô achando que vou ficar por aqui mesmo.
5
17
-
Walter Decker
13/02/2011 - 12:59
Outro dia eu já havia falado aqui algo sobre isso. Acho que foi no texto sobre o Lobão e a “ lucianohulkanização “ do Brasil. Disse que Lula tinha feito uma verdadeira revolução no país, ao...
5
18
-
Fuhgeddaboudit™
13/02/2011 - 13:14
Resta a José Dirceu, o gênio superdotado e a verdadeira cabeça pensante do PT descobrir o porquê de15 milhões desses "batalhadores" terem votado em SERRA.
E.T.: Votei em DILMA...
5
19
-
Luciano Bastiani
13/02/2011 - 13:15
A denominação "batalhadores" está corretíssima e a melhor frase que li até hoje sobre o assunto tá aí:
"É muito diferente quando uma classe inteira de privilegiados de nascimento, com boas...
5
20
-
Edson Joanni
13/02/2011 - 13:19
Dulcinéa, acho que vc tocou num ponto bastante importante. Compaixão... Mas se me permite, vou desvincular isso de religião, seja qual for. A capacidade de nos colocarmos no lugar do outro é um...
5 TagsBanco do Brasil
bancos
banda larga
Bolsa Família
Bresser-Pereira
capitalismo
Casa Civil
Cidades
Crise
crise mundial
desemprego
Dilma Rousseff
Economia
Educação
Educação
Folha
Gestão
Gestão Pública
Habitação
impostos
investimentos
IPEA
moradores de rua
municípios
Mídia
oposição
PAC
Política
Políticas Sociais
Software
São Paulo
Tecnologia
telebras
Universidade
Universidades
|
me desculpe o moço, mas ele apenas mudou o nome das coisas, mas as coisas continuaram as mesmas.
esta expansão do que é designado de classe média é exatamente, do ponto de vista analítico, o que o autor chama de classe batalhadora. as caracteristicas são as mesmas e, portanto, nenhuma revolução conceitual como a pretendida.
Fiquei com impressão semelhante. Seja como for, é um mérito uma análise séria sobre o assunto, que passe ao largo de "Bolsa Família é pra vagabundo" ou "tá vendo? Não somos racistas".
Olá Luzete,
O objetivo de ter comunicado a matéria da Folha ao blog é justamente para levantar este tipo de discussão. Está realmente sendo formada uma "nova classe média", (dê-se qualquer nome à ela)? Mas creio que a análise do Prof Jesse de Souza é um bom contra ponto à "Classe Média Mixa", declamada pelo filósofo José Arthur Giannotti. Na minha opinião trata-se de uma análise mais isenta, talvez não inovadora, mas bem mais proxima daquilo que parece estar em curso.
Ver a análise em:
http://advivo.com.br/blog/luisnassif/lula-por-andre-singer-e-gianotti?page=1
eugênio,
nada contra a presença do texto para debate, pelo contrário, viu!
eu só acho que a inovação conceitual trazida pelo moço (que, aliás, também criou uma outra "categoria" a de ralé) é sem propósito, ainda aque concorde com elementos da análise, excluido aquilo que, do meu ponto de vista, conceitualmente, apenas confunde, enquanto ele acredita que, analiticamente, isto poderia sugerir um novo entendimento do problema.
classe média e lupen proletariado são categorias que ainda não esgotaram seu potencial analítico e, sobre isto, o velho barbudo alemão tem muito a dizer, além do sempre inesgotável gramsci. e sempre atentos às palavras que hoje li da simone: não deixar nossos corações envelhecerem mais do que nossos livros de cabeceira...
Acreditar que emergiu uma classe média é uma falácia.
O weberiano está certo, quando fala que esses trabalhadores não são da classe média, eles podem até ter condição de comprar um carro, mas se não fizer hora extra no final de semana seu orçamento fica apertado; E quando ele fala de uma classe que cresce eu também concordo de fato a uma classe que ascende socialmente, mas considerar alguém de classe média só pelo fato d’ele viver basicamente, ou seja, ter um carro, uma casa, poder fazer suas compras mensais é auto iludir-se, ele apenas esta sobrevivendo, e como Marx diz isso á elementar, mas essa classe C, não cresce espiritualmente (intelecto) não tendo assim formas de manter seu estado econômico se não trabalhar, e mesmo esse trabalho lhe dando acesso ao seu estado econômico, ele (trabalhador) não tem condições de se construir enquanto ser.
Também acho que a mudança não foi só de nome. Existe uma diferença entre a classe média "tradicional" e o que ele chama de "batalhadores".
O trecho abaixo mostra algumas das diferenças, nas ao long do post ele aprofunda mais o seu ponto de vista:
"Seja sob a forma de capital cultural técnico, como na "tropa de choque" do capital (advogados, engenheiros, administradores, economistas etc.), seja pelo capital cultural literário dos professores, jornalistas, publicitários etc., esse tipo de conhecimento é fundamental para a reprodução e legitimação tanto do mercado quanto do Estado.
Consequentemente, tanto a remuneração quanto o prestígio social atrelados a esse tipo de trabalho --e da condução de vida que ele proporciona-- são consideráveis.
A vida dos "batalhadores" é completamente outra. Ela é marcada pela ausência dos privilégios de nascimento que caracterizam as classes médias e altas.
E, quando se fala de "privilégios de nascimento", não se está falando apenas do dinheiro transmitido por herança de sangue nas classes altas. Esses privilégios envolvem também o recurso mais valioso das classes médias, que é o tempo.
Afinal, é necessário muito tempo livre para incorporar qualquer forma de conhecimento técnico, científico ou filosófico-literário valioso.
Os batalhadores, em sua esmagadora maioria, precisam começar a trabalhar cedo e estudam em escolas públicas muitas vezes de baixa qualidade."
Resta a José Dirceu, o gênio superdotado e a verdadeira cabeça pensante do PT descobrir o porquê de15 milhões desses "batalhadores" terem votado em SERRA.
E.T.: Votei em DILMA
Curioso, o leigo, aqui, já no dia de Finados, dizia:
-----------------------------------------------------------------------------------------------
ter, 02/11/2010 - 15:13
Fuhgeddaboudit™
QUE ME DESCULPE O "THE GUARDIAN" MAS, AS CONTAS NÃO FECHAM ........ ou:
Dos 30 milhões que ascenderam à "Nova Classe Média" metade votou em SERRA.
Ademais, os 20 milhões que sairam da pobreza absoluta, não entraram, ainda, em qualquer segmento que se possa dizer Classe Média.
De acordo com a premissa, os 30 milhões (que se está considerando), passaram a fazer parte da "Nova Classe Média de Lula", não poderiam viver na pobreza absoluta. Os tais 20 milhões desse sofrido segmento, agora, pelo menos, ganha um salário mínimo; está na "Classe D".
E, quantos eram os já considerados (antes de LULA) Classe Média? SUMIRAM?
OK. OK; milhões são crianças e não votam. Mas, mesmo assim, as contam não batem.
Temos que aceitar que, depois que o pobre ascende à Classe Média e vira (p. ex.) um Micro Empresário, passa a ser um Conservador e estudante é influenciável e tem preferências transitórias (50% aos 30 anos, já trabalhando, vira a casaca). Este é um moto-contínuo; é da natureza humana. Por isso, não existe país (civilizado), no mundo, onde, de tempos em tempos, a preferência política, não se inverta. Os políticos precisam atentar para isso; é inevitável.
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
"Resta a José Dirceu, o gênio superdotado e a verdadeira cabeça pensante do PT descobrir o porquê de15 milhões desses "batalhadores" terem votado em SERRA":
Entao eu, Jose Dirceu, respondo: por causa da campanha eleitoral mais abertamente fascista do mundo.
(nao entendi o que JD tem a ver com o assunto)
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
Ivan,
Tá começando a parecer a polêmica das feminazi. Estão prestando muita atenção nos termos e esquecendo de ler o que está sendo descrito.
Olhe além dos termos "ralé" e "batalhadores"(estão até sob aspas no próprio texto). É o melhor texto para compreender a última campanha que já li.
O texto diz mais, mas vou me ater apenas ao aspecto religioso como exemplo.
A classe dos "batalhadores" parece ascender (pelo menos em parte) sob a ética do trabalho ou teologia da properidade das religiões neopentecostais. Nada da preguiça católica da classe C tradicional.
Neste aspecto religioso pode-se entender os votos da Marina ou a suscetibilidade ao discurso moralista do neopentecostal José Serra.
Taí um bom livro de cabeceira para os teólogos dos partidos de esquerda e até para o governo, para que não sejam pegos num contra-pé eleitoral.
Ivan,
Sobre JD o próprio texto que você destacou, se "auto-explica".
Sobre o tema em geral, o mestre Luis Nassif escreveu o seguinte:
Obs. minha: eu diria que não só em São Paulo, mas, também, nas regiões onde o nível de informação (e compreensão) é melhor.
""
"Os desafios do PT paulista"(sic)
Enviado por luisnassif, ter, 30/11/2010 - 11:54 (sic)
O PT traçou um diagnóstico preciso sobre a posição política da classe média paulista (veja abaixo). Havia uma herança conservadora, de Paulo Maluf, que passou para Orestes Quércia e caiu no colo do PSDB, depois de Mário Covas.
O grande desafio até 2014 será reconquistar a classe média – parte da qual já foi do PT - sem perder as classes populares.
Vamos avançar um pouco mais nessa análise.
De fato, havia uma parcela de centro-esquerda intelectualizada simpática ao PT. Esse grupo se desgarrou devido a alguns fatores-chave.
Um deles, a militância sindical na USP, muito radicalizada, que acabou desgostando a muitos intelectuais simpáticos ao PT. A Universidade ainda é grande formadora de opinião.
Outra, o episódio conhecido como "mensalão".
Finalmente, a resistência atroz a qualquer forma de sindicalismo – visão consolidada pelo trabalho diário de demonização do sindicalismo pela mídia. ....................................................
.................... ""
P.S: O resto do texto está no Post do dia, acessável, até, pela busca do Google
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
Me perdoem, mas Jessé está falando bobagem. Isto não é sociologia, mas juízo de valor. Li a entrevista de Jessé na Folha de hoje e me assustei. Ralé e batalhador são conceitos políticos que vem sendo acalentado pelo Mangabeira Unger para justificar mudança na política
do BNDES e bolsa-família. Debati com os dois à convite da FGV-RJ em dezembro passado. Eu e Marcio Pochmann ficamos de queixo caído com este
absurdo. Veja: a palavra tem origem no substantivo “Halle”, ou seja, “grande área coberta” (de “halla”). Se relaciona à situação, no século XVIII da França,
do mercado de peixes que era desprezado pela corte francesa que, por sua vez, citava Madame du Bary, amante do rei e de origem pobre como “vinda de
la Halle”. Um conceito moralista, portanto. Ralé estaria vinculada ao conceito de estamento e não classe social. Estamento é que se vincula à
status. Classe social é conceito relacional, uma classe se define em relação à outra. O contrário de batalhador seria o quê? Vagabundo!!! Isto é classe
social? Seria o fim da sociologia como ciência. Vários de nós, sociólogos, estamos tentando entender esta mudança radical
do país e a ascensão desta nova classe média. É classe média baixa, evidentemente. E com peculiaridades importantes. Redefine toda estrutura
de mercado, envolvendo até mesmo a crise dos grandes jornais, pautados pela velha classe média (classe B), que financia o bolsa-família (ver
estudo de Beatriz David, da UERJ). Mangabeira sugere que se invista nos batalhadores a partir do bolsa-família. Mas como eu identificaria este batalhador? Perguntando à
sua família? Pela quantidade de empregos e bicos? Adotando o critério de desemprego oculto?
É impressão minha ou está havendo aqui claro deboche de um trabalho de pesquisa que parece bastante sério e robusto..?
Que ele dispensou alguns anos pra construir..?
Ele diz usar o termo ralé para provocar...Tem algum problema nisso..?
.
Ficou de queixo caído..? E daí...?
Por acaso tem algum tipo de hierarquia pra publicar o que é ou deixa de ser na sociologia..?
Tem que pedir licença para o senhor e para o Papa Márcio Pochman..?
.
Sou um grandicíssimo leigo nesse campo..
Mas o que ele diz me parece bastante sensato.
No mínimo é um trabalho bem interessante para ampliar a base de discussão..
Ao contrário - quando o senhor fala em estamento ou não sei o quê - fiquei numa confusão doida..
.
Mas aí - por discordar - enfia-se pedra assim sem só nem piedade...?
Concordo contigo, e já respondi parcialmente ao Ivan acima.
Ah, o tal do politicamente correto chegou à sociologia. E até cega: parece que os termos ralé e batalhadores não estão entre aspas e estão escritos com fonte 26 e o resto do texto em fonte 8!
Longe de reduzir a "ralé" ou os "batalhadores" ele faz uma defesa dos mesmos e alerta para o nascimento de um fenômeno sociológico com características bem particulares.
O alerta também inclui o equívoco economicista de achar que a classe que ascende deixa para trás seus valores e incorpora automaticamente os valores da classe estabelecida.
Há a percepção de ações de governo que favorecem a ascenção social, porém sob forte influência de valores morais/ religiosos conservadores.
O guru indiano da campanha do Serra percebeu aí sua única chance de levar a eleição.
Vou explicar, com calma, Chico:
1) Quando ele faz uma crítica à noção de nova classe média está trabalhando com conceito de classe social, certo?
2) Pois bem, o conceito tem história. Não se trata de ser politicamente correto, mas de ser profissional. Acho que seria difícil alguém aceitar de um médico que ele fale em aneurisma para um problema de torção. Certo? O conceito de classe social pode ter origem marxista, funcionalista ou weberiana. Já tentei explicar isto para Jessé no seminário em que eu, ele, Marcio Pochmann, Mangabeira Unger e Marcelo Neri tivemos participamos na FGV-RJ em dezembro passado. Ralé (ou batalhador) não é classe, mas estamento;
3) Aqui, vou explicar com calma redobrada para você entender. Estamento é uma classificação social a partir do prestígio social que enrijece a mobilidade social. No limite, a estrutura estamental gera castas fechadas em si, cujas vestimentas são próprias. Ora, ele não está utilizando este conceito de brincadeira. No debate da FGV-RJ ficou claro que é para valer. Mangabeira Unger diz que o bolsa família erra por financiar pobres que não são empreendedores e deve financiar os batalhadores;
4) Batalhador é uma intenção individual, não grupal. Como podemos alçar tal intenção de foro íntimo à condição de classe social? Só se não há base teórica. Um dos comentários fala que o livro de Jessé é baseado em pesquisa. Sim, dados empíricos que não levam à noção de batalhador ou ralé como classes sociais. A confusão parece imensa e se confunde alho com bugalho. Se é para entrar nesta seara é importante que se saiba do que se fala;
5) O que está em jogo não é venda de livro ou discussão sobre nova classe média ou "classe" de batalhadores. O que está em jogo é uma imensa disputa política para ingressar no governo Dilma com um projeto de gaveta. Mangabeira Unger tenta de todas as formas vender esta tese para alterar o bolsa família e a política do BNDES. Consiga o vídeo do seminário da FGV-RJ e verá a tese com todas as sílabas e pausas.
6) Enfim, se é para fazer leitura da realidade, a tese é uma bobagem. Não se sustenta. Nem como tese liberal, que seria a base deste tipo de conceito/juízo de valor preconceituoso. Se é para teorizar, que utilize corretamente o conceito de classe social. Mas se for para discutir programas de combate à pobreza, que se abra claralmente os termos do debate para que todos entendam o que está por trás de tudo.
Ruddá,
Eu cheguei atrasado, mas:
1) Penso que vale sim a discussão sobre o uso adequado ou não da noção de classe. Mas os marxistas nunca conseguiram articular isso direito para o caso dos excluídos, aqueles que sequer tiveram a chance de ser proletário, o que no Brasil de hoje dá um terço da população.
2) Tudo bem que o Mangabeira deixou uma péssima impressão em todos os lugares com sua fala estranha sobre como priorizar os batalhadores em detrimento dos pobres do Bolsa Família. Foi completamente estúpida a forma da argumentação. Mas confundir o trabalho teórico do Jessé com as inabilidades políticas do Mangabeira é um erro. O Mangabeira encontrou o Jessé pelo caminho, viu alí algo bom e incentivou. Você e muita gente ficou de boca aberta com o Mangabeira, mas detonar a proposta teórica do Jessé só porque o Mangabeira tem a habilidade discursiva de um elefante numa cristaleira é forte demais.
3) E sobre a discussão das políticas de combate à pobreza, a abordagem pode trazer ganhos enormes sim. 99% das pessoas do governo que discutem "inclusão produtiva dos pobres" não consegue enxergar que a metade mais pobre do Bolsa Família enfrenta uma grau de exclusão tão profundo que não basta simplesmente oferecer "oportunidades" de trabalho. É preciso muito mais, pois essa população não tem o habitus primário incorporado, tem habitus precário e simplesmente não consegue participar do mundo do trabalho capitalista.
Ou seja: as condições de "entrada" são péssimas, pois o ponto de partida é muito baixo. E aí entra a ideologia do desempenho que marca esse pobre que não consegue ter a disciplina exigida pelo trabalho disciplinado como "preguiçoso".
Claro que no governo do PT esse camarada não é tratado como "preguiçoso". Mas fica todo mundo rodando que nem biruta e sem conseguir entender porque o camarada não conseguiu fazer o curso que a gente ofereceu de graça. Porque não ficou no trabalho que a gente ofereceu, que tinha carteira assinada. Porque a cooperativa que a gente montou pra eles fracassou. Porque ele "achou melhor" viver de bicos irregulares do que ter o emprego de carteira assinada para ganhar um SM, que era muito melhor.
Ninguém entende como isso funciona e a abordagem do Jessé é uma das poucas coisas que ajudam. O marxismo tradicional passa ao largo disso e para piorar odeia o Estado, que é quem pode fazer alguma coisa. Eu também acho péssimo o termo ralé, mas o sentido do que ele coloca é fenomenal para ajudar no combate à pobreza no Brasil, para ajudar a pensar em como incorporar essas pessoas na sociedade, construir espaços para que seus filhos sejam os batalhadores de amanhã e depois a classe média com capital cultural.
O mesmo vale para os batalhadores: como continuar avançando? Mudar o patamar, incorporar capital cultural, se transformar na classe média com capital cultural, direitos variados, participação e direitos políticos, valores modernos, independência em relação aos dogmas religiosos etc?
Saudações,
CDM
Rudá, concordo totalmente com vc. Obrigada por fazer tão bom comentário.
Cosi è, si vi pare!!!
"Classe social é conceito relacional, uma classe se define em relação à outra. O contrário de batalhador seria o quê? Vagabundo!!!"
Desculpe Rudá, mais aí é forçar demais. Se o conceito é relacional não cabe falar em contrários. Então qual seria o "contrário" de classe média? Aliás, qual seria o "contrário" de qualquer classe? Acredito que você, como sociólogo que é, pôde entender muito bem, tanto o "batalhadora" quanto o "ralé". E me desculpe também a franqueza, mas sua irritação com a estabilidade dos pilares da sociologia é muito parecida com a irritação da Igreja frente às hipóteses de Galileu.
Nem SOPA nem PIPA! Abaixo a censura na Internet!
Mas batalhador e vagabundo são relacionais, a partir do "referencial" empreendedor. Aí é que está a chave de interpretação liberal: empreendedor, ou seja, o "espírito do capitalismo" incorporado à identidade da "classe". Na concepção marxista, obviamente, a relação é de contradição (proletário e burguês, mas também pequeno burguês e burguês ou proletário e lumpensinato). No discurso de Mangabeira Unger (a quem Jessé afirma ter sido o incentivador de suas pesquisas), o não empreendedor (uma parcela da ralé, segundo ele) não mereceria o financiamento do Estado. Já o empreendedor-batalhador (outra parcela da ralé, segundo ele) mereceria. A questão é: como identificar o empreendedor-batalhador? Percebe que estamos falando de um projeto fundado em uma ideologia excludente? Pior: que exclui parte da ralé (ou seja, parte do que seria uma classe dominada, sendo uma subclasse da ralé a escolhida e a outra a preterida)?
Em relação à discussão de igreja ou não, prefiro discutir sociologia ou futebol. Assim como Lula.
Caro Rudá, apesar de não ser sociólogo, percebi que a entrevista do Jessé não se ateve apenas à aspectos de "classificação" ou "hierarquização" das novas classes sociais brasileiras: ali encontramos uma tentativa de entendimento das implicações econômicas, sociais e políticas que estes 30 milhões de brasileiros passarão a ter daqui pra frente. Onde está a bobagem nisso tudo? Como vc, um sociólogo, poderia demonstrar onde o Jessé está errado? Se a sociologia é de fato uma ciência, seria relativamente fácil para vc utilizar seus métodos para, em poucas linhas, desmascarar o tal bobalhão. Mas na leitura da sua resposta, além de não ver este desmascaramento, me vieram outras dúvidas: 1) Quando vc diz "Eu e Marcio Pochmann ficamos de queixo caído com este absurdo" está usando, obviamente, o que chamamos de "conceito de autoridade". Significa então que entre vcs, os sociólogos, este tipo de conceito ainda tem espaço? 2) Quando vc trata da palavra "ralé", discute a etimologia da palavra, que, segundo vc, remonta ao século XVIII. Significa então que vcs, os sociólogos, não levam em consideração que uma palavra, em 300 anos, pode adquirir novas interpretações?
ifica que vcs, os sociólogos, consideram que a palavra ralé de hoje, no Brasil, tem o mesmo significado que tinha entre os pescadores da França no século XVIII? 3) Vc diz "Classe social é conceito relacional, uma classe se define em relação à outra. O contrário de batalhador seria o quê? Vagabundo!!". Significa que vcs, os sociólogos, consideram algo relacional apenas algo que tenha uma relação de contraposição com outro objeto? Neste caso, significa que vcs, os sociólogos, ignoram os números ímpares na sua ciência? Ou seja, pelo seu "conceito relacional", não poderíamos dividir a sociedade em 3 (número ímpar) partes por exemplo: classes baixa, média e alta. O "contrário" de classe alta seria classe baixa, mas e o contrário de "classe média", seria o que? Daí a necessidade de vc introduzir a tal "classe média baixa", para que seu contrário seja a "classe média alta"? 4) Finalmente vc se qustiona: "Mas como eu identificaria este batalhador? Perguntando à sua família? Pela quantidade de empregos e bicos? Adotando o critério de desemprego oculto?". Significa que vcs, sociólogos, estão lançando estas perguntas para os antropólogos e economistas, já que não sabem respondê-la? Ou vc está sugerindo ao Jessé que responda, já que aparentemente vc não sabe? Enfim, são muitas dúvidas levantadas pelo seu texto, obrigado por levantá-las.Murilo, acho que a melhor resposta é a frase de Vianinha: nem tudo que é novo é revolucionário. Percebi em alguns comentários aqui postados um elogio ao novo. Ok, faz parte do espírito empreendedor do mercado. Mas teoria sociológica não busca necessariamente o novo, mas a compreensão do novo. Ao utilizar o conceito de ralé como classe social, Jessé deu um passo atrás. Primeiro, porque retomou uma palavra em desuso porque ela não traduz o mundo contemporâneo. Ralé, nos termos em que procura aplicar, é pária. Como poesia posso até aceitar, mas como sociologia é muito frágil. O que não desautoriza os dados da pesquisa empírica. E batalhador é adjetivo, mas não conceito. E nunca será. Se continuamos por aí, logo utilizaremos o conceito de gordo como classe social: "os gordos, como Ronaldo, são mais esforçados e marginalizados e formam uma classe mundial". Um pouco de rigor ajudaria. Fiz as perguntas como recurso didático. É possível demonstrar o quanto este conceito de batalhador é estéril e subjetivo. Agora, concordo com você sobre o uso do conceito classe média. Citei esta limitação, inclusive, no seminário da FGV. Classe média é conceito liberal e se refere ao poder aquisitivo.
ferencial para definir a relação entre as classes é o poder aquisitivo. O problema é que nossa fonte de dados nacional de baseia no Critério Brasil. É utilizado pelos economisstas, mercado e Estado. O IBGE o emprega, o IBOPE e tantos outros. Se queremos montar uma análise do Brasil a partir da estrutura de classe, só temos este conceito liberal como fonte de dados com série histórica nacional. É uma limitação, mas é uma fonte segura.Gostaria de maiores detalhes sobre o estudo, já que vários subtemas foram até discutidos aqui mesmo neste Blog, em posts ou simples comentários. De qualquer forma mostra que uma parte mais dinâmica da academia já passa a estudar a "nova classe média ou "classe batalhadora".
Quanto à religião, o sociólogo fala do poder mobilizador do Catolicismo e das denominações evangélicas de forma geral. Peço desculpas se melindro alguém, mas teria o Espiritismo se transformado numa religião da "velha classe média", ou sempre foi? Destaco o trecho abaixo:
"Quando critico a ideia de mérito individual, é apenas pelo seu uso amesquinhado como ideologia, ou seja, como falsa percepção da realidade.
É muito diferente quando uma classe inteira de privilegiados de nascimento, com boas escolas, estimulados em casa o tempo todo, com tempo livre desde sempre para fazer o que bem entende e dinheiro para investir em cursos de línguas e pós-graduações valorizadas, chama o próprio sucesso de mérito individual e ainda acusa as classes que não tiveram acesso a qualquer desses privilégios sociais de preguiçosos, burros e culpados pelo próprio fracasso.
A tese do mérito individual que crítico é, portanto, herdeira do modo como o liberalismo sempre foi recebido no Brasil: um discurso para legitimar os privilégios de nascimento das classes abastadas, como se esses privilégios decorressem do esforço apenas de indivíduos, e não da herança de sangue e de classe."
Já faz tempo tenho ouvido diversas pessoas, em ambientes diferentes mas todas da "velha classe média" e adeptas do espiritismo, desembainharem o argumento das conquistas pessoas dentro de uma visão liberal-religiosa, segundo a qual há a culpa individual pelo fracasso, mas culpa carregada por vidas anteriores. Não discuto se esta é a visão clássica do Espiritismo, mas me parece que na cabeça de muitos houve uma junção da visão religiosa com a "liberal", no sentido mencionado pelo autor. Talvez melhor dizendo, parece haver um envernizamento religioso de uma visão pós-escravocrata de sociedade, onde o "outro", não necessariamente negro mas trabalhador braçal ou de baixa especialização, vê seu esforço aviltado e sente-se desestimulado a somar esforços para superar sua condição. Nesse sentido e salvo engano, é completamente compreensível o prestígio de outras religiões dentro da "classe batalhadora", que não por acaso consegue emergir em grande número em um período de relativa valorização do trabalho - é conhecido o efeito dos aumentos do salário mínimo para a melhoria de padrão de milhões de pessoas. Assim, de novo segundo o autor,
"Em um contexto minimamente favorável, como o que vivemos até agora, esse exército de batalhadores se mostra então disponível e atento à menor possibilidade de trabalho rentável e de melhoria das condições de vida por meio, por exemplo, do consumo de bens duráveis que antes lhes eram inatingíveis."
Acho que vou comprar o livro.
Quando as li hoje, na Folha, achei tese e entrevista realmente instigantes. Para além dos rótulos, apresenta conclusões muito próximas de uma realidade que de nova tem apenas o tamanho de sua expansão. Não sei se estou correto, mas senti forte influência de Pierre Bourdieu. Se por aí, o robertog poderia nos esclarecer.
Breitner? O Valdir Peres pegou dois dele e no mesmo jogo!
Me parece claríssima a influência dos conceitos de Capital Simbólico e de Habitus, de Bourdieu. Aliás, houve um comentarista que os usou de forma mais explícita do que o texto original.
Criticar Karl Marx, chamando-o de "unidimensional" e citar Max Weber como se fosse consensual, traz à lembrança um outro sociólogo admirador de Weber, um tal FHC. Este último, teorizou bonito, mas na hora de bater o penalty estava mais para Roberto Baggio do que para Paul Breitner.
Interessante a análise, realmente classe média não é só poder financeiro, mas poder em outras formas (incluindo o cultural), mas a folha não perde a chance de fazer um jornalismo rasteiro quando o repórter faz a colocação: ... o senhor questiona a afirmação de que o governo Lula alçou 30 milhões de brasileiros à classe média e diz até que se trata de uma mentira.... Ora não foi isso que foi afirmado, desqualificar o fato de que estes 'batalhadores' realmente adquiriam um poder aquisitivo maior é que é uma mentira, claramente alimentada pela folha (em minúsculo mesmo) e muitos leitores ingênuos (aqueles que ainda acreditam no choque de 'jestão' tucano em S.Paulo).
a mania de definir as coisas, bem como inovar, leva-nos muitas vezes a dizer abobrinhas. conhecemos vários médicos ricos, de berço, fazendo toneladas de cirurgias plásticas a preços de bananas parcelando em 20X, e andando de ferrari. prepararam-se para isso, adoram o que fazem, fazem com amor e extrema dedicanção, ganhando muito dim dim para somarem ao muito que já possuem! e aí? Acreditamos que talvez, no máximo, estamos vivendo uma época em que para muitos, os ânimos estão acima da média, em todas as classes sociais, coisa que inclusive detona os cérebros dos conservadores por sentirem-se ameaçados.
Muito interessante mesmo a entrevista e os argumentos de Jessé para justificar essa distinção entre batalhadores e classe média. Essa idéia de chamar de "batalhadores" me parece muitíssimo feliz, já que as pessoas dessa classe sempre tem isso como motivo de orgulho, ou seja, o fato de terem "batalhado muito pra chegar onde chegaram". Talvez o Jessé concorde comigo que essa classe já existia antes dos governos de Lula, mas estava extremamente "definhada", justamente pela falta de políticas sociais.
Pra encerrar, coloco uma provocação: levando em conta o que defende o autor, poderíamos concluir que o principal logro dos governos Lula foi aprofundar o capitalismo no Brasil?
Nem SOPA nem PIPA! Abaixo a censura na Internet!
felissíssimomo no comentário meu! infelissíssimo na provocação! tem nada não. (não vai encher o saco por causa dos 2 esses heim grande!).
Taí um tema interessantissíssimomo para discussão. Eu mantenho minha provocação afirmando que Lula aprofundou o capitalismo no Brasil. Seu governo fez crescer em 30 milhões de cabeças o gado disponível para abate. Por favor não caiam matando em cima de mim, eu comemoro os governos de Lula e a eleição de Dilma. O país melhorou bastante, nossa democracia está evoluindo, mas creio que ainda estamos, e estaremos por muito tempo, fadados a viver, como a maior parte do mundo, num sistema capitalista muuuuinto troglodita.
Nem SOPA nem PIPA! Abaixo a censura na Internet!
Postar novo Comentário