A campanha contra o Judiciário, por Fernando H. Pinto

Do Portal Luis Nassif
Página de IVAN GAUDERETO DE ABREU

UMA CAMPANHA CONTRA A MAGISTRATURA (E O PODER JUDICIÁRIO)

Uma campanha desvinculada de ética e imparcialidade

Por Fernando Henrique Pinto em 17/01/2012 na edição 677

Por conta do desvio de algumas dezenas de magistrados, num universo de
quase 15 mil, instalou-se em alguns setores da imprensa brasileira uma
campanha difamatória contra o Poder Judiciário, campanha que, há muito
desvinculada da ética e da imparcialidade, publica mentiras e meias
verdades, muitas delas de fácil aferição, e omite pontos fundamentais que
deveriam constar de reportagens. A magistratura brasileira – a esmagadora
maioria composta de juízes de primeira instância concursados – está atônita
e muito preocupada com essa campanha difamatória, pelo abalo (já
constatável) que a mesma está causando na credibilidade e respeito ao Poder
Judiciário, com risco, em última análise, ao Estado organizado de Direito e
à própria Democracia.

O mais recente exemplo dessa situação é o quadro apresentado na página A12
da edição de 15/1 da *Folha de S.Paulo*, na tentativa de incutir no leitor
o quanto supostamente seria mais vantajoso ser servidor público ou agente
político, em vez de trabalhar na iniciativa privada. Numa primeira análise,
e antes de entrar nos detalhes do quadro, percebe-se a insistente covardia
de tais setores da imprensa em não mencionar o Ministério Público, o qual
possui as mesmas garantias e vantagens da magistratura – e na prática, por
vezes, possui até mais vantagens.

Ainda em início de análise, os jornalistas Ranier Bragon e Paulo Gama
colocam parlamentares e magistrados “no mesmo saco”, mencionando “carro com
motorista”, “cotão” para “torrar” em restaurantes e até jatinhos, embora
tais vantagens sejam inimagináveis a 99% dos magistrados brasileiros –
“jatinho” então, a 100%. E omitiram, por exemplo, a verba parlamentar para
assessores, enquanto os magistrados paulistas de primeira instância lutam
pela aprovação na Assembleia de uma lei que lhes permita possuir pelo menos
um assessor – cujo salário será infinitamente menor que o de um assessor
parlamentar.

*30 dias de férias*

Também mencionaram o recente recesso de 18 dias no final do ano, ocorrido
no Judiciário de São Paulo, esquecendo-se que isso ocorreu com resistência
do Judiciário Paulista e para atender pedidos incessantes da OAB, AASP e
Iasp, com apoio do Conselho Nacional de Justiça, para que os advogados
pudessem ter um descanso. É certo, ainda, que no maior Judiciário da
América Latina (paulista), certamente muitos juízes usaram tal recesso para
colocar o serviço em dia – realidade que muitos da imprensa contestam,
embora já tenham sido inúmeras vezes convidados a constatar.

Adentrando-se, então, no quadro propriamente dito, o que mais chama a
atenção é a ausência de algumas vantagens importantíssimas da iniciativa
privada, e que fazem toda a diferença para a conclusão da análise.
Menciona-se, em primeiro lugar, o limite de 44 horas semanais de trabalho,
além dos quais os trabalhadores da iniciativa privada têm direito a horas
extraordinárias, remuneradas em no mínimo 50% a mais que a hora normal. Na
mesma linha são os adicionais, especialmente o noturno e de periculosidade
(os juízes criminais que o digam).

Em São Paulo, embora a imprensa não acredite ou não queira que o povo
acredite – ainda que sempre convidada a constatar –, é corriqueiro
magistrados trabalharem muito além de 44 horas semanais, sendo comum o
trabalho em finais de semana, feriados, e até o gasto de um dos períodos de
férias, para colocar em dia a carga de trabalho, que é a mais pesada do
Planeta Terra – conforme dados já publicados pelo Banco Mundial, OMS e OIT.
Só essa realidade compensa com sobras a suposta vantagem de 30 dias a mais
de férias. E se essa “vantagem” fosse trocada por limite de jornada de
trabalho, certamente sairia muito mais caro ao contribuinte.

*Alguns morrem antes de receber direitos*

Outra omissão importante, relativa à iniciativa privada, foi a
possibilidade de recebimento de Participação nos Lucros e Resultados e/ou
Prêmios por Produtividade, o que, em níveis de gerência e diretoria (únicas
funções que se podem comparar à responsabilidade de um magistrado), ocorrem
em valores bem elevados. E compensam com sobras as licenças-prêmio, que nem
todos os magistrados brasileiros possuem – quando são pagas em dia...

Ainda quanto a esse aspecto, é muito comum que empresas privadas custeiem
plano de saúde de boa qualidade aos seus empregados e parentes próximos,
custeiem transporte fretado, além de tais empresas terem obrigação de
manter a salubridade do ambiente de trabalho, sob pena de pesadas multas.
No mesmo sentido, se qualquer trabalhador tiver um direito seu negado,
possui a seu favor a Justiça do Trabalho, cuja eficiência é notória.

Enquanto isso, os magistrados e servidores do judiciário paulista, com seu
salário líquido (que é substancialmente inferior ao bruto divulgado), têm
que custear do bolso plano de saúde para si e sua família, muitos trabalham
em fóruns que mais parecem escombros e que não passariam por uma
superficial análise do corpo de bombeiros e fiscalização do trabalho. E,
quando não têm pagos seus direitos devidos – inclusive as tão festejadas
férias –, devem se submeter a receber em “suaves prestações” a perder de
vista, ou entrar com ação contra o próprio Judiciário, para receber por
precatório. Alguns morrem antes disso.

*O abono de permanência*

Outra matéria importantíssima é o reajuste salarial. Os magistrados não o
têm há quase quatro anos, e a defasagem, no cálculo mais conservador, é de
mais de 15%. E quando pedem mero reajuste das perdas inflacionárias, são
taxados de “marajás”, por perseguir suposto “aumento”. Enquanto isso, a
maioria dos trabalhadores organizados da iniciativa privada possui data
base e, conforme matérias divulgadas pela própria*Folha de S.Paulo*, vêm
tendo reajustes acima da inflação, ou seja, aumento real.

Importante também mencionar que os trabalhadores da iniciativa privada se
aposentam pelo teto, porque contribuem no limite do teto, sem contar que
uma parcela da contribuição é dada pelo empregador. Enquanto, isso, os
servidores públicos e agentes políticos federais e do Estado de São Paulo
se aposentam com salário integral, porque têm descontado mensalmente de seu
contra-cheque 11% de seu salário bruto.

Em vez de a *Folha de S.Paulo* mencionar isso, a mesma maquiavelicamente
apenas cita o abono de permanência como se fosse supostamente uma vantagem
do magistrado (que também é dos membros do Ministério Público). Mas na
verdade é uma vantagem do contribuinte, pois se o magistrado, com tempo
para aposentadoria, se aposentasse, seu lugar teria de ser reposto, e o
gasto seria muito maior que o incentivo de 11% para que tal profissional
continue trabalhando, mesmo podendo se aposentar.

*“Povo” custeia salários milionários*

A *Folha de S.Paulo*, ainda, em vez de mencionar apenas o “salário médio”
do setor privado, podia e deveria apresentar os salários médios – e
vantagens – de profissionais com mesmo nível de capacitação e
responsabilidade de um magistrado (se é que isso é possível), pois
constataria – e informaria seus leitores – que financeiramente não há
vantagem alguma na segunda profissão, ou no mínimo que vantagens e
desvantagens se equiparam.

É bom lembrar que, salvo os cargos públicos que dependem de eleição, os
demais cargos públicos são alcançáveis mediante concurso público, de forma
que, se alguém da iniciativa privada quiser usufruir das “vantagens” de ser
agente público, basta fazer como fizeram tais agentes, ou seja, estudaram
horas a fio durante anos, sem prejuízo do trabalho para sustentar a
família, e um dia foram aprovados por seus esforços. Isso significa
“mérito”, e somente em regimes comunistas totalitários é visto como
“privilégio”.

Finalmente, e para desmascarar mais um mito, é bom lembrar que os salários
e vantagens de todas as pessoas são pagos pelo “povo”. Os salários dos
jornalistas e lucros das empresas privadas de jornalismo, por exemplo, são
pago pelos assinantes (“povo”), pelos anunciantes (“povo”), estes últimos
que vendem produtos que são comprados pelo mesmo “povo”.

Logo, o “povo” custeia os salários e vantagens dos servidores públicos e
agentes políticos, tanto quanto custeia os salários milionários de
jogadores de futebol, artistas e apresentadores de televisão, gerentes e
diretores de empresas, de bancos etc.

***

[Fernando Henrique Pinto é juiz de Direito, São José dos Campos, SP]

Média: 2.7 (3 votos)
87 comentários
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Assis Ribeiro

..."Por conta do desvio de algumas dezenas de magistrados, num universo de
quase 15 mil, instalou-se em alguns setores da imprensa brasileira uma
campanha difamatória contra o Poder Judiciário"...

Senhor cidadão, também foi por conta de alguns poucos negros que roubam uma quantia ínfima da sociedade que se instalou na sociedade que uma campanha difamatória contra eles.

E o que vimos quando o judiciário julga pretos e brancos? Os famosos 2 HC em tempo recorde a DD é emblemático. Talvez poucos casos, poderão dizer, mas, bem emblemáticos

 

Assis Ribeiro

 
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neideg

Os Juízes brasileiros achavam por acaso que iriam passar incólumes depois de lavarem as maos e permitirem que grupelhos de malandros se locupletassem em nome da Justiça? Aceitaram que os colegas e outros funcionários publicos que reagiram aos marginais togados fossem perseguidos. Deixaram que espertinhos transformassem as leis em argumentações emboloradas e ininteligíveis para bagunçarem a vida da maioria e encherem os bolsos e agora se acham injustiçados. Haja paciência!


Dispam-se do espírito de corpo que toma conta da categoria, reajam e façam Justiça! É para fazer Justiça que são tão bem pagos pelo povo e não para formarem uma oligarquia privilegiada que perpetua a injustiça. A Democracia Brasileira atual não  permite mais uma estrutura tão corrupta atrapalhando o desenvolvimento do país.

 
 
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Juto Alora

Assis, você é juiz? Caramba, parece que não trabalha, fica só comentando.

 
 
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Edmar Melo

Juto, seja justo, o excelência só escreveu esse artigo porque está de recesso. Depois vai tirar férias, licença-prêmio, as horas extras acumuladas, os abonos e folgas e etc. O trabalho na  magistratura e tão ruim que já há movimento para que a PEC da BENGALA seja votada. Só rememorando, essa PEC aumento em 5(cinco) a aposentadoria compulsória. Noutras palavras, o magistrado aposentado, mesmo ganhando igual o da ativa, quer ficar mais cinco anos no cargo. Isso é o que se pode chamar de amor a toga.


Abs.


Edmar Melo.

 
 
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Jose de Almeida Bispo

O doutor ainda nos tempos da Casa Grande e Senzala quando bastava o acordo entre senhores feudais e tudo se ajeitava.  Doutor, pelo amor de Deus: titica, quando mais se mexe mais fede. Conclame seus colegas a limpar, a despoluir, a republicanizar o único poder ainda medieval no Brasil. A fazer valer o princípio do Estado; para que serve o Estado. Depois de limpo, pode apostar: o Judiciário será respeitado. Não temido como tem sido até os dias de hoje, mas respeitado. Caso contrário o povo vai sempre lembrar que juiz de futebol que faz tudo às claras, no meio do gramado e sob os olhos de milhares, rouba; imagina quem está onde tudo é sob sigilio! (alguém disse isso esta semana na TV; não lembro onde e quem).

 
 
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Portal da transparencia

 

CEAPS - Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar dos Senadores

 


Senador(a): FERNANDO COLLOR

Selecione o ano de exercício: Ano 2008 2009 2010 2011

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Conver Combustíveis ...

114201

29/11/2011

100,00

72.639.297/0001-40

Restaurante Kishimot...

662

28/11/2011

1.180,00

05.000.684/0002-26

Auto Posto Peter Pan...

80708

18/11/2011

142,46

33.453.598/0054-35

Shell Brasil Ltda

9325

16/11/2011

4.139,30

33.453.598/0004-76

Shell Brasil Ltda

9439

07/11/2011

10.517,07

05.000.684/0002-26

Auto Posto Peter Pan...

80418

01/11/2011

240,00

33.453.598/0141-83

Shell Brasil Ltda

4644

16/11/2011

9.549,29

33.453.598/0141-83

Shell Brasil Ltda

4619

07/11/2011

9.434,36

72.639.297/0001-40

Restaurante Kishimot...

650

04/11/2011

1.290,00

05.000.684/0002-26

Auto Posto Peter Pan...

80805

24/11/2011

173,62

72.639.297/0001-40

Restaurrante Kishimo...

659

22/11/2011

1.030,00

05.000.684/0002-26

Auto Posto Peter Pan...

80464

03/11/2011

160,00

05.000.684/0002-26

Auto Posto Peter Pan...

80750

21/11/2011

160,00

72.639.297/0001-40

Restaurante Kishimot...

658

16/11/2011

860,00

05.000.684/0002-26

Auto Posto Peter Pan...

80664

15/11/2011

50,00

72.639.297/0001-40

Restaurante Kishimot...

655

10/11/2011

1.350,00

05.000.684/0002-26

Auto Posto Peter Pan...

80665

15/11/2011

160,00

33.453.598/0054-35

Shell Brasil Ltda

9229

04/11/2011

9.975,27

33.453.598/0020-96

Shell Brasil Ltda

5133

14/11/2011

8.215,17

00.038.505/0002-26

Conver Combustível V...

113596

16/11/2011

50,00

 

58.776,54

Serviços de Segurança Privada

CNPJ/CPF

Fornecedor

Documento

Data

Valor
reembolsado

 

 

 

 

 

04.850.792/0001-44

Citel Service

00711

22/11/2011

15.372,62

 

15.372,62

Total

R$ 74.149,16

 

 

 

 
 
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Assis Ribeiro

..."Também mencionaram o recente recesso de 18 dias no final do ano, ocorrido
no Judiciário de São Paulo, esquecendo-se que isso ocorreu com resistência
do Judiciário Paulista e para atender pedidos incessantes da OAB, AASP e
Iasp, com apoio do Conselho Nacional de Justiça, para que os advogados
pudessem ter um descanso...

Que o judiciário é mandado pela elite política e econômica, alguns dizem. Mas que ele é mandado pelos OAB, AASP e Iasp, isso é novo.

 

Assis Ribeiro

 
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JB Costa

Por favor, Assis, não force a barra ao ponto de distrocer o pensamento do articulista. A dedução de que o Judiciário é mandado(sic) pela OAB e outras institutos é sua. E acredto que você entendeu muito bem onde queria chegar o magistrado ao aludir a esse pedido.

Liberdade de expressão, sim. Liberdadede distorcer, não.

 
 
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Zé das Couves

Já escutei várias vezes esse argumento cínico de que o judiciário entra em recesso no final do ano por causa dos advogados.

Mas me explique uma coisa: por que então os digníssimos magistrados não fazem suas férias coincidirem com o recesso?

NEGATIVO! Eles querem férias E recesso.

 
 
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Fábio Schneider

O cinismo em relação ao recesso é afirmar que ele decorre de pedido da OAB.


Ora, a OAB quer no final do ano que os prazos sejam suspensos para que o advogado possa tirar férias, isto não significa que o Poder Judiciário tem que fechar, é só suspender os prazos e ficar trabalhando, porém eles se aproveitam desta situação para justificar um recesso que sempre existiu em beneficio dos juizes.

 
 
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Assis Ribeiro

..."é corriqueiro
magistrados trabalharem muito além de 44 horas semanais, sendo comum o
trabalho em finais de semana, feriados,...

Isso é uma verdade que a população precisa tomar conhecimento.

 

Assis Ribeiro

 
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MarFig

Sei, têm um monte de recessos, licenças, férias, feriados emendados e quer que a gente acredite que trabalham no final de semana? Tem dó né?

 
 
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Assis Ribeiro

..."Outra matéria importantíssima é o reajuste salarial. Os magistrados não o
têm há quase quatro anos, e a defasagem, no cálculo mais conservador, é de
mais de 15%."...

O senhor poderia ter dito, para acrescentar informações, quando ganha um magistrado, e traçar um comparativo com um leque maior da sociedade.

 

Assis Ribeiro

 
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Zé das Couves

Além do que, o salário INICIAL de um juiz já se aproxima do teto do funcionalismo.

 
 
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Breno Cunha

Esse post está duplicado no blog...

 
 
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Ritinha

Sabidamente alguns meios de comunicação  já se  acostumaram em ser o Quarto Poder. Tomaram  gosto em construir "verdades"  e produzir vítimas segundo os seus interesses.  Agora, quem sabe, o Judiciário estando na roda este possa  ter a empatia pela situação de muitos já sofreram para obter, no mínimo, um direito de resposta.

Mas quer saber. O x da questão é o controle externo. Ninguém quer ter controle, nem o Judiciário nem os Meios de Comunicação.

 
 
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Erick M

Com todo respeito, tenho repulsa a qualquer discurso de vitimização.

Não há qualquer ofensiva midiática contra os juízes por parte da imprensa, apenas esse Poder e, por conseguinte, suas mazelas está na vitrine, graças às ações da AMB e decisões polêmicas do STF. Do contrário, haveria uma permanente ofensiva contra os políticos, porque, quase todo dia, alguma denúncia está nos jornais. Além do mais, as informações que estão sendo expostas (salários, benefícios etc.) são públicas. Nada mais justo que os cidadãos, que pagam a conta, sejam informados.

Se é verdade que os juízes corruptos são uma minoria, é ainda mais verdade que as ações contestando a fiscalização do CNJ, da qual os juízes honestos não deveriam temer, são patrocinadas por associações que representam a coletividade dos juízes.

A comparação com a iniciativa privada é igualmente equivocada. Utilizando o raciocínio do autor, entrar na iniciativa privada também é fácil: basta pedir a exoneração do cargo público e enviar curriculuns a potenciais empregadores. Poucos servidores públicos, muito menos juízes, fariam isso, seja por comodismo seja porque estão contentes em suas profissões. Se é assim, que arquem com os ônus e, o que me parece ser maior, com os bônus de suas escolhas.

No mais, a "desmascaração do mito", com a imputação a profissionais da iniciativa privada, em especial os jornalistas, os mesmos deveres de agentes públicos porque seriam também pagos pelo povo é falaciosa. Lê e compra a Folha quem quer, já os impostos são compulsórios. Ou, traduzindo, paga os salários dos jornalistas da Folha quem assim desejar, já o dos juízes não há escolha.

 

Erick

 
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J.BADIA

ERICK

MUITO BOA AS SUAS OBSERVACOES.

 
 
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Fabio (o outro)

A matéria da FOLHA pode conter algumas distorções , mas a defesa desse juiz não fica atrás.


A que mais me chama a atenção e que geralmente aparece em todo discurso de funcionário público defendendo seu cargo é esta : esquece-se de forma retumbante uma coisa essencial no exercício de um emprego público : A ESTABILIDADE.


Como quantificar esta vantagem em termos econômicos ? Vamos comparar um juiz e um executivo de um banco ou multinacional , os dois no mesmo patamar salarial.


Um juiz vai dormir e sabe que se acordar vivo na manhã seguinte seu emprego está lá lhe esperando. Mas um executivo do Unibanco em 2008 , por exemplo , foi dormir e no dia seguinte , ao chegar no escritório para trabalhar , SURPRESA : o banco foi vendido para o ITAÚ e você foi promovido para a RUA ! O mesmo ocorreu com diretores da Casas Bahia , e outras grandes empresas que foram vendidas , faliram.


Enfim , na iniciativa privada se está sujeito às arbitrariedades do mercado e dos caprichos humanos.


 Outro ponto : se o cara for um diretor do Bradesco , um executivo da Unilever ou coisa assim , terá metas mensais a cumprir. Seja de vendas , produção , ou outra coisa.


E o juiz , quem cobra a sua produção ? Apesar da enorme carga de trabalho acumulada , o quê acontece a um juiz se num certo mês ele , ao invés de ir para o Fórum , resolveu dar uma enforcada e esticou até o Guarujá toda quinta feira do mês , só retornando na segunda feira ? Quem fiscaliza , quem cobra , como ele responde ? Processos que estão correndo há 7 , 10 , 15 ou até 20 anos a quem reclamar ?


Outras duas distorções absurdas na argumentação desse magistrado , que pra mim mais adquirem conotação de escárnio ou hipocrisia da grossa :


1. os demais cargos públicos são alcançáveis mediante concurso público, de forma que, se alguém da iniciativa privada quiser usufruir das “vantagens” de ser agente público, basta fazer como fizeram tais agentes, ou seja, estudaram horas a fio durante anos, sem prejuízo do trabalho para sustentar a família, e um dia foram aprovados por seus esforços. Isso significa “mérito”, e somente em regimes comunistas totalitários é visto como “privilégio”.


A não ser que se encare o cargo público ( e o pior é que a maioria encara dessa forma) como uma forma de  loteria , em que você ganha e depois é só deitar e rolar , esse argumento é inadimissível para se justificar qualquer coisa em termos de benefícios usufruídos.


2. o “povo” custeia os salários e vantagens dos servidores públicos e  agentes políticos, tanto quanto custeia os salários milionários de jogadores de futebol, artistas e apresentadores de televisão, gerentes e diretores de empresas, de bancos etc.
Com a " SUTIL " diferença de que jogadores , artistas , etc , eu posso escolher se quero consumir ou não , e geralmente consumo se me derem prazer , satisfação. Portanto eles têm que matar um leão por dia pra chegarem aonde estão.  Já juízes e demais servidores eu sou obrigado a engolir goela abaixo , ainda que sejam morosos , arrogantes , desrespeitosos , folgados , deêm carteiradas em filas de lotéricas , cinema , etc.

 
 
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roubrdario diniz valerio

 

A desmoralização de qualquer dos tres poderes da republica é anti democratica e alimenta o ovo do golpismo. O abuso de criticas no Brasil já se tornou achincalhe. Não há um trabalho serio da imprensa, com honrosímas  excessões,  quando trata de criticas. A apenas escandalização. Todo poder tem suas mazela e estas devem ser apontadas e sanadas. A questão é a irreponsabilidade com que o jornalismo trata-as. Criticam um aumento no legislativo e não informam que é para a legislatura vindoura, por exemplo. Quanto as férias acho que todos as deveriam ter em maior empo. A atividade jurídica, advocacia, promotoria e juizes é altamente descastante: Os desencontros da sociedade marcam encontro em nossos escritórios e gabinetes. Não é como a atividade de engenharia  por exemplo onde 2+2 sempre serão 4. A novida agora, e isto não deixa de ser salutar, é que o judiciário tambem entrou na dança. E tem motivos para dançar, principalmente as instâncias superiores. Ai é que estão incrustados os grnades problemas: "as facilidades" para pouco abonados e o inferno para a maioria. Na primeira instância os juizes, principalmente nas comarca menores se arrebentão de tanto trabalhar. Sou testemunha pois milito em forum do interior tambem. Nas capitais eles tendem a se acomodarem.

 
 
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José Júnior

Concordo plenamente. O pior é que nossa mania irresponsável de criticar - com desconhecimento de causa e, principalmente, sem ser propositiva - somente agrava o que já está ruim.

 
 
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Marcos W.

Cada um ouve ou lê e entende da forma que bem aprouver!Eu não consigo perceber nenhuma desmoralização do Poder Judiciário quando se noticiam desvios e roubalheiras praticados por membros do poder,tampouco quando se trata do Poder Legislativo.Acredito,até,que se coisas desse tipo levassem ao fim da Democracia,então Inglaterra,França,Coréia do Sul,entre tantos outros,já viveriam períodos do mais puro autoritarismo.Sempre que se criticam juízes ou legisladores,ou trabalhadores fazem greve,ou o MST invade alguma fazenda,aparecem as vozes que alertam para o perigo do autoritarismo e blá-blá-blá...É sempre a mesma ladainha sem futuro.Vade retro!

 
 
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MarFig

Não há escandalização nenhuma. Se houvesse, as mordomias do judiciários já teriam acabado há muito tempo. Precisamos sim, aumentar o tom contra este poder corrupto.

 
 
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Malú

Concordo plenamente com você. No judiciário o buraco está é mais em cima.

 
 
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André Bezerra

A questão maior é verificar a média salarial de um empregado privado (um executivo, por exemplo), COM RESPONSABILIDADE SEMELHANTE A DE UM JUIZ DE DIREITO (compararar com todas as faixas salariais é demagogia barata), e confrontá-la com a média salarial dos juízes.  Tenho certeza que será verficado que a média do empregado é muito maior...Cade o privilégio?


A matéria da Folha é, de fato, absurda. Uma coisa é criticar a ausência de controle pelo CNJ, principalmente sobre os desembargadores e ministros (todo advogado sabe que um juiz de primeira instância - onde estão a maioria esmagadora dos juízes - é controlado, sim, por sua corregedoria); outra coisa é falar de vantagens salariais que não resistem a uma análise mais aprofudada.  Quer-se pagar menos para os juizes? Então a sociedade assuma o ônus de ver piorada ainda mais a prestação jurisidicional (o Judiciário, de fato, presta um serviço ineficiente, cujas causas são muito mais profundas do que o senso comum do " juiz vagabundo").


Há também uma justificável preocupação dos magistrados em relação ao CNJ.  Quais os limites do CNJ? Pode haver persguição política?  Cabe lembrar o caso do Juiz Federal (de primeira instância,é óbvio) que foi perseguido após prender duas vezes um banqueiro solto por um ministro, que também era membro do CNJ...Houve persguição ou controle do CNJ?


Por fim, resta a questão de esclarecer que o CNJ não resolve o principal problema do Judiciário, qual seja a falta de controle sobre sua cúpula: quem controla um ministro do STF? O CNJ é que não é.


Todos os dias, nos chamados "blogs sujos", são veiculadas críticas a coberturas da mídia contra governos de esquerda.  Mas, quando a cobertura da mídia foca os " privilégios dos juízes"  (leia-se, de primeira instância, porque muitos dos ministros são queridinhos da imprensa) nenhuma crítica é realizada.


Vamos pensar a quem interessa desmoralizar os juízes  e o judiciário.  Ou vamos ter que concordar com os Frias e os Mesquitas?

 
 
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thiagolima6

Te garanto que é melhor ser executivo, que além de ganhar na média o mesmo que um juiz(14 a 20 mil reais) e até mais. Ganha outras vantagens a mais, como abonos generosos e participação nos lucros.

 
 
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Zé das Couves

Só que um executivo não tem vitaliciedade, pode ser demitido a qualquer tempo, por incompetência, por exemplo.

Além disso, se um executivo é apanhado ROUBANDO a empresa, ele é demitido por justa causa na hora, e os outros executivos não ficam defendendo o malandro por puro corporativismo. Muito menos é "aposentado compulsoriamente".

 
 
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Iggy

Executivo demitido na hora? Talvez o subalterno, pessoal "de cima" não, como foi no caso da Olympus. Até porque na cúpula dessas empresas não tem nenhum santinho...

 
 
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Zé da Silva

Entendo a posição dos juízes corretos e honestos. Para eles não deve ser fácil  a condição de vítimas das sispeitas generalizadas da sociedade contra o poder judiciário.  Acontece que o corporatiivismo deles tem impedido uma ação efetiva contra a impunidade colocando no mesmo balaio os bons e os maus juízes.  Os juízes honestos deveriam, a rigor, ser os maiores interessados na faxina do judiciário. Se os juízes corruptos e desonestos fossem efetivamente punidos e excluídos, as suspeitas não estariam tão disseminadas.

Dizem que nós mineiros damos um boi para não entrar numa briga e uma boiada para não sair, pois eu,entrego o boi e a boiada para não entrar no judiciário...

 
 
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AlvaroTadeu

Não estou nem aí se juízes tiram 30 ou 60 dias de férias por ano. Antes de 1988, não pagavam imposto de renda, agora pagam, mas não houve melhoria ou "pioria" visíveis. O que me preocupa é quando as associações nacionais de juízes não se pronunciam quando um ministro do STF concede dois habeas corpus num período de 48 horas, para um cidadão que tentou subornar um delegado federal. Que tantos assassinos e estupradores sejam soltos no Natal, Dia das Mães, Páscoa, etc., e Suzanne Von Richstoffen (corrijam a grafia), que assassinou os pais e seu crime é tão horrível quanto os outros, não tenha a mesma regalia. Sabem por quê? Seu pai foi presidente da DERSA (mesmo cargo do Paulo Preto) e acusado de ser o principal arrecadador de fundos para o PSDB em São Paulo. Investigaram a fundo a vida sexual da moça, o interesse na fortuna do pai, mas ninguém se preocupou como um funcionário público amealhou tal fortuna. O autor diz que os juízes só pedem "'1" assessor, como se fosse pouco, porque os parlamentares os têm às pencas. Se for concursado, senhores juízes, quantos assessores quiserem. E last, but not least, tenho ouvido murmúrios sobre a lisura de diversos concursos para juízes. Nem um pio das associações. Há mais: na segunda instância do TRT do Rio de Janeiro, um desembargador ficou dois anos com um processo trabalhista contra um grande banco, envolvendo milhares de pessoas. Esse processo tinha transitado em julgado em 1995. Recurso pra cá, recurso pra lá (como pode haver recurso, com outro nome, contra processo transitado em julgado? ),  o tal desembargador deu ganho de causa ao banco, dizendo que os empregados não tinham direito às horas extras. Mas o processo não era sobre horas extras, o desembargador não leu e o pleno do tribunal aprovou! Que respeito merecem esses magistrados?

 
 

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