São Paulo – O que comemorar?
Enviado por lmstefanini, seg, 24/01/2011 - 18:07
Todos os anos é o mesmo discurso no aniversário de São Paulo. Enaltece-se a grandeza da capital, as possibilidades infinitas, a pujança econômica e o motor do país. Este aniversário, porém, poderia ser uma chance para se comemorar a vitória do povo brasileiro, que aqui se reuniu para construir uma metrópole.
São Paulo teve um crescimento ao longo do último século que foi sustentado pelo aumento de sua população, e devido principalmente ao fluxo migratório. Não há como pensar que sem este fluxo de pessoas a capital seria a mesma potência econômica que é hoje. O crescimento, porém, foi desordenado, nunca teve um planejamento moderno e esteve sempre baseado em conceitos antigos de especulação e perpetuação das desigualdades. Milton Santos definiu a cidade de São Paulo como a metrópole horizontal, fragmentada e corporativa.
Esta lógica de crescimento está mudando. O último Censo apontou que a população de São Paulo não cresceu e indica que houve um êxodo migratório. A cidade experimentará nos próximos anos, e pela primeira vez na sua história, um movimento de redução da sua população; e que pode não estar preparada para lidar, pois as políticas de crescimento ainda são antiquadas.
Seria então São Paulo uma cidade decadente? Não acredito totalmente, e acho que ainda há chance de pegar um novo bonde de crescimento, que poderia estar baseado em um exemplo de sustentabilidade e qualidade de vida. Da vontade do povo em crescer, inovar e construir eu não tenho dúvidas. Resta saber se os governantes e os donos do capital conseguem enxergar algo além de seus empreendimentos.
Do blog recem inaugurado: http://oinsustentavel.wordpress.com/




Do ponto de vista urbanístico pode estar decadente, a par da contínua expansão imobiliária (sempre desordenada). Mas, não do econômico. Exemplo: por incrível que pareça, a Cidade de São Paulo, todo ano, bate recordes de turismo, superando, inclusive, várias cidades praianas do nordeste. Que turismo é esse? O de negócios. Se a Cidade não é mais o pujante centro industrial do país, ainda é muito forte no setor de serviços, com ênfase em educação, tecnologia, gastronomia e cultura (universidades, centros de educação, teatros, espaços culturais, etc. - num simples exemplo, nossa querida Biblioteca Mário de Andrade, tão antiga, ainda é a maior do país). Tenho amigos do nordeste que, esporadicamente, vêm a Sampa para assistir a shows, teatros, para estudar etc. A vocação para negócios e cultura, ao que parece, está longe de acabar.
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