Sobre a internação forçada para viciados

Especialista defende internação “à força” para viciados da Cracolândia

Do R7

 
Para Marcelo Ribeiro, grávidas e pessoas com problemas psicológicos devem ser recolhidos

A megaoperação na Cracolândia, região central da capital paulista, que acaba de completar uma semana não tem previsão para acabar e deve passar por várias fases, segundo a Polícia Militar. Na segunda delas, que abrange o tratamento médico e assistencial, a polícia afirmou que poderá haver a internação compulsória de alguns usuários, caso seja necessário. Ouvidos pela reportagem do R7, especialistas disseram concordar com essa medida.

Para Marcelo Ribeiro, doutor em Ciência pelo Departamento de Psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a internação compulsória [quando não é por espontânea vontade] é válida em alguns casos de vício de drogas, principalmente do crack. Segundo Ribeiro, recolher o usuário da droga “é uma alternativa e deve fazer parte de um menu de opções para ajudar”. 

- Em casos onde há um descontrole muito grande, quando a pessoa está tentando parar e não consegue, se está em risco, ou coloca os outros em risco, como os menores de idade, que estão em fase de desenvolvimento e estão se expondo [acho válida a internação]. 

Apesar de acreditar na internação compulsória como uma alternativa para o dependente químico, Ribeiro diz que ela deve ser de curta duração. 

- A internação involuntária deve ser de curta duração. Ela é o momento para tirar do olho do furacão. Eu acho que, nesse sentido, os menores de idade, as grávidas e aquelas pessoas que estão passando por momentos de altíssima exposição, ou que têm uma doença mental associada, que estão perambulando na rua, são candidatas [à internação compulsória]. 

Abstinência 

Ribeiro acredita que é possível tratar o usuário de crack. Segundo o especialista, o primeiro passo para o tratamento é responder a questões e entender o nível da estrutura psicológica do dependente, há quando tempo ele usa a droga, qual a gravidade e, principalmente, qual foi o impacto do crack na vida dele. 

- Isso vai junto com uma proposta de garantir uma abstinência, oferecer abordagens sociais capazes de reestruturar a pessoa. Além da necessidade de interromper o uso, eles precisam de reestruturação. 

Tratamento

Ângelo José Celante, coordenador do Departamento de Dependência Química da Clínica de Reabilitação Maia Prime, da unidade em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, diz que o tratamento para dependentes químicos engloba o trabalho, simultaneamente, de psicólogos e parentes. 

- Seria algo como aceitar a doença, entender que ela é crônica, progressiva e fatal, e depois rever seu comportamento. E, o mais importante, é frequentar um grupo, com o lema “Só por hoje”. O lema é vencer o dia a dia. 

Celante conta que o tempo de internação varia de acordo com o dependente químico, mas que ele precisa ficar sob os cuidados de especialistas por pelo menos 90 dias. Atualmente, 110 pessoas estão internadas na unidade. No local, são atendidos adolescentes, adultos e idosos. 


Cracolândia

Há sete dias, a Polícia Militar faz uma operação na Cracolândia, área na região central de São Paulo conhecida pelo alto consumo de crack. Esta é a primeira fase de um projeto de recuperação dos usuários que se instalaram no centro. Ela deverá ser seguida pela atuação de agentes sociais e de saúde. O objetivo é combater o tráfico de drogas na região, diminuir a criminalidade e recuperar as áreas degradadas. Não há previsão para que a operação acabe. 

A prefeitura promete ainda construir um centro para tratamento e alojamento de usuários de drogas, localizado na rua Prates. http://anjoseguerreiros.blogspot.com/2011/06/moradores-afirmam-que-policia-ignora.html Fonte: R7 Rio interna à força usuários de crack sem ter padrão de tratamento 
Prefeitura recolheu 82 menores desde maio, quando medida compulsória passou a valer

Desde 30 de maio passado, a Prefeitura do Rio de Janeiro interna, de modo compulsório, menores de crianças e adolescentes viciados em crack e outras drogas. Entretanto, apesar de já ter 82 menores de idades internados, a administração municipal ainda não tem um planejamento definido sobre como tratá-los.

O secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem reconhece que a prefeitura não tem uma "fórmula mágica" para reabilitar os usuários de crack e que a administração está em fase de testes sobre quais atividades funcionam no tratamento. Ele admite que o modelo de tratamento para reabilitação de dependentes de crack está em construção no Rio.

- O crack é um assunto relativamente novo no Brasil. Ninguém tem fórmula mágica. Buscamos em todo o país exemplos de sucesso. Estamos engatinhando, estamos aprendendo.

Conveniada à prefeitura, a Casa Viva, em Laranjeiras (zona sul do Rio) é apresentada como modelo de abrigo público especializado em recuperação de dependentes químicos. Sem uma rotina fixa, 11 menores de idade, de dez a 15 anos, são acompanhados por enfermeiros, terapeutas ocupacionais e um psiquiatra, que é o diretor da entidade.

O grupo, encontrado em diferentes bairros da capital fumando crack, passou antes pela Delegacia da Criança e do Adolescente para identificação. Em seguida, foi levado ao Centro de Recepção Carioca, onde profissionais constatam se há dependência de drogas. A partir daí, ou o menor é encaminhado a entidade voltada a usuários ou vai para abrigos convencionais. A princípio, o menor de idade fica 45 dias internado. Entretanto, segundo a secretaria, pode passar até oito meses sob tratamento obrigatório, se o caso for grave.

De acordo com especialistas, o tratamento de viciados requer mais que a desintoxicação. A professora de psiquiatria da UFRJ Magda Vaissan explica que são necessárias uma equipe de profissionais, atividades físicas e oficinas de arte durante a reabilitação.

- É preciso motivar o usuário para que ele queira deixar o crack. O abrigo não deve ser uma prisão, por isso devem ser proporcionadas atividades.

A reportagem do R7 conheceu a Casa Viva. O imóvel tem três andares, é limpo e arrumado, com uma pequena área externa. Entretanto, a falta de espaços que permitam brincar livremente ou praticar esportes chama a atenção.

Os internos da Casa Viva têm duas oficinas - de boxe e de teatro. Segundo a direção do abrigo, um casal de atores se voluntariou para dar as aulas de teatro. Mesmo com essas atividades, não há um planejamento. O psiquiatra Jorge Jaber, consultor voluntário da prefeitura, explica que ainda não foi feita uma sistematização do atendimento ao usuário de crack.

- Seria bom criar um instituto que acumulasse as informações dos abrigos para saber que tratamentos e atividades se adequaram bem à realidade do Rio. Ainda não foi posta em prática uma sistematização de tratamento.

Jaber também afirma que é importante capacitar as pessoas que cuidam das crianças no dia a dia.

Investimento e custos

A partir deste ano, a Secretaria Municipal de Assistência Social tem R$ 8 milhões a mais no orçamento, totalizando R$ 23 milhões. A internação de cada menor de idade acolhido compulsoriamente custa R$ 2.500 por mês ao município. Caso as 145 vagas disponíveis no sistema sejam ocupadas - ao todo, há quatro abrigos para menores dependentes de drogas na capital -, o custo total será de R$ 310 mil por mês e R$ 3,6 milhões ao ano.

A reabilitação em abrigos públicos pode ser uma alternativa aos altos valores cobrados em clínicas particulares. Na Saint Roman, em Santa Teresa (centro), uma diária, apenas com os serviços de hotelaria, sem contar os exames médicos e o trabalho da psiquiatria, custa R$ 480 em apartamento individual, e R$ 395 em quarto duplo.

Na clínica Vila Serena, no Maracanã (zona norte), que possui convênio com empresas como a Petrobras, a diária custa R$ 357 e a semana, R$ 2.449. Entre os serviços oferecidos, estão palestras, dinâmicas em grupo, plano individualizado de tratamento, educação física e programa de reinserção familiar.

*Colaborou Mariana Costa, repórter do R7 Rio

R7 http://anjoseguerreiros.blogspot.com/2011/07/rio-interna-forca-usuarios-de-crack-sem.html

Nenhum voto

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.