Criolo inaugura lista de grandes shows do Rio de Janeiro

 Felipe Diniz / Divulgação

Rapper paulistano se apresentou para 3 mil fãs no Circo Voador na madrugada de domingo

RIO - O efeito “Cálice” se fez sentir na madrugada de domingo, no Circo Voador: depois de ter sua recriação do clássico da MPB citada por Chico Buarque em seu show “Chico”, o rapper paulistano Criolo encarou sua primeira noite de consagração plena no Rio de Janeiro. Mais de três mil pessoas acorreram ao Circo para ver o show em que o artista pôs em desfile o repertório do CD “Nó na orelha”, uma das unanimidades da música brasileira de 2011. Acompanhado por um octeto (no qual se destacaram o tecladista Daniel Ganjaman, o saxofonista Thiago França e o baixista Marcelo Cabral), Criolo esbanjou ritmo, poesia e coreografia em pouco mais de uma hora de apresentação, que inaugurou a lista de grandes shows do Rio de Janeiro em 2012.

A noite do Criolo abriu em embalo afrobeat com “Mariô” (dos versos “não preciso de Mãe Dinah pra saber que é o seu pior”), em performance que o rapper dividiu (como em boa parte da noite) com seu comparsa de palco, o MC Dandan. Xamânico, ele brincou com uma camisa que mostrava Bob Marley jogando futebol (“faz o que você quiser, mas não mexa com o Bob, deixa o Bob aí”) e partiu para a indignada “Sucrilhos” (“cientista social, Casas Bahia e tragédia / gostam de favelado mais que Nutella”). Teatral por vezes, o rapper evocou a mistura de raças que faz o país (“sou feliz índio, caboclo, cafuzo, criolo sou brasileiro”) e depois partiu para o suingado hit “Subirusdoistiozin” – que ganhou dele uma dança e, do público, a aclamação a plenos pulmões.

No reggae “Samba sambei”, Criolo sacou do cartaz que dizia “Os mortos de Pinheirinho não me deixam comer” e confessou: até tentou fazer uma composição sobre o acontecido, mas não conseguiu por causa da “sensação de impotência”. Mantendo-se grave, interpretou o bolero-rock “Freguês da meia noite” e seguiu com o seu “Cálice”, a capela. A conclusão natural foi a climática “Não existe amor em SP”, em que ele gritou, dançou e mais uma vez foi aclamado.

Em mais um momento político da noite, Criolo fez a conexão entre os versos de “Lion man” (“vamos às atividades do dia: lavar os corpos, contar os corpos e sorrir”) e as mortes dos distúrbios recentes de Salvador. E seguiu seu rap em “Grajauex”, com metais em brasa e uma citação de “Rap é compromisso”, de Sabotage, feita por Dandan. No samba “Linha de frente”, Criolo recebeu no palco o compositor Duani, que tocou cavaquinho. E terminou a primeira parte da apresentação com “Bogotá”, mais uma vez em clima de afrobeat. Foi uma hora contada de show, em que passou em revista o repertório de “Nó na orelha”.

Para o bis, Criolo reservou o samba “4 da manhã” e “um flashback”, o rap “Cerol”. Feito isso, ele deu o seu recado (“vergonha prum homem é não ter caráter e se passar por artista!”) e se foi, deixando o público com a sensação de que tinha vivido um momento histórico.

A abertura da noite foi com o trio do baterista paulistano Curumin, que segurou uma onda samba-funk-reggae em canções como ”Compacto”, “Não adianta” (do Trio Mocotó) e “Cangote” (da cantora de Céu). De surpresa, o rapper BNegão ajudou Curumin numa releitura de “Feira de Acari”, clássico do funk carioca do MC Batata.




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