A FUGA

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A polícia isolou o local. Curiosos se amontoavam atrás do cordão de isolamento. Rapidamente viriam recolher o corpo. Ninguém resiste a uma queda de 13 andares. Pela distância que o homem estava do prédio, era claro que ele havia pulado. O povo se perguntava: "por que alguém de terno e gravata, que parece ter dinheiro, se suicidaria assim?" Mas ninguém conhecia o homem. E os jornais abafariam a notícia de seu suicídio.

 

 

 

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Leo chegou em sua casa. Na verdade, era uma suíte independente nos fundos da casa de sua mãe. Entrou, trancou a porta. Sentou-se na cama e olhou para os números de um código a ser decifrado para que aquela maleta preta se abrisse. Mas ele não teve dificuldade em abrir a maleta sem o código, coisa que qualquer ladrãozinho pior que ele sabia. Mas  Leo se espantou, quando viu o que tinha dentro da maleta. Não com os maços de dinheiro; as maletas que furtava no aeroporto costumavam ter notas de reais, dólares ou euros. Mas com o que leu nos documentos.

 

 

 

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O governador nem estranhou a demora de alguns convidados. O uísque fizera sua cabeça. O presidente do Medicrass, o maior grupo de Plano de Saúde do país, olhava para ele e pensava: "Mais um idiota fabricado. Pode ser presidente, mas será um presidente tolo. As velhas raposas o devorarão até a última gota". Depois olhou para a irmã do governador e pensou: "Se não fosse o machismo da família, era para você estar no lugar dele. Você sim é astuta o suficiente, mas trabalha na sombra. E se não fosse você, aquele playboy estaria em alguma praia torrando a fortuna da família. Talvez até mais feliz." Então o presidente da Medicrass, em voz alta, propôs um brinde ao sucesso dos negócios. Eles brindaram.

 

 

 

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Leo olhava para os papéis, sem acreditar. Eram as provas de um crime muito maior que o dele. Leo era apenas um ladrão. Começou roubando rádios de carros, por diversão. Depois aprendeu a levar os carros por completo. Trapaceava pessoas com truques antigos, furtava objetos. No meio da malandragem, existem os malandros velhos e os malandros audaciosos. Mas não há malandros velhos e audaciosos. Leo sabia disso e abusava da cautela. Gostava de furtar malas e pertences de distraídos no aeroporto. Mas ia lá só uma vez por semana, para não ficar marcado pelos trabalhadores do local. Nos demais dias, trabalhava em shoppings, rodoviárias, praças e bancos. Dessa vez, furtara uma maleta, mas nunca imaginou que veria aquilo.

 

 

 

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A mulher estava passando, a pé. Era uma blitz policial para carros, mas como o movimento estava pequeno, os policiais resolveram abordá-la. "Documento", disse um dos policiais, educadamente. A moça respondeu que haviam roubado sua bolsa na rodoviária, com todos seus documentos e dinheiro, na noite anterior. Os policiais então perderam um pouco da educação: "Mão na cabeça". Um deles apontou sua pistola para a cabeça da moça, para que ela ficasse parada com as mãos na cabeça enquanto era revistada. Mas por um golpe de azar, o revolvel disparou, acertando a jovem. Os policiais a pegaram, colocaram na viatura e a levaram para algum lugar.

 

 

 

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Os documentos que Leo agora possuia mostravam um esquema de corrupção do dinheiro da saúde. O governador, em convênio com a construtora UTCH numa licitação fraudada, construiria 6 hospitais. O governo  pagaria a construtora um valor 15 vezes maior que o gasto. Mas nenhum hospital ficaria pronto e a obra seria inacabada com a estrutura física quase completa. Depois o Plano de Saúde Medicrass compraria a obra abandonada, por um valor irrisório e terminaria de construir seus hospitais. A construtora e o plano de saúde eram do mesmo dono. E o presidente do Plano de Saúde e o Governador embolsariam o dinheiro excedente.

 

 

 

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O governador estava claramente ansioso. O presidente da Medicrass estava com visível impaciencia. A irmã do governador estava fria, sem demonstrar sentimento. Estavam sentados na casa do Governador. Um assessor do político, em pé, relatou o acontecido."Nosso homem pulou de seu apartamento, do 13 andar. A maleta com os detalhes da negociação não foi encontrada" O governador perguntou: "Mas é certeza que foi suicídio? Como sabem se ele não caiu, ou se alguém o empurrou propositalmente? Alguém poderia ter entrado em seu apartamento, jogado o homem pela janela e roubado a maleta". O acessor respondeu: "A perícia constatou que foi suicídio porque quando a pessoa cai pela janela, ela cai próximo ao prédio, o homem estava longe, como se estivesse pulado. E se alguém tivesse empurrado, teria vestígios de tentativa de se agarrar em alguma coisa antes da queda, o que não foi constatado. Ademais, todo o condomínio é vigiado por câmeras, que não flagraram ninguém entrando no apartamento além do suicida". O presidente do Medicrass perguntou:" tá, o homem suicidou. Mas e a maleta? Será que foi mesmo roubada?". O assessor respondeu: "Refizemos os passos do assessor. A maleta foi furtada no aeroporto. Por um profissional. Temos a imagem do indivíduo pelas câmeras do aeroporto. Daí, nosso homem preferiu se matar, e com razão, antes que sofresse as consequências pela perda da maleta." A irmã do Governador disse ao assessor:"Se possuem a imagem do ladrão, peguem-no. Divulguem nos jornais que é um ladrão procurado". O assessor respondeu: “Não é tão simples. Se causarmos alarde por causa de um furto comum, o caso vai chamar atenção. E temos de ser discretos. Mas nós o pegaremos, e esse ladrão pagará pelo que fez". O assessor saiu da sala.

 

 

 

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A polícia foi na casa de Leo, mas não o encontrou. Sua mãe afirmou que ele havia saído. Ela estava acostumada com os sumiços do filho, mas quando envolvia polícia, seu coração de mãe se preocupava. E ela sabia que dessa vez era mais sério; além de sua intuição a dizer isso, ela reparou que uns caras diferentes toda hora passavam na porta da casa, além de um furgão que ficava parado na rua, dava voltas e voltava.

 

 

 

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Leo era um ladrão, mas tinha um sentimento de ver as coisas melhores um dia. Roubava, mas algo em sua consciencia dizia que aquilo era demais. Ele teria que fazer alguma coisa. Tirou algumas cópias. Foi ao correio. Enviou uma cópia do documento ao jornal de maior circulação do estado. Enviou outra cópia a polícia. Enviou outra cópia para o presidente do partido de oposição. Guardou a original consigo. E foi para a casa de um amigo, pois sabia que havia mexido com peixe grande, e hora ou outra eles viriam buscá-lo.

 

 

 

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Os policiais não levaram a mulher para o hospital, pois ela já estava morta. Ela foi abandonada na saída da cidade; um viajante que encostara o carro para tirar umas fotos da bela paisagem encontrou o corpo, já no outro dia. Fizeram a perícia, a mulher fora mora por um tiro na cabeça . Constatou-se que ela estava grávida. Ela foi identificada, pois já havia queixa de seu sumiço. E a imprensa local adotou o caso como preferido dos telejornais, pois havia uma jovem bonita e grávida, muito sangue, covardia e mistério.

 

 

 

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Guaru trabalhava com falsificações. Identidades, documentos, cartões clonados. Não que ele fizesse as falsificações, mas tinha bons contatos. Era um fornecedor de documentos falsificados no submundo. Morava numa kitinete com um quarto, uma cozinha, um banheiro e uma sala com um sofá, onde Leo acabava de acordar. Leo contou o ocorrido ao Guaru, que lhe aconselhou: "Cara, voce foi queimado. Mexeu com gente grande. Eles vão te buscar, você tem que torcer pra sair na TV ou pra oposição noticiar. De qualquer forma, vai ter que fugir." Almoçaram lazanha de microondas assistindo TV, quando o jornal noticiou: "foi descoberta a identidade do homem que assassinou a jovem grávida na rodovia. Seu nome é Leonardo..." Leo não mais prestou atenção quando viu sua foto no noticiário. "Que filhos da puta", pensou. "Armaram uma emboscada, agora corro risco de sair na rua e ser reconhecido". "Saia do país, cara. Mas não tenho nem idéia,de como deve fazer isso", disse Guaru. Antes de deixar a casa, Guaru raspou a cabeça de Leo, lhe emprestou umas roupas e bonés, e, claro, alguns documentos falsificados que Leo talvez precisasse futuramente em sua fuga.

 

 

 

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O Jornalista leu a carta do suposto caso de corrupção envolvendo o governo, uma construtora e um plano de saúde. Mostrou a seu chefe, que não deu importancia. Todo dia chegavam denuncias de irregularidades de todo tipo. Ademais, o caso da Jovem Grávida estava no auge, e um escandalo político abafaria o caso sangrento. Por fim, alguns dólares de caixa 2 chegavam mensalmente - e secretamente - para os redatores do jornal.

 

O policial também jogou fora os papéis que denunciavam corrupção, pensando: "Como que um cara arma um esquema para incriminar o governador e me manda? O governador é meu chefe!".

 

A secretária do presidente do partido de oposição fazia a triagem das cartas e emails recebidos. E aquele pacote sem remetente, sem endereço e sem nada, foi parar no lixo, por descuido e preguiça de ler papéis desinteressantes com letras miudas.

 

 

 

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“Ele fugiu, não sei pra onde! Só falou que iria fugir!”, dizia Guaru, o amigo de Leo. “Ele não falou como, simplesmente saiu”, continuou dizendo, sob tortura da guarda especial do governador. Guaru pensava que poderia sobreviver, mas seria morto depois de torturado. A polícia comum não chegaria até ele, pois ele pagava religiosamente a mesada para o delegado regional. E se chegasse, ele também tentaria subornar. Mas era Guarda Especial. “Eu sou inocente, só sou um amigo do Leo! Eu não fiz nada!”, gritava Guaru, sob tortura. Um dos homens da Guarda Especial falou: “Claro que você é inocente. Se fosse culpado, estaria em uma cadeia qualquer. A gente não estaria aqui, seria a polícia militar”. Guaru falou tudo o que sabia, sob tortura. Foi retalhado pela guarda especial, e antes de morrer, entendeu que era realmente sério. A Guarda Especial do governador era praticamente uma lenda no submundo. Só sabiam que existia, mas ninguém nunca tinha visto. E nem nunca queria ver.

 

 

 

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Leo tinha dinheiro, uma mochila com roupas, habilidades de um ladrão e a certeza de que tinha gente grande o perseguindo. Sabia que era perigoso roubar um carro, deveria haver blitzes por todo o estado. Sabia também que não deveria pegar ônibus de viagem para grandes distâncias, era arriscado demais. Teria que usar sua criatividade, se quisesse viver. E teria de escolher algum caminho para sair do estado. E futuramente sair do país.

 

 

 

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“Está tudo em ordem, doutor”, dizia o motorista do onibus. Mesmo assim, a polícia, sob supervisão de um integrante da Guarda Especial, revistou todos os passageiros. Era um ônibus que ia para Ciudad del Este, no Paraguai. Quando a polícia parou, os camelôs e barraqueiros, que lá iam para comprar suas muambas falcificadas e revender na cidade grande, pensaram que teriam que pagar alguma propina. Mas dessa vez, a polícia estava atrás de alguma outra coisa. E não encontrou, pois, depois de revistar a todos, a polícia liberou o ônibus.

 

Parecia ser um alarme falso. Informações diziam que Leo comprou a passagem para o Paraguai, num ônibus que contrabandistas de cigarro e camelôs usam pra trazer suas muambas. Parecia até um bom plano, mas seria facilmente pego. E de fato a poltrona que supostamente Leo comprou estava vazia. Outros ônibus foram parados em barreiras policiais, todos que iam para alguma cidade no caminho para o Paraguai.

 

Mas a informação era correta, Leo comprou uma passagem para o Paraguai. Usou uma de suas identidades falsas, e imediatamente se desvez dela. Leo sabia que, com a polícia em seu encalço, cairia na sua armadilha. O Paraguai era uma rota muito óbvia, ele não iria fugir por ali. Nem pegaria ônibus em terminais rodoviários. Ele fez o mais simples: roubou uma bicicleta, amarrou umas muambas, colocou roupas velhas e rasgadas e seu disfarce estava pronto. Em vez do sudoeste em direção ao Paraguai, pegou a rodovia que seguia para o leste. Pedalou por três dias, mas, conforme já previa, não dava pra atravessar o país de bicicleta. A demora poderia fazer dele uma presa fácil para a Guarda Especial.

 

 

 

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A Guarda Especial estava aflita. Com pouco tempo, percebeu que foi enganada. E o pior, perdera o rastro de sua presa. Os integrantes da Guarda Especial temiam seu chefe, que no caso, era uma mulher: a irmã do governador. Ela não tolerava erros. Por outro lado, a Guarda Especial sabia que, muitas vezes, o próprio procurado se entrega. Comete algum erro, durante a própria fuga. Tem de cometer outros crimes, seja para se esconder, seja para conseguir mais dinheiro. E uma hora o procurado iria acabar se entregando.

 

 

 

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Leo abandonou a bicicleta, no meio de um canavial. Na estrada, pegou um ônibus. Desses que param em todas as cidades e vilas, que servem aos sertanejos e à população mais pobre. Tinha medo de ser reconhecido, apesar de seu boné tampar boa parte de seu rosto. Olhou ao redor. Viu velhos, crianças da roça, gente sofrida, brilho nos olhos de gente feliz, gente que luta, gente que sobrevive, por dia, sem ajuda alguma do governo. Pensou: “Governo filho da puta. Tanta gente precisando de ajuda, tanta gente sofrida, precisando de atendimento médico, e casa, de uma vida decente, e vocês me procurando. Prometo que quando tudo isso acabar, vou me dedicar a ajudar o povo. Se Deus me der a chance de escapar dessa com vida, claro”. O ônibus fez uma parada em uma lanchonete, todos desceram. Leo comeu uma coxinha e tomou um suco de laranja. Depois de 15 minutos, todos voltaram para o ônibus. A passagem de Leo o permitia seguir por mais uns 200 km.

 

 

 

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A polícia rodoviária parou o ônibus, revistou cada pessoa. Os pobres passageiros confirmaram que Leo estivera ali sim, não foi um alarme falso. As câmeras da lanchonete também registraram a presença dele ali. A garçonete, que reconheceu Leo, o assassino, não havia errado. Porém, parece que ele não seguira de ônibus. A polícia fora enganada novamente. Mas não estava muito longe dessa vez. Agora sua rota ficava óbvia. Ele seguiria para o leste, rumo ao Mato Grosso do Sul. Provavelmente iria para a Bolívia, pela cidade de Corumbá. Agora seria fácil pegá-lo.

 

 

 

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Na cidade da lanchonete, havia um trevo. Um caminho seguia para o Mato Grosso do Sul. A outra estrada seguia para o noroeste, rumo ao Mato Grosso. Leo sabia que barrariam a estrada para Corumbá. Caminhou então para o noroeste, pela outra estrada. Sem opção, teria agora de se arriscar mais. Colocou uma roupa melhor, trocou o boné. Esticou o braço na rodovia, e esperou carona. Não demorou muito, um velho caminhão parou. O caminhão seguiu para o noroeste, com Leo. Seguiram, o caminhoneiro não o reconheceu. Leo desceu alguns quilômetros antes da fronteira com o estado de Goiás.

 

O caminhoneiro foi parado na fronteira de estados. Era um velho que gostava de conversar. Na sua ingenuidade, disse ao policial que sim, dera carona a um jovem. A descrição batia com a aparência de Leo.

 

 

 

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                A Guarda Especial pensara ter encurralado Leo. Até porque ele estava a beira da fronteira, e não poderia agir em outros estados. Teria de confiar nas polícias militares, que sabiamente são ineficazes e corruptíveis. Tinha de pegar Leo ali, espremido na fronteira.  Cercaram todas as estradas. Deixou toda a população avisada de que ali perambulava um assassino.

 

               

 

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A fronteira com o estado de Goiás é o Rio Paranaíba. Ele é utilizado para navegação e pesca, por seu porte. E ninguém desconfiaria de um pescador que ali descia o rio, com sua vara. Leo roubara uma canoa, dessas que ficam na beira do rio, sem cuidado algum. Cortou umas varas de ba mbu, e agora era – ou parecia ser – um simples pescador. Quando a Guarda Especial se deu conta de que Leo não estava mais na região monitorada, o fugitivo já havia descido o rio e estava pisando no estado do Mato Grosso do Sul. Ele sabia que ali a Guarda Especial perdia seu poder. Ainda estaria sob o risco das polícias militares. Mas elas eram incompetentes o suficiente para pegá-lo.  Chegou à primeira cidade do estado, foi a um boteco na beira de estrada.  O rádio noticiava que Leo, o assassino da moça grávida, havia sido pego. Trocara tiros com a polícia, foi atingido e morreu no caminho do hospital. Leo ficou sem entender. Ainda sem entender, continuou sua fuga, alternando por ônibus, caronas, bicicleta e a pé, até chegar em Corumbá. Realmente não foi mais incomodado. Ali, entrou na Bolívia.

 

 

 

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Na primeira cidade do estado de Goiás, um jovem abordou carro, matou o motorista e fugiu com o carro. Foi pego pela polícia. Suspeito de ser o Leo, foi entregue à Guarda Especial do governador. A Guarda sabia que não era Leo, mas tinha outro problema. Sabia que Leo não ofereceria perigo de divulgar mais nada, seria confundido com mais um louco. Ele simplesmente fugiria do país. Sua vida era apenas questão de vingança. E a Guarda Especial não podia falhar, tinha de apresentar o indivíduo à temível irmã do governador.  Foi quando mataram o jovem ladrão de carros, que caiu como uma luva no caso. Disseram ser o assassino Leo. A imprensa e a opinião pública ficaram satisfeitas com o trabalho da polícia, e aliviadas por existir um assassino a menos no mundo. O governador e sua irmã ficaram satisfeitos com o trabalho da Guarda Especial, o segredo estaria guardado. E o plano deu certo; o governador inaugurou os hospitais particulares, depois de bastante tempo, ao lado do presidente do Plando de Saúde Medicrass, sob aplausos do povo.

 

 

 

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Leo nunca mais voltaria ao Brasil. Também sabia que de nada adiantava mais o que sabia sobre o governador, ou sua fuga. O que passou, passou. Estava vivo, e isso era o máximo que ele poderia naquele momento. Teria de reconstruir uma nova vida num outro país. Se tornou um pária.

 

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