'O Brado Retumbante' e as eleições para a prefeitura de SP
Enviado por DiAfonso, qua, 25/01/2012 - 22:49O Brado Retumbante, minissérie global que estreou no último dia 17, seria uma obra de ficção?
É a pergunta que todos andam fazendo. Eu diria - em função de uma leitura muito particular - que, em certo sentido, sim. Mas, se deitarmos um atento olhar para alguns coincidentes detalhes que vão surgindo ao longo da "trama ficcional", ele nos revelará, aos poucos, que a ficção cede lugar à maquiavélica construção de uma realidade que se pretende instaurar num futuro não muito distante.
A obra foi escrita por Euclydes Marinho que contou com a colaboração de Nelson Motta, Denise Bandeira e... Guilherme Fiuza.
Fiuza, como se sabe, é um notório articulista da oposição sem rumo que tenta, sem sucesso, retomar o poder e compartilhá-lo com uma elite pouco afeita ao papel de coadjuvante em uma sociedade que vem se construindo, desde o Governo Lula, a partir do principal personagem: o povo.
Se juntarmos - num caldeirão bruxo-midiático - a Rede Globo [emissora que veicula a minissérie] e, especialmente, o colaborador Fiuza, teremos uma "diabólica porção mágica" cujo intuito é intervir nos processos eleitorais que se avizinham: 2012 e 2014.
A trama, conduzida com intenções subliminares, almeja dar vida a personagens, por assim dizer, pouco "ficcionais", se os compararmos a algumas figuras da política brasileira contemporânea.
Quem não reconhece, por exemplo, Aécio Neve no papel de Paulo Ventura [Domingos Montagner]? Os instintos aecianos [ou pelo menos o que se divulga sobre a "insaciabilidade" do senador mineiro... ou será carioca?] estão lá presentes no presidente Paulo Ventura [a simples consulta a um dicionário, nos dará os sentidos possíveis para o sobrenome "Ventura"... Façamos um entrelaçamento entre o semântico e a realidade política atual e teremos algumas hipóteses interessantes].
A tênue barreira entre "ficção" e realidade política foi duramente tencionada no capítulo desta sexta-feira, dia 20. A temática posta em algumas cenas não deixa dúvidas de que ficção e realidade são a mesma coisa [!]. Ficou claro que a emissora, pelas mãos do autor e colaboradores [não nos esqueçamos do Guilherme Fiuza!], tem um propósito nada ficcional. Vejamos:
Antônia Ventura, professora de história e esposa do recém-empossado presidente, recebe do professor e amigo Guilherme um pen drive com informações confidenciais e importantes que podem gerar um escândalo no Ministério da Educação. O conteúdo do arquivo está relacionado à "qualidade histórica" dos livros didáticos adotados pelo Ministério... Alguma coincidência?
Três dados interessantes podem ser "eleitos" neste episódio:
- o primeiro é que Fernando Haddad - Ministro da Educação do Governo Lula e, também, do Governo Dilma - se viu bombardeado pelos veículos midiático-golpistas no caso do livro didático Por uma vida melhor;
- o segundo [e emblemático] é que Haddad é candidato do PT à prefeitura de São Paulo e foi escolhido por Lula. Será que o PSDB e os grupos midiáticos estão temerosos de que um novo "poste" comece a andar e dê luz ao final do pleito? Dilma está aí... Nunca é demais lembrar.
- o terceiro [e sintomático] é que o nome do personagem que desencadeia as denúncias contra o Ministro da Educação é o mesmo do colaborador: Guilherme ou "Gui" em algumas cenas e Guilherme Fiuza, respectivamente. Aqui, parece-me um deslavado cabotinismo e um explícito culto à personalidade.
Assim é que, a partir das denúncias de Guilherme [Chamado de "bonitão" pela mãe do presidente... Olha o culto à imagem do Fiuza... pelo próprio Fiuza?!?], o "fictício" Ministério da Educação entra na alça de mira. Não nos esqueçamos de que a mídia golpista, no mundo real, não deu sossego às ações levadas a cabo por Fernando Haddad, enquanto ministro da pasta.
Pode-se entrever algumas não "meras coincidências" ao longo do capítulo [O brado da primeira-dama].
Pode-se entrever, também, uma tentativa desesperada de um certo conluio midiático-partidário em decepar, no nascedouro, uma possível tomada de poder da prefeitura de São Paulo pelo PT.
Haddad, pela possibilidade de ser o "ungido" - assim como foi Dilma Rousseff -, está no olho do furacão midiático.



Caro autor,
Sinceramente é a primeira vez em toda a minha vida que comento algo em algum blog... mas nesse caso aqui eu não poderia deixar batido...
Sim, eu realmente me escandalizei com suas palavras, mas não pela tese levantada por você de um suposto conluio entre a oposição e a "mídia golpista" por você retratada... e sim pela abordagem do tema, desvirtuando totalmente a intenção da minissérie que seria mostrar para a população que determinados escândalos, pelo menos na ficção, podem sim ser combatidos com firmeza pelo chefe do executivo, mesmo quando ele "não sabia de nada"....
As vezes eu sinto pena de pessoas como você, primeiro porque eu imagino se o seu tipo de pessoa é realmente a de uma pessoa alienada (lavagem cerebral) como demonstra ser, no sentido de que realmente acredita que tudo que não é vermelho é do mal e só possui o objetivo de prejudicar o "povo", ou, ainda, fico pensando se esses tipos de comentários em blogs são produzidos de forma levianamente consciente, com o objetivo de criar novos conceitos a partir da criação de preconceitos (vide a tal "bravataria tucana").
Enfim, gostaria apenas de ressaltar neste comentário que a dita minissérie possui sim grandes temas para reflexões e o caso do livro que deseduca o "povo" foi utilizado apenas como mais um exemplo dos escândalos que vivemos hoje na política nacional (para quem não lembra, na vida real os tais livros distribuídos diziam basicamente que o importante no português é apenas se fazer entender e não as regras gramaticais, simplificando, falar errado não seria errado se a comunicação for bem sucedida.... sinceramente isso na minha humilde opinião é emburrecer a população).
Estou comentando apenas porque tudo tem dois lados nessa vida... e esse artigo foi extremamente tendencioso e preconceituoso....ratifico ainda que não sou partidário e nem ao menos direitista, pelo contrário, torci pela vitória do Lula na sua primeira eleição e na época ele parecia ser da esquerda.
Gostaria que meu comentário fosse publicado.
Aberto para debates, porque por aqui não gostaria de me alongar.
abs.
João
Caro Joao Paulo, boa noite,
Desculpe-me a demora em responder. Na verdade, só agora vi o seu comentário.
O fato de vc nunca ter comentado em blog e o fez porqu se incomodou com o artigo que escrevi é irrelevante para a discussão.
Fico me perguntando por qual motivo o meu artigo o escandalizou. A tese, por mim levantada [não sou o único, diga-se de passagem], é perfeitamente confirmada em outros episódios em que a Globo resolveu interferir na vida política brasileira de forma descarada [a omissão sobre o Movimento DIRETAS-JÁ, a edição do debate Collor X LULA e a midiatização do personagem Sassá Mutema são três casos clássicos da parcialidade das Organizações Globo].
Parece-me que sua leitura deixou de captar algo que vai além de uma suposta proposta político-pedagógica vinda da Vênus Platinada. Leia um pouquinho sobre a história da Rede Globo e, aí, vc terá as bases para compreender a minha posição [aceitá-la é um problema que não me diz respeito].
Sinto dizer que não se debate honestamente tendo pena de alguém [como vc afirmou ter de mim pena. Recuso sua piedade.]. Denota pobreza argumentativa e falta de humildade. Você não imaginou que eu tenha sofrido lavagem cerebral, você fez prejulgamento e lançou as bases para um pré-conceito. Está aí, uma vez mais, a forma mesquinha como se pretende debater.
Quanto às referências ao livro didático, gostaria que mergulhasse em leituras na área de linguística, notadamente, em sociolinguística. Depois, só depois, conversaremos sobre esse tema. Discutir na base do "achismo" não leva a lugar nenhum. Apresente argumentos, mesmo que releve o contraditório, e o debate se faz mais sério e menos "eu acho que...", "...na minha humilde opinião..." etc.
O seu voto só a vc interesa, caro João Paulo. Dizer que torceu por LULA não me comove, nem quer dizer nada. Se votou em Lula, ou em quem quer que seja, é uma questão de foro íntimo e está relacionado a uma determinada visão política.
Abraço e obrigado pelo comentário.
Sua leitura da minissérie foi precisa em relação ao verdadeiro objetivo da TV Globo: preparar o público para as próximas eleições, principalmente, a de 2014. No último capítulo, exibido ontem, o ator Hugo Carvana surge como um ex-presidente adoentado e descrito como o mais corrupto dos políticos. Essa descrição, e diria que até a imagem do ator com cabelos e barba brancos, me remeteram ao ex-presidente Lula, que sofre de câncer e foi apontado pela mídia de oposição como um ladrão.
A indicação do personagem de Carvana como um arrependido e sugerindo que a eleição de Paulo Ventura/ Aécio Neves seria a melhor coisa para o Brasil parecem indicar para o telespectador que Lula aprova uma candidatura de Aécio. Isto é, Lula reconheceria que o melhor candidato para acabar com os problemas de corrupção no Brasil seria Aécio. Isso não está nem nas entrelinhas dos diálogos travados durante o capítulo: é escancarado!
Na condição de um cidadão sem partido, me assustei hoje a tomar consciência de que a Globo entrou com tudo na eleição de 2012 e na de 2014. É sintomático a última fala de Ventura na minissérie: Peço o seu voto. É Aécio pedindo o apoio do eleitor. Acredito que o horário eleitoral começou mais cedo dessa vez.
Abraço,
Caio.
Caro Caio,
Grato pelo comentário. O pedido de voto do personagem é extremamente sintomático.
Grande abraço!
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