O Pensamento 'Mais-Que-Hemisférico' do Sul – Professor Milton Santos
Enviado por Alarcon, sex, 25/03/2011 - 09:21O Pensamento 'Mais-Que-Hemisférico' do Sul – Professor Milton Santos
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ALGUMAS ENTREVISTAS HISTÓRICAS (EM ANEXO)
01. Por Uma Outra Globalização - Filme de Sílvio Tendler
02. Sílvio Tendler com Paulo Cézar Peréio (Sem Frescura) sobre o filme
03. Entrevista ao Conexão Roberto D'Àvila - 1998
04. Entrevista ao Roda Viva - 31/03/1997
05. Entrevista a Jô Soares - 1993
06. Biografia - Globo Ciência - 19/12/2009
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[Obs.: anexei-as em formato de “playlist”; salvo algum erro ou imprevisto devem passar inteiras]
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Talvez um pequeno ensaio, insuficiente porém, do valor que dou e da admiração que tenho pela obra e pela conduta pessoal e acadêmica do Professor Milton Santos possa estar indicado neste pequeno comentário, sobre “Por Uma Outra Globalização” e seu autor, que escrevi e agora traduzo, solicitado por uma amiga para exibir em seu blog na Universidade de Berkeley:
'Uma das muitas obras-primas de um dos maiores pensadores do século XX. O Professor Milton Santos é como poucos um intelectual que foi capaz de mais que a difusão direta do seu pensamento propagar um inteiro conjunto de visões e perspectivas inovadoras através de um vasto número de mentes iluminadas mundo afora, conscientes ou não dessa origem, pela luz que primeiro lançou sobre vastas áreas do pensamento humano, ajudando a construir através de outras mentes brilhantes o forjar de seu novo mundo desenhado. Mais que um pensador, Dr. Santos era um pensador com propósito. Não lhe bastava apenas pensar nos problemas da Humanidade, mas iluminar os caminhos, metamorfosear o inconsciente em conscientizado, transmutar inconsistente em consistente, realizar do mundo irreal, e dotá-lo de ferramentas concretas para tornar nossa aventura humana mais suave e mais bem compartlihada por todos e para todos. Sem falar na sua alma imensa, seu sorriso infinito, preenchedor com o humano de todos os espaços que estudou, impagável. Uma leitura obrigatória cuja alternativa continua a ser o vagar cego na escuridão'
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Antes de tudo um ressalva: as entrevistas anexas não são “raridades” mas qualquer entrevista, ou contato com o Professor Milton Santos será sempre histórica porque será sempre inesquecível, para sempre. Uma sensação de ter estado ao lado de um Príncipe, um Guerreiro e ao mesmo tempo com o Conselheiro do seu próprio reino.
Ouvi uma vez numa entrevista de Oswaldo Montenegro, o compositor, músico e intérprete que falando sobre o seu amor redescoberto pelo Brasil enveredou, enquanto descrevia alguns brasileiros, por um tema que poderíamos definir como “o mistério da majestade interior”. Ele dizia que enquanto há alguns reis e rainhas coroados que quando encontramos e conversamos sem relacioná-los a suas coroas e tronos o primeiro pensamento que nos vem, independentemente, de nenhum padrão ou beleza estética é: “mas que pessoa feia, desengonçada, ignorante, deselegante...” - há também outras pessoas, nobres sem coroas e sem nenhuma pretensão à nobreza, que antes mesmo de abrirem a boca nos levam a pensar: “mas que nobreza, que sabedoria e inteligência, que realeza humana”. Ele se referiu a Paulinho da Viola com o que inteiramente concordo.
Estendo, entretanto, o modelo ao Mestre Milton Santos pois o primeiro ímpeto que nos toma quando o conhecemos, pelo menos foi assim comigo, é o de perguntarmos interiormente: “Sua Majestade... mas de que família real de que país é Sua Majestade mesmo?”.
Um sorriso generoso indescritivelmente altivo ao mesmo tempo, um olhar que nos inunda de sabedoria e uma aula inteira em cada palavra, sem nenhum tom professoral, arrogância acadêmica em nenhuma frase, puro aprendizado por encantamento. “...uma beleza luxuosa que se orna a si mesma...” como talvez definiria Machado de Assis.
Tive a imensa honra de conhecê-lo através de familiares e apesar de muito poucos contatos, duas longas conversas na casa de um cientista, um outro grande cientista, que tenho a honra de ter como amigo, mas de uma área completamente diversa à sua, me foram inesquecíveis e me valeram, pela conversa de ambos, uma biblioteca inteira que guardo inteira comigo até hoje.
Um outro amigo, uma pessoa muito especial, das mais sensíveis e sensitivas que conheço, me disse uma vez que ele é uma das raríssimas pessoas que carregava sua própria alma inteira dentro de si, totalmente assentada e “encaixada”.
E mais um amigo, à época doutorando da Universidade de Paris, muito tímido e recatado, me surpreendeu quando escreveu dizendo que “...nunca pensou na vida que um político e um acadêmico pudessem provocar 'estafa sexual' em alguém...”, pois disse que toda vez que era identificado como brasileiro e baiano e por desenvolver trabalhos de pesquisa quanto ao “homem e seu espaço” junto ao MST, era abordado como se fora o biógrafo único e oficial tanto do “Prrésidán Lilá dá SSillvá” quanto do “Doctér Miltón Santôz” e concluiu dizendo: “primo, essas intelectuais francesas são muito intelectualizadas, mas também são umas taradas... ô povinho que gosta... assim eu não acabo minha tese é nunca...”. Infelizmente, em boa parte das universidades baianas é muito triste perceber que fora das áreas específicas, poucos conhecem tanto quanto os acadêmicos franceses da dimensão do Professor e seu filho homônimo, não menor em gênio e grandeza humana.
A obra e a vida do Professor Milton Santos transcendem por demais o campo da geografia já tão vasto por si, mas sua dureza critica, sempre feita sob o manto glorioso da suavidade forte que tanto lhe foi peculiar, contra as confrarias acadêmicas, a ditadura dos pensamentos únicos, dualismos simplistas, verdades e dogmas absolutos, oferecem um despertar geral à nossa consciência maior de humanidade.
Junto a José Bonifácio de Andrada e Silva, Darcy Ribeiro, Josué de Castro, Oswaldo Cruz, Paulo Freire e, mais recentemente, Miguel Nicolélis, tenho o Professor Milton Santos no meu altar maior do pensamento e, talvez o ainda mais importante, do comportamento intelectual exemplar brasileiros.
Talvez devesse ser obrigatório a todo calouro pós-graduando, mestrando ou dourando assistir, quando não conhecer um pouco de seus escritos “arrebenta-paradigmas”, assistir ao filme de Sílvio Tendler com o Doutor Milton Santos, suas entrevistas, e ainda acrescentaria o documentário 'O Povo Brasileiro' sobre o livro homônimo de Darcy Ribeiro e suas entrevistas também, não para serem iniciados em nenhuma Ciência Humana ou Social, mas sim na humanidade científica, no humano da ciência, na arte de fazer ciência humanamente, com humanidade, grandeza, como humano, pelo humano e para o humano, sem o que a ciência em si mesma se inviabiliza em si na busca e na possibilidade de chegar a qualquer verdade real e aplicável à realidade.
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EM TEMPO:
Nestes tempos em que tanto discutimos direitos autorais e este que escreve tem uma visão libertária e socializante, ainda que moderada, sobre o tema, vejo como uma forma de honrar a memória do Professor Milton Santos, brindarmos a nós mesmos com a aquisição não só do filme específico mas da filmoteca inteira, quando possível, de Sílvio Tendler, que tenho como herói, e tão pensador e repensador brasileiro quanto, pelo seu trabalho brilhante em documentar e ainda ampliar com seu talento e lançar luz sobre o melhor do nosso pensamento e nossa história. Segue o link de sua produtora:
Caliban Produções Cinematográficas
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“Feliz aquele que ensina o que sabe e aprende o que ensina”
Cora Coralina
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Axé Meu Filósofo Maior da Minha Terra do Sul e de Um Novo Mundo Novo Inteiro!
Guilherme de Alarcon Pereira










Excelente! Muito obrigado pela "síntese" de Milton Santos na televisão. Vou repassar para os amigos.
MAGISTER, MESTRE, SER MAIS QUE HUMANO. Milton Santos para mim e a personificacao da beleza do partilhar O SABER. Assisti-lo, ler algo seu ou palavras que o descrevem, faz-me sempre inebriar min'alma, pois suas reflexoes soam como poesia. Procuro partilhar com amigos os seus saberes para que nao esgotemos nunca a discussao sobre um mundo globalizado, nao baseado no paradgma vigente, mas numa totalidade plural, verdadeiramente humano.
Muito obrigada,
Carmen Santana (atualmente estudante do curso de Etica, Valores de Cidadania na Escola USP/ Turma Santos
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